Maledicência: o amor por detrás da crítica

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Quem julga as pessoas, não tem tempo para amá-las – Madre Teresa de Calcutá

Às vezes, sou dominado pela energia da maledicência. Como uma nuvem escura que vai chegando, subitamente, me vejo preso e condenado a julgar, criticar, detonar e punir alguém, que no meu ponto de vista, é culpado. Culpado de que? Na verdade, não sei ao certo. Tudo o que o outro faz, eu também faço, de formas diferentes. Ou já fiz. Mas não importa: o ódio toma conta. A energia em minha volta se transforma num ambiente ácido, hostil, e quem entrar no meu raio de ação, cairá fulminado tal qual um pássaro despencaria ao penetrar na nuvem de gás venenoso.

Costumo falar nos cursos de constelação sistêmica que o ódio é a energia do amor distorcida. Existe ódio porque amei desesperadamente algo ou alguém, e vi meu amor frustrado. Então, após o ataque de fúria – que muitas vezes somente eu vejo em mim mesmo – quando consigo serenar minha mente, pergunto: onde está o amor que sinto por esta pessoa que condeno?

E pacientemente sento, aguardo, espero a resposta. Que sempre chega. Sempre há amor. Mas antes de chegar, percebo a carga pesada que, energeticamente, carrego desta sintonia: peso nos ombros, tristeza, culpa, dó, piedade… sentimentos que tiram a energia e me levam profundamente para baixo. Estou identificado com o peso da pessoa, que me lembra o peso do meu sistema familiar. Muitas vezes quero ajudar muito o outro, mas me percebo impotente. E a cada queda, diante da impotência, sinto-me raivoso.

Isso já foi muito pior. Como terapeuta, lido com esta ilusão do “ajudar” o tempo todo. Algo dentro de mim acredita que está “ajudando” e curando alguém… E sei muito bem que não posso ajudar nem curar ninguém. Algo maior faz isso, no momento adequado. Sentado, em paz, procuro soltar o peso. Imagino que esta culpa, dó, medo, angústia, tristeza… já não me pertence. Pode e deve descansar em paz. Vazio dos pesos, olho nos olhos de quem critico, e digo: sinto muito. Eu te machuquei. Reconheço os meus atos, e agora assumo. Pode deixar comigo. Siga em paz. Você está livre. E eu também.

Estou livre dos pesos que carregava dentro de mim, e aquele irmão, aquela irmã, auxiliou-me a acessar. Colocou-se como um sinalizador apontando diretamente para minhas feridas, e diligentemente auxiliou-me a olhar para minhas dores. Em paz, consigo sentir que aquela pessoa é um anjo na minha vida, a serviço da minha libertação. Seja abençoado, irmão. Seja abençoada, irmã, que tanto me provoca. Agora, vejo você com outros olhos. Eu estou livre. E você também.

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One Reply to “Maledicência: o amor por detrás da crítica”

  1. Oi Alex! Ontem no Cefak o tema da aula foi maledicência e mesmo que em outra abordagem chegamos a mesma conclusao. Uma participante do grupo disse que o local de trabalho, através de uma pessoa, passou a ser um laboratório de aprendizado e reflexão.
    Como sempre amei seu texto e peço licença para compartilhá-lo com meu grupo de estudo da doutrina espírita.
    Obrigada!!

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