caminho de santiago de compostela

Tolerância aos limites

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Você chegou ao seu limite. Fez o seu melhor, e não consegue dar mais um passo. Por que não esperar? Pare! Respire! Sente-se, e aguarde. Eu falarei com você. Não estou exigindo que você chegue a lugar nenhum. Não desejo que você seja melhor do que já é. E daí que outras pessoas passam, e aparentemente estão indo mais longe que você? Lá na frente, eles irão parar, e você irá passar por eles. E para que ficar julgando aqueles que não conseguem acompanhar o seu ritmo? Quanto desamor. A si, ao próximo. Não existe lugar nenhum a chegar. Você não pode realizar nada que já não foi feito… Não há vitória, ao chegar. Nem derrota, ao parar. Já pensou em dançar pelo caminho? Sorrir para as borboletas? Cantar uma canção?

A competição é uma invenção humana. E eu lhe digo: deixe de competir. E comece a se divertir… Comece a amar. Comece a se alegrar com as paradas e as caminhadas. Com a alegria e o sofrimento. Saia da mente. Brinque consigo mesmo. Ria das suas limitações. Das suas falhas. E dos seus acertos. E então, eu me revelarei.

Quando um terapeuta deve interferir na constelação?

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Antes de mais nada, devo explicar que a constelação familiar sistêmica é um método aberto, que é praticado de formas diversas pelo mundo. Não só Bert Hellinger veio modificando a sua forma de atuar perante a constelação, como também diversos outros terapeutas, de linhas diversas, acabaram incorporando formas e métodos dentro da dinâmica, fazendo com que uma constelação conduzida por um seja talvez bem diferente de outra, conduzida por outro profissional com outra experiência. Acho que todas as formas são válidas.

Dito isso, o meu intuito é, neste momento, colocar algumas linhas gerais para quem está aprendendo a conduzir constelação familiar sistêmica e acrescentar formas novas de pensar, de agir, de perceber. E a primeira coisa que e vem é: respeite o método que lhe foi ensinado.

Foi assim o meu caminho como facilitador, e depois, como instrutor. Estudei o método com a alemã Theresia Spyra, que por sua vez aprendeu com outra alemã Mimansa Erika Farn… esta, discípula direta de Bert Hellinger e uma das pioneiras, se não a pioneira da constelação familiar sistêmica no Brasil.

E falando sobre a maneira que aprendi, posso dizer que num trabalho sistêmico, quando os participantes estão suficientemente centrados, percebendo o sistema sem medo, com a mente mais ou menos livre dos conceitos pré-determinados, e sem se deixar prender por emoções exageradas, a constelação familiar anda sozinha. Mas para que os participantes possam estar centrados, é necessário que o facilitador esteja. E é muito comum perceber facilitadores nervosos, presos nas próprias ideias, nas emoções pessoais e sem saber lidar com a energia sistêmica que flui do campo… principalmente facilitadores inexperientes.

Eu também comecei assim, e não tem mal nenhum nisso. Quando a gente começa a dirigir, dá um nervoso mesmo, não é assim? Por isso, a minha instrução é: centre-se! Aprenda a deixar seus pensamentos passarem, sem dar bola para eles. Aprenda a deixar suas emoções passarem, sem embarcar nelas. Resista à primeira ação, e espere o máximo possível. Aprenda a sustentar a energia da constelação. E isso se faz com muito treino. Participando de muitas constelações. Se constelando e servindo de representante dezenas e dezenas de vezes. Se necessário, anos a fio.

Aos poucos, você irá percebendo a maravilhosa dinâmica da constelação sistêmica, que surge perante seus olhos antes de haver qualquer movimento. Você começa a abrir um canal intuitivo, onde frases surgem na sua cabeça, e quando faladas, resultam num movimento adequado ou em mudanças na energia do trabalho. A ideia de colocar um representante fica clara na sua mente, e quando você coloca, vê a dinâmica do trabalho alterada. Você, às vezes, é instruído a pedir um movimento para algum representante, e isso se mostra significativo.

A interferência deve ser simples. Não há discursos. Não há discussões nem tentativa de ensinar alguém. Passar lições. Mostrar conhecimento. Julgar, criticar ou apoiar quem quer que seja. Você, como facilitador, é somente um instrumento… uma flauta oca, por onde o sistema irá soprar suas notas. Você não quer nada. Não quer chegar em lugar nenhum. Agradar ninguém: nem o cliente, nem ao sistema, nem a si mesmo. Você se deixa conduzir por algo maior.

Talvez você pense: em não consigo isso! Minha mente não para de pensar! Sim, eu sei. A minha mente também não para de pensar. Porém, como disse acima, com muito treino (e a quantidade é muito relativa), você começa a entrar no campo com mais facilidade, e o seu trabalho na constelação começa a fluir de um outro lugar. O campo sistêmico se torna um campo de meditação. E você se deixa conduzir, embora não perca a sua capacidade de discernimento. Por isso, vou deixar umas dicas de quando um terapeuta deve interferir na constelação. Veja bem, são dicas, não regras. Em primeiro lugar, a intuição deve dizer algo.

1 – receber internamente um sinal claro de colocar um representante, tirar ou substituir alguém, pedir um movimento ou falar uma frase – se você não tem certeza do sinal, aguarde. Se o sinal é real, voltará novamente à sua mente;

2 – quando sentir que o movimento (ou a falta de movimento) está se repetindo, sem sair do mesmo padrão, indefinidamente;

3 – quando perceber que o representante está perdido em seus próprios pensamentos e emoções, e este tipo de padrão está destoando da constelação, como um todo;

4 – quando você conseguiu sustentar “o não-agir” durante tempo suficiente, e nada ocorre;

5 – quando existe algum tipo de risco à integridade física dos representantes;

6 – quando o representante deixa de obedecer aos comandos, e isso destoa do contexto da constelação – o que quer dizer que o representante entrou num contexto pessoal.

Lembre-se, querido. Você pode às vezes se perder. Ficar confuso. Entrar nas próprias emoções. Neste caso, afaste-se um pouco do campo. Dê uma distância, respire tranquilamente, e volte ao comando. Desta forma, o que se passa internamente não ficará evidente no grupo, e assim  você não deixará que as pessoas se influenciem com a sua insegurança, dúvida, medo, confusão, raiva ou seja lá o que se manifestar que é seu, e não do sistema. Isso não significa combater ou negar o seu estado interno – significa assumi-lo como um todo, e ao mesmo tempo, não perder conexão com o seu papel de facilitador sistêmico. Entenda também: muitas vezes você “sentirá” emoções e sensações do sistema. Isso é comum. Você sentirá a confusão, a dúvida, o medo, a raiva, o desejo sexual ou outra sensação que tem a ver com a constelação que irá ocorrer. Por isso, mais importante ainda é aprender a não entrar nestas sensações, não se deixar dominar. Sentir… e deixar passar. Sentir… e deixar passar. E ao mesmo tempo, ter a firme intenção de se conectar ao sistema, e permitir-se ser um instrumento. Isso é um gesto humilde, e como somos pouco humildes, em geral, precisamos treinar. Repetir, repetir, repetir. O dia que você acreditar que pode conduzir uma constelação, e é um grande facilitador, você se deixou perder pelo ego, e mesmo que tenha bom conhecimento e experiência, não estará sendo um instrumento totalmente adequado.

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Alegria de viver

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Muitos estão buscando a alegria de viver em atividades que lhe tragam prazer. E lógico, fogem dos momentos que trazem angústia, dor, sofrimento. Acreditam que a felicidade está vinculada à uma boa relação, um trabalho que preencha, ao prazer dos sentidos, às boas companhias, a um caminho espiritual sincero, à uma família amorosa e acolhedora. Assim, tentam transformar o caminho de vida nesta imagem pessoal de felicidade. Se condicionam a estar sempre em busca. A negar aquilo que não preenche esta expectativa. Vivem em conflito. E este conflito gera sofrimento e reforçam a busca.

Sim! Enquanto você não encontrou, faça experiências! Busque o melhor para si! Permita-se! Caminhe pela estrada… saia da rotina! Não acredite no que lhe falam: viva! Vá atrás daquilo que você acredita que é o bom, o bem, a paz! A mente humana precisa desta experiência, até perceber que não conseguirá preencher com coisas externas a própria insatisfação, e sentir em profundidade que a alegria chega em momentos, locais e situações totalmente inusitadas: um sorriso de uma criança. O voar de um pássaro. O saborear um pão. Um abraço gostoso. Os frutos do trabalho. O deitar-se numa boa cama. A leitura reconfortante. Uma roda de amigos e violão. O instante sagrado do silêncio. O tirar os sapatos após a longa jornada.

Eu lhe dou a paz e a alegria a todo instante. Em todos os lugares. Em qualquer companhia. Está aqui, ao seu dispor. Neste exato instante. Você não precisa fazer absolutamente nada para obtê-la, a não ser, relaxar. Silenciar. E desfrutar.

Mensagens do Caminho

Um terapeuta de constelação não olha para a cura. Sente o movimento

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“Quão mínima é toda a teoria, todo esse querer ter razão sobre aquilo que é certo e errado. Quão pequeno? Isso é como quando as crianças querem construir o mundo numa caixa de areia. O mundo continua no seu ritmo, deixando de lado a caixa de areia”. Bert Hellinger – Ordens da Ajuda

Antes de mergulhar no universo da constelação familiar sistêmica, estudei programação neurolingüística, a PNL. Neste tipo de abordagem, estamos geralmente orientados para buscar a solução para um determinado contexto apresentado pelo cliente. Na realidade, vivemos uma sociedade focada em buscar soluções. Soluções imediatas. E se vivemos buscando soluções, significa que estamos o tempo todo olhando para os problemas. Falta de dinheiro. De saúde. Separações de relacionamentos. Conflitos entre pessoas. Perdas. Precisamos de soluções! Soluções! Soluções, diante de tantos problemas.

Graças a este tipo de visão, no começo eu via as pessoas que eu atendia como gente problemática. Que precisava mudar. Que precisava de cura. Que tinha que alcançar um patamar x. Estava preso aos meus conceitos de certo e errado, de doença e saúde, de adequado e inadequado, e me via o tempo todo confrontado com pessoas e situações que não se enquadravam ao que eu desejava. Estranhamente, eu percebia que a constelação sistêmica agia sobre estas pessoas de uma forma que nem eu, nem elas entendiam. E muitas vezes, meses após, ou em alguns casos, dias depois do atendimento, eu recebia um feedback assim: não sei o que aconteceu, mas minha mulher teve uma crise emocional que nunca ocorrera. E então tivemos um diálogo franco, como nunca! E ela nem sabe que vim fazer terapia! Estamos nos entendendo, finalmente… Você acha que é por causa da constelação?

Quando eu lembro do trabalho feito, muitas vezes verifico que a constelação não atingiu um estado de solução. Quer dizer, nem sempre as pessoas ficaram totalmente confortáveis, a imagem final da constelação nem sempre é a mais agradável. Isso, segundo nossos conceitos de “certo e errado”. E mesmo assim, os efeitos ocorrem. Então, para que tanto foco na solução, se sabemos que algo irá mudar? E o pior: aquela pessoa tão problemática, na minha cabeça, se mostrava diferente, e eu não sabia explicar o porquê. Acho que eu que era “o problemático”, né?

É lógico que um cliente, se está se separando, quer uma resposta direta: vou separar ou a relação vai melhorar? Se ele está com um sintoma físico, quer saber: vou me curar? Se ele está sem dinheiro, deseja a resposta: qual o caminho da prosperidade? Onde vou me encontrar financeiramente?

Comecei a aceitar que estas respostas não vinham com clareza. E nunca virão. Ou seja, não havia solução, nem na imagem da constelação, nem na resposta que eu poderia dar ao meu cliente.

A solução está no movimento

É lógico que minha mente de alguém que gosta de respostas, fica querendo apontar algo fácil e direto: vai acontecer isso! Deixe esta pessoa! Essa doença vai desaparecer em 2 dias! Mas isso não existe, em constelação. Conforme Bert Hellinger veio percebendo a constelação familiar se desenvolvendo como método, descobriu que o mais importante é o movimento que ocorre. E este movimento, dentro da constelação, pode ser sutil. Às vezes, uma pessoa que não conseguia olhar para outra, olha. Pronto. Houve um movimento! Alguém que estava absolutamente estático, consegue dar uns passos. Ok, houve movimento. Uma dupla que estava se hostilizando, consegue se encarar, e embora sem beijos e abraços, deixam a hostilidade de lado. Houve um movimento!

Nós, como facilitadores, percebemos o movimento e validamos. E também sentimos a energia do campo, quanto mais estivermos conectados com o trabalho. E percebemos claramente a energia mudando. É comum não sabermos quem é quem, dentro da constelação. E é comum não podermos explicar ao cliente o que tem a ver o movimento que houve na constelação em relação à questão que ele veio trabalhar. Não sabemos a solução, mas podemos ter certeza de que o movimento irá afetar a vida do cliente, e a questão será atingida. A experiência de anos trabalhando com constelação e os contatos com os clientes me dá esta certeza.

Vamos supor que um cliente tenha vindo com uma questão de falências recorrentes para ser trabalhada. E na constelação, vemos a imagem de um casal se reencontrando. Nós, como terapeutas, não temos a menor ideia de quem é o casal. E o cliente também não. Mas vamos supor uma história mais ou menos assim: um homem, antepassado do cliente, possuía uma amante, vivendo paralelamente à família oficial. Esta amante nunca foi reconhecida e nem recebeu os benefícios financeiros que a família oficial recebeu. O homem morreu, e esta amante morreu em miséria, sem se casar, sem família. Bert Hellinger nos ensina que os excluídos do sistema familiar (e todas as amantes fazem parte do sistema familiar!) causam um bloqueio no fluxo do amor, até que energeticamente o excluído seja reconhecido, e faça parte. Este emaranhamento sistêmico pode estar provocando as falências sucessivas.

Sabemos, observando uma constelação, que a inclusão ocorre somente quando todas as resistências emocionais, de crenças e energéticas são vencidas, durante os movimentos que surgem na própria dinâmica. Hellinger diz, no livro Ordens da Ajuda: “o movimento da alma é bem lento. Você dá a ele o tempo integral. Enquanto decorre o movimento, decorre a cura.”

Agora… como iríamos explicar uma coisa assim para o cliente? E outra coisa: não há nenhuma necessidade de explicar, porque o movimento da constelação, quando ocorre, é o que vale. A energia foi colocada em movimento, e isso irá refletir na vida do cliente.

Como será este reflexo? Não sabemos. Às vezes, para que alguém, com problema financeiro melhore, é necessário perder o trabalho atual, que está marcado pela energia antiga, para encontrar um novo caminho de vida, e entrar na rota da prosperidade. Às vezes, para encontrar o equilíbrio, será preciso um momento de desequilíbrio, onde as estruturas velhas terão que ruir. Uma casa antiga, desmoronando, edificada sobre fundações inadequadas, precisa ser demolida, para a reconstrução. Outros casos, as mudanças são sutis, porque o cliente já passou por profundas mudanças, até chegar ao trabalho da constelação.

Aprendendo a lidar com a própria mente

Costumo orientar meus alunos do curso de constelação para meditar. É comum a pessoa não conseguir lidar com a expectativa de não saber e a ansiedade de querer a resposta para ontem. E será muito óbvio que o cliente irá atiçar esta ansiedade e expectativa, querendo saber o que ocorreu, quando será a mudança na própria vida, etc. e tal. De quem é a ansiedade? Quem é que está em dúvida?

O terapeuta de constelação precisa aprender a confiar na intuição, e sair dos seus pensamentos condicionados. A intuição e a mente racional funcionam em canais diferentes. A mente racional é afetada por ideias fixas e emoções de coisas do passado. A intuição é um canal mais límpido, que “sopra” uma direção, suaves certezas, que faz com que fiquemos tranquilos e confiantes. Como ouvir a intuição? Deixando os pensamentos e emoções passarem, por mais conturbados que sejam. E como deixar eles passarem? Treinando observar a mente. Meditando o tempo todo. Saindo do tumulto, deixando as conexões de lado, silenciando, parando as conversas fúteis e fofocas. Deixando de querer ter certezas e saber as soluções. Assim, permitimos que tudo seja como é, e a força do destino atue sobre a vida do cliente, em toda a sua grandeza.

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Todos cuidam. Todos são cuidados

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Foto de Luciana Cerqueira

Até hoje, talvez você tenha pensado: ninguém olha para mim. Ninguém reconhece meus esforços. Ninguém me apoia. E achou que estivesse andando sozinho, nesta estrada sem fim. Os outros só serviam às suas conveniências, mas no fundo, você só via a si mesmo. Só via as suas dores.

O meu amor chega pelas mãos de muitos. Seus pais. Seus irmãos. Seu ex-companheiro. Ex-companheira. Seus empregadores. Os empregados. Os curadores. O vizinho. Os religiosos. Os ateus. Os filhos. O atendente do bar. O desconhecido do caminho. Eles não têm a menor ideia de que estão sendo meus instrumentos. Assim como eu o utilizei inúmeras vezes para despertar o seu irmão, a sua irmã. Alguém que você nunca mais irá ver. Mas você nem percebeu, tão mergulhado estava em suas próprias ideias. É assim que eu ajo. Todos estão cuidando, e sendo cuidados. Não há melhor cuidador, ou pior cuidador. Todos cuidam, todos são cuidados, porque quem cuida, sou Eu.

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Briga entre irmãos

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Eu os criei como iguais. E todos estão andando pela mesma senda. Mas você insiste em ver diferenças. Porque o outro é mais rápido, você quer ultrapassá-lo. Porque o outro não olhou para você, você o despreza. Porque o outro é lento, você se acha melhor. Porque o outro não é adequado aos seus padrões morais, éticos, estéticos, raciais, econômicos, espirituais ou seja lá o que a sua mente ingênua acredite, você se acha no direito de transformá-lo, na marra. E se não der, o exclui. Talvez, se for do seu feitio, o elimina.

Reflita, meu querido. Cada filho Meu está cumprindo um papel por Mim designado. Talvez você não entenda, mas Eu entendo. E se você vai contra a Minha criação, está indo contra àquilo que seu Pai criou. A desavença, o desafeto no seu caminho também faz parte da Minha criação. São as lições que estou lhe dando, que aparentemente causarão distúrbio, mas somente até que você perceba o que está negando, dentro de si. Quando você completar o estudo, perceberá que aquele que mais rejeita é o seu maior Mestre. Você sentirá a sua verdadeira força, que é a Minha força amorosa em ação. Irá reverenciá-lo profundamente, com a cabeça prostrada aos seus pés. E se sentirá pequeno, por ter jogado aos leões o professor que Lhe enviei.

Contudo, não espere ser perdoado. Não espere ser entendido. A compreensão profunda ocorre dentro de si. Após ajoelhar-se, levante-se. E siga o seu caminho. Deixando que seu irmão siga o dele. Se for para seguirem juntos, deixe que Eu coordenarei isso. E se for para separarem-se, despeça-se com gratidão e confiança. Esta briga não tem mais sentido. Baixe as armas, renuncie à guerra, e vá. De cabeça erguida. Que a paz esteja contigo. Todos estão no mesmo caminho. O caminho que Eu criei.

Mensagens do Caminho

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Gratidão

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A gratidão não pode ser forçada pela vontade. Por isso, também não se julgue por ser ingrato. Eu o aceito como você é. Assim como, em algum momento, você aceitará as pessoas e situações que coloquei em seu caminho, como são. Nem a favor de você. Nem contra você. Somente pessoas e situações. Quando você cansar de avaliar, julgar, condenar, apoiar uns para ir contra outros, então perceberá: todos são parte de Mim. Tudo é parte de Mim. Tudo é parte de Você. Todos são partes de Você. Eu e Você somos Um. Todos somos OM.

… seu coração se abrirá. Quem sabe, você deixará surgir um largo sorriso, diante de uma verdade tão simples. E a gratidão despontará como uma linda flor se abre na primavera. Pela primeira vez, talvez, você sentirá a paz por não mais necessitar combater nada nem ninguém. Nem a si mesmo.

É um desabrochar da sua alma, aliviada, em profunda compreensão e conexão. Comigo. Com você. Com todos. Ela, a alma, cantará, feliz: Sou Grato pela sua existência! Sou Grato pela minha existência! Sou Grato pela existência!

Não apresse o barco. A gratidão está se mostrando. Pare. Perceba. Respire. Sinta. Deixe sua fragrância perfumar suas dúvidas, seus medos, suas críticas, seus pensamentos, até que nada mais permaneça…

Mensagens do Caminho

Parceiro de quem se ama

Eu e minha "parceirona"... em contato com nossas sombras, no Caminho de Santiago
Eu e minha “parceirona”… em contato com nossas sombras, no Caminho de Santiago

É muito bonito ver um casal onde um apóia o outro em seus projetos, ao mesmo tempo em que ambos possuem independência para seguirem seus caminhos. Ninguém se sente abandonado porque o outro está em busca da sua realização, e deixa de se dedicar 100% do tempo para planejar e concretizar seus planos. E ninguém se sente responsável por erguer o outro, quando este naufraga. Mesmo assim, ambos estão juntos, continuam se apoiando, sendo amigos nas derrotas que inevitavelmente a vida traz, e curtindo as vitórias e sucesso conquistadas.

Uma relação assim só é possível em estado de presença. O que significa isso? Bem… estado de presença é a capacidade que todos nós temos de viver no aqui e agora, observando nossos pensamentos, nossas emoções e os fatos que ocorrem em nossa volta, sem deixar que nosso juízo de valores e questões emocionais mal resolvidas interfiram na nossa atitude.

Vou dar um exemplo: seu parceiro foi derrotado em algum aspecto da vida – financeiro, saúde ou emocional. Ele fica raivoso e quer dar a volta por cima de qualquer maneira. Você se sente, em primeiro momento, ansiosa e quer ajudar, até para acalmá-lo, pois ele nervoso lhe traz medo. Porém, você respira algumas vezes, percebe o seu medo que foi disparado pela situação, e o assume totalmente: este medo é meu! E percebe que a irritação e a ideia de derrota é dele, do seu parceiro. E internamente, entende que não há necessidade de entrar na onda da raiva, do medo, da necessidade de mudança na marra. Vê que, o melhor a ser feito, é permitir que tudo seja como é…

Uma sensação de paz lhe tomará, e não será incomum surgir um movimento silencioso de abraço, onde você permitirá que seu companheiro acalme em seus braços… você acolhendo totalmente a situação, sem nenhuma intenção de mudar… É um abraço amoroso, mas o Amor vem de um outro lugar, e pode curar tanto o seu medo, quanto a raiva dele. Você não está querendo nada. Nem mesmo abraçou porque pensou em fazer isso. Somente seguiu a intuição, quando permitiu-se sair dos seus próprios pensamentos e da sua própria emoção.

Esse exemplo é só um exemplo.

Em estado de presença, você saberá o que deve fazer. Não vem da sua mente. As ideias surgem… Às vezes, o silêncio. Às vezes, uma palavra mais incisiva. Às vezes, o se afastar. Às vezes, uma ação concreta.

Mas entenda uma coisa muito importante: você é responsável somente pelo seu bem estar. Se alguém pode lhe fazer feliz, é você mesmo. Você, consciente disso, com certeza será um bom parceiro para alguém que estiver ao seu lado. E pela lei da sincronicidade, você encontrará alguém que também estará equilibrado, como você. Os seus problemas emocionais, suas neuras, seus conceitos distorcidos, isso cabe a você tomar consciência, e resolvê-los. Assim como os problemas do outro, são de responsabilidade do outro.

O que não significa que você não está nem aí para os problemas do outro. Pelo contrário, em estado de presença, você está totalmente presente para o outro, quando estão juntos. Seja nos momentos bons, seja nos momentos difíceis, existe uma troca, uma cumplicidade muito grande.

Talvez você se pergunte: mas como encontrar uma relação assim? Não tenha dúvidas: na medida em que você se conhecer mais e mais, assumir a responsabilidade pelos seus problemas, estar em paz com a sua sombra e também em harmonia com a sua luz, as suas relações vão se alterando igualmente. A qualidade dos relacionamentos aumenta.

Porém, não se esqueça: você não tem o poder de fazer uma relação ser boa ou ruim. Nem o poder de mudar o outro. O amor e a compaixão não respeita o querer ou o não querer. É algo que acontece… é um presente divino, que chega de acordo com a vontade Dele. E quando acontecer, receba as dádivas que o universo está lhe dando, e aprenda com isso. O ser humano carente imagina que o relacionamento afetivo existe para que o outro nos faça feliz. Mas a realidade mostra que isso não passa de uma fantasia infantil. Parece que Deus criou um homem e uma mulher, e os uniu pelo poder da paixão, para que aprendamos a ter mais tolerância conosco e com o outro, e assim, possamos em algum momento, verdadeiramente amar uns aos outros. Como em qualquer lição de escola, enquanto não aprendemos, temos que repetir a prova. Depois, estamos livres. E, quando amamos verdadeiramente alguém, o deixamos livre. Se podemos dar a liberdade a alguém que nos é tão especial, podemos amar e deixar livre toda humanidade. E ao mesmo tempo, ser parceiro de muitos. É um caminho longo. Mas totalmente possível. E que muitos já estão experimentando.

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Mensagens do Caminho – 1

Você está no Caminho. Não há como não estar. Às vezes, vou lhe parecer mais rude, até injusto. Outras vezes irei me manifestar em toda a beleza que fará seus sentidos explodirem de prazer e êxtase.
Sou dureza e sou alegria. Sou tudo e sou nada. Não estou aqui para lhe dar prazer ou aplicar castigos. Estou aqui para ensiná-lo a deixar de ser tão rebelde, e apenas seguir. Ande comigo, e respeite minhas direções. Esqueça a partida. Esqueça a chegada. Você está no Caminho, e é isso que importa.caminho de santiago de compostela