Parceiro de quem se ama

Eu e minha "parceirona"... em contato com nossas sombras, no Caminho de Santiago
Eu e minha “parceirona”… em contato com nossas sombras, no Caminho de Santiago

É muito bonito ver um casal onde um apóia o outro em seus projetos, ao mesmo tempo em que ambos possuem independência para seguirem seus caminhos. Ninguém se sente abandonado porque o outro está em busca da sua realização, e deixa de se dedicar 100% do tempo para planejar e concretizar seus planos. E ninguém se sente responsável por erguer o outro, quando este naufraga. Mesmo assim, ambos estão juntos, continuam se apoiando, sendo amigos nas derrotas que inevitavelmente a vida traz, e curtindo as vitórias e sucesso conquistadas.

Uma relação assim só é possível em estado de presença. O que significa isso? Bem… estado de presença é a capacidade que todos nós temos de viver no aqui e agora, observando nossos pensamentos, nossas emoções e os fatos que ocorrem em nossa volta, sem deixar que nosso juízo de valores e questões emocionais mal resolvidas interfiram na nossa atitude.

Vou dar um exemplo: seu parceiro foi derrotado em algum aspecto da vida – financeiro, saúde ou emocional. Ele fica raivoso e quer dar a volta por cima de qualquer maneira. Você se sente, em primeiro momento, ansiosa e quer ajudar, até para acalmá-lo, pois ele nervoso lhe traz medo. Porém, você respira algumas vezes, percebe o seu medo que foi disparado pela situação, e o assume totalmente: este medo é meu! E percebe que a irritação e a ideia de derrota é dele, do seu parceiro. E internamente, entende que não há necessidade de entrar na onda da raiva, do medo, da necessidade de mudança na marra. Vê que, o melhor a ser feito, é permitir que tudo seja como é…

Uma sensação de paz lhe tomará, e não será incomum surgir um movimento silencioso de abraço, onde você permitirá que seu companheiro acalme em seus braços… você acolhendo totalmente a situação, sem nenhuma intenção de mudar… É um abraço amoroso, mas o Amor vem de um outro lugar, e pode curar tanto o seu medo, quanto a raiva dele. Você não está querendo nada. Nem mesmo abraçou porque pensou em fazer isso. Somente seguiu a intuição, quando permitiu-se sair dos seus próprios pensamentos e da sua própria emoção.

Esse exemplo é só um exemplo.

Em estado de presença, você saberá o que deve fazer. Não vem da sua mente. As ideias surgem… Às vezes, o silêncio. Às vezes, uma palavra mais incisiva. Às vezes, o se afastar. Às vezes, uma ação concreta.

Mas entenda uma coisa muito importante: você é responsável somente pelo seu bem estar. Se alguém pode lhe fazer feliz, é você mesmo. Você, consciente disso, com certeza será um bom parceiro para alguém que estiver ao seu lado. E pela lei da sincronicidade, você encontrará alguém que também estará equilibrado, como você. Os seus problemas emocionais, suas neuras, seus conceitos distorcidos, isso cabe a você tomar consciência, e resolvê-los. Assim como os problemas do outro, são de responsabilidade do outro.

O que não significa que você não está nem aí para os problemas do outro. Pelo contrário, em estado de presença, você está totalmente presente para o outro, quando estão juntos. Seja nos momentos bons, seja nos momentos difíceis, existe uma troca, uma cumplicidade muito grande.

Talvez você se pergunte: mas como encontrar uma relação assim? Não tenha dúvidas: na medida em que você se conhecer mais e mais, assumir a responsabilidade pelos seus problemas, estar em paz com a sua sombra e também em harmonia com a sua luz, as suas relações vão se alterando igualmente. A qualidade dos relacionamentos aumenta.

Porém, não se esqueça: você não tem o poder de fazer uma relação ser boa ou ruim. Nem o poder de mudar o outro. O amor e a compaixão não respeita o querer ou o não querer. É algo que acontece… é um presente divino, que chega de acordo com a vontade Dele. E quando acontecer, receba as dádivas que o universo está lhe dando, e aprenda com isso. O ser humano carente imagina que o relacionamento afetivo existe para que o outro nos faça feliz. Mas a realidade mostra que isso não passa de uma fantasia infantil. Parece que Deus criou um homem e uma mulher, e os uniu pelo poder da paixão, para que aprendamos a ter mais tolerância conosco e com o outro, e assim, possamos em algum momento, verdadeiramente amar uns aos outros. Como em qualquer lição de escola, enquanto não aprendemos, temos que repetir a prova. Depois, estamos livres. E, quando amamos verdadeiramente alguém, o deixamos livre. Se podemos dar a liberdade a alguém que nos é tão especial, podemos amar e deixar livre toda humanidade. E ao mesmo tempo, ser parceiro de muitos. É um caminho longo. Mas totalmente possível. E que muitos já estão experimentando.

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