caminho de santiago de compostela

O foco flui do silêncio

caminho de santiago de compostelaNestes últimos encontros que tive em Brasília e Goiás, e ao voltar à SP e reencontrar algumas pessoas e situações, tenho visto muitos em busca de realizar seus projetos, e ao mesmo tempo, esbarrando na energia da confusão, da manipulação, da desorganização, da insistência… energias estas totalmente desamorosas, porque desrespeitam e machucam, principalmente, a própria pessoa que está emaranhada na confusão. Mas também todos os  outros envolvidos.

Vejo pessoas manipulando outros para começarem projetos, e depois abandonam o barco, causando tumulto e despertando raiva. Outros, não cuidam das coisas em andamento, gerando insegurança e falta de rumo. Lógico que isso significa prejuízo financeiro. Pessoas acabam envolvidas nas ideias de outros, e subitamente se vêem engolidas por responsabilidades que não eram delas. Como se sentir realizado se estou fazendo uma coisa pelo outro, e não por mim mesmo? Alguns partem em busca de algo com tanta, mas tanta obstinação, que agem como um elefante ensandecido dançando samba num jardim de margaridas. Depois reclamam que as pessoas se afastam, não confiam, traem…

Quando temos um projeto, estaremos inevitavelmente envolvendo outras pessoas. Precisamos de apoio, de parceiros, precisamos de dons, bens, energia diferente, que “aparentemente” não possuímos, para que o projeto possa nascer, crescer e se multiplicar. Aí reside um ponto muito importante a ser observado: de onde flui este projeto? Da minha mente carente e reativa, que está em busca de sucesso, dinheiro, poder, status, aceitação, porque se acha pobre, abandonada, solitária, incapaz e medíocre? Ou o projeto flui de um outro lugar, dentro do coração, que sintoniza o poder infinito de se doar ao próximo, e sente (eu disse sente, e não pensa!) que é possuidor de todas as riquezas que possa merecer do universo?

Muitas vezes, o mesmo projeto pode fluir destes dois lugares antagônicos. E apresentarão resultados antagônicos. O projeto que flui do coração, cresce. Porque ele já é grande desde o princípio. Porque você, unido ao seu coração, atrairá pessoas cujos projetos pessoais somam-se ao seu projeto. A energia do crescimento está potencializada.

Já o projeto que flui de uma mente carente, que se vê e se sente separada do todo, irá atrair desgaste, confronto, desunião. Durante um momento, até poderá render alguma coisa, mas como o seu foco é a insatisfação, a carência, a pobreza, a exclusão, em breve ocorrerá algo para provar para a sua mente que ela estava correta: a coisa desanda. As pessoas somem. O dinheiro desaparece. Um parceiro abandona você.

Mesmo dizendo estas coisas, até porque passo pelos mesmos desafios de todos, buscando centrar-me o tempo todo para perceber a minha mente carente e não me deixar guiar por ela, posso afirmar que as experiências de construir projetos baseados no ego, e o fracasso que obtemos disso, são experiências maravilhosas. Quando conseguimos isolar nossas emoções distorcidas – a raiva, a mágoa, a inveja, o vitimismo – e olhar para o que ocorreu, vemos um fantástico laboratório, que está nos ensinando como seguir projetos através do coração, e não criar projetos somente com a mente.

Para quem conhece a constelação sistêmica, entende que já estamos mergulhados num campo onde as informações e energias se encontram disponíveis. Se intuímos um projeto, é necessário sentir. Abrir um espaço de silêncio mental, e ficar em companhia da ideia do projeto, sem querer fazer absolutamente nada. Talvez percebamos como se uma nova vida estivesse querendo se manifestar no plano físico. Esta vida pode estar pronta para vir. Ou ainda necessita de algum tempo. Alguns ajustes.

Quando a ideia está pronta para vir, você faz um movimento em torno da ideia, e o universo responde imediatamente. Eu disse: imediatamente! Você precisa de um lugar? Ele surge. Precisa de alguém que apoia a ideia? Esta pessoa aparece. Precisa de dinheiro? O dinheiro surge.

Mas enquanto está em construção do movimento de fazer a ideia se materializar, aja com o máximo de amorosidade. Nunca force ninguém que não queira participar de algo. Nem se deixe ser forçado. Não pegue a primeira coisa que surge no seu nariz. Da mesma forma, não entre nos planos de qualquer um, a não ser que o seu plano esteja contemplado plenamente. Aquilo que é para acontecer, acontecerá. Afinal, você é só um comandante de um navio que já está lançado ao mar. Um navio celeste, divino, imponente, que requer um capitão a altura para comandar. Então, precisa comandar. Não querer abandonar o navio, para brincar de outra coisa. Se responsabilizar pela segurança e integridade das pessoas que estão dentro da sua embarcação. Se entregar ao comando de Algo superior, porque a mente sempre é viciada, e irá tentar te enganar… porque ela tem medos, carências, distorções… Pergunte-se sempre: para onde estou indo? Meu coração se alegra com este rumo?

O foco surge deste espaço de silêncio, onde você ouve sua mente neurótica, e sente a suavidade do seu coração. E então decide continuar seguindo o coração. Foco é constante e não causa dor. Não cansa. Não exige. Respeita o tempo e os ciclos. Percebe os momentos de acelerar e desacelerar. E até parar. Um foco que vem do coração, engrandece a todos, traz à tona os dons e talentos das pessoas envolvidas. Nutre, alegra, dá prazer. E os desafios que existem e existirão sempre, porque no mundo da matéria ocorrem oscilações, são vividos como fases de um jogo, momentos de uma viagem, mudança de clima numa caminhada. Nada pessoal, somente desafios. Que também passam. Assim como as alegrias.

Tudo passa. Então, poderíamos perguntar: para que viver? Para que construir, projetar, ter metas, ter foco? Eu diria: somente para termos a possibilidade de vivermos plenamente, utilizando da melhor forma todos os recursos humanos que nos foram fornecidos nesta existência. E ao utilizar e despertar o melhor de nós, percebermos o quanto somos pequenos e insignificantes, diante da grandiosidade da existência… assim, humildes, continuarmos a viver. Continuamos a servir a Algo maior. Enquanto nos for permitido.

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