Relacionamentos triangulares: saia da confusão

triangulo

a energia do triângulo faz com que ajamos como eternos amantes:
movidos pela excitação e paixão, não somos fiéis às nossas parceiras,
aos nossos projetos, aos nossos mestres, aos caminhos espirituais,
aos nossos empregadores, às nossas convicções…
estamos o tempo todo abertos à traição…
mas no final, traímos a nós mesmos…

Antes de qualquer coisa, gostaria de dizer que não estou falando de moralismo. Estou me referindo especificamente à energia da vida, do crescimento, baseando-me no trabalho que realizo de constelação familiar sistêmica, e em alguns outros conhecimentos. Mas também me baseio na minha experiência de vida, já que sou fruto de uma relação conturbada dos meus pais, com muitas histórias de traições, o que gerou internamente também a dificuldade de ser fiel, não no sentido de relacionamento afetivo, mas no sentido de ser fiel aos meus propósitos, às minhas decisões, às minhas empreitadas.

Pela minha experiência, vejo que pessoas que, assim como eu, estão inconscientemente vinculadas às traições que ocorreram no passado familiar, possuem a tendência de não conseguir se focar em nada. Pulam de galho em galho, fazem muitas coisas, trabalham em diversas áreas, cuidam de dezenas de assuntos, e no fundo, não cuidam de nada. Muitas destas pessoas, é claro, também acabam seguindo o padrão de muitas relações, muitos casamentos. Porém, nem sempre isso ocorre. Os padrões funcionam de muitas maneiras, e o padrão da triangulação traz a dispersão da energia, e consequentemente, dificuldade de fazer um projeto florescer. Seja este projeto uma relação afetiva, uma empresa, uma parceria, um trabalho escolar. Muitas coisas chamam a atenção: é como você estar namorando uma bela mulher, mas passa outra ao seu lado e você já cresce os olhos. E deixa de se dedicar à relação atual, que, aos poucos, vai minguando. Ou em outro exemplo: você começa empolgado a confecção de um produto. Reúne um monte de pessoas em torno da sua ideia, porque você está apaixonado… e logo depois, perde o interesse, e deixa um monte de pessoas frustradas… e você parte para outro projeto. E outro… e outro… O pior: não finaliza direito nenhum dos projetos anteriores, e assim como amantes abandonadas, deixa um rastro de mágoa para trás.  E estas mágoas serão cobradas, energeticamente, na sua vida.

Saindo do triângulo

Bert Hellinger, o nosso grande mestre da constelação familiar sistêmica, deixa claro que a primeira relação triangular que entramos é “o filhinho da mamãe” e a “filhinha do papai”. Nós, homens, estamos inconscientemente ligados à esfera da mãe, e precisamos larga-la, caso queiramos ter relações saudáveis. E o mesmo ocorre com as mulheres: é necessário despovoar a mente e os sentimentos da imagem do pai, para que haja espaço para um homem em sua cama. O “filhinho da mamãe” concorre, inconscientemente, com o amor do pai. E a “filhinha do papai” concorre, inconscientemente, com o amor da mãe.

Atendo muitas pessoas que, ou amam além da conta os pais, ou os odeiam, ou se mostram indiferentes. Raríssimas são as pessoas que conseguem olhar coerentemente para trás, olhar nos olhos do pai e da mãe (com os olhos internos, é claro) e ver a humanidade deles. Pessoas que fizeram coisas que trouxeram benefícios e também dores aos filhos. Adultos com atitudes infantis, muitas vezes. Que manipulavam, e também auxiliavam. Assim são nossos pais. Olhar desta forma os pais seria a visão de um adulto, amadurecido emocionalmente. Mas poucos possuem esta maturidade, mesmo tendo idade, experiência e conhecimento intelectual de adulto.

Olhar o pai e a mãe sem culpa, sem querer ajuda-los, aberto para amá-los do jeito como eles são, é o indício de que você está verdadeiramente livre para se relacionar com uma pessoa. Ou para fazer um projeto e dedicar-se unicamente a ele. Pronto para tomar uma decisão e mantê-la. Pronto para crescer e ver as coisas que fizer, dando frutos.

Mas… por que não conseguimos sair da esfera dos pais? Porque cobramos alguma coisa deles. Temos raiva, mágoa, sentimento de abandono, ciúme dos irmãos, inveja, sentimo-nos fracos e indefesos, enfim, sentimentos naturais poluem nossa psique, mas que têm a ver com fatos do passado. Nós também congelamos nosso emocional em situações que ocorreram quanto tínhamos dois anos de idade. Um pouco mais. Um pouco menos. Não são somente nossos pais que são infantis.

E mesmo adultos, passamos a exigir que “eles paguem o que devem”. Inconscientemente, transportamos a imagem do pai ou mãe para o parceiro afetivo. Para a empresa. Para o emprego. Para o chefe. Para o governo e os líderes políticos. Para o produto que criamos. Para o projeto. Buscamos aprovação dos pais, nas coisas que fazemos. Sentimos insegurança, como sentimos quando éramos crianças e não tivemos o apoio que precisávamos. Quando alguém vai embora, vem a imagem de abandono que nos acompanha desde a infância. Se existe um confronto, um bloqueio, passamos a detonar, se este é o perfil emocional seu, ou a desistir, caso seja do seu feitio. Agimos como a criança que grita, porque não aceita um não, ou que vai embora com o rabo entre as pernas, porque não quer enfrentar.

E aí, vamos procurar alguém que nos entenda. E sempre achamos, não é mesmo? E assim, envolvemos outras pessoas para, no fundo, dividir nossas frustrações e cobranças infantis. Mas o pior é que todo este jogo é inconsciente. Quando encontramos outra pessoa, acreditamos que queremos estabelecer algo bom: um bom relacionamento, uma boa parceria comercial, uma amizade sincera. Mas se o que nos moveu foi a birra de não ter nossas vontades aceitas, sem sombra de dúvida esta relação triangular irá trazer confusão. Porque simplesmente o outro não pode lhe dar a aprovação que você espera do pai. O carinho que você quer da mãe. Como gosto de dizer: não cabem três pessoas na mesma cama.

A solução final? Entre num acordo com o seu pai e mãe interior. Você não tem direito de exigir nada deles, nem eles têm o direito de exigir nada de você. Faça terapia. Vá fundo. Investigue-se. Se você vive alguma coisa parecida com o que eu disse, está na hora de honrá-los, sendo feliz na sua vida. Deixando-os em paz. Mostrando a sua força. E se a cobrança que você possa ter do seu pai e mãe está espelhada na sua relação afetiva, no seu trabalho, na sua empresa, nos seus projetos, será importante rever tudo isso.

Não tenha medo de investigar. Naturalmente, sem esforço, quanto mais em paz você estiver dentro de si, mais estará em paz com suas relações. Pessoais, afetivas, profissionais. A energia naturalmente estará disponível para sua vida. E você saberá manter o foco com naturalidade.

Adeus carência! E necessidade aprovação! Bem-vindo, equilíbrio. E confiança em si…

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