A caminho da rendição

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Render-se não é desistência. É um ato que somente acontece após você ter lutado todas as suas batalhas, usado todas as armas, esgotado todas as provisões… e mesmo assim… viu-se incapaz de vencer.

Não é a ação do covarde, mas sim, do corajoso. Resignado corajoso. Que ao se render, corre o risco de ser eliminado, ali mesmo. O nobre que precisa depositar sua espada aos pés daquele que combateu tantos anos. Olhá-lo de frente, e se reclinar. Ficar de joelhos. Indefeso.

Nas lidas atuais, as batalhas são muito diferentes. Lutamos contra a pobreza. A doença. Os vícios. Nossos companheiros e companheiras. Lutamos contra os pais. Lutamos contra os filhos. E também a família. Os antagonistas em diversas áreas – profissional, acadêmica, esportiva, política, cultural, espiritual. Lutamos contra nós mesmos e nossas crenças enrijecidas. Lutamos contra aquilo que aprendemos ser nossos defeitos.  Lutamos contra Deus e o demônio.

Invariavelmente, esta guerra já está perdida. Nada que é perene pode ser conquistado guerreando. Porém, só aprenderemos isso, após lutarmos. Até o fim. Porque assim é o ser humano. Assim é a vida na Terra. Assim crescemos como ego. Até o ponto onde este mesmo ego se vê impotente, e então, é preciso se render ao espírito. Para muitos, isso nunca ocorrerá. Muitos se recusam inclusive a lutar. E seu ego permanece preso às necessidades infantis. Somente aqueles que vão até o fim, lutando bravamente da melhor maneira, usando seus melhores recursos, é que chegarão… à rendição.

Nesta rendição, você será eliminado. Invariavelmente. Suas crenças cairão por terra. Não sobrará mais nada. Sua vida estará por um fio, e assim será, até o último dia. Você será convidado a viver a partir de um outro lugar. A obedecer o Senhor que o derrotou. A seguir os caminhos que lhe for sugerido. A abandonar o ego, definitivamente. A estar disposto a não querer mais nada. Porque já perdeu tudo. Tudo. Tudo.

Talvez você ainda não esteja pronto. Ainda precisa lutar para ganhar coisas. Para ser aceito. Para sentir-se pertencente. Então vá. Não esmoreça! Ainda é preciso lapidar o ego. Assim é. Não queira desistir antes do ponto. Não irá funcionar. O ego é muito esperto. Fará de tudo para sobreviver, e não precisar se render.

A rendição chega por si só. É um desabrochar do espírito. E assim como tudo aquilo que é natural, não depende da vontade humana para acontecer. Simplesmente, acontece. E subitamente você vê: sim! Eu me rendi! E cai de joelhos, assombrado, diante da poderosa imensidão da vida.

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