2015: Ciclos de constelações finalizando

parar

 

Este está sendo um ano inteeennsssoooo! Pra lá de intenso! Mas muito bom, também! Estava conversando agora com a amada, revendo planos conjuntos que traçamos, e vendo-os, em sua maioria, realizados. Outros, em caminho de realização. Isso dá uma convicção de que estamos no caminho certo. Não porque o Ego planejou, mas porque as coisas fluíram. E, como sempre falo nos meus trabalhos, quando as coisas fluem, quando não temos que lutar contra, quando não temos que forçar Deus e o mundo para que seja feita a nossa vontade, acredito que o sistema Maior está nos levando. E estamos adequados à ele.

Mesmo assim, entrei num processo de estresse e fui parar no hospital. Exagerei. Projetos demais, neuras demais, medos demais. Ainda muito apegado ao meu medo da miséria, que faz eu trabalhar muito, e curtir pouco. Faz, muitas vezes, eu deixar as maravilhas que poderiam tocar minha alma, passarem, sem nem mesmo um sorriso de gratidão. Comprometo-me a cuidar mais de mim. Do meu corpo. Das pessoas importantes na minha vida. Mas sem perder o foco no trabalho da constelação familiar, que tanto me abastece. Me ensina. Me desafia. Me engrandece. Minha gratidão imensa a você que participou dos trabalhos, ou me acompanha pelos textos na internet, ou que, de alguma forma, simpatiza com o trabalho. E até mesmo a você que nem sabe do que estou falando! Gratidão! Sei perfeitamente que, apesar das dificuldades e possíveis momentos de angústia, existe um espaço de paz, alegria e prosperidade possível, aqui e agora. Tudo é uma questão de foco. De domínio mental e emocional. De autoconhecimento e perseverança enquanto as coisas estão em mudança. O mundo, você e os outros são aquilo que você quiser que seja. Espero que você queira, de verdade, ser, ver e viver o melhor que você pode! Aqui e agora. Que é o único momento que há!

Vamos às últimas constelações e trabalhos em grupo que farei neste ano de 2015?

26 de novembro (quinta-feira) – Constelação Familiar Sistêmica em grupo – São Paulo – SP

27 de novembro (sexta-feira) – Projeto Incluir (laboratório de constelação) – Brasília – DF

28 e 29 de novembro (sábado e domingo) – Curso de Constelação Familiar – Brasília-DF

30  de novembro (segunda-feira) – Constelação Familiar em grupo e individual – Brasília-DF

1 e 2 de dezembro (terça e quarta-feira) – Constelação Familiar em grupo e individual  Brasília-DF

03 de dezembro (quinta-feira) – Constelação Familiar Sistêmica em grupo – Formosa-GO

05 e 06 de dezembro (sábado e domingo) – Constelação Familiar Sistêmica em grupo – Jataí-GO

13 de dezembro (domingo) – Constelação Familiar Sistêmica em grupo – Curitiba-PR

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A paz irá visita-lo

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Nisso não há professor, não há aluno, não há lider, não há guru,
não há mestre, não há salvador.
Você mesmo é o professor, o aluno, você é o mestre,
você é o guru, você é o lider, você é tudo.
Jiddu Krishnamurti

Muitos de nós estamos vivendo um tempo de opressão. As notícias desanimadoras em tantos aspectos somente ampliam o grau da angústia existencial que passamos. Não suportamos mais nossas rotinas. Nossos trabalhos. É comum não suportarmos nossas relações, apesar de também não suportarmos a solidão. Queremos dinheiro, e adoecemos em busca dele. Na falta, ficamos igualmente doentes. Queremos espiritualidade, mas não acreditamos nos mestres, nas religiões, e nem em nós mesmos. Estamos como doidos correndo atrás de algo – seja um bem material, uma posição social, um lugar elevado na nossa crença espiritual, na vã esperança de vivermos melhor, mais felizes, em paz.

Isso é importante em determinado momento da nossa vida. Mas quando alguém que se coloca a caminho de autoconhecer-se, mais cedo ou mais tarde chega à conclusão que grande parte da agonia deve-se principalmente aos seus próprios pensamentos e as ações que toma no mundo, determinadas por crenças instaladas – e que irremediavelmente, não o leva rumo à paz que tanto almeja. Afinal, quem olha para o mundo externo ou para o mundo interno, coloca um peso, uma medida, e julga o mundo e a si como sendo bom ou mau, somos nós mesmos. Através de pensamentos, crenças aprendidas, adquiridas, você está sempre em guerra. Por exemplo, um terrorista olha um ataque terrorista com satisfação. Ensinaram ele assim. Já um parente de uma vítima do terrorismo olha para a mesma coisa com raiva, ódio, mágoa, dor… Dois lados antagônicos, presos numa situação de dor e violência.

Da mesma forma, olhamos para nós. Alguém ensinou que determinada atitude era errada. Um vício, por exemplo. E quando cedemos ao vício, uma parte de nós gosta, porque sente prazer. E outra parte odeia, porque foi ensinada que esse vício é ruim. Não presta. Dois lados antagônicos, presos numa situação de dor e violência. Você continua em guerra.

Se você notar, agimos desta forma em tudo. Rotulamos algo bom e algo ruim, queremos eliminar uma coisa, e ficar com outra. E isso causa profundo estresse interior. Isso provoca a energia do conflito e da violência, dentro de nós. Que quando estimulada por algum acontecimento externo, pode se manifestar. Já vi pessoas saírem do sério e iniciarem conflitos dentro de um ambiente monástico, por exemplo.

Então, se o primeiro passo é entender que sua agonia deve-se a pensamentos e crenças, o segundo passo do buscador é perceber que não adianta tentar eliminar um pensamento ruim, para ficar somente com um bom pensamento. Nossa mente não aceita isso. Pensamentos bons e ruins passam pela mente ininterruptamente. Fazendo com que, muitas vezes, tomemos atitudes que podem provocar dor em nós e em outros. Assim é o ser humano.

Nem bom, nem ruim

Se você olhar com atenção, perceberá que todos os seus pensamentos foram instalados “dentro da sua mente” por alguém, que inclusive os rotulou: isso é bom. Isso é ruim. Isso é aceitável. Isso é abominável. Porém, antes dos seus pensamentos serem instalados, sua mente possuía uma saudável inocência. Você olhava para as coisas, e a maior parte destas coisas não o afetava. Você tocava nas suas partes genitais, por exemplo, e sentia-se bem. Até o dia em que mamãe lhe disse que isso era indecente. Você sentia prazer em simples e pequenas coisas. E esqueceu-se disso.

Não há outra forma, querido: um terceiro passo é refugiar-se nesta “parte” da mente imaculada, que está em você, apesar dos seus pensamentos barulhentos. Não é necessário modificar nada: basta perceber que, atrás dos pensamentos, existe um campo vasto, infinito, de paz, equilíbrio, presença, integração. Atrás de todas as ideias implantadas em sua mente, incluindo as ideias que dizem respeito à sua personalidade, suas características físicas, morais, mentais, espirituais… incluindo traumas, medos, sentimentos que você não tem a menor noção de quando foram implantados… tudo isso são como folhas voando ao vento, nos campos do Senhor. Sem levar a sério os pensamentos, acaba-se a comparação, o julgamento, a crítica. Desta forma, acaba-se a resistência. Acabando a resistência, estabelece-se a paz.

Acione o seu poder observador

Alguns buscadores acreditam que esse estado de paz e bem-aventurança é exclusivo de pessoas iluminadas, seres altamente espirituais. Isso não é a realidade. Qualquer pessoa que se colocar amorosamente a investigar sua própria mente, mais cedo ou mais tarde perceberá este espaço vazio como sendo inerente a todos e a tudo. Ele sempre esteve ali, e em algum momento, você o percebe! E sente benefício instantâneo ao conectar-se.

Isso pode ser agora! Experimente deixar os pensamentos passarem! Não resista a eles… mas também, não se apegue a eles…

Talvez você já tenha percebido este estado mais de uma vez. Muitas vezes, uma situação externa o faz ingressar neste plano pacífico, vasto, amoroso: por exemplo, uma contemplação na montanha. Um banho numa cachoeira. Um mergulho. Um vôo. Um trabalho introspectivo. Uma música. Dirigindo seu carro. O grande truque é não entrar em comparação, julgamento. Tipo: nossa! Que sensação maravilhosa! Que tudo! Ou: que horror! Minha mente não para! Porque aí você entrou novamente em no reino mental. Mas se entrou, não tem problema. Basta respirar, e deixar os pensamentos passarem. Não é uma questão de acalmar a mente. É uma questão pura e lógica de observar que você existe, apesar da mente barulhenta. Além da mente. Junto à ela.

Isso pode ser agora! Experimente deixar os pensamentos passarem! Não resista a eles… mas também, não se apegue a eles…

Neste estado, onde estão os problemas? Onde estão os conflitos? Onde estão os vícios? As doenças? Você está consciente de tudo, porém, aos poucos, começa a adquirir uma outra característica mental – a consciência, que sabe o que é do reino mental, e sabe qual é a sua própria essência. E vagarosamente, vai percebendo este espaço como se estivesse se ampliando. Mais e mais. Isso é só uma ideia, porque este espaço não se amplia. Ele já é infinito. Você é parte dele, e ele é parte de você. Neste lugar, cessam-se as divisões. Mas digo isso porque, muitas vezes, a mente entrará no processo. E você retorna ao barulho. Às vezes você irá se perder nas neuras, nas emoções distorcidas, nos hábitos destrutivos, outra vez.

Mas tudo bem. Isso faz parte. Retorne. Retorne. Retorne. Respire um pouco. Amorosamente. Não resista à nada. Somente observe. A paz irá visita-lo.

Quando a vida diz não

passado

Um dia, fomos crianças. E como as crianças reagem, quando são contrariadas? Umas, batem o pé. Protestam. Brigam. Outras, se calam… mas, por dentro, odeiam. Querem matar. Raras são aquelas que levam numa boa…

Hoje, nós somos adultos. Crescemos. Adquirimos pelos, rugas, cabelos brancos, quilômetros rodados, algumas vitórias, e muitas desilusões. A vida nos contraria, a todo tempo. Seja porque nosso amado não responde da forma como gostaríamos. Seja porque os projetos não vão para frente. Ou, às vezes, nem mesmo conseguimos projetar alguma coisa. Ouvimos muitos nãos. Não de alguém querido. Não do bolso vazio. Não do corpo. Não do trabalho. Não até do caminho espiritual.

Almejamos a paz, o amor, a prosperidade, a iluminação, saúde, companheirismo, um trabalho que nos dê prazer, uma vida tranquila, seja lá o que for, assim como, algum dia, quisemos um brinquedo novo, ou o elogio do papai, o abraço da mamãe… E talvez a vida tenha dito: não!

Muitas pessoas adultas, mas muitas mesmo, reagem aos nãos da vida com a estratégia aprendida quando criança. Parte deste adulto parou no estado emocional infantil. Daquela criança que batia o pé. Ou se encolhia em si mesma, cheia de mágoa e projetos de vingança: um dia ela vai ver!

Inteligência emocional e libertação

Um dos maiores passos que alguém pode dar rumo ao seu próprio desenvolvimento como ser humano e como ser espiritual é olhar definitivamente para este lado birrento que talvez ainda exista em si. E o impulsiona a tomar atitudes e estratégias na vida somente para que esta criança seja vista, ouvida, validada. Esta criança não é mais você, mas você ainda continua buscando aprovação, conforto, proteção… seja nos seus relacionamentos, seja no seu trabalho, seja no seu caminho espiritual… E se você fugiu para dentro da caverna, talvez esteja revivendo aquela criança que não quis ou não soube como reagir. Lá atrás… muito tempo atrás!

O passado não existe. É passado. Embora, para o cérebro humano, tudo aquilo que é relembrado, pensado, se transforma no aqui e agora. Vira presente. Ou seja: você só não consegue se libertar do passado porque ainda tem fatos não compreendidos e não aceitos dentro de si. Consciente e inconscientemente, sua mente dá vida a eles. Dá vida aos fantasmas. E estes fatos não desgrudam de si porque existem mágoas, cobranças, dores.

Sentimentos e emoções plenamente corretos, pois você viveu situações onde houve feridas. E só você pode saber o grau das feridas que possui. Porém, isso já faz muito tempo, não é mesmo? Por isso, mais do que pensar e justificar a sua vida atual devido às heranças dolorosas do passado, é necessário reviver estas mágoas e dores emocionais, compreendê-las, e libertá-las. Nada é possível fazer pelo passado. O passado não pode ser mudado. Por pior ou melhor que ele tenha sido, não há nada a fazer. Busque terapia. Vá atrás de terapeutas que o auxilie a reviver estas emoções, em ambiente seguro, e liberá-las. Talvez você não saiba, mas tudo o que você atrai na sua vida tem a ver com os sentimentos que carrega em si. Se sente-se abandonado, atrairá relações afetivas que irão abandoná-lo. Se sente-se impotente, atrairá situações profissionais e financeiras que trarão situações complicadas, demonstrando que você não tem poder sobre nada. Se imagina ser doente – fisicamente, emocionalmente, financeiramente… atrairá inúmeras formas de doenças: do corpo, do bolso, das relações, da mente…

E isso não é ruim. Ao contrário. É ótimo. Embora num primeiro olhar pareça complicado, tal qual aquela prova de álgebra ou equação do segundo grau que não conseguíamos resolver na escola, é a grande oportunidade de olhar para o estudo que ainda não compreendemos, estudar, e tirar a nota média para passar na prova.

Isso se chama inteligência emocional: aprender a lidar com nossas emoções reprimidas. Que se transformarão em força e sabedoria, após “passarmos na prova”. Imagine você sabendo lidar com o seu medo de abandono? Medo da pobreza? Sentimento de exclusão? Vitimismo? Sensação de dependência? Confusão interna? Medo da raiva? Ou da morte? Ou das perdas?

Tudo isso se faz vivenciando as emoções. Não existe caminho intelectual para saber lidar com as emoções. Você é um ser que pensa, mas principalmente, um ser sensível. A sensibilidade tem sido muito desprezada neste mundo masculinizado, mental, pragmático, focado em metas, prazos e resultados… Se, por um lado, esta fase foi importante para alavancar o conhecimento e modernizar nosso mundo, por outro lado, acabamos castrando nosso lado feminino, sensível, intuitivo e emocional que, quando saudável, sabe lidar perfeitamente com as emoções. Sabe se conectar com a sabedoria universal. E sabe sorrir e aguardar, quando a vida diz não.

Quem sabe esteja na hora de equilibrarmos nossas polaridades? Aprendendo a lidar tanto com a mente racional, como com a mente emocional? Para, então, caminharmos para além desta mente, entendendo que emoções e pensamentos são volúveis, mutáveis, instáveis… e que talvez possa existir algo além disso, infinito, presente, estável… nosso verdadeiro ser, onde o espírito repousa eternamente em si mesmo…

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O esforço

esforco

Papai ensinou a se esforçar. Mamãe também. Tudo é muito difícil, muito duro. É preciso se dar ao máximo. Mudar a si. Mudar os outros. Mudar o mundo. Lutando arduamente. Lutando para passar de ano na escola. Lutando para entrar no vestibular. Lutando para fazer uma boa relação. Lutando pelo dinheiro. Pelo salário. Pelos cargos. Lutando para transformar seu marido, sua esposa, seus filhos, seus pais, seus parentes. Lutando contra a doença, contra a morte, contra a miséria. Lutando para deixar de ser alguém tão ruim como você é. Brigando ferozmente contra seus vícios e defeitos. É necessário evoluir. Passo a passo. Gotas de suor escorrem do seu rosto. Você está encharcado. E sente: sim, eu estou lutando! Não cheguei lá, mas hei de chegar!

Papai e mamãe olham para você e o reconhece. Você é igual a eles. Alguém que luta. Luta. Luta. E morre. Sem ter chegado. Eles ensinaram o que aprenderam. Do vovô. Da vovó. Dos antepassados, que cruzaram mares, rios, montanhas, para alcançarem um bom lugar. Mas destes milhares de almas… quem chegou, realmente?

Como podemos chegar a um bom lugar, lutando? Como encontrar a paz, fazendo guerra?

Deixo um convite. Muito simples. Saia da luta. Somente por um dia. Baixe as armas. Tire o pé do acelerador. Silencie a língua que tudo critica, compara, julga, condena. Aja quando quiser agir. Pare quando quiser parar. Deite-se na rede do ócio, e permita que a Terra continue fazendo seu movimento em torno do Sol. Até porque, se você não permitir, ela continuará a girar, girar, girar.

Perceba se fará alguma diferença para o universo, o seu agir. Ou o seu parar. Deixe de ouvir aqueles que jogam você na guerra. Aqueles que fofocam. Falam mal disso e daquilo. Induzem você a fazer, fazer, fazer. Ensinam o mesmo que papai e mamãe ensinaram: mudar o universo, para transformá-lo em algo melhor. E não conseguiram… Permita-se ver se, neste mesmo universo, do jeito como ele é, você pode relaxar. Rir. Silenciar. Ficar em paz. Observar a beleza da vida. Dos outros. Do planeta. Do sol.

Deus quer a sua paz. Não o seu esforço. Quem gosta de esforço é a mente condicionada, que deseja ser adequada. Adequada ao papai, à mamãe. Aos professores, mestres, religiosos. Porque, no fundo, você também não gosta de esforço. Ninguém gosta de esforço. Aquilo que vem do coração, não requer esforço. A ação do coração, se origina na paz. Você se origina na paz. Seu ser repousa na paz. Você é a paz, que tanto se esforça em encontrar. Que tal relaxar?

Somente um dia. Não fazer nada que você não queira. Não guerrear. Nem dentro de si. Um dia sem esforço… Um dia na paz verdadeira. Um dia mergulhado em si mesmo.

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