O esforço

esforco

Papai ensinou a se esforçar. Mamãe também. Tudo é muito difícil, muito duro. É preciso se dar ao máximo. Mudar a si. Mudar os outros. Mudar o mundo. Lutando arduamente. Lutando para passar de ano na escola. Lutando para entrar no vestibular. Lutando para fazer uma boa relação. Lutando pelo dinheiro. Pelo salário. Pelos cargos. Lutando para transformar seu marido, sua esposa, seus filhos, seus pais, seus parentes. Lutando contra a doença, contra a morte, contra a miséria. Lutando para deixar de ser alguém tão ruim como você é. Brigando ferozmente contra seus vícios e defeitos. É necessário evoluir. Passo a passo. Gotas de suor escorrem do seu rosto. Você está encharcado. E sente: sim, eu estou lutando! Não cheguei lá, mas hei de chegar!

Papai e mamãe olham para você e o reconhece. Você é igual a eles. Alguém que luta. Luta. Luta. E morre. Sem ter chegado. Eles ensinaram o que aprenderam. Do vovô. Da vovó. Dos antepassados, que cruzaram mares, rios, montanhas, para alcançarem um bom lugar. Mas destes milhares de almas… quem chegou, realmente?

Como podemos chegar a um bom lugar, lutando? Como encontrar a paz, fazendo guerra?

Deixo um convite. Muito simples. Saia da luta. Somente por um dia. Baixe as armas. Tire o pé do acelerador. Silencie a língua que tudo critica, compara, julga, condena. Aja quando quiser agir. Pare quando quiser parar. Deite-se na rede do ócio, e permita que a Terra continue fazendo seu movimento em torno do Sol. Até porque, se você não permitir, ela continuará a girar, girar, girar.

Perceba se fará alguma diferença para o universo, o seu agir. Ou o seu parar. Deixe de ouvir aqueles que jogam você na guerra. Aqueles que fofocam. Falam mal disso e daquilo. Induzem você a fazer, fazer, fazer. Ensinam o mesmo que papai e mamãe ensinaram: mudar o universo, para transformá-lo em algo melhor. E não conseguiram… Permita-se ver se, neste mesmo universo, do jeito como ele é, você pode relaxar. Rir. Silenciar. Ficar em paz. Observar a beleza da vida. Dos outros. Do planeta. Do sol.

Deus quer a sua paz. Não o seu esforço. Quem gosta de esforço é a mente condicionada, que deseja ser adequada. Adequada ao papai, à mamãe. Aos professores, mestres, religiosos. Porque, no fundo, você também não gosta de esforço. Ninguém gosta de esforço. Aquilo que vem do coração, não requer esforço. A ação do coração, se origina na paz. Você se origina na paz. Seu ser repousa na paz. Você é a paz, que tanto se esforça em encontrar. Que tal relaxar?

Somente um dia. Não fazer nada que você não queira. Não guerrear. Nem dentro de si. Um dia sem esforço… Um dia na paz verdadeira. Um dia mergulhado em si mesmo.

logo alex possato 4

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: