Quem sou eu?

diferença

 

Quem sou eu?
 
Me vejo tão perdido, quando faço esta pergunta a mim mesmo. Sei que sempre quis trabalhar com pessoas. Sempre quis ver as pessoas sorrirem, após me conhecerem. Sempre quis fazer a diferença, sentir que, após minha passagem pela vida delas, algo seria melhor. E isso hoje ocorre, embora não me faça plenamente satisfeito.
 
Até um dia que alguém me jogou na cara: e você? Qual a diferença você faz pra você mesmo? O que de bom você agrega à sua vida? Para quem está fazendo tudo o que faz? Até onde você quer chegar?
E fiquei sem resposta. Engoli em seco. Sei que tudo são caminhos. Aqueles que fazem, e aqueles que não fazem, são todos iguais. Os que cuidam e os que são cuidados, são a mesma coisa.
E talvez eu nunca tenha deixado, verdadeiramente, ser cuidado. Ser amparado. Sempre me achei bom demais para isso. Sempre me achei melhor em relação àqueles a quem auxilio.
Mas no fundo, sou frágil demais. E assim, ergui uma barreira quase que intransponível, separando o eu, de você. Aquele que sempre tem algo a dar, e nunca pode receber.
 
Porque se acha acima de qualquer um?
Ou porque tem medo de se abrir, para receber?
Esta segunda opção é mais correta. Embora a primeira também seja verdadeira.
 
Um dia, estava eu andando pelo Caminho de Santiago, quando recebi, daquela que eu rotulei como a mais louca, algo que poderia aliviar meu sofrimento das pernas… Como a mais louca pode ter compaixão pelo meu problema? Como a mais louca pode cuidar de mim? Ela não entende nada, e eu entendo tudo! Mas eu, naquele momento, não queria tratar de ninguém. E também não queria ser tratado. Apenas queria remoer o meu mau humor. E ela, sem vergonha nenhuma em sua cara amalucada, veio cuidar de mim… Enquanto se perdia em suas próprias neuras.
Quem cuida? Quem é cuidado? Quem é o louco?
 
Sinceramente… não sei quem sou eu… A única coisa que sei: estou cansando de sustentar minhas máscaras. Cansando de sustentar aquilo que não sou…

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