Palavras terapêuticas

silencio

 

Minhas palavras não são para convencer sua mente racional de algo. Nem para dar conselhos. Falo, às vezes mansamente, às vezes intensamente, às vezes até duramente, para, vagarosamente, você sair da frente da porta do porão do inconsciente, e deixar que os monstros que estão presos há séculos dentro dele possam sair.

Eles irão sair gritando, porque você nunca quis entrar em contato com eles. Nunca os deixou falar. Uns, devagarzinho. Outros, correndo, como touros indomados. Eles estão feridos, cheios de dor, raiva, medo… E então eu deixo de falar. E entro em contato com a dor deles. Que você não estava suportando. E o auxilio a suportar esta dor. Porque estes monstros também são meus. Aqueles monstros que gritarem, estão gritando dentro de mim. E eu os ouço, com gratidão a eles, e a você, que me permitiu vê-los. Acolhe-los. Respiro. Expiro. Sinto no meu corpo toda a vibração desagradável, e digo, silenciosamente: você faz parte. Esta sensação faz parte. Agora você tem direito a existir. É só isso.

E quando o campo propicia, quando você está razoavelmente mais leve e desarmado, falo mais um pouquinho. Pego em suas mãos e o conduzo às escadas que levam para o céu, que é de onde você veio. Mas esqueceu. Vamos juntos, degrau por degrau. Apreciando as flores, aromas, visões divinas e sensações etéreas. Cada degrau que subimos, você esquece que é você e se une ao Todo. Você percebe que somos todos filhos do mesmo céu. E não há mais nenhuma divisão. As palavras deixam de ser necessárias. Você e eu somos um, e a comunicação é instantânea, dentro do nosso coração.

 

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