Como acolher algo ou alguém que incomoda?

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Muitas pessoas confundem acolher algo ou alguém como aprovar o ato que a pessoa faz ou a situação ruim causada por um fato. Falo isso nos grupos terapêuticos e respondem: tem que aceitar, não é?

Não. Não é. O acolher não tem nada a ver com aprovação ou desaprovação. As pessoas fazem muitas coisas que nos ferem. Alguns fatos da vida nos machucam. E não seria honesto dizer: eu aceito que você me machuque. Por isso, o primeiro ponto do acolher tem a ver com “verdade”. Não existe acolhimento, sem reconhecer a dor, a mágoa, a raiva, a tristeza que nos acomete. E isso se faz com o corpo. Não com a mente. Para permitir emoções dolorosas, temos que senti-las, e deixar que elas existam. Aí iniciamos o processo do acolhimento verdadeiro. E vou mais longe: da sua própria cura, que irradiará em sua volta. Você já percebeu que, muitas vezes, por não aceitar as dores que algo ou alguém causa, você deseja mudar o outro? Ou mudar a situação? E ainda dá uma boa justificativa para isso? No fundo, a sua atitude é totalmente egoísta. Quer mudar o outro, porque não dá conta dos seus próprios sentimentos. Isso não irá funcionar. O universo colocará situações e pessoas que provoquem aquilo que você não consegue lidar, até o momento em que você amplie sua capacidade de amar, e se abra para o acolher. Que é o início do despertar para a compaixão.

O segundo estágio do acolhimento requer soltar. Enquanto o primeiro movimento é de receber, trazer para dentro do seu coração e sentir a dor – este movimento pode ser incentivado com a inspiração do ar – o segundo movimento é de devolver para o universo. Neste movimento de receber e devolver, você invariavelmente perceberá a dor que o outro provocou em você, como também já sendo existente em si, em outros momentos. Perceberá que o outro ou o fato doloroso foi só um instrumento do universo, para que você acessasse algo difícil, e pudesse se curar. Por isso, ao devolver a energia, que pode ser auxiliado com o movimento da expiração, você devolve agradecendo. Muito obrigado, Deus, por permitir ver a minha dor, e curá-la. Muito obrigado, você que me feriu, e pôde apontar para algo que eu não estava sabendo lidar. Neste momento, você se une ao outro. Se une à situação de dor. E aprende que não precisa carrega-la. Seu coração se amplia. Sua capacidade de amar desperta. E, humildemente, você reconhece o quanto o universo é sábio. Lembre-se, querido. Tudo isso se faz com o corpo e as energias interiores. Inspire a dor, expire gratidão. Faça isso fisicamente. A mente pensa que está amando. O corpo sente amor. O processo do acolhimento é com o corpo…

Experimente. Sente-se quietinho, num lugar onde não possa ser incomodado. Desligue o celular. Se isole. E pense em algo ou alguém que está lhe machucando. Da atualidade, ou do passado. Não importa se é alguém íntimo, um colega, um desconhecido, até alguém da mídia, da política… Ou a situação: pode ser algo que ocorreu com você, com um parente, com um povo distante. Sinta a dor, o medo, a mágoa, a raiva, a tristeza, sensação de abandono… esteja aberto para sentir. Diga a si mesmo: eu estou disposto a entrar em contato. E inspire profundamente. Expire. E inspire. E conforme você se permite sentir a dor, percebendo que ela está dentro de si, quando expirar, agradeça. Eu liberto você. Inspire a dor. Expire gratidão. Obrigado por ampliar minha capacidade de amar. Faça isso várias vezes, até se sentir aliviado. Ou mais leve. Ou até, verdadeiramente conectado, amorosamente, com a pessoa ou fato que anteriormente incomodavam. Assim, um sentimento real de gratidão brotará. Naturalmente. Você deixará de querer mudar o outro. E mudar o mundo. E aos poucos, tudo o que fizer, ou deixar de fazer, virá do coração. Serão atitudes verdadeiramente amorosas. Sem intenção. Na paz.

 

 

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