Quando sou jogado nos problemas da família

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Sempre digo: você não deve mais carregar os padrões pesados, de sofrimento, vitimismo, culpa, confronto da sua família. Mas devemos entender uma coisa: aquilo que liga você aos padrões é uma energia sutil, que vai se desfazendo aos poucos. Não adianta querer fugir, ir para longe, fingir que não é com você. Se você é chamado a ajudar, talvez ainda tenha ligações dentro de si para olhar.

Pergunte-se: quando percebo tal situação me chamando, sinto-me impulsionado a fazer algo? O que me impulsiona? Culpa? Medo? Cobrança? Querer reconhecimento? Dó? Raiva? São estes e outros sentimentos que unem você à necessidade de ajudar, muitas vezes em situações que parecem nunca ter fim.

Mesmo assim, você está sendo chamado. Se sentir que é necessário, vá! Respire nos sentimentos que surgirem. A situação pode ser a mais grave, ou não tão grave, não importa. Procure agir, percebendo os sentimentos que te impulsionam, e permitindo que eles existam. Diga sim para  a culpa. O medo. A raiva. A dó. A cobrança. Diga sim para todo o sentimento que surgir.

E aja. Não para resolver alguma coisa. Não para aliviar alguém de algum sofrimento. Não para condenar aqueles que não agem. Aja sem intenção, o quanto for possível. Aja como um instrumento de paz e inclusão. Permitindo que o problema também exista. Permitindo que a situação continue do jeito como ela está. Permitindo a sua impotência e a impotência dos outros em resolver o problema. Olhando para a sua família como ela é. Olhando para os padrões como eles são. E diga: sim! Esta é minha família! Ela é como ela é! E por isso eu sou como eu sou! Graças a esta família, cresci, fiquei forte. Ganhei capacidade de ajudar muitos. E posso usar minha capacidade para a minha vida, para cuidar dos meus assuntos. Das minhas responsabilidades.

E finalmente, agradeça. Agradeça principalmente os sentimentos pesados que moveram você a agir. Agradeça a culpa. O vitimismo. A cobrança. A dó. A confusão. A tristeza. Seja lá o que for que surgiu, movendo você para o meio do problema, do conflito… Diga a estes sentimentos: eu permito que vocês existam. E agora eu os deixo. Não é mais minha função carrega-los. Aprendi a carrega-los através de mamãe. De papai. Das pessoas da minha família. Os acolho ternamente, os reconheço, e os deixo com eles. Papai, mamãe, família… agora vocês cuidam destes sentimentos. De vocês vieram. Para vocês, eu os devolvo.

Eu sou somente uma criança. E não dou conta disso.

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