Um projeto próspero necessita do masculino e feminino equilibrado

projeto

Um projeto nasce com um impulso masculino: eu quero! Eu vou! Eu faço! Yu-huuu! Assim como o espermatozóide corre loucamente atrás do seu lugar no óvulo, você deve ter tido uma ideia, e aí foi buscar um lugar sombreado, protegido, receptivo, adequado, para que a ideia fecundasse.

Mas, às vezes, não é assim que funciona. Lançou só a ideia e contentou-se com o primeiro ventre que surgiu. Alguém que não apóia. Não recebe. Não nutre. Bem… abortos podem ocorrer nesta fase. Muitos dos projetos não irão prosseguir. Nascem e morrem. Às vezes, nem nascem. Isso é sinal de que o feminino e masculino, dentro de si, estão desequilibrados. Traduzindo: papai e mamãe não se conversam. Há carência, e não vontade de crescimento. Falta de cumplicidade. Diálogo. Os planos a longo prazo são incoerentes. Ou é comum não haver plano a longo prazo. Porque não acreditamos em relação longa. Porque meus exemplos de relações longas são doloridos. Dolorosos.

Mas vamos imaginar:  o projeto foi gestado. O que é necessário? Antes de querer que dê frutos, é preciso cuidar do crescimento da criança. Vejo tantas e tantas pessoas querendo que jovens e infantis planos dêem luz a novos frutos. Tudo bem, é preciso ganhar dinheiro, atingir o público, ter reconhecimento, em um prazo adequado ao investimento que você fez. Mas como um projeto pode dar muito lucro, antes de se tornar adulto e suficientemente forte? Isso é incoerente. Se você não tem paciência para aguardar o tempo correto, pergunte-se: como estão meus sentimentos em relação à minha mãe? Será que só valorizo a força do meu pai, dentro de mim?

A sua mãe é muito importante. Neste momento, é importante tomar posse do seu feminino. Guardar sua criação. Proteger. Alimentar. Afastar quem queira pegar seu filhote. Ele é frágil. Precisa de cuidado. Carinho. Afeto. Calor do seu coração.

Vivemos numa sociedade carente. Onde as relações entre homem e mulher foram violentadas. Descaracterizadas. Desfragmentadas. E a ordem aprendida é: sucesso a todo custo! Mesmo que não tenha coerência. Procriar, mesmo sem amor! O importante são os resultados! O lucro! O reconhecimento…

Eu pergunto: para quê? Um projeto só é adequado quando podemos equilibrar a vontade masculina da multiplicação da espécie com o instinto feminino da conservação e proteção da espécie. É fundamental ao empreendedor conversar com o seu homem e mulher interior. E é claro que esta conversa irá ressuscitar a relação do papai e mamãe dentro de si. Se você é uma pessoa que deseja vencer a qualquer custo, irá reconhecer o masculino predador e que não está nem aí para a mulher ao seu lado. Eu faço muito. Crio muitos projetos. Tanto faz se a maioria morra. Eu continuo!

Mas se você é uma pessoa que se cerca de proteção, medo e falta de iniciativa, gesta projetos que sempre morrem, irá reconhecer o feminino adoentado e carente que tem medo de perder o pouco que conquistou. Prende tanto a sua criação, que ela agoniza em seus braços. Definha. Torna-se estéril, incapaz de multiplicar e gerar novas vidas. Você mata o masculino que o seu projeto necessita.

Assim, se você está querendo iniciar um projeto, ou já iniciou, pergunte-se: como está o meu feminino? Como está a minha capacidade de acolher em meu ventre um projeto? Proteger? Alimentar? Esperar o tempo para que o crescimento chegue, no momento oportuno? Lidar, em primeiro lugar, com o sentimento amoroso, e em segundo, com a praticidade da história?

E também pergunte-se: como está o meu masculino? A minha capacidade de empreender? Inseminar? Lançar novas ideias? Lutar, lutar, lutar e até morrer pela sua ideia? Não se envolver em questões emocionais, porque o que importa, é a sua sobrevivência? Ter lucro? Poder gerar novas vidas? Como está a sua capacidade de planejamento? Como está a minha capacidade de me relacionar com o mundo externo – fornecedores, parceiros, concorrentes, divulgadores?

Se está faltando (ou exageradamente descontroladas) as capacidades masculinas dentro de si – força, estrutura, limite, ataque, expressão… pergunte-se: como está a energia do papai, dentro de mim? Estou somente reconhecendo o homem fraco, ausente e incapaz? Ou o homem é símbolo do sucesso a qualquer custo, doa a quem doer?

O masculino e feminino andam unidos, num projeto de sucesso.

Lanço perguntas. As respostas estão com você. Da análise que você fizer das respostas, e da transformação que tiver coragem de exercitar, depende o sucesso, natural, do seu projeto.

 

Dinheiro: quando um homem não se banca financeiramente

dinheiro

 

A maneira mais fácil de começar a falar sobre esse tema seria dizer algo assim: atendo muitas mulheres que, por algum motivo, atraíram homens que não se bancam financeira e profissionalmente. Muitas vezes homens com tendência à depressão, aos vícios, às fugas… Sensíveis? Sim, muitos deles muito mais emocionais do que racionais. Afinal, a mulher é quem pensa, quem coordena, quem planeja, quem dá as diretrizes, no caso destas clientes que atendo.

Esta seria a maneira mais fácil. Ou não tão fácil, porque, só de escrever isso, já me surge algo que eu nunca havia me ligado: meu avô, homem que foi meu exemplo maior de masculino, era alguém que não conseguia bancar financeiramente a casa, e era cobrado por isso o tempo todo. Quem me conhece, talvez até ache estúpido eu dizer que só agora chegou esta percepção, afinal, já conto esta história há anos e anos, tanto dentro dos meus cursos, como entre amigos. Mas insight é assim. Vêm de várias formas. As mesmas histórias trazem novas e novas percepções. E francamente, até este momento, a percepção que seguia do meu avô era da multiplicidade de capacidade, trabalho infinito, necessidade de descansar e relaxar após o trabalho – sempre com um cigarrinho, às vezes um vinho, invariavelmente um vidro de remédios para dor de cabeça crônica, e saco do tamanho do Pão de Açúcar para aturar as cobranças da minha avó. Afinal, ele não trazia dinheiro suficiente para casa.

E agora começa a forma “difícil” de falar sobre este tema: dizer sobre a minha história de homem que não se banca financeiramente.

Começo a perceber que, de alguma forma, quis vingar o meu avô e colocar a minha avó na parede: ele te deu tudo, e você ainda é ingrata? Você reclama do dinheiro, mas largou seu trabalho e nunca mais voltou, não é mesmo, vovó? Mesmo simples e com seus inúmeros defeitos, vovô sempre amou você! Deixava de comprar coisas para si, para lhe dar presentes… a maior parte, presentes que você não gostava…

Como que vingamos um ente querido, da “injustiça” que achamos ter vivenciado na infância? Fazendo igual. Repetindo o mesmo padrão. E que cacete! Vejo que repeti o padrão do vovô, tim-tim por tim-tim, como ele gostava de dizer. Não acabei meus estudos superiores. Mesmo estando com as mãos no diploma, desisti. Sou multi-talentoso, mas não ganha tanto por estes talentos todos. Penso primeiro na mulher, depois em mim. Tive imensas dificuldades financeiras. Sempre ouvi primeiro ela, e depois eu, até nos negócios que fazia. Gosto de relaxar tomando um vinho. Aprendi que relação é estar com uma mulher chata, que cobra o tempo todo: e ouvir pacientemente. Ela se bancava profissionalmente, mas após o casamento, se encolheu… assim foi meu casamento anterior.

Bem… padrões mudam. Caso contrário, não teria o menor sentido trabalhar com terapia…

Pacto de vingança, pacto de fidelidade

Após uma fase muito longa de “pindaíba” financeira, insatisfação profissional, divórcio, empresa quebrada, nome sujo, comecei a olhar verdadeiramente para a história dos meus pais. Dos meus avós. Da minha infância. Já estava com quase quarenta anos de idade. E fui vendo que, paulatinamente, estava repetindo muitos padrões de comportamento. Muitos deles eram bons e me traziam satisfação, como por exemplo, o talento que herdei do vovô. Mas muitos outros eram padrões difíceis, que traziam sofrimento, angústia, tensão, brigas no relacionamento.

E como sair destes padrões? Em primeiro lugar, é ver que estou identificado ao padrão que me causa problemas, por amor a alguém. Neste exemplo que dei, com o meu avô. E interessante: estou também entrando em confronto com alguém que foi muito importante na minha vida, que me deu tudo e mais um pouco, mas que me pressionou de forma que eu não aceitei. Vovó. E pressionou meu avô. E transformou meu pai em um homem fraco também. Esta é a minha interpretação, totalmente passional e infantil. Por isso, tenho que identificar um pacto de vingança que fiz em relação à vovó. E um pacto de fidelidade que assinei em relação ao vovô.

Pacto de vingança

Eu atrairei mulheres duras e mandonas, mas também frágeis e instáveis, e vou mostrar que sou melhor que elas. Que elas são fraquinhas e doentes. Dependentes do homem que elas tanto se acham superiores.

Pacto de fidelidade

Vou viver trabalhando muito, mostrando todos os meus talentos, sendo simpático e querido por todos, e estar sem dinheiro e com a “aura” de injustiçado, como vovô foi, porque eu o amo.

Bem… eu era péssimo aluno de química, mas é fácil ver que esta fórmula PV (pacto de vingança) + PF (pacto de fidelidade) = F (fracasso).

Eu me ferrei, literalmente. Fracassei no casamento, na profissão, nas finanças. Não reconhecia nem os benefícios que recebi dos meus avós (você pode ler papai e mamãe) e nem o quanto que estava com a imagem de um homem fraco e injustiçado dentro de mim.

 

Um homem que serve à vida, ganha dinheiro

Andei por muitos caminhos espirituais. Muitos deles diziam sobre a necessidade de servir. E eu trabalhei como voluntário. Participei de religiões. Doei parte dos meus ganhos. Fazia meus serviços com muito capricho. Mas pra falar a verdade, nunca fiz isso com integridade. Era sempre com algum tipo de interesse: eu dou isso, Deus dá aquilo. Eu dou capricho, um dia, Deus me recompensa. Eu me mostro um bom sujeito, e serei beneficiado… Não funcionou. E assim, me revoltei contra o mundo. Contra Deus. Contra o mundo capitalista. Contra minha mulher. Minha avó. Minha mãe que me deixou. Meu pai, que também não me assumiu totalmente. Meu avô banana. Me revoltei. E foi ótimo. Porque só assim, pude recomeçar.

E desse lugar de revoltado contra tudo, queria dizer diretamente ao homem que se identifica com esta situação – o macho que se acha incapaz de prover. Em primeiro lugar, a história mudou. Homens e mulheres trabalham. Às vezes, a mulher até ganha mais que o homem. Então, não pense que você terá que dar tudo. Ela pode te ajudar. Mas você terá que dar uma contrapartida. A mulher se tornou muito forte. E você deverá se mostrar muito forte também. E sensível, porque a mulher, ao se tornar provedora, endureceu. Masculinizou-se. E necessita a sua flexibilidade.

Vamos lá, homem. Ser próspero é algo que necessita firmeza, um emocional razoavelmente controlado e uma capacidade de olhar para o outro e servir, e deixar de olhar para o próprio umbigo. Eu estou aprendendo a ser forte. Espero que você também possa aprender. Vou deixar, para finalizar, algumas palavras a respeito do dinheiro, que meu mestre de constelação familiar, Bert Hellinger, deixou: “O dinheiro tem alma. O dinheiro é algo espiritual. O dinheiro é o resultado do amor. O dinheiro é adquirido através do desempenho. É o equilíbrio de um bom desempenho. Se alguém ganhar o dinheiro por seu desempenho, o dinheiro o ama. O dinheiro também permanece com ele, pois foi adquirido através de seu desempenho.

O dinheiro também quer render algo – depois. Por isso o dinheiro espera ser gasto. Ser gasto em algo bom, que leve a vida adiante. Então se ganha mais dele – cada vez mais. Através de seu desempenho, o dinheiro entra num circuito de serviço, trabalho e ganho, tudo ao mesmo tempo.” Bert Hellinger – Histórias de Sucesso na empresa e no trabalho

 

 

 

 

Adeus macho-alfa, bem-vindo macho-beta!

machobeta

 

“Como característica principal do macho-alfa, em uma esfera mais leiga, é um homem que atrai a atenção de todas as mulheres por sua alta capacidade de dominar os ambientes, mas ele também dispõe de esperteza e determinação suficientes para se juntar a grupos masculinos – daí ser interessante considera-lo também no âmbito dos relacionamentos. E é aqui que surge um dado interessante de se pensar dentro do novo cenário contemporâneo: antes festejado quase como um deus a viver no olimpo da sociedade, o que se descobriu, desde a entrada em cena do novo homem e da nova mulher, é que ser um macho-alfa não é mais sinônimo de sucesso garantido – nem no trabalho, nem na vida amorosa. E tudo porque há outro forte candidato ao posto: o “macho-beta”.

O macho-beta surge dentro de um cenário que não exige mais dos homens a mesma seriedade, perfeição, autossuficiência e rigidez. E assim ele se define como um homem que não faz questão de ficar em evidência, nem de provar sua autoridade o tempo todo; ele tampouco tem medo de mostrar suas emoções e não se importa em dividir tarefas. É justamente por causa dessas qualidades que o chamado macho-beta está se tornando o preferido por boa parte das mulheres, a qual busca um companheiro mais sensível, alguém que inclusive privilegie e participe do convívio familiar, ao contrário do homem que antes colocava a conquista de poder, dinheiro e mulheres acima de tudo e de todos. O dado é curioso porque o termo “beta”, em seu aspecto negativo, paradoxalmente serve também para denominar o homem que não interessa tanto, pois designa um homem submisso, fácil, desesperado, inseguro, previsível, e, principalmente, sem atitude.

Assim como acontece com os homens, essa inversão de preferências, para as mulheres, também tem se mostrado verdadeira, uma vez que os homens há tempos preferem a “mulher-beta” a uma “alfa” dominadora – lembrando que o termo “alfa”, no caso delas, também indica uma mulher bem-sucedida, independente e focada na conquista do poder. São as adeptas do “eu posso, eu serei e eu terei”, postura que lhes dá a convicção de que chegarão ao lugar em que o deseja delas está.

Mas para mostrar, porém, que até mesmo essas classificações são redutoras ao tentar captar a complexidade da natureza humana, chamo a atenção para a capacidade que homens e mulheres têm de incorporar uma e outra qualidade, mudando de alfa para beta e vice-versa, dependendo da situação. Eu mesmo já acompanhei esse movimento em pessoas que conseguem ter consciência de seus objetivos e limites, algo que obtiveram depois de aprender a se conhecer, para em seguida conhecer o outro.”

Luiz Cuschnir – Ainda Vale a Pena (Cultivar para manter os vínculos de amor)

(Diamante Bruto – O Poder do Sagrado Masculino, em São Paulo e Brasília – clique aqui e saiba mais)

Quem fica apenas com a bondade, destrói os relacionamentos…

são miguel

 

Quando alguém me dá alguma coisa eu me alegro, mas também tenho má consciência, pois me sinto em dívida em relação a essa pessoa. Por isso também lhe dou alguma coisa e volto a me sentir inocente, porque me livro da obrigação.

Se gosto dessa pessoa, dou a ela um pouco mais do que recebi. Com isso, ela se sente em dívida comigo. Como também me ama, ela também retribui com um pouco mais. Então eu me sinto novamente em dívida com ela e, porque a amo, também lhe retribuo com um pouco mais. Assim, em função da necessidade de equilíbrio, cresce o intercâmbio entre as pessoas que se amam. Essa é uma bela função da consciência pessoal que, de certo modo, força a compensação e aumenta o intercâmbio no bem.

O mesmo acontece, porém, quando alguém me faz algo de mal. Então também quero retribuir, pois sinto necessidade de compensar. Se eu nada fizer contra essa pessoa, coloco em risco nossa relação, pois ela espera que eu lhe retribua na mesma moeda. Assim ela fica aliviada quando lhe retribuo nessa medida.

Porém, muitos não retribuem o mal ao outro na mesma medida, mas um pouco acrescido. Se ele lhes retribui também aumentando a dose, eles se vingam com um mal ainda maior. Assim vai crescendo entre eles o intercâmbio do mal. Nas relações políticas vemos numerosos exemplos disso.

Como se sai desse círculo vicioso? De um lado, é preciso vingar-se, pois quem fica apenas com a bondade destrói os relacionamentos. Mas é possível vingar-se com amor. Como? Fazendo também ao outro algo que lhe dói – é preciso – mas em menor escala. Com isso pode recomeçar o intercâmbio do bem.

 

Bert Hellinger – Conflito e Pazsão miguel

Relacionamento de verdade

se amar

“Aprenda a se amar.
O amor que descobrir em si,
será o mesmo amor que
encontrará no outro”

A grande questão não é ter ou não ter alguém ao seu lado. O desafio é estar aberto para amar. Desarmado. Disposto a descobrir o seu lugar, estabelecendo limites, mas também propenso a ceder quando necessário. Entendendo que nem você e nem o outro sabem o que é amar de verdade.
Muitos casais estão juntos, mas fechados um ao outro. Defendem-se, por medo de que suas feridas mais íntimas sejam reveladas. Seus traumas referentes à desconfiança do sexo oposto, humilhação, abandono, pobreza, agressividade, manipulação, infidelidade, vícios não assumidos, travas sexuais, enfim, traumas herdados do seu sistema familiar, sejam expostos. Acreditam que a relação acabaria, dessa forma.
Mas eu acredito: só existe relação onde há verdade.
Relação implica troca. E coragem e maturidade para ter compaixão pelo trauma do outro. Saber ouvir quer dizer não levar nada pelo lado pessoal. O outro não faz nada contra você. Nem a favor. São hábitos aprendidos. Que podem machucar, sim. Mas não é este o propósito.
A verdade necessita que cada um assuma a sua própria responsabilidade. E além disso, que aprenda a fazer da vida uma celebração.
Afinal, relação nenhuma sobrevive somente de revelações profundas. DR o tempo todo é um saco.
Não há lugar a chegar, quando se está num relacionamento. Ou se aprende a conviver aqui e agora com ele (ou ela), ou estará vivendo a neurose do amor romântico, que acredita em paixão eterna, contos de fadas e princesas.
Um relacionamento de verdade não é tão romântico. Mas não precisa ser tão desastroso e destrutivo, como grande parte das relações hoje em dia.
A verdade é nua e crua. Nem por isso, deixa de ser preciosa e desejável.

Um homem decepcionado com o pai

culpa de ser homem

Ontem iniciamos mais uma etapa do projeto Diamante Bruto, círculo do sagrado masculino, desta vez em Brasília. Um encontro de “brothers”, muito bom para alguém que, até então, trabalhava em geral com mulheres ou grupos mistos formados na maioria, por mulheres. Uma das diferenças gritantes que senti é na minha atuação dentro do grupo. Quando há mulheres, querendo ou não, adoto uma postura de alguma forma sedutora: seja pelo conhecimento, pela graça ou delicadeza, lá está eu “cantando de galo”… no fundo, querendo mostrar que eu sou um macho adequado para acasalar. O velho instinto primitivo em ação.

Já no meio de homens, que alívio. Posso ser eu! Não me sinto competindo com os homens, até porque não há nenhuma mulher no meio para ser disputada. Falamos sobre sexo, comportamento, relacionamentos, perdas, ganhos, relação com filhos, relação com a nossa libido insaciável, cuidados com casa, jardim, arte, sensibilidade… Podemos mostrar até o nosso lado feminino… no meio de homens.

Luiz Cushnir, em Homens Sem Máscaras, diz que, após a revolução feminista, houve uma grande mudança no comportamento dos homens: “O homem está, agora, décadas depois, encarando o caminho inverso: sair da rua, entrar em casa e até mergulhar nas profundezas de si mesmo. Ele está tentando se liberar do estigma de ser sempre – e tão-somente – o profissional, papel que praticamente abafa sua identidade pessoal mais ampla. Às vezes até sua criatividade e sensibilidade. Muitos homens, com a intenção de atender às transformações sociais decorrentes das reivindicações feministas, confundiram aspectos sociais de fortalecimento de sua identidade masculina. Ao perceber que não eram bem-vindos quando desejavam expor seus sentimentos e/ou envolverem-se emocionalmente com a família, recolheram-se, quase plagiando a condição feminina anterior. Perderam, assim, características aguçadas e penetrantes que eram parte essencial de sua condição de homens. Foram ficando quietos. Não pelo poder absoluto do silêncio (fico quieto, faço cara de bravo e o pessoal fica com medo) mas literalmente deixando o barco correr, ao léu”.

Felizmente, no meio de homens, este recolhimento deixa de ser necessário, e podemos expor nossos conflitos, medos, dores, sensação de incompreensão, vitórias, esquisitices. Amostras de masculino totalmente diferentes, umas das outras, mas no fundo, mostrando partes do homem que todos somos: o tímido, o charmoso, o forte, o calado, o alegre, o eficiente, o “menino bonzinho”, o problemático, o confrontador, o “comedor”, o atleta, o poeta, o homem feninino… Tantos homens… todos, de alguma forma, doloridos…

Falta da referência masculina. Falta de papai

Somos frutos de uma geração de pais ausentes, onde o papel de provedor já deixou de ser exclusividade do mundo masculino. Pais que trabalhavam demais, e deixavam a tarefa do cuidar e educar os filhos com as mães. Ou pais que traíam demais, e da mesma forma, deixavam os filhos com as mães. Em alguns casos, pais morriam cedo, largando a mãe… e os filhos para a vida. E dessa forma, quem ensinava aos filhos homens o que é ser homem, era… a mãe – uma mulher profundamente marcada pela ausência do masculino! Mãe muitas vezes com ódio, ou desprezo pelo pai – porque ele traiu, porque ele escolheu outra mulher, porque ele bebia demais, porque não trazia dinheiro em casa, porque não dava um ombro amigo quando ela estava frágil, porque não conversava e não queria ouvir…

Estes meninos crescem, e sem perceber, carregam uma aversão ao próprio pai. Não importando as razões, que podem ser inúmeras e dolorosas para toda a família, o que um menino gostaria de manter é a imagem do pai herói, forte, alegre, atuante… e esta imagem é quebrada. Ao tornar-se adulto, inconscientemente, temos um homem com culpa de ser homem. Que tudo faz, ou para reafirmar que é um homem digno de confiança (coisa que papai não foi, neste imaginário inconsciente) ou já “chuta o pau da barraca”, aperta o botão do “dane-se” e sai por aí usando e confrontando as mulheres, numa espécie de vingança contra as “mães” que castraram o masculino deles. Mas ainda sem acolher o “pai” dentro de si. O homem que ele é. No fundo, ele também confronta o “pai”, como foi ensinado pela “mãe”.

Qual o sentimento que você tem, homem, quando se pensa no papai?

Numa roda de masculino, todos são iguais. Cada um vai se reconhecendo nas histórias dos outros, e tira suas próprias conclusões. Pessoalmente, o que me ficou gritante neste último encontro, é o sentimento de tristeza que sinto em relação ao meu pai. A minha forma de “confrontar” o que meu pai foi é a desaprovação e decepção, e não exatamente a raiva. Em muitos momentos percebi raiva em relação às coisas que meu pai fez: bebeu demais, nunca pagou as despesas dos seus diversos filhos, nos usou para seus interesses, mentiu, algumas vezes era agressivo, enchia o saco e ainda queria mostrar “as verdades da vida”, conversava pouco e não expunha seus sentimentos, etc., etc. Talvez ainda tenha raiva inconsciente… mas neste momento, o sentimento é de profunda tristeza. Como eu queria poder ver o meu pai como forte, e a imagem que vem é de fraqueza, doença, vício e fracasso financeiro. Como eu queria sentir que meu pai foi feliz na vida, mas só me lembro da sua raiva, incompreensão, revolta contra os próprios pais, o governo, a sociedade, os empregadores… Como eu queria me sentir protegido por ele, mas ele nunca esteve presente.

Percebo em mim a tendência de repetir alguns aspectos da vida de papai em mim: dificuldade nos relacionamentos, problemas financeiros e vícios. Aprendo na constelação familiar que carregamos os pesos dos pais, numa espécie de “honra ao sofrimento” deles. Uma criança triste dentro de mim está dizendo: “papai, eu sofro como você. Por favor, me ame!” Mas ele não vê. Não está aqui. Até porque morreu com 60 anos de idade, destruído pelo câncer e pela vida desequilibrada. Além de tudo, esta voz que sente falta de papai, dentro de mim, é muito infantil. Será que é dos meus um ou dois anos de idade, quando papai já estava com a outra mulher? Ou é a voz da mamãe, quando eu ainda estava na barriga dela, dizendo: “volta, Ari! Eu não suporto viver sem você!”

Há que se ter coragem de olhar para esta tristeza que me corrói. Com muito esforço, já consegui vencer inúmeros padrões difíceis, e posso dizer que meu relacionamento atual, minha vida profissional e minha saúde física se encontram em um bom caminho… Quero honrar papai, com gratidão, entendendo que ele me colocou no mundo, e o resto eu faço. Mas talvez, antes de encontrar este pai forte, dentro de mim, preciso, pela primeira vez na minha vida, encarar a tristeza que sinto em relação ao meu pai…

Vejo que “sentir” ainda é um grande problema aos homens em geral. A tendência é contar histórias. Explicar o porquê disso e daquilo. Lembrar de fatos do passado. Justificar. Porém, “sentir as emoções” com consciência, sem deixar o vitimismo ou a raiva indevida tomar conta, e ao mesmo tempo sem afastar as péssimas sensações que as dores emocionais trazem é o desafio. Vou sentir minha tristeza. E convido os homens para, verdadeiramente, permitir “sentir” no corpo tudo o que o papai significa em seu interior. Principalmente de doloroso. Porque depois disso, em algum momento, a dor se dissipa, naturalmente, e as coisas positivas dele se mostrarão.

 

Sedução, traição e amor verdadeiro nos projetos

projetos prosperos

HONRA (MEIYO)
É a qualidade essencial. Ninguém pode pretender ser Budoka (guerreiro no sentido nobre da expressão) se não tiver uma postura honorífica. É da honra que partem todas as outras qualidades. É um código moral e um ideal, de maneira a ter sempre um comportamento digno e respeitável.
Bushido – código de honra samurai

 

Às vezes, alguém vê um tipo de negócio, um projeto que está andando, e deseja algo: ou quer ganhar em cima deste projeto, financeiramente falando, ou quer tirar este projeto de um lugar e levar para outro, por algum outro tipo de ganho: poder, vingança contra um dos parceiros/sócios do projeto, influência, às vezes até inveja e vontade de passar a perna… Um dia fico com tudo sozinho! Ou ainda: vou copiar e depois fazer igual.

Seja este projeto uma empresa, um trabalho de faculdade, parceria em algum empreendimento, um grupo musical, a construção de uma casa, no momento em que se coloca qualquer tipo de ganho acima da vontade de ver o projeto florescer por si só e dar bons frutos a todos, em geral, a empreitada vai ter muitos problemas. Claro que ganhar dinheiro, status, poder, ter sucesso, é algo desejável (embora há que se ter um profundo cuidado com estes valores tão superficiais). Porém, qualquer movimento que se tenha deve inicialmente ser movido pela intenção do coração em beneficiar o próximo.

Muitas pessoas correm atrás de oportunidades. Oportunidade de quê? De ganhar dinheiro. Para quê? Para suprir a sua própria carência, de uma personalidade que se vê pobre, se compara para baixo e acha que o dinheiro irá lhe dar algum diferencial. Então, chegam com argumentos bem elaborados, dizendo que tal projeto é muito bom, será útil para a comunidade, tem um público-alvo específico, sedento daquele produto ou serviço. Porém, esses argumentos muitas vezes não resistem a uns 10 minutos de perguntas do tipo:

– o que te move, verdadeiramente, para realizar este projeto?
– o quanto você domina deste assunto que está querendo introduzir?
– você tem relação íntima com o público-alvo do seu projeto?
– como está sua vida financeira?
– o que você acredita sobre si mesmo, em relação a bancar suas ideias?
– o quanto você trabalha pela ideia de ser reconhecido pelas grandes coisas que faz?
– como foi o padrão dos últimos projetos que você fez?
– você feriu pessoas/sócios/amigos/colegas na tentativa de realização pessoal?
– o que você fez com estas pessoas que feriu? Houve alguma tentativa de harmonização?
– para que serve o dinheiro, verdadeiramente, na minha vida?
Como disse, é possível fazer vários minutos de perguntas provocativas, mas que deveriam ser feitas por todo empreendedor maduro, para perceber se ele não irá utilizar sua energia em algo onde apenas está querendo ganhar dinheiro, poder, reconhecimento, e nem sabe o significado básico de beneficiar o próximo. Mestre Masaharu Taniguchi diz: “Quem vive querendo só receber benefícios dos outros é como se estivesse assaltando-os. Por isso os outros sentem essa ‘atmosfera’ e passam a detestar essa pessoa.” Obviamente, uma pessoa que está nesta energia, não atrai pessoas interessadas em quantidade suficiente para prosperar.

Muitas vezes, a carência está escondida na mente inconsciente. A pessoa parte para fazer um projeto com a ideia de que está levando um benefício. Porém, se ela se perguntar e responder com sinceridade algumas questões como as que coloquei acima, começará a ver que existem falhas emocionais em sua estrutura psíquica, e isso é péssimo para o desenvolvimento sadio de um projeto. Trabalhando com constelação sistêmica, posso afirmar que a pessoa que não consegue separar dentro de si a própria carência do negócio que realiza, irá infectar este negócio e leva-lo para baixo.

Parceiros sedutores e traidores

Pessoas com esta característica de fraqueza emocional, muitas vezes partem para a sedução, a tentativa de ganhar em cima de outros, prejudicando pessoas envolvidas nos projetos que ela ambiciona. Como não acredita que o universo irá lhe dar algo para si, e também não acredita que ela própria tenha capacidade de tocar alguma coisa com a própria força e talento, quer seduzir algo que já está rolando.

Aí entra a questão da ética: eu posso fazer fusões. Sugerir parcerias. Buscar ingressar em projetos em andamento, para acrescentar. Mas se eu tento tirar alguém da jogada, para meu benefício, estou agindo como o sedutor que fica passando cantada na mulher do meu amigo. Algo dentro dele tem inveja da relação dos dois, e no fundo, quer destruir a relação  – às vezes pode até haver uma atração entre os dois, porém, é necessário negociar como é que ficarão as partes prejudicadas. Caso não se negocie, a energia da raiva, da dor do abandono, da vingança ficará pendente no “ar”, e irá se manifestar no projeto.

Não é incomum o ambiente explodir dentro de uma equipe. Alguém trair o projeto. Parceiros abandonarem. O dinheiro minguar. O cliente não chegar ou não valorizar o produto/serviço. O projeto só dar muito trabalho e pouco retorno. Outro projeto passar o seu para trás. Acontecer acidentes, incêndios, roubos… Você não faz ideia do que a energia da raiva dos traídos e abandonados é capaz!

Sabe por quê comparei traições em projetos com a sedução afetiva? Porque, em geral, ao investigar as pessoas responsáveis pelo projeto, descubro que elas também tem um padrão de traições afetivas, ou são filhos de pais que passaram por mágoas de traições. As pessoas reproduzem o sistema familiar também nos negócios. Pode reparar. Começam a agir como amantes sedutores. Invejam. Tentam tirar de um lugar para levar para outro, não importando que existam pessoas que serão prejudicadas. Não possuem ética. Não sabem falar, negociar abertamente. Fazem as coisas por debaixo dos panos. Mentem descaradamente.

Nas minhas caminhadas pelo Brasil, onde estabeleço diversas parcerias em projetos, tomo muito cuidado de não me envolver em negócios quando percebo este padrão “rondando”. Não por moralismo. Simplesmente porque sei que irei desperdiçar energia e o projeto não irá crescer e beneficiar a quantidade de pessoas que poderia. Surgirão intrigas. Brigas. Ciúmes. Pessoas descontentes. O foco não está no benefício do público, mas no fundo, em suprir carências emocionais de aceitação, sustento, reconhecimento… e isso deveria ser resolvido em terapias, e não dentro de um projeto.

Serviço desinteressado

Para servir ao outro, é necessário ter algo para dar e estar com o canal de doação e recepção abertos. Só sabe dar aquele que sabe receber. Aquele que recebe, tem algo a dar. Para ganhar dinheiro e entrar no fluxo de prosperidade, é necessário estar livre do sentimento de carência. Também é necessário deixar o dinheiro ir para outras mãos que saberão usá-los com respeito, e estar aberto para que o dinheiro chegue, sabendo que você o utilizará com respeito, sem querer trancafiá-lo na masmorra. Para fazer algo benéfico, e não se apegar à necessidade de reconhecimento, é fundamental estar em paz com o pai e mãe, dentro de si. Porque, no final das contas, esperamos o reconhecimento dos nossos pais, em tudo o que fazemos, e movidos por esta carência, vivemos insatisfeitos e com o foco para o ego ferido, e não para o outro.

Devagar, descontaminando a psique de tantos e tantos traumas inconscientes que carregamos, e aprendendo a separar internamente o que é carência do que é serviço ao próximo, vamos nos aproximando da arte de trabalhar com o coração. Quanto mais em paz, projetos naturalmente fluem de você, e são projetos vivos, coerentes, cheios de força, porque nascem de um eu íntegro, que reconhece os próprios dons e talentos.

Em paz com o pai interior, temos foco, acertividade, capacidade de nos lançar ao mundo com confiança. Em paz com a mãe interior, sabemos aguardar o tempo necessário da gestação de um projeto, alimentamos os planos, cuidamos, protegemos, até o momento em que ele nasce, cresce, e em algum momento, se o universo permitir, possa andar com as próprias pernas.

Finalizando, quero deixar algumas palavras do meu mestre espiritual, Prem Baba, a respeito de trabalho e dharma (missão de vida): “Às vezes, você está trabalhando em algo que não lhe traz satisfação, mas que está de alguma forma fazendo a roda girar.

Devagarinho, você vai recebendo inspiração e guiança para começar a colocar os seus talentos e dons a serviço. Talvez, nesse mesmo lugar onde você já está trabalhando, ou em alguma outra coisa. Quando isto começar a se tornar mais claro para você, começarão a surgir oportunidades, e você vai sentir o impulso de se abrir para receber esse convite. Mas, sempre haverá um desafio, que é conseguir superar o medo. Toda a mudança gera medo (com raras exceções). A mudança que gera medo é aquela mais estrutural, mais profunda, quando você está há muito tempo apegado a uma forma, e o tempo lhe convida a mudar. Dependendo do tamanho do seu apego a essa forma, você vai sentir muito medo, mas é preciso encará-lo e superá-lo. E quando você se coloca a serviço, o universo vai dando o que você precisa.”