A crítica, o julgamento e a raiva inconsciente

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Estou me pegando numa fase de vida onde percebo em mim a crítica virulenta contra os atos de algumas pessoas. As julgo imaturas, inconsequentes, irresponsáveis, arrogantes, sem ética… E então as condeno. Mas não para por aí: percebo surgir sempre uma forte raiva contra estas atitudes.

Não condeno a raiva. Sempre digo que a raiva, bem direcionada, faz movermos rumo aos nossos objetivos. A questão é que, nestes casos, a raiva surgia em assuntos que não me dizem respeito, e diante dos quais não tenho nada a fazer.

Aprendi a julgar, condenar e executar com meus pais. E meus avós. Meu avô, por exemplo, falava mal de tudo e de todos: racista, condenava negros, nordestinos, judeus, gays. Os únicos que prestavam eram os italianos, sua origem. Meu pai, anarquista, falava mal dos patrões, dos líderes, dos políticos, dos ricos, dos espiritualistas desonestos. Minha avó, cheia de moralismo, falava mal dos que traíam, dos que mentiam, roubavam, agrediam, mostravam sua sexualidade. Minha mãe falava mal das pessoas que gritavam, pressionavam, eram duras e severas… mas falava mal principalmente dela mesma.

Eu sou uma somatória destes padrões herdados da minha família. Com algumas diferenças, sou imensamente crítico e julgador. Como Bert Hellinger, o pai da constelação familiar ensina, somos frutos do sistema e para nos sentirmos parte dele, precisamos seguir os padrões. Somos fiéis, cúmplices àquilo que a família diz que é o correto. Se eu fosse originário de um sistema de corruptos e ladrões, eu me sentiria parte da família, roubando. Portanto, energeticamente, roubar significa inocência.

Os padrões escondem sentimentos, emoções e fatos antigos, que não temos a menor consciência. O padrão da crítica, dentro de mim, esconde a raiva. Uma raiva não exposta. Não gritada. Não exercitada. Sim, papai era uma pilha de nervos. Vovô também. Vovó, nem se fala. Era tanta raiva não expressa, que virou depressão e crises intermináveis de fígado.

Só que tem um detalhe: neste momento, torno consciente minha raiva. E vejo o padrão do julgamento e condenação como o estopim desta raiva. Percebo que não preciso mais julgar e condenar estas pessoas, afinal, a vida é delas. Não me afeta em nada se elas não tem ética, são infantis, imaturas, etc., etc., etc. Aprendo a colocar os limites na minha vida, e cuidar dos meus assuntos. Os assuntos que não são meus, que importam?

Tomo uma decisão: a cada vez que perceber minha mente julgando e condenando, irei mentalizar: papai, mamãe, vovó, vovô… eu deixo os julgamentos que aprendi com vocês, para vocês. Eles foram importantes para me tornar quem eu sou, mas agora, não fazem mais sentido. Aprendi a me posicionar, a tomar posse da minha raiva, mas agora vou usá-la do meu jeito. Nos padrões que fazem sentido na minha vida. Vou cuidar somente dos meus assuntos, e deixar que os outros cuidem dos assuntos deles. E vocês cuidem de suas críticas e julgamentos. Da raiva não expressa de vocês.

Eu os liberto. Eu me liberto.

 

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