Gratidão sincera, profunda, a todos que me desvalidaram

 

Quanto tempo fiquei preso numa relação, sentindo-me, como homem, culpado pelo fracasso que houve. Tudo bem, fracasso na minha cabeça, afinal, vivemos coisas muito importantes, construímos muita coisa, aprendi demais… Anos depois, acabou. E eu, achando que fizera algo errado. Não trazia o dinheiro suficente. Era desequilibrado, emocionalmente. Sentia-me frustrado, e por isso, bebia. Sim, realmente eu não estava presente. Mas ela também não. E foi em acusações mútuas que acabou tudo. No jogo do: o culpado da “nossa” desgraça é você!
Corpos se separaram. E eu continuando a carregar a culpa “por ter dado errado”. O mesmo que vivi na relação, o sentimento de frustração que me fazia infeliz, só aumentou. Romper a relação só foi mais um item da lista dos meus fracassos.
Durante terapias, resgatei a quantidade enorme de momentos, na infância, de desvalidação. Cresci sendo chamado de “burro”. Tudo o que eu fazia, de lição de casa à arrumação, era desprezado. Meu avô ria muito das coisas que eu fazia. Minha avó condenava. Meu pai calava. Minha mãe, eu não a via. Irmão, pai e avô eram gênios nas suas áreas. Eu me achava medíocre. Mesmo nas minhas “vitórias”, nunca fui validado.
Lógico, nessa relação afetiva, não me sentia validado também. Como o menino burrinho poderia ser validado por alguém, se ele mesmo se achava um zero a esquerda – mais um dos carinhosos apelidos da infância. Não quero me alongar nesta história. Afinal, o menino cresceu. E em outra relação, começou a ouvir: eu te admiro. Que legal o que você faz! Parabéns pelo seu sucesso.
Não eram palavras vazias. Após a separação, resolvi provar pra mim mesmo que eu dava certo. Parti com unhas e dentes para buscar meu “lugar ao sol”. Sozinho, através de mim mesmo, afinal, não podia esperar elogios de ninguém. Como nós, homens, somos tolos! Vivemos qual um pavão, buscando admiração pelas nossas belas penas…
Eu já não podia esperar isso. Precisava ganhar dinheiro. Precisava fazer aquilo que vim fazer no mundo. Magoado? Sim, um menino magoado, emburrado. Mas que andava. E quanto mais andava, mais conquistava. E quanto mais conquistava, sentia-se ótimo. E a nova relação surgiu nessa época. Como não validar alguém que se mostra ativo, capaz, produtivo?
Então, me pergunto: eu sairia com tanto ímpeto pela vida, atrás do meu talento e sucesso, se não fossem todas as desvalidações? Não! Eu teria força, coragem, audácia, cara de pau, pra sair pelo mundo mostrando minha cara? Não!
Aí vem mais um aspecto do meu autoconhecimento: descobri que eu não me sentia fracassado por ter sido desvalidado. Eu me sentia fracassado porque todos da minha família, se sentiam e se sentem fracassados, e eu só demonstrava isso com mais evidência. Carreguei o padrão de tantos homens – e algumas mulheres – frustrados. Fiel à isso eu também tinha que me sentir fracassado. Papai, gênio, morreu novo, alcoólatra, sem trabalho, nem reconhecimento. Meu irmão, gênio, se suicidou. Vovô paterno, gênio, morreu aos 70 anos, vendo o seu único patrimônio, construído com tanto suor, ser desfeito pelos caprichos da vovó. Vovó, cheia de razão, passou o resto da vida cuidando da doença do seu menino. Meu pai, por acaso.
Logo, só fui desvalidado na infância porque eu era o bode expiatório. A frustração de todos era direcionada ao menino menos talentoso. Deus não queria que eu passasse o resto da minha vida me achando e agindo como um bosta. E por isso, colocou-me mais situações de desvalidação, pra ver se eu tirava minha bunda do lugar. Porque, confesso, se deixar pela minha índole, quero mais é que o mundo termine em barranco, pra eu me encostar… Na infância, sempre fui indolente. Fazia tudo pela metade. Se não fosse intensamente cobrado, não saía do lugar. O universo deu de presente uma relação a mais pra desvalidar. E como não foi suficiente, presenteou-me um filho que também só se move em situações extremas. Mais um viciado em barrancos. Meu Deus! Como demorei a aprender! Sem dureza, não nos movemos! O carinho e cuidado excessivo paralisa, sufoca, mata! Falei neste texto de somente um aspecto da vida que aprendi a desenvolver com a desvalidação: a força de vida! Mas quanto mais recebi! Gratidão pai, meu mestre… que me mostrou a beleza da espiritualidade! Irmão querido, único companheiro em tantos momentos da infância! Vovó, durona, ensinou-me a necessidade da disciplina! Mamãe, esta que sempre me apoiou, … e eu não soube receber, por estar “bicudo”. Vovô, cuja inteligência, humor e simplicidade me marcou profundamente. E esta relação a quem me referi no começo: gratidão por tirar-me as fraldas, e tornar-me um homem de verdade! Admiro e respeito todos vocês. O menino cresceu, e hoje pode seguir pelo mundo, graças às lições que Deus legou a vocês: o dever de ensinar-me… custe o que custar! Deu certo…

Alex Possato

Auto obsessão e doenças do constelador

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Muito ouço falar das possibilidades de captarmos energias psíquicas negativas, e que isso pode influenciar no nosso comportamento, na forma de sentirmos emoções, nos pensamentos e até no corpo físico. Acredito que isso é real. Principalmente no trabalho que realizo, como facilitador de constelação familiar sistêmica, onde lidamos com dores e exclusões severas, sentimentos negados, suprimidos… e quem conhece nosso trabalho, sabe que a energia do campo às vezes fica tão intensa que temos a sensação de poder “pegar” no ar, tamanha é a densidade e profundidade que mergulhamos. Será que parte desta energia pode “ficar” com o facilitador? Bem, vamos com calma…

Recebi ultimamente algumas pessoas que trabalham como terapeutas sistêmicos, e vêm passando por problemas de saúde, ou estão sendo tragadas por compulsões diversas, neuroses, desequilíbrios em setores da vida… Sempre orientei a necessidade de nos ancorarmos em algo que nos dê apoio físico, mental, psíquico e espiritual. Sejam trabalhos de outros terapeutas, mas também caminhos espirituais que façam sentido para a pessoa.

Porém, precisei viver na própria pele a sensação de ser tragado pela compulsão e vivenciar alguns episódios de síndrome do pânico, para perceber que estava falhando neste sentido. Deixando minha prática espiritual de lado. Desacreditando do meu caminho. Parando de meditar. Permitindo que vozes internas me desmotivassem, me enchessem de críticas, condenações, comparações, neuras diversas… Aos poucos, sutilmente, a obsessão foi se instalando. Começa com a ansiedade. A ansiedade me faz acreditar num monte de bobagem, por exemplo: meu dinheiro vai acabar. Eu vou ficar doente. Alguém querido vai morrer. Tem gente com inveja de mim. E para aliviar, dá-lhe cerveja e vinho! E comida! O que só camufla o sintoma. Tal qual uma panela de pressão, uma hora o corpo explode!

Então, creditar unicamente ao fato de lidarmos com energia intensa a causa da doença do terapeuta, é até injusto, não é mesmo? Mesmo porque, já lido com este trabalho há alguns anos, e sei muito bem que quando estou em paz com meu caminho espiritual, tudo flui…

Quando falo em prática espiritual, algumas pessoas podem imaginar coisas mirabolantes, místicas, esotéricas. Sim, eu tenho algumas destas práticas… porém, me refiro a algo muito mais simples: meditar. Equilíbrio mental. Não se perder exageradamente nos prazeres. Aprender a falar: sinto muito! Me perdoe! Eu te amo! Muito obrigado! Lógico, as pessoas que magoei e que me magoaram, nesta vida, são muitas… e é difícil dizer estas palavrinhas mágicas à elas. Mas quem disse que a vida na Terra deve ser fácil? Esta não é a grande lição? Aprender a amar o próximo como a ti mesmo?

Por isso, às pessoas que me procuraram, e algumas que irão me procurar, terapeutas com problemas, a dica é essa: não descuide da sua faxina interna. Nosso coração, como dizia Chico Buarque, “é um pote até aqui de mágoa”… mas não precisa ser. Rancores, protestos não enunciados, raiva reprimida ou até mesmo amor não dito, precisam ser liberados. E se você é constelador, tenha certeza: será desafiado exatamente no ponto onde ainda está falha a sua conexão com o coração. Com o Amor maior. Pois assim é a terapia que Bert Hellinger nos legou: aquilo que excluímos, energeticamente, fará força para ser incluído. Aquilo que nossos pais e antepassados excluíram, cabe a nós incluir. Por que? Para treinarmos nesta profunda arte, que é a razão da nossa existência: a arte de amar. Abençoada a hora que podemos olhar para a nossa doença como um emissário divino, nos conduzindo ao amor… Não sei se aprendi a lição. Mas já olho com bons olhos para os sintomas…

Esqueça de si mesmo

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Vou lhe propor um exercício. Esqueça tudo o que você sabe de si. Do mundo material e espiritual. Todas as convicções e crenças. Dogmas e moral. O que os mestres lhe ensinaram. O que os professores, cursos, vivências lhe passaram. Esqueça tudo o que lhe falei. Deixe de saber, por algum instante, de querer algo. Fique alguns momentos nesta amnésia sagrada, e profunda. Minutos, se conseguir. Ou horas… Respire, inspire, respire novamente. Talvez você não consiga. Sua mente é indomável. Mas tente, outra e outra vez. Uma hora o vazio se mostra.
O que sobra? Quem é, ou o que é o Ser que te habita?
Será que este Ser, que nada sabe, nem quer saber, vê alguma separação? O que flui deste ser? Será que existe alguma expressão original, vinda deste lugar de “não conhecimento”? Qual a fronteira entre este vazio em que você está, e o vazio onde estou? É o mesmo vazio? Podemos dizer que estamos integrados? Eu e você? Podemos dizer que somos um? Que nos amamos? Que somos amor? Ou amor ainda é uma crença? O que é que sobra, quando não há divisão? Existe um espaço geográfico neste vazio, ou tudo É?
Esqueça de si mesmo, para se lembrar do tempo onde não havia separação. Do tempo em que falávamos a mesma língua. Todos nós.

Antes de reclamar de sua mulher…

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Eu sei. Temos um ímpeto muito grande em querer corrigir os defeitos dela. E mostrar que somos superiores. Mas respire um instante. Não faça nada. Não sei se você vai entender o que vou falar. Mas vamos lá. Repare o quanto é incessante esta necessidade de mostrar-se melhor que ela. Você está reeditando as mágoas que possui da relação com a sua mãe. Época em que não podia reagir, afinal, ela era a mãe. Toda a mágoa, abandono, descaso, opressão, desvalidação. Você também está reeditando a relação ruim, mentirosa, descompensada, que seu pai teve com sua mãe. E seus avós. Bisavós. A guerra dos sexos eterna, que impede que o amor possa florescer, expandir e curar todas as feridas e dores, conduzindo um homem e uma mulher ao êxtase que a união sagrada deseja levar. A palavra de repressão, a censura, a desvalidação diária funciona como tortura e agressão, e fatalmente irá detonar com tudo o de bom que um dia você e ela viveram. Você já parou para pensar: ela não é mamãe, e nem você é uma criança ferida. Já passou… faz tempo.
Se você me perguntar: e ela? Como fica a constante necessidade dela me criticar? Eu digo: o mesmo vale para ela. Você não é o pai que a machucou. Esqueceu. Abandonou. Usou. Agrediu à mãe. Traiu. Serviu de capacho. Mas você não tem a menor necessidade de mostrar isso a ela. Na escola do relacionamento, cada um deve fazer a própria prova. Antes de abrir a boca para condená-la e machucá-la, pegue o lápis e borracha, e faça a sua lição. Olhe para a sua história familiar. Você entenderá o que estou falando. E irá, passo a passo, se libertando das dores e mágoas que sua mãe provocou. Verá, assim, que pouco a pouco, seu coração se abrirá ao verdadeiro amor, que só se mostra quando as feridas infantis podem repousar em paz, definitivamente, no cemitério do passado.

Trabalhando com a alma

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Instigado pelo meu mestre espiritual, Prem Baba, e por alguns acontecimentos e questionamentos recentes, resolvi me investigar a respeito do meu trabalho, do meu propósito de vida, “oncotô”, “oncovô”… E compartilho com você a pergunta que surgiu em meu interior e pode lhe auxiliar a se olhar um pouco neste aspecto…Responda para si mesmo… dê um tempo para isso… procure não usar a cabeça, mas os sentimentos… Talvez você vislumbre algo muito importante, que poderá influenciar profundamente a sua vida… Para mim surgiu uma resposta muito inspiradora, instigante, provocante…

Imagine que você está livre de expectativas, necessidades financeiras ou emocionais, e tudo aquilo que você é, sabe, viveu e seus dons naturais, fluem de você. Entre neste espaço. Como seria o seu trabalho, a partir disso?
O que você estaria fazendo? Como? Com quem? Qual a sua sensação interna de estar fazendo isso? Descreva. Não poupe palavras, sensações, sentimentos. Saia da mente condicionada e deixe seu coração falar…