Honestidade ou cópia?

verdade

Tenho visto muita gente copiando trabalhos. Indo “conhecer”, “se inspirar”, para depois fazer o mesmo. Lógico que com uma cara diferente. Mas é uma cópia. Eu mesmo, quando comecei o meu trabalho de constelação, copiei o que aprendi com Theresia Spyra. O curso que montei, me inspirei nos módulos da Mimansa. Mas com um detalhe… fiquei quatro anos estudando, participando de grupos, me dedicando ao autoconhecimento, a trabalhar minhas dores mais profundas, até que em algum momento a constelação familiar me disse: vá… Eu não queria acreditar, não queria seguir… mas fui. Copiando e cantando e seguindo a canção…

Copiando. É assim que as crianças aprendem. Fazem como seus pais ou educadores ensinam, para depois seguirem a própria história. Nesse ponto, tenho que dizer que muitos, mas muitos mesmo jamais terão a autoestima suficiente para fazer a própria história. Porque estão presos às histórias do papai e da mamãe. E, ou querem fazer diferente, e por isso mantém a referência no passado, ou querem fazer igual, e da mesma forma, não se enxergam.

Encontro-me numa fase de reajuste. Mesmo reconhecendo que algo muito bonito e verdadeiro flui por aquilo que faço (o meu parâmetro é o retorno que recebo, tanto financeiro, quanto de feedbacks e a influência que meu trabalho exerce na vida das pessoas de tantos lugares do Brasil), ainda não me sinto totalmente confortável com o trabalho que é realizado. Existem pontos da minha alma que estão desejosos de se expressar, e estão reprimidos. Quando analiso a pergunta: reprimidos por quem? – a resposta é: papai e mamãe. Aqueles que me educaram. Os padres, os professores. A sociedade. Dentro de mim, quase na idade de 50 anos, ainda tem resquícios de uma criança querendo fazer o certo, ser aprovada pelos pais e adultos e com raiva das rejeições que passou. Pode isso, Arnaldo?

Ser honesto é uma caminhada para a vida toda. E eu convoco as pessoas que me seguem, principalmente alunos e pessoas que passaram pelas constelações comigo, a se perguntarem:

– por que faço o que faço? É só pra ganhar dinheiro? Ou pra ser aceito?

– se eu não precisasse ganhar dinheiro nem quisesse ser aceito, faria o mesmo?

– o que eu faria? Como?

– o que realmente eu quero fazer no mundo? Tenho verdadeiramente vontade de trabalhar?

– com o quê? Se a resposta é sim, com quem? Onde?

– o que faria diferente daquilo que faço hoje?

Perceba o quanto está sendo honesto na própria vida. O quanto o seu coração está sendo contemplado nas coisas que você faz. O quanto de prazer você tem em viver. Honestidade, não por uma razão moral. Pra mim, francamente, dane-se a moral! Mas por uma questão de alma… a pessoa que não faz o que a alma deseja, não é feliz. Não expressa os dons reais que desejam ser expressos por ela. Está ainda presa às dores do passado. É avarenta, afinal, está reprimindo dádivas que o Universo deu para serem transmitidas. Ou dá em conta gotas, com interesse de retorno financeiro ou reconhecimento social. E se é assim, tudo bem… veja se quer mudar, só isso… sem culpas…

Eu aqui estou fazendo minha reavaliação. E mudarei algumas coisas. Ou muitas… Vagarosamente, vou saindo das minhas mentiras. Ahhhh… quantas mentiras! Algumas delas: ser importante! Fazer algo de destaque na sociedade! Ser alguém bem visto pelos outros! Ter sucesso financeiro! Ajudar o próximo! Mentiras e mentiras e mais mentiras, que encobrem a verdade de quem eu já sou… um ser único e especial, cheio de dons naturais para serem transmitidos… sem a necessidade de nenhuma justificativa…

O que seriam das flores se só se abrissem quando tivessem certeza absoluta de que seriam aceitas pelos outros, elogiadas, cuidadas, paparicadas, colocadas em belos altares…

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