A compulsão por terapias e caminhos espirituais

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Ontem, conversando com o grande amigo Fernando Tassinari, estávamos a discorrer o quanto é louco observar o movimento de tantas pessoas que conhecemos, buscando diversos caminhos ao mesmo tempo. Misturando egrégoras, conhecimentos, trabalhando mental, energético, emocional e corporal sem critério… querendo encontrar um sentido de vida e abrindo-se para perceber em si os resultados desta feijoada macarrônica.

Conheço compulsões. Desde cedo envolvido com o vício do álcool, até hoje estou trabalhando firmemente para não cair no canto da sereia que o vício promete: vou te trazer paz. Tranquilidade. Relaxamento. Você ficará mais desinibido. Mais solto. Mais alegre… O vício em terapias, cursos e caminhos espirituais é parecido: promete a paz, a iluminação, o equilíbrio emocional, a realização pessoal, a harmonia familiar, despertar para o amor…

Essas são as promessas, de todo e qualquer vício. Então, tomamos a primeira dose. Fazemos as primeiras sessões terapêuticas. Participamos dos primeiros rituais. E sentimos o bem estar. E começa o processo compulsivo: quero mais. Mais. Mais. Mais. Quero chegar lá em cima. Quero estar em outro lugar. Foi fantástico. Que maravilhoso! Nunca me senti assim. Mas… poderia ser melhor. Poderia ser assim sempre. Estou cansado de sofrer a mesma vidinha. Preciso mais, mais, mais. Depois do pico de êxtase, caímos na fossa da abstinência. E precisamos de outra dose. Outro curso. Outra terapia. Outro ritual. Tudo ao mesmo tempo agora.

O pior é que muitas pessoas se tornam ou já são terapeutas. Cuidam de outros. Quando não conseguem cuidar de si mesmas. E geralmente não percebem a ineficiência deste exagero por cursos, espiritualidade e rituais, porque não olham conscientemente para a própria vida. Em desequilíbrio, como posso orientar o equilíbrio do outro? Aprendi fazendo coaching que temos parâmetros para medir o nosso grau de satisfação e realização na vida. Como está minha vida financeira? Meus relacionamentos afetivos? Minha relação familiar? Meu corpo? Minha saúde mental e emocional? Minha energia para a vida? Sinto-me livre ou dependente?

Ao olhar conscientemente para a forma como eu me movo na minha vida e nas minhas relações, posso saber se estou razoavelmente pronto para lidar com o outro. Ou se preciso de ajuda. E se preciso de ajuda, é necessário me entregar para um caminho. Um único caminho. E confiar. Aceitar engolir o remédio, por mais amargo que possa ser. Libertar-se de compulsões exige parar de anestesiar-se. É o que meu terapeuta fala para mim, em relação ao vício do álcool. O que há por detrás da necessidade de entorpecer-se? Qual dor você quer esconder?

Se você se reconhece compulsivo, como eu, então faça o exercício comigo: o que há por detrás da necessidade de entorpecer-se? Qual dor você quer esconder?

Ao permitir-se acessar esta dor, sem querer mais anestesias, o início da libertação está próximo. Naturalmente, você verá a sanha ceder. Deixará de buscar, e… somente aí… terá algo a transmitir. A paz verdadeira, alcançada através do esforço, disciplina, firmeza e confiança num caminho. Que embora externo, levará você sempre para o seu Mestre interior.

 

Confiança, meditação e a instabilidade financeira

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– Estamos em crise. As vendas caíram muito! Mas vai dar tudo certo! – disse-me o cliente de constelação sistêmica, enquanto conversávamos sobre as razões da sua ansiedade.

Sou – ou melhor, estou – também uma pessoa ansiosa, e ainda não aprendi a lidar de forma tranquila com as oscilações do fluxo de entrada e saída que todo autônomo passa. Fiz a lição de casa alguns anos atrás, quando, mergulhado em dívidas, tive que olhar com muita seriedade para o descontrole financeiro, gastos acima dos ganhos e dificuldades de projetar conscientemente o meu crescimento profissional. Deixei o vermelho há tempos, porém, sempre que vejo que os ganhos, em algum momento, não estão dentro das expectativas, isso me pega. Chego a entrar em angústia, mesmo sabendo que não há a menor razão para isso, pois hoje tenho as contas muito bem equilibradas.

De onde vem esta angústia? Com certeza, de traumas do passado, sejam traumas meus ou dos meus familiares, onde a falta de dinheiro, a escassez, provocou dores profundas. Sei disso. Sou terapeuta e trabalho com esses conceitos o tempo todo. Mas o saber não vale nada. Não cura. O que, então, cura?

O mergulhar profundamente no medo da escassez. Vivenciar, conscientemente, a angústia da carência financeira existir. Permitir que meu coração dispare. Que minha mente louca diga: você vai morrer de fome! Não irá conseguir pagar suas contas! Não conseguirá construir um patrimônio! Não adianta tentar: no final, você perderá tudo!

Sim, minha mente é alucinada. Nesta área. E mesmo não havendo a menor razão para o pânico, ela dispara o alarme, sempre que dois ou três clientes não comparecem ao atendimento. Sempre que existe o indício de falta de dinheiro.

Como deixar brotar a confiança neste sólido árido? Aprendendo a sustentar o desconforto. Minha mente consciente sabe que não são reais as razões para a angústia. Não existe um fator verdadeiro para esse medo. Então, peço somente firmeza para passar pela tempestade. Que pode durar minutos, horas, dias. Mas passa.

O que faz a angústia permanecer, gerando invariavelmente situações futuras de dificuldades financeiras, é o medo de enfrenta-la. É preciso desmascarar este “monstro da carência”, que fará de tudo para provar ser verdadeiro. Ele quer que eu acredite: sou carente. Sou derrotado. Sou miserável. Atrás da tentativa ensandecida deste fantasma em destruir-me, existe uma dor profunda. Por isso, não devo tentar eliminá-lo, massacrá-lo… mas sim… amá-lo. Amar este monstro carente. Permitir que ele expresse essa dor. Entendendo que eu não sou ele. E não deixando que ele domine minhas ações, meus comportamentos.

Como esse monstro me domina? Fazendo com que eu deixe de controlar meus gastos. Ou gaste demais. Deixe de planejar. Caia no canto da sereia e faça parcerias que minha razão sabe muito bem que não darão certo. Que entre em investimentos fajutos. Trabalhe sem parar, como um louco, sem tempo para perceber o mundo em minha volta. Impedindo meus momentos de prazer. Fazendo eu emprestar ou dar aquilo que não tenho. Despertando minha cobiça e ânsia por compras. Não deixando eu cobrar o valor correto pelos meus serviços.

Não entrar nestes e em outros condicionamentos só é possível em silêncio. Meditação. Para que eu possa perceber claramente quem sou eu e quem são os monstros que me habitam. É fundamental desacelerar. Não há como separar o joio do trigo se estou correndo numa esteira de academia, com a orelha em uma música qualquer, os olhos na telinha da TV à frente e as mãos ocupadas, segurando algo. O ser humano, em tranquilidade, naturalmente descobrirá os caminhos prósperos que o estão chamando, a cada instante. Estes caminhos são sussurrados, quando paramos para ouvir. Serenamos a mente. Desligamos as mídias sociais. Nos recolhemos da família. Sentamos, em silêncio. É o que vou fazer agora. Sentar em silêncio. Meditar. Quer me acompanhar?

Que a confiança possa brotar em meu coração, suavemente. Que a confiança possa brotar em nosso coração, suavemente.

Alex Possato

Tornar-se facilitador de constelação familiar sistêmica: 4 dicas (video)

E aí gente? O meu mais novo vídeo está no ar! Agora no novo canal do Youtube, Constelação Essencial, criado especialmente para postar muito, mas muito material mesmo sobre constelação familiar sistêmica, constelação estrutural e organizacional, autoconhecimento e terapia! Curta o vídeo! Assine o Canal, que começa a engatinhar!!!

Neste primeiro vídeo explico os itens que influenciam o “despertar” da constelação familiar sistêmica em si – o que pode indicar uma vontade da alma de se aprofundar neste caminho de autoconhecimento. Quem sabe tornar-se um facilitador?

O caminho para a prosperidade

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Durante toda a sua vida, você está sendo preparado para assumir o lugar que é somente seu. Todos os cursos, todos os empregos, todos trabalhos sociais, todas as igrejas, grupos de estudos… nada foi colocado em seu caminho aleatoriamente. Faz parte de uma grande orquestração, onde Algo Maior sabe exatamente o aprendizado que espera extrair de si.

Mesmo que, aparentemente, você esteja no caminho errado, isso é somente uma ilusão. Não existe caminho errado. Existem caminhos. Às vezes, os caminhos se acabam, e começam outros. O sinal deste “acabar” é o sofrimento. A falta de prazer contínuo. A frustração. A escassez de dinheiro. Problemas de saúde ou emocionais. Talvez signifique que você está insistindo em algo que já foi. E não está deixando ir. Mas se você está insistindo e sofrendo, pode significar também que você está negando o aprendizado do caminho apresentado. E se for isso, não tenha dúvidas. Mesmo que você abandone o caminho, ele voltará. Com outra cara. Mas voltará.

Mudamos o caminho, ou vemos novas nuances do mesmo, quando completamos o aprendizado. Quando podemos verdadeiramente agradecer pelas experiências, pelos aprendizados, pelo dinheiro conquistado, pelas pessoas que cruzamos na estrada, pelos tutores que nos proporcionaram estar neste lugar. Pare e olhe para o lugar onde você está. Olhe para trás, para as pegadas deixadas na estrada. Quantas vezes esquecemos que foi papai ou mamãe quem nos abriu as portas? Um parente? Ou um ex-marido? Uma ex-esposa? Um amigo que emprestou o dinheiro para que tudo começasse? Ou mesmo o banco? Um órgão do governo? Uma pensão herdada? Uma indicação de alguém, que nos colocou a andar? As palavras motivadoras de outros? Uma religião ou um mestre que nos iluminou nas horas sombrias? Quantas pessoas sustentaram nossas necessidades, enquanto andávamos?

Se algo está pegando no seu caminho, experimente perceber o quanto de gratidão você verdadeiramente tem pelas estradas por onde andou. Liste uma a uma. Desde criança, até agora. Veja quem foram as pessoas importantes. E quando se deparar com o descaso ou ingratidão, o que será muito normal, simplesmente diga: sinto muito! Eu não estava reconhecendo o seu valor! Eu nunca consegui olhar nos seus olhos e dizer: o que vivemos foi muito bom, mas agora, cada um segue o seu caminho. Sinto muito! Muito obrigado! Você está no meu coração.

E continue a andar. O caminho se faz por si mesmo. Você é um mero personagem da paisagem. Ativo, sim, enquanto consegue interagir com alegria, perseverança, criatividade, leveza, compromisso. Se isso não é possível, pare. Pare novamente. Olhe para si, e perceba: onde não estou conseguindo ser grato? Por quem não tenho profunda gratidão e respeito? Onde guardo mágoas escondidas, ressentimentos, raiva, culpa, que acabam transformando, mais cedo ou mais tarde, todas as estradas por onde ando num caminho de insucesso, frustração e cansaço?

Gratidão é a chave para a libertação. Mas esta chave é conquistada por merecimento, e não através de um exercício mental. A gratidão surge quando conseguimos mergulhar verdadeiramente nas profundezas do inconsciente, e relembrar o quanto desprezamos as dezenas, centenas, milhares de situações onde recebemos tanto, tanto, tanto, mas por alguma mágoa, por não ter sido da forma, do jeito ou no tempo que queríamos, dizemos: não valeu.

Valeu. Palavra que lembra “valor”. Você está com problemas em relação aos valores na sua vida? Ao dinheiro? Ao reconhecimento do próprio valor? Que tal experimentar reconhecer o valor das pessoas que andaram ao seu lado? Quem seria você, sem as experiências, boas e más, com seus pais? O que seria de você sem aquele marido, aquela esposa? O quanto você cresceu dentro daquele emprego que, hoje, você diz que foi um erro? O quanto você aproveitou financeiramente daquela herança, daquela pensão, daquele amigo que lhe pagava tudo, da partilha do divórcio? Problemas de valor, significa que você não reconhece o seu valor. Se você não reconhece o seu valor, quer dizer que você não reconhece aqueles que investiram em você, transformando-o na pessoa que você é hoje.

Não se culpe. Nós somos ingratos por natureza. Como crianças, gostaríamos que tudo fosse do nosso jeito, e temos dificuldade de reconhecer o que os outros fazem. Não temos uma supervisão dos fatos da nossa vida, para interpretar, como adulto, para tudo o que foi recebido.

O convite é: pare! Olhe onde você está. Olhe para trás. E reconheça tudo o que foi andado. Do jeito como foi. Diga a cada pessoa que reconhecer como um investidor na sua vida: obrigado por investir em mim. Muito obrigado! Se puder, solte um grande suspiro. Encha os pulmões o máximo que puder, e solte. Mais um. E mais um. Sim… foi assim que você chegou aqui. Está pronto para olhar para o outro lado, agora? E dar um passo a mais, nesta estrada? Ou ainda precisa um tempo parado, para perceber se existe espaço para a gratidão florescer em seu coração? Veja onde você está. Permita estar no lugar que você está. A estrada é infinita, e ela esperará o tempo necessário.

Alex Possato

Constelação empresarial, financeira e profissional – Brasília

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Constelação empresarial, financeira e profissional – Brasília

Gente! dia 01 de março, quarta-feira de cinzas, estarei realizando um trabalho de Constelação Empresarial, Financeira e Profissional em Brasília… as questões devem ser relacionadas com o tema do trabalho. Por exemplo, questões de caminhos empresariais, investimentos, questões com sócios, lançamento de produtos… ou questões envolvendo dívidas, investimentos, perdas, desfalques, descontrole… ou ainda caminhos profissionais, mudanças, promoções, demissões, planos A, B ou C…
Lembro que os temas Empresa, Finanças e Profissão muitas vezes envolvem emaranhamentos ocorridos na família, que perduram até hoje, provocando os problemas atuais… Mas também é possível utilizar a constelação de uma forma estrutural, diferente da terapia familiar, onde buscaremos encontrar soluções, abrir a mente para novos direcionamentos, etc.
Fica o convite! Abraços!!!

Alex Possato


1 de março de 2017 (quarta-feira)

Constelação Empresarial, Financeira e Profissional em grupo ( 4 vagas ) – das 15 às 21h


Valor sugerido para constelar: R$ 400,00

Valor sugerido para participar: R$ 50,00
(Farei até 4 constelações, escolhendo no dia as questões de acordo com critérios terapêuticos, dentre todos que desejam “constelar” – colocar um problema pessoal para ser visto sob o olhar sistêmico)


Informações e inscrições:Espaço Despertar para Crescer – Universo Holístico

florbrasil.newtonlakota@gmail.com (61) 99976-7740 VIVO / Whatsapp (com Newton)

  • Novo Local: Espaço Despertar para Crescer – Universo Holístico
  • Condomínio Verde

  • Rua Quaresmeiras – casa 11 SHJB (Setor Habitacional Jardim Botânico)

Como me tornei constelador? (vídeo)

Um novo sopro no ar! Tempos de não se esconder… de dar, doar, em nome daquilo que já recebi!!! Relutei muito em começar uma nova fase de comunicação na internet… pensei muitas coisas, mas no fundo, era preguiça… e medo… mas quando a missão é maior que o ego e suas identificações falsas, não há como escapar. Ou faz, ou faz… Vai com medo, preguiça, sei lá… mas vai!!! E aí está! Meu primeiro vídeo, na nova fase de trabalho com constelações familiares, treinamentos, vivências e muita coisa pra compartilhar!!!

Como criticar, elogiando…

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Dias desses recebi um comentário de alguém próximo: bom o que você fez… mais para frente vai estar melhor… e citou o ponto onde achava que eu não realizei grande performance. A forma como a pessoa se comunicou demonstrava um peso. Um peso da crítica que ela faz consigo mesma, porque eu a conheço bem.

Não concordei totalmente com o conteúdo da crítica. Sei que foi um excelente trabalho, estou satisfeito com o que fiz, e vejo isso confirmado até pelos feedbacks emocionados e sinceros que recebi.

Mas tempos atrás, este tipo de crítica poderia me paralisar. Me dar muita raiva, também. Vivia uma luta insana para provar que eu era competente e merecedor de aprovação. Mas queria ser aprovado por quem? Vamos lembrar um pouco da minha infância: tive uma educação muito rígida, onde o que eu fazia era extremamente desvalidado pela pessoa responsável por educar-me. Ao contrário, pelo menos aos meus ouvidos, meu irmão mais velho era tratado como o ícone, o sábio, o inteligente… Ciumeira de criança, heim, Alex?

Pois é… e você não sabe o quanto fica marcado dentro de um adulto, as desvalidações sofridas quando criança. Passamos a vida tentando provar para mamãe, papai ou quem nos criou que eles estavam errados. Que nós somos legais, bacanas, úteis, inteligentes, competentes. No fundo, queremos somente o amor. O respeito. O carinho. Que sentimos falta por não ter recebido, ou por ter recebido em quantidade insuficiente.

Como adulto, carregando esta criança emburrada dentro, todos os projetos que fazemos é para mostrar para mamãe e papai nosso valor. Relações, carreira, empresas… pode ser que estejam motivados por esta birra. Lembro que a primeira coisa que fiz, ao encontrar uma nova namorada, foi levar para mamãe conhecer. Quando reformei a minha empresa e ampliei, queria mostrar para mamãe e papai. Por detrás da vontade natural do filho em mostrar algo que ele achava bom, estava a gentil frase: agora me aceite, cacete! Reconheça o meu valor, porra!

Mas não deu certo… Afinal, quem queria ser validado era aquela criança lá detrás. E as feridas também eram antigas. Não tinham nada a ver com as conquistas do adulto.

Meu mestre de constelação, Bert Hellinger, diz que há duas formas de ajuda: uma, é a nutrição, que somente é necessária quando uma vida está em crescimento, ou em risco de vida. Isso quer dizer: somente quem está crescendo, em tenra idade, ou quem está morrendo, precisa de nutrição. E a outra forma, que poucos entendem como ajuda, é colocar obstáculos ao crescimento – de alguém emocionalmente sadio, claro – o que provoca que a própria vida dentro da pessoa faça esforço para sobressair. Assim, alguém se desenvolve por si mesmo.

Pelas dores infantis, demorei muito para entender que as pedras do meu caminho são professores especialmente colocados para incentivar meu crescimento. As desvalidações, críticas e descasos serviram para eu crescer, e viver a vida como adulto, cuidando eu mesmo da minha própria criança, afinal, a única pessoa que poderia validá-la era eu mesmo. Demorei uns quarenta anos para começar a sacar isso. E poder dizer: adeus papai! Adeus mamãe! Não preciso mais da aprovação de vocês! Obrigado pelo que fizeram. Agora é comigo!

Eu tenho consciência do que eu faço. Da minha qualidade. Dos meus defeitos. Dos pontos onde posso melhorar. E ninguém tem nada a ver com isso.

Mas é importante deixar uma dica. Vivemos um mundo onde a esmagadora maioria das pessoas foram desvalidadas na infância. A crítica é importante, mas o apoio, em algumas situações, muito mais. Quando estudei PNL – programação neurolinguística, aprendi uma técnica de comunicação que eu gosto muito, chamada sanduíche. O que é isso? Quando vamos falar da performance de alguém, iniciamos com um elogio em algo que realmente achamos bom. Nada de palavras vazias. Depois, colocamos aquilo que achamos que pode melhorar. E finalizamos com mais algo que gostamos. Ou realçamos o primeiro item falado. Elogio-crítica-elogio. Isso é construtivo, instiga o crescimento, mas também acalenta o coração do outro, cansado de tanto esforço em provar ser alguém merecedor de atenção e reconhecimento.

Alex Possato

Como é o meu treinamento para facilitadores de constelação familiar sistêmica?

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Recebo perguntas e dúvidas de muitas pessoas a respeito do treinamento de constelação familiar. O que é muito natural, afinal, a terapia criada por Bert Hellinger ainda é um bebê, considerando, por exemplo, o trabalho pioneiro de Freud.

Então, para situar você a respeito de “como se aprende constelação”, vamos acompanhar um pouco a evolução da terapia ao longo dos anos. Em primeiro lugar, é importante entender que Hellinger nunca realizou um treinamento de constelação, ou um curso para formação de facilitadores. Ele sempre fazia seminários, e é o que continua fazendo. Nestes seminários, de um, dois ou vários dias, discorria sobre temas, fazia muitas constelações, e em geral o público era expectador do trabalho – embora, se você conhece a constelação familiar, sabe que não existe mero “participante” de constelação, afinal, todos nós entramos no campo e sentimos os efeitos do trabalho ocorrendo.

Os consteladores pioneiros no Brasil participaram ativamente destes seminários, e em algum momento se sentiram capacitados a treinar candidatos a facilitadores. Esse movimento foi espontâneo, pioneiro, e não havia uma regra, um roteiro a ser seguido. De certa maneira, isso ainda continua: o treinamento é livre, não existem órgãos que regulem a constelação sistêmica – nem a prática, nem o ensino.

Minha professora, Theresia Spyra, alemã residente no Brasil, aprendeu com Mimansa Ericka Farn, outra alemã, talvez a terapeuta que acompanha Hellinger a mais tempo – quase 40 anos. Mimansa, assim como Theresa, tinham um método de ensino bem vivencial. As apostilas eram quase que inexistentes, e apesar do treinamento estar dividido em módulos e temas, o trabalho dependia muito do que o grupo apresentava no momento. Dependia muito da fenomenologia, que é a base da constelação: os fenômenos que se apresentam, no “aqui e agora” do trabalho terapêutico.

Eu, especificamente, a partir de 2008, participei de cinco treinamentos de constelação com Theresia. E mais centenas de horas de vivência em grupos de constelação. Depois disso, ainda hoje, participo de seminários diversos, com Hellinger, Sophie, e outros consteladores… considero-me um eterno aprendiz. Assim, em  2012, comecei a desenvolver a minha forma de ensinar constelação, procurando seguir o modelo deixado por Hellinger nesta época: o movimento do espírito, onde as constelações são mais espontâneas, os movimentos dos personagens mais fluídos, o tempo de silêncio prolongado, o uso de frases é pontual, não existe praticamente intervenção no posicionamento dos representantes – como era prática anterior feita por Hellinger, e muitas vezes, não sabemos quem são os personagens que surgem nas constelações. Antes, eram colocados especificamente pai, mãe, filhos, avós, abortos, etc.

A forma de constelar veio mudando ao longo dos anos. Fortemente influenciado por Jacob Moreno e o seu psicodrama, onde as questões trabalhadas eram teatralizadas, e também com influências da PNL – metaposição e linguagem do corpo, de Virginia Satir e sua escultura familiar e em posse das teorias da terapia contextual de Ivan Boszormenyi-Nagy, além de ser psicanalista, terapeuta primal, entre outros caminhos, Hellinger partiu de um modelo mais marcado e dependente da intervenção do terapeuta, para algo mais livre e fluído, onde a atuação do terapeuta é extremamente sutil – e acreditem!-  é muito mais exigente permanecer nesta postura em estado total de presença e permissão. Saiu quase que totalmente do campo do entendimento racional, para o campo da experimentação sensorial e intuitiva. Porém, é importante lembrar: Hellinger é um terapeuta com décadas de estudos e trabalho. Que viajou continentes para estudar e aprender conceitos direto da fonte: por exemplo, estudou análise transacional com Erick Bern. Assim, na minha visão, só é possível permitir efetivamente o Movimento do Espírito na constelação familiar com muito conhecimento terapêutico – não é simplesmente um exercício de “deixar e vamos ver o que acontece”.

As Ordens do Amor na prática

Tenho instruído ultimamente meus alunos a estudar, ler muito. Não somente Hellinger – sim ele é o principal. Mas entender um pouco de PNL, Gestalt, psicodrama, psicanálise, ler Freud, Bern, Lowen, entre tantos outros desbravadores deste campo infinito da psicoterapia. Ainda mais num país onde tantas pessoas possuem sensibilidade extrema, alguns atuando com seus dons mediúnicos de diversas linhas, confundir “as estações” e deixar de fazer trabalho terapêutico para virar aconselhamento ou cura energética é um risco. Às vezes o trabalho até pode ser válido (muitas vezes o é), mas deixa de ser constelação.

E para ser constelação, entender, vivenciar e absorver as Ordens do Amor, teoria base de Hellinger, é fundamental. É neste ponto onde me dedico mais e mais. Embora as Ordens não sejam difíceis de compreender intelectualmente, elas são muito complicadas de praticarmos. Por exemplo: Quantas vezes nos achamos melhores ou mais capazes que nossos pais? Quantas vezes nos sentimos responsáveis por cuidar dos irmãos adultos. Quantas vezes nos apoiamos emocionalmente em nossos filhos? E a questão do estar aberto a receber? Ou fechado para dar? E ainda: quantas vezes excluímos e condenamos ferozmente pessoas que não seguem nossos padrões de crenças?

Instigo meus alunos a perceberem estas situações, e buscarem os pontos emocionais afetados. Não é possível praticar constelação, sem se entregar totalmente às Ordens do Amor. E estar a cada dia melhorando, se abrindo para a inclusão, para a transformação interior. É a minha forma de trabalho. Quando vejo alunos seguindo estas diretrizes, é nítida a modificação na vida deles, ocorrendo: melhores relações, transformações intensas, mudanças, trabalhos novos, a liberdade chegando. Assim, percebo com alegria que este aluno poderá permitir as mesmas transformações na vida dos clientes que atender. Porque a constelação, para mim, não é uma técnica, mas um caminho de vida. E num caminho, podemos guiar somente na região que conhecemos.

Treinar, treinar, treinar

Como vim da escola da Theresia e da Mimansa, o método de trabalho que adotei é bem vivencial. Eu diria 30% de teoria e 70% de prática. E para praticar constelação, temos que trazer nossas questões, nossos problemas pessoais para o campo. Forneço material didático – apostila – bem detalhada, e a cada ano vou acrescentando dados, modificando, porque é importante abastecer o cérebro com conhecimento. Mas a prática de constelação é fundamental. Até porque, para aprender a constelar em grupo ou individualmente, é fundamental colocar-se como facilitador.

O Projeto Incluir é também um diferencial do meu curso. É um projeto sem fins lucrativos, onde os alunos e ex-alunos atendem pessoas da comunidade, clientes com questões reais, e treinam constelar em grupo. Estou pensando em abrir o projeto para o treinamento de constelação individual também. Dessa forma, na prática, o aluno se desafia, se percebe, vê os pontos positivos e os pontos onde precisa se desenvolver, num ambiente muito próximo do que será o seu trabalho de dia-a-dia como terapeuta. E eu supervisiono.

Meditação – o mergulho nas percepções além do pensamento

Deixei para falar da meditação por último, de propósito. Vejo que uma das maiores dificuldades do ser humano é entrar em contato com o sentir. Muitas pessoas “pensam que sentem”, mas estão somente pensando. O pensamento não é sentir. Sentir é corpo. Independe da interpretação que seu pensamento dará. Você pode sentir uma pontada no rim. Um calor nas mãos. O suor no pescoço. A tontura na cabeça. Você pode transcender e sentir paz. Sentir o peito se apertar. Desejo sexual. Formigamentos. Contração ou relaxamento muscular. São milhares as sensações que ocorrem no seu corpo, durante um curto período de tempo.

Para se constelar, aproximando-se dos Movimentos do Espírito, é fundamental sentir, e sair da racionalidade. Sair do “querer entender”, ou do “querer resolver”. Pausar. Fazer as coisas mais devagar. A vida possui um caminho sutil desenhado para cada um de nós, que é o movimento do espírito, e o excesso de pensamento e a ação atrapalha ou impede vermos o caminho.

Sendo assim, treino um pouco de meditação sempre, nos cursos. Geralmente com músicas de fundo. Mas também em silêncio. E oriento o aluno a procurar meditar em outros locais, onde se sentir a vontade. Aprender a desacelerar. Talvez isso possa parecer um pouco incongruente com o aprender – como entender algo sem pensar? – mas eu garanto: é assim mesmo! Você se espantará com a assertividade que existe, quando seguimos este fluir do caminho, e não as respostas prontas que damos através da mente. Neste ponto, a constelação se une ao autoconhecimento profundo. Quanto mais você mergulha nesta forma de percepção, mais você se expande. Mais se liberta. Mais sabedoria percebe em si. Mais resoluções clareiam, magicamente, à sua frente. Menos apego às coisas e pessoas terá. É um caminho que exige perseverança, não há dúvida.

Eu sempre continuo a disposição para incentivar e apoiar todos meus alunos e ex-alunos. Sei que, às vezes, é necessário recorrer à ajuda de alguém. Também estou no meu caminho de sair da mente. De deixar-me guiar. Estou sempre em desenvolvimento – às vezes, com mais clareza, às vezes com menos. Caindo nos meus vícios e neuras, e me reerguendo – e também recorro à ajuda de outros, quando necessito. Por isso, não exijo absolutamente nada das pessoas que fazem o curso, a não ser se comprometerem a andar por este caminho. Alguns vão até onde conseguem e mudam a rota: o caminho do autoconhecimento é árduo, e a desconstrução dos próprios paradigmas é dolorosa. Não faz mal. Estão todos caminhando. Outros insistem – seja porque são perseverantes, ou teimosos, se identificaram ou porque acreditam. E confiam no trabalho que está sendo feito. Não por mim, mas pela constelação familiar sistêmica, da qual me coloco como instrumento – que estará sempre atuando dentro e ao redor de nós, quanto mais permitirmos. Em algum momento da jornada, esta pessoa se perceberá não um terapeuta, mas um farol. Recebe e permite tanta luz que, naturalmente, iluminará a jornada de outros. Sem esforço. Porque é natural.

Acho que é isso que gostaria de falar, neste momento! Um grande abraço pra você!

Tenha um dia cheio de bênçãos!

Alex Possato

O ego, a prosperidade e a confiança

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Não é possível existir prosperidade antes de fortalecermos nosso ego. Aquele ego que acredita, e vai atrás dos próprios sonhos. E a motivação não importa: pode ser que sejamos empurrados pela ganância. Ou pela carência. Ou pelo medo.  Ou pelo orgulho. Ou até por um idealismo. Tanto faz: o ego sempre vai atrás da autoafirmação, e isso não é ruim. Todo ego funciona assim.

O único porém é que, em algum momento, nos deparamos com a limitação. O ego consegue muitas coisas, mas também fracassa em outras. Não consegue dominar o fluxo do ir e vir. Precisa se esforçar constantemente para ter as coisas, e quando menos espera, vê tudo  ir rio abaixo. É o momento em que o ego pode começar a perceber que, parte dele, está ligada ao passado familiar fracassado. Aos pactos de vingança contra as dores da infância. À rebeldia que o impele a dizer: vou fazer diferente, custe o que custar.

E ele não consegue. Aprende a lutar, desenvolve estratégias, constrói habilidades. Mas fracassa. Outra e outra vez. Somente no estado de derrocada, de impotência, de fragilidade consciente, então pode ser que ele se submeta a Algo Maior. Entendendo que tudo possui um fluxo. Talvez aprenda a abraçar carinhosamente o fracasso, sabendo que não é possível lutar contra. E nesse ponto, pode recomeçar, de um lugar humilde. Em posse de toda a experiência adquirida anteriormente. Mas reconhecendo que a prosperidade não tem a ver com conquista – mas com fluxo. Você não é próspero porque pode comprar uma casa, um carro, uma roupa, promover uma viagem, pagar cursos e regalias, ter empresas e dinheiro sobrando na conta. Você é próspero porque está dançando a dança do universo, e confia nesta dança. Curte os passos. Vê maravilhado todas as suas necessidades serem providas. Às vezes, por outras mãos, que não a sua. Mas não se ausenta da sua própria responsabilidade. Você é parte ativa da dança. E assim, contribui também para que outros encontrem o mesmo caminho. Desenvolvam o próprio ego. Deixem de uma vez por todas  os apegos materiais em relação aos pais, à família, aos parceiros, às heranças, ao sistema previdenciário… Vivam somente por conta própria.

E depois… e somente aí… percebam sua impotência. Sua incapacidade de dominar a vida. Alguns não conseguirão passar por este estágio. Porque não darão conta de ver a própria carência. De lidar com os próprios medos. Com a raiva do passado. Com a sensação de desvalia e desconfiança de si mesmo. Com a falta de confiança nos outros, e em Deus. Esse ego se faz de vítima. Uns, vítimas frágeis. Outras, vítimas revoltadas e raivosas. Mas tudo vítima. Que cedo ou tarde, cairão ao chão. Necessitando de algo ou alguém para ampará-lo.

Um ego se torna forte quando combate, sem depender de ninguém. Quando vai atrás do que quer. Quando sai da zona de conforto. Enfrenta as críticas externas e internas. Faz diferente. Desafia. Mas também se torna forte quando fracassa, e sabe lidar com isso. Erra, reconhece, e tenta outra vez. Faz, faz, faz, e não vê resultados. Desconfia de tudo, mesmo assim, mantém a chama acesa.

Quando a chama, finalmente, estiver quase apagando, ele estará pronto. Pronto para a entrega. O guerreiro rendido. Derrotado. Aí, do chão, olhará para cima, e verá o Grande Rei em pé, ereto. À sua frente. Estendendo-lhe as mãos. E dizendo: agora você está pronto para me servir. E começará a aprender a sentir as primeiras brisas da prosperidade. Para a qual não é necessário esforço. Mas sim, confiança. A luta agora não é mais para conquistar algo fora. Não há mais lugar para ambição por poder, dinheiro, reconhecimento. O trabalho é manter-se um servidor. Fiel. Obediente às ordens do supremo. Usar seu corpo, seu talento, dentro do tempo pedido. Com paciência nos momentos de calmaria. E efetividade nos momentos de ação. Mantendo o ego sob controle. Porque embora rendido, ele não tardará a querer tomar as rédeas novamente.

Alex Possato