O ego, a prosperidade e a confiança

prostrar

 

Não é possível existir prosperidade antes de fortalecermos nosso ego. Aquele ego que acredita, e vai atrás dos próprios sonhos. E a motivação não importa: pode ser que sejamos empurrados pela ganância. Ou pela carência. Ou pelo medo.  Ou pelo orgulho. Ou até por um idealismo. Tanto faz: o ego sempre vai atrás da autoafirmação, e isso não é ruim. Todo ego funciona assim.

O único porém é que, em algum momento, nos deparamos com a limitação. O ego consegue muitas coisas, mas também fracassa em outras. Não consegue dominar o fluxo do ir e vir. Precisa se esforçar constantemente para ter as coisas, e quando menos espera, vê tudo  ir rio abaixo. É o momento em que o ego pode começar a perceber que, parte dele, está ligada ao passado familiar fracassado. Aos pactos de vingança contra as dores da infância. À rebeldia que o impele a dizer: vou fazer diferente, custe o que custar.

E ele não consegue. Aprende a lutar, desenvolve estratégias, constrói habilidades. Mas fracassa. Outra e outra vez. Somente no estado de derrocada, de impotência, de fragilidade consciente, então pode ser que ele se submeta a Algo Maior. Entendendo que tudo possui um fluxo. Talvez aprenda a abraçar carinhosamente o fracasso, sabendo que não é possível lutar contra. E nesse ponto, pode recomeçar, de um lugar humilde. Em posse de toda a experiência adquirida anteriormente. Mas reconhecendo que a prosperidade não tem a ver com conquista – mas com fluxo. Você não é próspero porque pode comprar uma casa, um carro, uma roupa, promover uma viagem, pagar cursos e regalias, ter empresas e dinheiro sobrando na conta. Você é próspero porque está dançando a dança do universo, e confia nesta dança. Curte os passos. Vê maravilhado todas as suas necessidades serem providas. Às vezes, por outras mãos, que não a sua. Mas não se ausenta da sua própria responsabilidade. Você é parte ativa da dança. E assim, contribui também para que outros encontrem o mesmo caminho. Desenvolvam o próprio ego. Deixem de uma vez por todas  os apegos materiais em relação aos pais, à família, aos parceiros, às heranças, ao sistema previdenciário… Vivam somente por conta própria.

E depois… e somente aí… percebam sua impotência. Sua incapacidade de dominar a vida. Alguns não conseguirão passar por este estágio. Porque não darão conta de ver a própria carência. De lidar com os próprios medos. Com a raiva do passado. Com a sensação de desvalia e desconfiança de si mesmo. Com a falta de confiança nos outros, e em Deus. Esse ego se faz de vítima. Uns, vítimas frágeis. Outras, vítimas revoltadas e raivosas. Mas tudo vítima. Que cedo ou tarde, cairão ao chão. Necessitando de algo ou alguém para ampará-lo.

Um ego se torna forte quando combate, sem depender de ninguém. Quando vai atrás do que quer. Quando sai da zona de conforto. Enfrenta as críticas externas e internas. Faz diferente. Desafia. Mas também se torna forte quando fracassa, e sabe lidar com isso. Erra, reconhece, e tenta outra vez. Faz, faz, faz, e não vê resultados. Desconfia de tudo, mesmo assim, mantém a chama acesa.

Quando a chama, finalmente, estiver quase apagando, ele estará pronto. Pronto para a entrega. O guerreiro rendido. Derrotado. Aí, do chão, olhará para cima, e verá o Grande Rei em pé, ereto. À sua frente. Estendendo-lhe as mãos. E dizendo: agora você está pronto para me servir. E começará a aprender a sentir as primeiras brisas da prosperidade. Para a qual não é necessário esforço. Mas sim, confiança. A luta agora não é mais para conquistar algo fora. Não há mais lugar para ambição por poder, dinheiro, reconhecimento. O trabalho é manter-se um servidor. Fiel. Obediente às ordens do supremo. Usar seu corpo, seu talento, dentro do tempo pedido. Com paciência nos momentos de calmaria. E efetividade nos momentos de ação. Mantendo o ego sob controle. Porque embora rendido, ele não tardará a querer tomar as rédeas novamente.

Alex Possato

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: