Como criticar, elogiando…

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Dias desses recebi um comentário de alguém próximo: bom o que você fez… mais para frente vai estar melhor… e citou o ponto onde achava que eu não realizei grande performance. A forma como a pessoa se comunicou demonstrava um peso. Um peso da crítica que ela faz consigo mesma, porque eu a conheço bem.

Não concordei totalmente com o conteúdo da crítica. Sei que foi um excelente trabalho, estou satisfeito com o que fiz, e vejo isso confirmado até pelos feedbacks emocionados e sinceros que recebi.

Mas tempos atrás, este tipo de crítica poderia me paralisar. Me dar muita raiva, também. Vivia uma luta insana para provar que eu era competente e merecedor de aprovação. Mas queria ser aprovado por quem? Vamos lembrar um pouco da minha infância: tive uma educação muito rígida, onde o que eu fazia era extremamente desvalidado pela pessoa responsável por educar-me. Ao contrário, pelo menos aos meus ouvidos, meu irmão mais velho era tratado como o ícone, o sábio, o inteligente… Ciumeira de criança, heim, Alex?

Pois é… e você não sabe o quanto fica marcado dentro de um adulto, as desvalidações sofridas quando criança. Passamos a vida tentando provar para mamãe, papai ou quem nos criou que eles estavam errados. Que nós somos legais, bacanas, úteis, inteligentes, competentes. No fundo, queremos somente o amor. O respeito. O carinho. Que sentimos falta por não ter recebido, ou por ter recebido em quantidade insuficiente.

Como adulto, carregando esta criança emburrada dentro, todos os projetos que fazemos é para mostrar para mamãe e papai nosso valor. Relações, carreira, empresas… pode ser que estejam motivados por esta birra. Lembro que a primeira coisa que fiz, ao encontrar uma nova namorada, foi levar para mamãe conhecer. Quando reformei a minha empresa e ampliei, queria mostrar para mamãe e papai. Por detrás da vontade natural do filho em mostrar algo que ele achava bom, estava a gentil frase: agora me aceite, cacete! Reconheça o meu valor, porra!

Mas não deu certo… Afinal, quem queria ser validado era aquela criança lá detrás. E as feridas também eram antigas. Não tinham nada a ver com as conquistas do adulto.

Meu mestre de constelação, Bert Hellinger, diz que há duas formas de ajuda: uma, é a nutrição, que somente é necessária quando uma vida está em crescimento, ou em risco de vida. Isso quer dizer: somente quem está crescendo, em tenra idade, ou quem está morrendo, precisa de nutrição. E a outra forma, que poucos entendem como ajuda, é colocar obstáculos ao crescimento – de alguém emocionalmente sadio, claro – o que provoca que a própria vida dentro da pessoa faça esforço para sobressair. Assim, alguém se desenvolve por si mesmo.

Pelas dores infantis, demorei muito para entender que as pedras do meu caminho são professores especialmente colocados para incentivar meu crescimento. As desvalidações, críticas e descasos serviram para eu crescer, e viver a vida como adulto, cuidando eu mesmo da minha própria criança, afinal, a única pessoa que poderia validá-la era eu mesmo. Demorei uns quarenta anos para começar a sacar isso. E poder dizer: adeus papai! Adeus mamãe! Não preciso mais da aprovação de vocês! Obrigado pelo que fizeram. Agora é comigo!

Eu tenho consciência do que eu faço. Da minha qualidade. Dos meus defeitos. Dos pontos onde posso melhorar. E ninguém tem nada a ver com isso.

Mas é importante deixar uma dica. Vivemos um mundo onde a esmagadora maioria das pessoas foram desvalidadas na infância. A crítica é importante, mas o apoio, em algumas situações, muito mais. Quando estudei PNL – programação neurolinguística, aprendi uma técnica de comunicação que eu gosto muito, chamada sanduíche. O que é isso? Quando vamos falar da performance de alguém, iniciamos com um elogio em algo que realmente achamos bom. Nada de palavras vazias. Depois, colocamos aquilo que achamos que pode melhorar. E finalizamos com mais algo que gostamos. Ou realçamos o primeiro item falado. Elogio-crítica-elogio. Isso é construtivo, instiga o crescimento, mas também acalenta o coração do outro, cansado de tanto esforço em provar ser alguém merecedor de atenção e reconhecimento.

Alex Possato

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