Os aprendizados na selva, com papai

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Quando fiz 10 anos de idade, papai me deu de aniversário uma caminhada pela Serra do Mar, onde atravessaríamos de São Bernardo até o litoral, com direito a dormir no meio da mata atlântica, ao relento. O trajeto foi conduzido pelos policiais do COE, sob a batuta do austero Capitão Pazzelli… Entre meninos do orfanato, eu, meu irmão e os dois filhos do capitão, além dos soldados, éramos um grupo de 40 ou mais…
Fomos divididos em três setores: vanguarda, centro e retaguarda, cada um conduzido por um oficial. A ideia era que, durante a caminhada, pudéssemos estar em contato, os três grupos, um cuidando do outro. O da frente abrindo caminho. Este grupo necessitava de pessoas fortes, destemidas, preparadas. O do meio, com as crianças menores, sendo de certa forma protegido pelos dois outros, e responsável por carregar os maiores pesos e guardar as provisões. E o de trás, dando cobertura, protegendo aos dois da frente.

Jamais esqueci este presente. E os significados que levo até hoje. O quanto é importante sabermos, na nossa vida, em que lugar estamos. Às vezes somos requisitados a abrir a picada. Exige força, perseverança, tenacidade… Mas isso só tem sentido porque atrás virá um grupo maior, que poderá andar com mais facilidade.
O grupo do meio, extremamente importante também, porque levava as provisões. E por isso precisava ser bem protegido. Me faz pensar que, quando estamos construindo nosso patrimônio, criando nossos filhos, é necessário esta proteção. O lar pode representar este batalhão, onde os aventureiros que partiram podem retornar para descansar, cuidar de suas feridas e se alimentar.
E a retaguarda, protegendo a todos. Cuidando daqueles que ficaram para trás. Colocando um freio no ritmo dos soldados da vanguarda, quando eles aceleram exageradamente, fazendo com que todo o grupo se disperse.

Foi exatamente isso que aconteceu. Os grupos se dispersaram. E o experiente Capitão Pazzelli, comandando a retaguarda, subiu numa elevação, para poder observar onde estava. E onde estavam todos. Incumbiu um soldado para estabelecer comunicação via rádio. Aglutinar a tropa novamente.

Esse é outro aprendizado que jamais esqueci. Às vezes nos perdemos nos nossos objetivos. Nos distanciamos das pessoas amadas e daqueles que servimos através do nosso trabalho. Quiçá nos perdemos através de distrações: sexo, namorados, bebidas, farra, preguiça, trabalho demais e desnecessário… Esquecemos que a nossa participação nesta vida só tem sentido quando andamos em grupo. E vivemos pelo grupo, fazendo aquilo que nos foi incumbido de fazer. Então, a lição é: pare! Vá para um lugar onde se possa ter uma visão elevada. Do todo. Toda a vida. Todas as pessoas importantes. Onde estamos. E então, chame a todos. Reúna a tropa novamente.

Obrigado papai, por ter sido o veículo deste aprendizado!!!

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