Revertendo o fracasso dos nossos sonhos

nosso projeto

 

Acordei hoje pensando sobre empreendedorismo. Estou em Brasília, na casa do amigo Newton, debaixo do silêncio e acolhido pela bela natureza do cerrado. Uma casa, mas também um projeto que abriga cursos, atendimentos terapêuticos, alguns encontros espirituais… e que nasceu da necessidade. Precisávamos de um lugar para trabalho, já havia o trabalho, já tínhamos público… e é lógico, tudo fluiu… Até quando irá durar, não sei, afinal, tudo depende, como se dizia antigamente, “dos olhos do dono”.

Eu já fui dono de um projeto. De uma empresa. E apesar de ter durado muito tempo, quase uma década, não tive lucro nem felicidade com ela. Foi muito trabalho, tudo o que tínhamos foi investido e… perdido… Ao contrário do projeto acima, não havia público, não havia um produto adequado, estávamos na região errada, enfim, foi um grande aprendizado, através do sacrifício.

Repetindo o fracasso dos nossos pais, avós e antepassados

Sem ter feito esta experiência, jamais eu poderia ter partido para uma carreira autônoma – que também é um projeto, uma empresa individual – com mais assertividade como estou tendo agora. Sem ter montado a minha empresa errada, no lugar errado, com os produtos errados e público idem, não estaria nem escrevendo estas linhas.

Hoje posso dizer que aquilo que é o “nosso projeto”, já flui por si só… antes de termos algo concreto, já aparecem nossos clientes. Já desenvolvemos um produto ou serviço adequado. Somos muito competentes naquilo que fazemos e nos dá imensa satisfação realizar o trabalho. O dinheiro flui, mesmo na informalidade, e passar para o próximo estágio, a regularização, é uma consequência natural, e não uma invenção do ego.

Eu disse: invenção do ego. Para entender um pouco sobre o que estou dizendo, o ego, nesta concepção que coloco, é o apanhado de crenças, emoções e padrões de comportamento que dá uma sensação de “eu”. Algo muito importante, para entendermos os limites nossos e dos outros, reconhecermos quem somos diante do mundo, fazermos nossas escolhas… Porém, o ego é uma parte programada dentro de nós. Programada por nossos pais, família, sociedade e modelada também pela nossa personalidade. Nossa forma de atuar no mundo.

O ego é um programa, e não aquilo que sou… Vou dar um exemplo, voltando ao empreendedorismo. Sentado na cama, pensando sobre minha empresa antiga e o fracasso, começaram a vir lembranças: vovô dizendo que teve uma lanchonete numa escola particular em São Paulo muito bem-sucedida, mas… vovó brigou com a diretoria da escola e eles tiveram que ir embora. Depois, montou uma lanchonete em Suzano, cidade periférica de São Paulo… tudo estava indo bem até que… vovó resolveu que teriam que mudar de cidade por causa dos problemas de saúde do meu pai… Ele vendeu tudo. Outra voz que me vem do passado, é de vovô dizendo, meio que ridicularizando, de um projeto que meu pai fez: criar galinhas no Mato Grosso. Virou motivo de piada e foi um fracasso que, possivelmente, mal saiu do papel. A última voz que ouvi é da minha mãe, que há alguns dias atrás, disse que meu avô, seu pai, tinha uma indústria química para produtos de beleza e não deu certo, enquanto que a vovó, a mãe dela, montou uma escola de cabeleireiros que foi de vento em popa. Ela nem sabia cortar cabelo, contratou um profissional, aprendeu e em breve estava ensinando, dentro de um instituto que ela mesma fez. O dinheiro da família, nesta fase, veio todo da vovó.

Hoje eu tenho certeza absoluta de que meu ego ficou infectado pela ideia do fracasso, principalmente os homens fracassados da minha família. Embora eu tivesse sido influenciado a ser empreendedor como vovô paterno e materno, o padrão que mais fiquei preso era o fracasso, a frustração, a perda financeira e a sensação de derrota… e com uma mulher mandona ao lado. Isso também ocorreu comigo: ao quebrar minha empresa, voltamos para São Paulo, e em breve minha antiga companheira estava fazendo terapia. Aprendeu muito rápido, ela já possuía este dom natural, e começou a ensinar… E nós finalmente entramos numa era de poder ganhar muito dinheiro.

Já ouviram esta história antes?

Mas só me dei conta agora, quando mamãe contou outra vez a história dos seus pais.

 

Honrar a derrota, para abrir-se para a vitória

Uma coisa que aprendi fazendo terapia é que reproduzimos a eterna guerra entre homem e mulher dentro da nossa relação, e isso se espalha nos nossos negócios. Meus avós paternos não se davam bem. Conviveram juntos até o fim, mas era uma relação cercada de mentiras, traições, mágoas e comportamentos abusivos. Meus avós maternos também não se deram bem. Conviveram até o final da vida juntos, mas havia alcoolismo, agressividade velada, falta de diálogo. O ambiente de conflito gera energia para aquelas pessoas que conseguem canalizar a guerra para seus objetivos. Motivados para a batalha, podemos direcionar esta força para os negócios e sermos muito bem-sucedidos. Mas quando a briga é dentro de casa, isso vai minando nossas resistências. Geralmente um tem que ceder, para o outro subir. Um deve ficar submisso, para que o outro fique em evidência. O que ficou embaixo, logo irá tentar puxar o tapete daquele que ficou acima. Por raiva, ciúme, inveja, competição.

Eu também acabei vendo despertado em mim a raiva, a frustração, a sensação de incapacidade ao me ver fracassado. E ao ver minha mulher subir, tive ciúme. Inveja. Mas já eram muitos anos de relação, que não estava bem. E a necessidade financeira, junto com meu trabalho espiritual, me fez ver que era o momento de baixar a bola. De ver meu ego cair por terra. E auxiliar no processo que estava dando certo. Mesmo que nossa relação afetiva não estivesse mais íntegra.

Era necessário honrar a derrota e todos os sentimentos que isso provocava em mim. No fundo, vovô, quando dizia que só foi derrotado por causa da vovó, estava ausentando-se da responsabilidade do fracasso. Ao ridicularizar seu próprio filho, estava dizendo, pelo menos ao meu ouvido: nós, homens, somos uns bostas. E eu, o descendente, também. Isso é inconsciente, mas acaba ficando. Logo, na vida adulta, eu tive que reproduzir mais uma vez, a experiência de derrota em mim mesmo, para que pudesse ter a oportunidade de assumi-la. Achava que queria empreender para ser bem-sucedido, mas no fundo, meu inconsciente queria empreender para ser derrotado, e se igualar à mediocridade que meu ego acreditou ser real. Mas eu não sou medíocre. Vovô e papai também não. Era um grande engano.

Era isso que o universo quis me ensinar: não há culpa de alguém, quando fracassamos. Não há culpa de nada. Somente é uma situação que precisa ser incluída. Vovô não conseguiu e jamais se levantou. Tanto o paterno quanto o materno. O dinheiro ganho por eles, as propriedades conquistadas, foram divididas e diluídas pelos descendentes. Quase nada sobrou.

Ao tomar a decisão de servir, com meu trabalho, àquilo que minha ex estava fazendo, o combate entre nós suavizou, e a prosperidade pôde chegar. E ficar.

O sucesso não necessita esforço desmedido

Os passarinhos cantam, por entre as árvores do cerrado. Logo mais, terei um encontro com alunos e pessoas interessadas no meu trabalho e no trabalho proporcionado pelas pessoas que ensinei. Me encontrarei com algumas dezenas de pessoas, entre hoje e este final de semana. Tenho que dizer: estou muito surpreso em ter entrado em contato com a sensação de que estou honrando a minha avó materna, empreendedora bem-sucedida, que deixou o marido seguir seu caminho e provou a sua competência ao aprender uma profissão, e tornar-se professora… assim como eu. Passou a vida submissa, ao lado do marido, para depois, já com certa idade, partir para o próprio negócio.

Os homens da minha família sempre lutaram. Lutaram muito. Se esforçaram muito, e não deram conta. Eram raivosos e emocionalmente instáveis, frágeis. As mulheres, de certa forma, faziam as coisas com leveza. E talvez por isso, muito mais assertividade. Também emocionalmente problemáticas, mas com mais estabilidade nas ações. O homem e a mulher, unidos, conseguiriam prosperar. Mas não havia união de casal, e cada um teve que ir por um caminho. Lembro-me que a ex dizia para mim: para que você faz isso? Por que gastar tanto nisso? E eu não a ouvia. Intimamente sentia que ela era incapaz, não auxiliava no processo e estava me desmotivando. Estava revivendo a guerra entre os sexos da minha família. E tentando provar para ela a minha competência. Estava unido ao vovô e ao papai.

Não consegui. Ela conseguiu. Felizmente, pude reconhecer isso. A relação acabou. Mas o aprendizado ficou. É necessário entrar em contato com o fracasso. É importante nos dobrarmos e cairmos ao chão, sinceramente derrotados, após todos os nossos esforços. Renunciar à insanidade de tentar provar, seja lá para quem, a nossa competência: porque nesta toada, só colheremos frustração. Somente assim, saberemos tomar posse da nossa força. A nossa força natural, e não os condicionamentos do ego, que age por programação. Suavemente, deste lugar, a prosperidade começa a se mostrar. O próprio caminho se abre. Seus tons despertam. As pessoas chegam. O dinheiro vem.

Se lançar para a vida

Oi gente! Tá aí um video novo, onde comento um pouco sobre o processo de “Se lançar para a vida”… A partir do movimento de se trabalhar internamente, para libertar-se gradualmente dos bloqueios sistêmicos familiares que prendem você à padrões de dor e sofrimento, você se vê na necessidade de lidar e ir dissolvendo emoções pesados, crenças limitantes, estratégias equivocadas, que geram resultados insatisfatórios. Em algum momento desse processo, será necessário declarar um novo “pacto” para si, de sucesso e prosperidade, e abandonar o antigo “eu” sofredor, fracassado e frustrado… Dê uma olhada no vídeo!

Alex Possato

Palestra sobre constelação familiar em Teresina

palestra_maio_2017

Queridos de Teresina! Estarei chegando logo mais, na sexta-feira, dia 19 de maio, para mais uma temporada de constelações: o Projeto Incluir – laboratório de constelação sistêmica; o treinamento de constelação para formação de facilitadores; palestra e atendimentos individuais.

Mas vou adiantar um pouquinho sobre o conteúdo  da palestra que farei na capital piauiense na próxima segunda-feira, dia 22 de maio.

A constelação familiar sistêmica surgiu a partir do trabalho pioneiro de Bert Hellinger, terapeuta alemão, técnica sintetizada por ele com influências de diversos outros caminhos: desde o xamanismo do povo zulu, da África do Sul, onde Hellinger foi missionário cristão, até o psicodrama, passando por gestalt, PNL, grito primal e análise transacional – os principais, sem esquecer da psicanálise, cujo pai, Freud, é eventualmente citado por Hellinger em suas palestras e conferências.

A partir do desenvolvimento na Alemanha do trabalho sistêmico, desde os anos 90 surgiram alguns caminhos derivados da constelação familiar: a constelação organizacional, que trabalha questões de empresas, a constelação estrutural – que acrescentou estruturas da PNL (programação neurolinguística) – usada em consultorias diversas, o coaching sistêmico – focado em desenvolvimento de carreira e caminhos de vida, ingressando na área da mediação de conflitos… enfim, muitas áreas estão se beneficiando desta técnica pioneira e inovadora.

Falarei um pouquinho deste desenvolvimento, a utilização da constelação hoje se espalhando no Poder Judiciário, servindo como instrumento nas Varas de Família em vários estados brasileiros, as leis principais (ordens) baseadas nos ensinamentos de Hellinger, farei algumas demonstrações e abrirei para perguntas! Enfim, realizaremos um bom mergulho na constelação! O que é sempre muito gratificante!

Palestra: Constelação Familiar Sistêmica – caminhos e possibilidades
Data: 22 de maio de 2017 (segunda-feira)
Horário: 19 horas
Local: Mundo Natural
Rua Visconde de Parnaíba, 1490 – Ininga – Teresina
Informações e inscrição: (86) 3304-1496

 

A Mãe de todos nós

amor de mae

A mãe cuida. E também abandona. Gera vida, mas aborta. Educa de forma acolhedora, e às vezes, sufocante. Dá ordens e agride, para depois servir um sorvete. Nunca aparece, de tanto trabalho, mas à noite, enquanto dormimos, se aconchega em nossos lençóis e acaricia nossos cabelos. Mãe morre muito cedo, ou às vezes, vive mais que seus filhos. Quer que sejamos felizes, mas… não nos deixam livres! Quantas vezes mamãe é louca, neurótica, desequilibrada? E faz aqueles bolos de fubá geniais? Separa do papai e nos joga contra ele. E em seguida diz: nunca amei tanto uma pessoa. Mãe sente-se culpada por não ser boa mãe. E também culpada por não amar a própria mãe. Mãe carrega em seu ventre as marcas de muitas violências sexuais. E talvez, por isso, ensina seus filhos a temer o sexo oposto. Em seguida, sofre ao vê-los não se realizarem nas relações amorosas. Mãe também praticou muitas violências. Ou foi cúmplice delas. Mães doentes e sãs. Viciadas e beatas. Fofoqueiras e poetizas.

Mães. Seres humanos. Que geraram filhos humanos. Eu e você. Tão humanos quanto elas. Que às vezes não sabemos amá-las, como pede o comercial da TV. Porque as dores foram muito intensas. Ou sentimos descaso. Ou até confundimos dó com algo bom, que nos faz parecer melhores e mais capazes que mamãe. Cuidamos, muitas vezes, da nossa mãe, assim como uma mãe deveria cuidar do seu filho. Mas o filho, quem é? Esquecemos nossa família para ficar com mamãe. Ou nos revoltamos e vivemos a milhas e milhas distante, sem tirar a dita cuja da cabeça. Alguns poucos de nós (quem sabe muitos?) amam de montão a mamãe. Amam de verdade. Dariam sua vida por elas.

Lembra-se quando você tinha uns quatro aninhos? Você era um desses… Amava de montão. Faria qualquer coisa pela mamãe. Porque, então, o amor desapareceu? Ou maquiou-se de melancolia? Formalidade? Raiva aberta?

Porque crescemos, e quanto mais os anos se passaram, mais consciência da separação entre eu e mamãe ocorria. Ela não estava totalmente disponível para mim, assim como eu achava que estava por ela. Começamos a ter ciúmes dos nossos irmãos. Ciúmes do papai ou dos homens da vida da mamãe. Raiva das atividades que ela fazia, deixando-a distante de nós. Mágoa por não ser pego no colo quando queríamos. Mamãe deixou de estar à disposição. Cadê aquela mulher que nos carregou meses em seu ventre, disponível totalmente para nosso crescimento e nascimento? Desapareceu, gradualmente.

E pouco a pouco, ela foi exigindo coisas de nós. Começamos a ficar responsáveis pelas coisas dela, da casa, dos irmãos, da família… E nós só queríamos o colo. O carinho. O conforto. O leite. A música de ninar.

Traídos! Sim, traição! Esta é a nossa sensação. E fechamos o coração para o amor. Ou o permitimos a conta gotas. Crescemos, desenvolvemos um senso de “eu”, e passamos a crer que o amor depende da nossa vontade. Nós amamos, ou nós não amamos. Assim como mamãe não nos ama porque não quer. E ama quando quiser. É o que pensamos.

Mas não. Não é assim.

Todas as mães amam seus filhos. Todos os filhos amam suas mães. Sejam elas do jeito que forem. O amor não é um predicado do Ego, da vontade individual. O amor é o sopro divino que passa pelo ser humano, desejando o crescimento e o melhor para o objeto amado. Mesmo a mãe que ofende e maltrata seus filhos, está querendo que eles se desenvolvam. Doente, ela se vê tão incapaz de amar, que através de maus tratos, está dizendo: filhos, vão embora! Vão para a vida! Eu dei o que eu podia! Não posso fazê-los felizes… nunca pude me fazer feliz.

Se ficarmos procurando o amor de mãe na caixinha de presente, no jantar de confraternização, no abraço ou beijos dados ou negados, ainda estaremos nos sentindo como aquela criança traída. E comportando como uma criança emburrada.

Faz-se necessário fechar os olhos. Respirar profundamente. Mais e mais vezes. E ir além das dores da infância. Das mágoas, ciúmes, inveja. Mamãe carregou você em seu ventre. Permitiu seu nascimento. Cuidou de você, do jeito que pôde. Com todas as limitações humanas dela. Com ou sem marido. Com ou sem dinheiro. Com ou sem sanidade emocional. Às vezes, num gesto doloroso e corajoso, deixou você para alguém em melhores condições. Para que você pudesse ter uma chance. Ela não teve esta chance.

A maior parte das mães não tem consciência deste amor. Amor incondicional que sentem. Porque este amor não é delas. Vem de outra esfera. E por não estar conectada com esta outra esfera, além dos pensamentos e das emoções conturbadas, acredita não amar. E se culpa por não ser boa mãe.

Se você é essa mãe, ouça seu filho: você é a melhor mãe que eu pude ter. Eu cresci, sei que dei muito trabalho e lhe cobrei além da medida. Mas reconheço sua jornada, e cada ação que você realizou, em prol do meu desenvolvimento. Mesmo na dor, na incompreensão, nas chantagens, nas brigas, consegui retirar destas fases lições preciosas. Tornei-me um filho forte. Capaz de lidar com emoções profundas. Capaz de sobreviver às mais diversas intempéries. Você nunca deixou de me amar, mesmo quando não conseguia dar carinho. Quando estava solitária, esperando alguém preencher o seu vazio. Quando perdeu a cabeça e fez coisas impensadas, que depois se arrependeu amargamente. Veja! Eu estou aqui! Estou forte e consciente. Não há o que se desculpar. Você é a mãe certa para mim. E eu sou o seu filho. Para sempre. E graças a você, mamãe, hoje posso ser pai. Ou mãe. Dos meus filhos. O melhor pai ou mãe que eles podem ter. O único. Que os ama profundamente. Do meu jeito e na forma como consigo. Assim como você também me ama. Abençoada seja a sua existência, mamãe.