Sonho a dois

sonho em casal

 

Fizemos um exercício: eu e ela. Ela e eu. Um casal que se dá bem, mas como qualquer casal, com vontades, sonhos, medos, anseios diferentes. Bert Hellinger nos ensina, através da constelação familiar sistêmica, que um casal, quando se compromete verdadeiramente a compartilhar uma vida conjunta, entra em contato com a alma da relação.

Esta alma é maior que a vontade dos dois. Que é maior que o medo dos dois. Que é maior que os sonhos dos dois. Esta alma tem vontade própria. Ela conduz os pombinhos para onde eles devem ir. Pessoas realmente conectadas com esta alma são (e precisam ser!) desapegadas. Embora tenham seus objetivos pessoais, sabem ouvir os objetivos da outra parte… mas o fundamental é que se abram para esta “alma” do casal. Este “espírito coletivo” da relação, que conduz os dois aprendizes rumo às descobertas que ambos precisam vivenciar.

Nesta jornada, eu tenho que aprender a não colocar meus sonhos acima dos sonhos dela. E ela  aprender a mesma coisa. Porém, mais que isso: ambos precisamos nos abrir para a aventura de sonhar um sonho conjunto, que pode ser bem diferente do meu e do dela. Às vezes, os sonhos individuais precisam dar espaço ao sonho do casal. Por isso Hellinger é bem claro na questão do compromisso do casal, já que um casal sem compromisso será levado pelo interesse de somente um dos lados, ou ficarão eternamente sendo confrontados pela guerra de interesses opostos, ou ainda, renunciarão simplesmente à parceria, e cada um segue do seu próprio jeito, sozinho.

Sonho a dois não é o meu sonho. Nem o dela. É o nosso. Eu preciso validar, sentir, respirar, vibrar com este sonho. Ela também precisa validar, sentir, respirar, vibrar o sonho. É assustador, pois às vezes não conhecemos, nem validamos nossos próprios sonhos… o que dirá validar um sonho “coletivo”, que nem sabemos o que é… Mas por que não abrir-se ao mistério? Por que não brincar de sonhar, e permitir-se ser levado por este sonho, que pode ser tão excitante, desafiador, instigante, e ao brincarmos de sonhar, percebemo-nos unidos, mais e mais?

A confiança em um casal surge não necessariamente quando um confia no outro. Não quando um tenta provar ao outro que seus argumentos são melhores. Não quando um se coloca submisso ao outro… Mas quando ambos confiam em si mesmos, e mesmo assim (e talvez por isso mesmo), os dois confiam e se entregam a Algo Maior. Um casal que sonha junto, permite sair das rédeas da mente que teme, que faz tudo em nome da segurança e da sobrevivência, e deixa gentilmente que o sonho conduza a ambos… o mistério é o destino, e o caminhar neste sentido, embriagado pelo doce sabor da aventura é a maior recompensa…

 

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: