Eu mereço a prosperidade?

Resolvi fazer planos para o incrementar meu trabalho, melhorar minha imagem profissional, estar mais visível! Parece que o momento foi adequado, pois paralelamente ao meu movimento, o gerente do banco fez uma oferta para subir o nível da minha conta corrente… Até o meu programa de milhagem subiu a categoria… E então me pego percebendo que parte de mim não sustenta a prosperidade… Quando o gerente do banco me ofereceu um seguro de carro, despistei… Como eu, numa agência sofisticada, poderia dizer que meu carro é um Clio 1.0 2008? A vergonha atacou e a sensação de menos valia prevaleceu… o pobre menino que tinha vergonha de não poder ter o tênis, as roupas, as viagens, as casas dos colegas mais abonados da escola, resolveu dar os ares da graça. Certa vez me disseram: você é simplório… E entendi que não era um elogio. Não tenho problemas em andar em transporte público. E também em dirigir carros possantes… Porém… me sentir merecedor, próspero… é outra história. Costumo dizer nos grupos que conduzo, que a mudança dos padrões são lentas, e precisamos ser amorosos em relação ao nosso próprio estágio. É sabido que a maioria das pessoas que ganha um bom dinheiro na loteria, perde quase tudo poucos anos depois. Pelos olhos da constelação familiar, entendo que nós honramos as histórias do passado. E se estou (e como estou!) vinculado ao drama da pobreza do meu passado familiar (embora eu não tenha sido extremamente pobre, diga-se de passagem), sinto-me até um traidor quando percebo o dinheiro e os benefícios fluindo na minha vida. É preciso despedir-se deste “eu sofredor” que insiste em boicotar os ganhos. Esta despedida necessita de amor e paciência… Pois caso não seja assim, quando ganhamos um pouquinho a mais, entramos num deslumbramento em relação às posses, tão doentio e doloroso como o estado de pobreza – de bolso e emocional. São extremos da mesma doença, originada numa fidelidade ao passado familiar. E este deslumbramento, mais cedo ou mais tarde, nos conduz à derrocada. A prosperidade é um estado natural do ser humano. Quando nascemos, possuímos tudo o que necessitamos: o corpo da mamãe para nos aquecer, proteger e acalmar, o leite materno para nos alimentar… nada mais é necessário… Este talvez é o símbolo maior da prosperidade: o filho satisfeito, em confiança e segurança nos braços da mãe. Mas conforme crescemos, vamos sendo paulatinamente afastados desta confiança. Nossas necessidades começam a não serem supridas, até pela própria experiência do crescimento: precisamos aprender a nos virar. Deixamos que o medo invada nossa estabilidade. Desconfiamos da nossa capacidade de prover o sustento, a segurança e o conforto. Passamos a olhar o mundo e as pessoas como hostis, e fazemos de tudo para garantir o mínimo. Nos prendemos às pessoas e trabalhos muitas vezes guiados pela necessidade de suprir nossos medos e carências. Ao invés de vivermos na certeza da abundância, passamos a buscar desesperadamente a sobrevivência. Estou numa fase da minha vida onde procuro não perseguir respostas fáceis às perguntas difíceis: estou pronto para a prosperidade? Não sei… Percebo que a cada degrau que subo, é necessário uma nova adaptação. Novas nuances de vida surgem. Quando estive no menos 1.000, tinha um tipo de experiência. Depois, no zero, outra. Consegui alcançar um nível 100 positivo… mais desafios. Entendi que prosperidade não tem a ver com o que se tem na carteira, mas a forma que lidamos com o “ter e o não ter”, o “confiar e o não confiar”, o “se doar e o se fechar”… Nesta grande brincadeira divina que é o viver, parece que as metas são só oásis no deserto: podemos e devemos aproveitar cada conquista, cada degrau que subimos… mas logo mais a jornada se reinicia, e estar na jornada é a parte mais instigante deste mistério que é o viver. Viver e aprender a viver com os sentimentos que a fartura e a escassez provocam – por mais doloroso ou excitante que seja – é instigante, e este é o único exercício capaz de transformar o espírito doentio focado na pobreza em confiança na prosperidade e provisão infinita. Quando estivermos próximos a encerrar nossa jornada, a pergunta “o quanto conquistei?” terá muito menos sentido que a pergunta “o quanto confiei?”. Talvez seja esta a melhor medida da nossa conexão com a prosperidade abundante do universo. E como não sabemos quando se encerrará a jornada, acho que é bom nos apressarmos em olhar para este aspecto… vai saber o dia de amanhã…

A trama bipolar

mente

 

Acho que em algum nível, já fui bipolar… Fui não: estive. Pois creio que somos seres saudáveis, apesar dos nossos desequilíbrios… Quando indico aos meus alunos e clientes para estudarem um pouco de psicologia, não é para se culparem ou vitimizarem, mas para perceber que a mente humana entra por caminhos muitas vezes desastrosos devido aos choques de desamor que sofremos na infância… Olhar com consciência amorosa para “nossas loucuras” nos permite sair dos padrões de sofrimento que, muitas vezes estamos vivendo, sem saber. Um dos padrões muito fortes, que verifico em muitas pessoas que atendo, é este saltar entre períodos de “depressão” e de “euforia”, típicos das pessoas bipolares. A questão é que muitas vezes, não entendemos os nossos altos e baixos de humor como sendo patologia… achamos normal e acabamos agindo no mundo a partir destes picos… afetando a nós, nosso corpo, nossas relações, nosso trabalho, nossa vida…

Olhar para nossa mente com clareza nos possibilita parar de ser tão vulnerável às instabilidades desta mente machucada que possuímos, focada na carência… Por isso traduzi o texto abaixo, do livro Constelaciones Familiares y Bipolaridad, de Eduardo Grecco. Bom proveito!

Alex

 

“A história pessoal do paciente bipolar revela que a criança sentiu que não recebia o amor, o cuidado, a proteção nem o sustento necessários, motivo pelo qual cresceu tendo a impressão de estar sujeito aa uma insuficiência afetiva.

Sua interpretação deste fato, seu erro cognitivo fatal, foi determinante para a constituição posterior do sofrimento bipolar. Atribuiu a carência a uma condição de desamor: “Se não me amam é porque não mereço, e se não mereço é porque não valho nada”. Deste modo a autoestima, a autoconfiança, a firmeza e a segurança pessoal foram fortemente abaladas e quebradas.

A partir destas premissas, a criança foi instalando em seu psiquismo uma séria de pressuposições mentais não menos importantes: Se “não valho nada” é porque “sou indigno”, então “está bem que não me queiram e que as coisas na vida me sejam hostis” (o círculo vicioso da depressão) ou “não me importa que me deem o que necessito”, “estou indignado”, “não necessito nada” (círculo vicioso da mania).

Frente a esta situação, a pergunta que surge é: em que condições psicológicas e históricas se faz possível que ambos estados afetivos (depressão e mania) se combinem em uma pessoa e se transforme em um mal estar que a consome.

A resposta não é simples. Poderia dizer que as pessoas bipolares são fortemente ambivalentes frente ao seu próprio Eu, que não conseguem “decidir” se aceitam-se ou rejeitam-se. No polo depressivo manifestam uma forte hostilidade contra si mesmos; na mania, um extremo amor. Se amam e se odeiam, sem poder conciliar os dois aspectos numa mesma realidade. “Não sou nada / Nunca serei nada / Não posso querer ser nada” – diz neste poema Fernando Pessoa, mas logo acrescenta: “A parte disso, tenho em mim / todos os sonhos do mundo”; há consciência (supomos dolorosa) de ser nada, mas ao mesmo tempo, esse eu poético tem sonhos de uma vida distinta, está “apaixonado” por essa parte de seu ser que tem projetos.”

Este ir e vir de um lado para o outro é um ciclo que transcorre entre períodos de intensificação e atenuação de sentimentos de culpa e remorso, entre sentimentos de aniquilação e onipotência, de castigo e de absolvição do pecado, de expiação e de transgressão, de depressão e de euforia, de tragédia e sátira. Em última instância, entre fome e saciedade, padrão básico no qual o ser alimentado se vê ligado desde os primeiros tempos de vida ao ser amado, e à sede por ser rejeitado.

Aceitando a ajuda da parceira

aceitandoparceira

– mesa para dois
– temos aquela do canto, disse-me a garçonete uruguaia em bom espanguês.

Fomos até a mesinha no canto, e nos deparamos com a sugestiva plaquinha: mesa romântica!
Somos um casal romântico. Eu e Luciana. Entre conversas aleatórios e planos sobre nosso futuro, nós dois nos deparamos com um assunto que nos mobilizou. Não conseguimos sair do lugar. Nem eu. Nem ela. E mais uma vez nos vimos falando de ajudar-nos um ao outro para que ambos saiam desta situação.
Me peguei pensando rapidamente: quando estamos no jogo do romantismo, um seduzindo o outro, nos colocamos a disposição de auxiliar. Uma hora um ajuda. Outra hora o outro ajuda. É um jogo, para mostrarmos que somos confiáveis.
Depois que moramos juntos, casamos, usamos o banheiro de porta aberta, não há mais a necessidade de seduzir.
E é uma possibilidade existir uma retração. No fundo, eu não confio totalmente na outra. Tenho um orgulho enorme, e acho que o que sei é o suficiente. Não me entrego a ajuda do outro. Tenho desconfiança em relação à mulher.
Como posso confiar na mulher, se a figura feminina me massacrou? – esta é a imagem antiga que ficou registrada na minha psique.
Mas o universo é sábio. Coloca-nos em situação onde nossa fragilidade e incapacidade fica evidente. Ainda mais para alguém que te conhece sentado no trono de portas abertas!

Estou sendo convidado a sair do jogo do romantismo. E ingressar no mundo adulto. Aceitando verdadeiramente ser parceiro. Uma mulher pode muito bem me ajudar. Eu não sou esta “coisa” toda. E ela não é “mais uma mulher que quer me dominar”. Ser frágil, é também fortaleza, creio. Estou sendo convidado a reconhecer a força e poder que vem do feminino, ao meu lado. Para poder também compartilhar a força do masculino, que vibra em mim. Juntos, vamos longe! Sozinhos, não existe parceria. Para que, então, casar?

Constelação Familiar em Brasília, com Alex Possato

Brasilia jul_2017

Todos os seres humanos estão em busca de paz nas relações. Paz consigo mesmo. Paz com a matéria. Paz com o espírito. Iniciando mais um ano de trabalho em Brasília e região, tenho vivenciado a mudança de muitas pessoas que passaram pelo processo de constelação familiar sistêmica. Nem todas as mudanças foram confortáveis, porém, necessárias.

Deixo-me guiar pelo trabalho da constelação, e ela aponta sempre para a mesma direção: liberdade. Desapego. Compreensão. Compaixão. Vejo também algumas pessoas já conseguindo tomar posse de novas formas de se relacionar. Dando liberdade. E sendo livre. Somente assim o amor pode fluir. É a minha experiência. Você é meu convidado!

Namastê!

Vamos à programação?

26 de julho de 2017 (quarta-feira)

Constelação Familiar em grupo ( 5 vagas ) – das 15 às 21h


Valor sugerido para constelar: R$ 400,00
Valor sugerido para participar: R$ 50,00
(Farei até 5 constelações, escolhendo no dia as questões de acordo com critérios terapêuticos, dentre todos que desejam “constelar” – colocar um problema pessoal para ser visto sob o olhar sistêmico)


 

Informações e inscrições:

florbrasil.newtonlakota@gmail.com (61) 9976-7740 VIVO / Whatsapp (com Newton)

Local: Auditório do Medical Center – 607 Norte (Entrada pela L-3 Norte/UNB)

Primeiro você cresce… depois o outro cresce

crescer

 

Finalizando o Workshop Sucesso para Empreender a Si Mesmo, realizado em Brasília em parceria com minha amada companheira Luciana Cerqueira, me vem algumas considerações sobre crescimento. Principalmente num ponto específico: a vontade de auxiliar outros a crescerem. Contei na vivência que, ao abrir minha empresa, a primeira funcionária que contratei tinha deficiências na dicção. E uma das funções dela era atender o público. Que mancada, né? Comecei com o pé esquerdo!

O que me moveu a colocar uma pessoa superbacana, mas não adequada para o que eu precisava, no lugar da minha “única” funcionária? A dó. Sou neto de um avô comunista e com o coração enorme, que me ensinou a ser caridoso com as pessoas sem posses e menos privilegiadas. Durante muito tempo achei que este sentimento era grandioso. Até perceber que a dó quebra as empresas. Da informalidade, passando por uma loja, outra loja maior, fechamento desta loja e uma dívida enorme, foram 11 anos. Foi a melhor universidade de administração que eu poderia ter tido. Tudo prático. Muitas tentativas, poucos acertos, mas que me tornou o homem que sou hoje.

Hoje, a experiência me diz, com certeza: cresça sozinho. É você com você mesmo. Conquiste o seu lugar ao sol. Um lugar seguro, onde o dinheiro flui, dependendo única e exclusivamente do seu trabalho. Somente com esta energia, você poderá ter pessoas ao seu lado, para auxiliar ainda mais no seu processo de crescimento. Pessoas para auxiliarem no seu processo de crescimento precisam ser competentes para aquilo que você precisa. Precisam ser competentes, não tanto quanto você… pois você é a pessoa mais competente em relação ao seu projeto. Não dê funções para pessoas que não mostram capacidade para cumpri-las. Pode parecer óbvio, mas o que vejo de autônomos e pequenos empresários fazendo exatamente o contrário, não é mole não!

Acredito que o empreendimento, seja ele qual for, é um lugar onde podemos compartilhar amor, compaixão, paz e boas relações. Trabalho com esta visão interior. Mas um item necessário a qualquer organismo vivo, seja uma bactéria ou um negócio, é a sobrevivência: a sustentabilidade é o objetivo número um! Os grandes ideais que você tem em relação ao seu trabalho podem até movê-lo, mas a busca incansável primeira é pelo planejamento, organização, lucro, qualidade, atendimento e serviços adequados. Sem isso, é como vovô dizia: colocar o carro na frente dos bois.

Hoje, com meus cinquenta anos de idade, entendi as atitudes do vovô: ele era aposentado, não precisava do dinheiro e por isso podia fazer caridade. Como criança, só vi a beleza dos seus atos, mas a parte prática – a sobrevivência já estava garantida, não entrou na minha lógica infantil… e quis partir pelo mundo seguindo um ideal belo, mas sem realidade. Resultado: quebrei. Quebrei para aprender o que estou lhe falando agora: a sobrevivência é o objetivo número um de qualquer ser vivo. Sem isso, ideais não tem o menor sentido…

Alex Possato

Sucesso a serviço do amor

a serviço do amor

 

O sucesso está relacionado diretamente à sua abertura para amar. E ser amado. Uma pessoa próspera não tem medo do outro. Está plenamente aberto a ele, pronto para servi-lo. E também não se opõem aos recebimentos. Pagamentos em forma de carinho, gratidão, reconhecimento e também dinheiro.

Uma pessoa aberta para o amor, está em seu próprio lugar. Sabe o que quer, o que tem para dar e seus próprios limites. Olha nos olhos do outro e é verdadeira. Transpira confiança, e por isso, o outro confia. Muitos confiam. Uma quantidade infinita de pessoas quer você. Mas você sabe que é somente um canal. O amor flui através do seu serviço. E a recompensa lhe é dada pelo universo, através do público que você atende. Chegar neste lugar é uma jornada. Uma jornada árdua, pois seus diversos “eus” carentes, manipuladores, medrosos, vingativos, pobres, fracassados, contestadores, irão cair por terra… para que você seja somente um canal. Neste lugar de sucesso, você deixa de ser independente, e está a serviço do próximo. Torna-se interdependente. Suas preocupações pequenas precisarão ser deixadas. Um pouco, ao menos no princípio. Pois você está a serviço. A serviço do amor. Não importa qual seja o seu trabalho. A serviço do amor.

De mãos dadas à própria mediocridade

mediocre

 

Uma pessoa muito íntima passou o almoço falando da sua tentativa infrutífera de cumprir as expectativas que ela mesma, real ou imaginariamente, teceu sobre seu comportamento. Comer algo adequadamente saudável – e ela não queria. Ter um tipo de padrão de pensamento – que ela não tinha. Gostar de determinados ambientes e pessoas – e ela queria se isolar. Chegar a entendimentos que não conseguia.

Se eu não conhecesse a pessoa, e estivesse predisposto a ouvir suas neuroses, o almoço seria muito chato. Mas não foi. Ao contrário, foi muito instrutivo. Pois ela mostrou para mim o padrão de funcionamento da mente crítica, julgadora, condenadora, rebelde. Que é também o padrão de funcionamento da minha mente.

A mente é um instrumento fenomenal, principalmente quando entendemos que o papel dela é estabelecer comparações, para poder discernir, tomar decisões. O que torna nosso convívio com a própria mente insuportável, é que acreditamos que aquilo que pensamos determina o que somos. E como fomos ensinados desde pequenos que não somos grande coisa, que estamos sempre errados, precisamos saber mais, nos comportar melhor, ter melhores pensamentos… passamos a vida nos julgando e condenando.

Como terapeuta, lido com pessoas com dificuldades de ter projetos. De mudar a própria vida. De aceitar a si mesmo. De saber tecer melhores relações. De lidar de forma saudável com o próprio corpo. Pessoas que, de certa maneira, sabem que estão tomando atitudes que lhe fazem mal. E uma das primeiras coisas que faço, ao ouvi-las, é incluir em mim aquilo que elas não conseguem incluir em si. Imagino o que daquilo que estou ouvindo também faz parte do meu comportamento, e internamente digo: você faz parte! Eu te vejo!

Incluo, por exemplo, o corpo obeso. A mente alucinada. A sensação de feiura. A sensação de fraude interna. A vítima. O provocador de conflitos. O postergador. O derrotado. O compulsivo. Sinto quem ou o que está sendo excluído, e imagino dar um lugar para esta sensação dentro do meu coração. Nem sempre é fácil, mas a prática é tudo. E muito rapidamente, me percebo em paz com a pessoa à minha frente, e mais: em paz com minhas sombras interiores! O outro, no final, serviu terapeuticamente para o meu autoconhecimento!

Gosto da palavra medíocre, porque ela não tem significado pejorativo, na etimologia. A origem em latim quer dizer simplesmente: mediano. Todos somos medíocres, em diversos aspectos. Muitas coisas não sabemos fazer bem, mas outras sabemos fazer muito bem. No final das contas, nota média: passou de ano! Quando conseguirmos observar em paz nossa mediocridade, sabendo que todos são assim também, e pararmos de achar que “somos aquilo que pensamos”, pois afinal, quando nascemos já “éramos”, e não sabíamos pensar… o conflito interno acalma. Somente então conseguiremos ouvir o que há além dos pensamentos. Um espaço de silêncio, harmonia e paz inerente a quem você é. Eu sou. Estaremos mais próximos da própria essência: perfeita. Imutável. Eterna. Amorosa. É o longo caminho que me propus a seguir. Às vezes com mais sucesso. Às vezes, com menos. Mas seguindo. Sempre… O que importa o que os outros vão achar? O que importa em qual estágio da jornada estou? O que importa o que penso de mim mesmo?

Metas forçadas já são derrotas

dificuldades

 

Ontem, entre um pedaço e outro de pizza com meu amigo Fernando Tassinari, falávamos sobre caminhos de vida, vícios, nossas mulheres, papai e mamãe, neuras e nosso papel de homem nisso tudo. Papo bem Diamante Bruto, o projeto de encontros do masculino que estamos retomando.

Relembramos que a última vez que nos encontramos, há 5 meses atrás, eu estava iniciando um período de abstinência alcoólica, meta que se mostra amigável comigo até hoje. Zero álcool. Abstinência que já havia realizado por dez anos, antes do meu casamento anterior degringolar e eu entrar na cachaçada de novo.

Durante muitos anos trabalhando com o desenvolvimento pessoal e terapia, e aplicando todos os conceitos aprendidos em mim mesmo, tenho a certeza de que, quando algo planejado acontece na nossa vida, é fruto de um amadurecimento da consciência, idas e vindas, pressão e relaxamento, até que vemos o fruto do planejamento concretizado.

As metas, não importa se seja parar de beber, emagrecer, montar uma empresa, criar uma carreira, estabelecer uma família ou levar adiante um projeto, são como seres vivos que necessitam do tempo adequado para serem gestados, nascerem e crescerem. Como dizemos na constelação familiar sistêmica, lidamos com forças a favor da vida e também a favor da morte, e o jogo não é vencer as barreiras… mas ficar em paz com as duas forças antagônicas.

Figuradamente, as forças a favor da vida é tudo aquilo que nos leva para frente, nos dá prazer, alegria, desperta a criatividade, traz união… e as forças a favor da morte são aquelas onde sentimos peso, culpa, agressividade, falta de energia, medo, tensão, ansiedade, cria separação… Em geral, quando estamos a favor da vida, estamos a favor do fluxo maior, conectados com o que há de mais puro e verdadeiro em nossa ancestralidade e em nós mesmos… E quando estamos buscando a morte, estamos conectados com o peso, os traumas, as perdas, as dores da nossa ancestralidade – começando pelas dores dos nossos pais – e conectados com a parte mais dolorosa de deles e de nós mesmos.

Vou repetir o que falei linhas acima: o jogo não é vencer as barreiras… mas ficar em paz com as forças da vida e da morte. Aquilo que nos favorece o caminho e também o que nos dificulta. Na prática, ter vontades, projetos, metas… sim! Porque quem não sabe o que quer, é simplesmente levado pelos impulsos inconscientes, influenciados pelo próprio sistema familiar, e vive, mas não está em posse do seu instrumento que lhe permite se deslocar pela vida: a mente. Mas saber o que quer, planejar e executar não é o desafio maior. A grande questão é aprender a lidar com os sentimentos que surgem quando vemos dificuldades em prosseguir nas nossas metas. Geralmente, ou lutamos desesperados contra aquilo que nos confronta, ou desistimos. Mas a sabedoria maior diz: fique amigo da energia que lhe atrapalha. Aquilo que lhe impede. Veja o que ela tem a lhe dizer. Converse com ela.

Também trabalho com muitos profissionais autônomos e pequenos empreendedores, e vejo a falta de percepção em relação a isso. Lutam contra e perdem. E daí partem para fazer um novo projeto, e novamente, quando não aprendem a lidar com a energia que os confronta… caem outra e outra vez.

Num sentido mais profundo, nós não viemos neste planeta para construir coisas. Sejam famílias, empresas, negócios, planos… Acredito firmemente que nós viemos neste planeta aprender a lidar amorosamente conosco e com o próximo. Amar ao próximo como a si mesmo, dizia o mestre. E a vida dá oportunidades a cada instante para que olhemos amorosamente para nós… principalmente nas situações em que ouvimos um não! Um não do pai, da mãe, do marido ou esposa, do chefe, do governo, da justiça, do mercado, dos clientes, do dinheiro, do corpo, da mente… Quando deparamos com a nossa incapacidade, podemos perceber os sentimentos difíceis que chegam até nós… a sensação de injustiça, de raiva, de tristeza, de abandono, rejeição, culpa, desvalidação…

Olhando pacientemente para esses incômodos, começaremos a ver o que nos separa da nossa realização. Quantos sentimentos pesados (advindos de emaranhamentos sistêmicos, traumas do passado, seus e da família) estão impedindo o próprio avanço. Uma outra forma de ver é: quanta dor impede você de estar em paz consigo, com os outros e com o seu próprio caminho.

Ficar em paz com estes obstáculos permite que você prossiga com o peito aberto, pescoço ereto e confiante. Tenho tido a experiência real de ver caminhos se abrirem quase que miraculosamente na minha frente, enquanto estou desvendando os mistérios destes mesmos obstáculos que surgem à minha frente. Claro: continuo com metas, desejos, planos… mas procuro não leva-los tão a sério. A riqueza de aprender a desvendar os segredos dos obstáculos e a pacificação dos meus sentimentos internos é tão gratificante, que passa a ser divertida a caminhada. Chamar a energia da tolerância, da espera e da observação pacífica é fundamental neste estágio. Porque o “homem fazedor”, que a tudo quer resolver, irá detonar com a possibilidade de aprendizados. Fica então a dica: deixe de forçar suas metas. Aprenda a estabelecer contato com as dores que surgem enquanto você caminha. Faça isso na prática. Depois me diga os resultados…

Crianças carentes no mundo dos negócios

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Muitas vezes, partimos pelo mundo dos negócios ou do trabalho autônomo como crianças carentes. Nosso “eu pequeno e ferido” fica apegado ao reconhecimento, à necessidade de valorização, de ser aprovado, seja pelos nossos clientes, nossos funcionários, companheiros de trabalho, parceiros, mas como a parte que está comandando nossos atos é uma criança carente, mais cedo ou mais tarde iremos nos defrontar com a carência, a falta de reconhecimento e valorização. Esta é a lei psíquica que diz: atraímos aquilo que vibramos.

Solução? Olhar para a criança carente dentro de si. Esta criança está tentando provar algo aos pais ou àqueles que a criaram. Em geral não se sentiram reconhecidas, validadas, valorizadas… passaram por traumas profundos ou pequenos traumas diários, que resulta no mesmo: um ser assustado, revoltado, medroso, confrontador, que tudo faz para provar para “alguém” que vale a pena, que é um ser que merece respeito…

Mas este “alguém” é um fantasma. Que habita o inconsciente há décadas. Nunca seremos validados por “eles”. Essa história já passou faz tempo!

Se você é uma pessoa que percebe repetir fracassos nos seus projetos, pergunte-se: qual é a verdadeira motivação que me move? A quem estou querendo provar o meu valor? Qual é a dor da minha criança que não soube integrar? O que não aceito na minha história passada?

Conheço isso. Perdi tudo o que tinha. Movido por uma revolta infantil, num corpo de adulto. E tive que olhar seriamente para o meu psicológico. Reconhecer que fui eu o responsável pelas consequências dos meus atos. Uma criança revoltada e carente, querendo empreender. E tudo bem. Porque aprendi através das birras, das negações, da preguiça, da falta de foco, do uso indevido do dinheiro. Graças a isso, comecei a crescer… olhar para o passado e ver que meus pais deram verdadeiramente o que era importante para mim. E que eu teria que curar minhas próprias dores, mas com um olhar de respeito e reverência em relação a eles. E que precisava andar pelas minhas próprias pernas. Deixar meus pais e seguir meu próprio caminho. Como adulto… E fazer do meu sucesso, o sucesso deles… afinal, o que os pais mais desejam, no íntimo, é ver os filhos se darem bem na vida. Não é isso?

 

Portas abertas para o sucesso

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Eu lhe reservei uma vida de sucesso. Mas sucesso, na minha língua, tem outro significado, diferente daquele que você aprendeu a cultivar. Sucesso, para mim, é amar. Amar a si, do jeito como você é. Amar a criança que um dia você foi, e talvez tenha sido abandonada. E amar o adulto, com tanta experiência e vivências, que você se tornou. Amar sua família e todas as histórias vividas por ela. Amar o sol, a lua, as estrelas, a floresta, o mar… que abençoa você a cada instante e lhe preenche de energia vital, tão fundamental para sua existência. E desta forma, amar o próximo, como a ti mesmo. Nesse grande baile celeste, muitos aprenderão a amá-lo também. Porque você respira amor, dá amor, e recebe amor. Essa é a suprema prosperidade, reservada a todos os filhos que amam o Pai. Pois amam a si.

As portas estão abertas. O que há por detrás do portal? Você nunca saberá, se não atravessá-lo. Dê um passo. E prepare-se. Ainda algumas partes do “antigo eu”, preso à necessidade de reconhecimento e segurança, irão se desprender de ti. Não se preocupe. Irá doer um pouco, mas passará rapidamente. O mais pesado já foi. A vida se encarregou de arrancar de você. Deixe que os mortos cuidem dos mortos. Vamos. Você chegou. Dê um passo… Agora é a hora da criança renascer… para brilhar…