Aceitando a ajuda da parceira

aceitandoparceira

– mesa para dois
– temos aquela do canto, disse-me a garçonete uruguaia em bom espanguês.

Fomos até a mesinha no canto, e nos deparamos com a sugestiva plaquinha: mesa romântica!
Somos um casal romântico. Eu e Luciana. Entre conversas aleatórios e planos sobre nosso futuro, nós dois nos deparamos com um assunto que nos mobilizou. Não conseguimos sair do lugar. Nem eu. Nem ela. E mais uma vez nos vimos falando de ajudar-nos um ao outro para que ambos saiam desta situação.
Me peguei pensando rapidamente: quando estamos no jogo do romantismo, um seduzindo o outro, nos colocamos a disposição de auxiliar. Uma hora um ajuda. Outra hora o outro ajuda. É um jogo, para mostrarmos que somos confiáveis.
Depois que moramos juntos, casamos, usamos o banheiro de porta aberta, não há mais a necessidade de seduzir.
E é uma possibilidade existir uma retração. No fundo, eu não confio totalmente na outra. Tenho um orgulho enorme, e acho que o que sei é o suficiente. Não me entrego a ajuda do outro. Tenho desconfiança em relação à mulher.
Como posso confiar na mulher, se a figura feminina me massacrou? – esta é a imagem antiga que ficou registrada na minha psique.
Mas o universo é sábio. Coloca-nos em situação onde nossa fragilidade e incapacidade fica evidente. Ainda mais para alguém que te conhece sentado no trono de portas abertas!

Estou sendo convidado a sair do jogo do romantismo. E ingressar no mundo adulto. Aceitando verdadeiramente ser parceiro. Uma mulher pode muito bem me ajudar. Eu não sou esta “coisa” toda. E ela não é “mais uma mulher que quer me dominar”. Ser frágil, é também fortaleza, creio. Estou sendo convidado a reconhecer a força e poder que vem do feminino, ao meu lado. Para poder também compartilhar a força do masculino, que vibra em mim. Juntos, vamos longe! Sozinhos, não existe parceria. Para que, então, casar?

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