Eu mereço a prosperidade?

Resolvi fazer planos para o incrementar meu trabalho, melhorar minha imagem profissional, estar mais visível! Parece que o momento foi adequado, pois paralelamente ao meu movimento, o gerente do banco fez uma oferta para subir o nível da minha conta corrente… Até o meu programa de milhagem subiu a categoria… E então me pego percebendo que parte de mim não sustenta a prosperidade… Quando o gerente do banco me ofereceu um seguro de carro, despistei… Como eu, numa agência sofisticada, poderia dizer que meu carro é um Clio 1.0 2008? A vergonha atacou e a sensação de menos valia prevaleceu… o pobre menino que tinha vergonha de não poder ter o tênis, as roupas, as viagens, as casas dos colegas mais abonados da escola, resolveu dar os ares da graça. Certa vez me disseram: você é simplório… E entendi que não era um elogio. Não tenho problemas em andar em transporte público. E também em dirigir carros possantes… Porém… me sentir merecedor, próspero… é outra história. Costumo dizer nos grupos que conduzo, que a mudança dos padrões são lentas, e precisamos ser amorosos em relação ao nosso próprio estágio. É sabido que a maioria das pessoas que ganha um bom dinheiro na loteria, perde quase tudo poucos anos depois. Pelos olhos da constelação familiar, entendo que nós honramos as histórias do passado. E se estou (e como estou!) vinculado ao drama da pobreza do meu passado familiar (embora eu não tenha sido extremamente pobre, diga-se de passagem), sinto-me até um traidor quando percebo o dinheiro e os benefícios fluindo na minha vida. É preciso despedir-se deste “eu sofredor” que insiste em boicotar os ganhos. Esta despedida necessita de amor e paciência… Pois caso não seja assim, quando ganhamos um pouquinho a mais, entramos num deslumbramento em relação às posses, tão doentio e doloroso como o estado de pobreza – de bolso e emocional. São extremos da mesma doença, originada numa fidelidade ao passado familiar. E este deslumbramento, mais cedo ou mais tarde, nos conduz à derrocada. A prosperidade é um estado natural do ser humano. Quando nascemos, possuímos tudo o que necessitamos: o corpo da mamãe para nos aquecer, proteger e acalmar, o leite materno para nos alimentar… nada mais é necessário… Este talvez é o símbolo maior da prosperidade: o filho satisfeito, em confiança e segurança nos braços da mãe. Mas conforme crescemos, vamos sendo paulatinamente afastados desta confiança. Nossas necessidades começam a não serem supridas, até pela própria experiência do crescimento: precisamos aprender a nos virar. Deixamos que o medo invada nossa estabilidade. Desconfiamos da nossa capacidade de prover o sustento, a segurança e o conforto. Passamos a olhar o mundo e as pessoas como hostis, e fazemos de tudo para garantir o mínimo. Nos prendemos às pessoas e trabalhos muitas vezes guiados pela necessidade de suprir nossos medos e carências. Ao invés de vivermos na certeza da abundância, passamos a buscar desesperadamente a sobrevivência. Estou numa fase da minha vida onde procuro não perseguir respostas fáceis às perguntas difíceis: estou pronto para a prosperidade? Não sei… Percebo que a cada degrau que subo, é necessário uma nova adaptação. Novas nuances de vida surgem. Quando estive no menos 1.000, tinha um tipo de experiência. Depois, no zero, outra. Consegui alcançar um nível 100 positivo… mais desafios. Entendi que prosperidade não tem a ver com o que se tem na carteira, mas a forma que lidamos com o “ter e o não ter”, o “confiar e o não confiar”, o “se doar e o se fechar”… Nesta grande brincadeira divina que é o viver, parece que as metas são só oásis no deserto: podemos e devemos aproveitar cada conquista, cada degrau que subimos… mas logo mais a jornada se reinicia, e estar na jornada é a parte mais instigante deste mistério que é o viver. Viver e aprender a viver com os sentimentos que a fartura e a escassez provocam – por mais doloroso ou excitante que seja – é instigante, e este é o único exercício capaz de transformar o espírito doentio focado na pobreza em confiança na prosperidade e provisão infinita. Quando estivermos próximos a encerrar nossa jornada, a pergunta “o quanto conquistei?” terá muito menos sentido que a pergunta “o quanto confiei?”. Talvez seja esta a melhor medida da nossa conexão com a prosperidade abundante do universo. E como não sabemos quando se encerrará a jornada, acho que é bom nos apressarmos em olhar para este aspecto… vai saber o dia de amanhã…

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