O futuro é agora

vida

 

Às vezes passo tempo demais procurando encontrar algo que me faça sentido, e não vejo que o sentido está passando exatamente neste momento, debaixo do meu nariz. Acho que os projetos me trarão realização futura e deixo a mente entorpecida por planos e devaneios, longe da presença e do centramento.
Não há como eu ser feliz e realizado fugindo e combatendo aquilo que é e está presente, aqui e agora.

O corpo ideal é o meu corpo, aqui e agora. Com o seu peso, seus contornos, suas dores e prazeres.
A melhor companhia? Aquela que está comigo, aqui e agora. Ahhh… estou só? Melhor ainda! Pelo menos estou com quem mais entende de eu mesmo!
O saldo bancário perfeito é o meu saldo bancário que aparece na telinha do smartphone. Com tantos zeros a mais ou a menos, é a parte que me cabe deste fluxo infinito de prosperidade, que goste eu ou não, tem me abastecido desde que nasci, a cada dia provendo o pão que me alimenta, os panos que me vestem, o teto que me abriga.
O trabalho ideal? É aquele que faço hoje. Aprendido através da laboriosa dedicação do universo, diariamente acordando cedo para despertar meus talentos e colocar-me a serviço, preparando-me como mãe zelosa prepara o filho para o primeiro dia de escola.
O maior conhecimento é aquele que já sei. Tanto pelos incontáveis estudos, mas principalmente adquiridos pelo simples fato de viver, e estar no lugar certo e na hora certa, presenciando tantas experiências, tanta dor e tantas alegrias que me preencheram de sentido e sabedoria.

Se posso pedir algo a Deus, peço que Ele auxilie-me a abrir os olhos para ver a Vida. Os ouvidos para escutar a Vida. O nariz para aspirar a Vida. Boca para provar a Vida. O coração para sentir a Vida. E desperte minha compaixão e tolerância, para que eu acolha o que vejo, ouço, cheiro, saboreio, sinto… e simplesmente descarto… porque julgo inválido, ruim, inadequado de ser vivido.

A vida é essa. Com suas cores, sabores, sons, aromas… bons e maus, belos ou feios, nada há além disso. Como é rico dançar com a vida, curtindo cada segundo, assombrando-se com o que ela oferece de maravilhoso e aterrador! Que minha doce e curiosa criança reaprenda a se espantar com a vida, como ela é… e ensine o meu velho angustiado a relaxar, descansar, parar de queimar o cérebro com tantas memórias e projeções, tudo matéria morta, que me tira da doce experiência de viver.

Alex Possato

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