Sabemos nos despedir?

sabemos nos despedir

 

Esta semana vivi a finalização de mais um grupo de constelação, desta vez em Brasília. Recebi inúmeros feedbacks maravilhosos, e vejo com alegria que muita gente já dá seus passos iniciais no trabalho com esta terapia tão profunda e transformadora. Além disso, tive a grata possibilidade de passar meu aniversário junto a pessoas queridas e também minha esposa, que fez questão de viajar para estar comigo… é tão bom este carinho, né?

Diante de tanta alegria e emoções, lanço uma pergunta: sabemos nos despedir? Porque a despedida é uma parte fundamental para que partamos livres para novas fases. Uma das coisas que a constelação familiar deixa muito claro é que as “mortes” – que também podemos encarar como “separações” –  não vistas ou não aceitas no sistema familiar permanecem “pesando” sobre os descendentes, tirando a energia vital, levando-os à atração de doenças, crises financeiras, problemas nas relações, conflitos diversos, que nos impedem de vivermos a vida com leveza, alegria, vibração, criatividade, paz.

Quantas vezes deixamos alguém querido, e não damos conta da separação? Ou às vezes, deixamos alguém que já não é mais tão querido, e carregamos a mágoa silenciosa dentro de nós por décadas? Às vezes, vivenciamos uma situação familiar difícil, e até desejamos que fulano morra, desapareça… e não é que o fulano morre!!! E carregamos a culpa por termos desejado esta partida… Em outras ocasiões, por não sabermos nos despedir de lugares, trabalhos ou pessoas, simplesmente viramos as costas. Como se nada tivesse ocorrido… embora no íntimo, sabemos que tem algo no passado mal resolvido…

Vivenciar totalmente os sentimentos

Poucas pessoas percebem que o que nos prende a algo do passado é a nossa dificuldade em vivenciar totalmente os sentimentos que a despedida provoca. Por exemplo, eu tive uma casa que eu gostava muito. Foi a primeira casa que pude comprar, junto com a companheira da época, e lá meus filhos cresceram. A paisagem era linda, e apesar de viver uma vida financeiramente difícil, tive experiências maravilhosas neste lugar. E um dia, resolvemos sair, para facilitar o trabalho e também para viver num lugar maior – estava subindo de padrão, tanto de conforto, como de conveniência! Porém, não saí tão feliz. É como algo em mim se recusasse a deixar tudo o que foi vivido naquele lugar.

Anos depois, quando já não havia mais a segunda casa, nem o casamento, e muita coisa havia mudado, investiguei profundamente este sentimento: o que me prendeu àquela casa? Bem… por exemplo: o formato arquitetônico dela era muito parecido com a casa onde vivi quando criança: eu, meu irmão e meus avós. Era uma vida muito centrada em volta daquela casa: meus pais estavam separados, viviam outras vidas, mas neste lar, eu brincava, tinha meu cachorro, estudava, lia muito, andava com meu avô, enfim, era feliz. Por alguns anos.

Após eu sair da casa dos meus avós, no meio da minha adolescência, brigado com a rigidez deles e a maluquice do meu irmão, tive um período longo de turbulência na minha vida. Comecei a beber, fumar, trabalhar, bagunçar… convivi com muitos conflitos em relação à minha mãe, depois novamente com meu irmão, e em seguida, com meu pai. Talvez simbolicamente, aquela casa antiga dos meus avós significava meu porto seguro, e sair dela, era algo como ir para o inferno! O curioso foi que meus avós também venderam aquela casa, sob o pretexto de não haver conflitos na divisão dos bens… Realmente, não havia mais o porto seguro!

Sem saber, eu reconstruí este cenário, quando casei. Coincidentemente, após sair daquela casa, muitas dificuldades começaram a surgir.

Como é louco a repetição de padrões, não é mesmo?

O grande aprendizado nas separações é saber dar conta tanto dos sentimentos bons, quanto dos ruins. E se despedir deles. Quando negamos algo, este algo persiste. Por isso, sempre oriento alunos ou pessoas que buscam meu trabalho terapêutico a observar os sentimentos. Pode até parecer piada, muitos riem quando eu falo, porque falo isso o tempo todo: olhe para os sentimentos. Abra-se a eles. Deixe de querer resolver, remediar ou anestesiar: fique consciente das suas emoções. Este é o segredo da libertação para uma nova fase!

Os padrões se repetem

Enquanto não sabemos dar conta dos sentimentos internos, acabamos atraindo padrões semelhantes na nossa vida. Trocamos de casa, de namorado, de emprego, de religião… mas acabamos sempre batendo de frente com problemas parecidos. Já ao contrário, quando lidamos com sabedoria com nossas dores, nossas mágoas, nossas raivas, nossa inveja, ciúme e outras sensações desagradáveis internas, ganhamos consciência. Maturidade. Temos liberdade de agir ou não agir diante das relações. A culpa ou medo perdem importância e tomamos posse de uma suave, mas constante, força para a vida!

Fato é que as pessoas pouco se dão conta: são nossas sombras internas escondidas (e que fazemos questão de não revelá-las!) que nos mantém presos aos padrões de sofrimento, que invariavelmente acabam atraindo situações onde novamente seremos desafiados.

Nos perguntamos: quando teremos uma relação afetiva feliz? Quando me sentirei bem com o que faço? Quando estarei em paz comigo mesmo? Quando aceitarei os outros como são? Quando atrairei prosperidade?

A resposta é simples, embora exigente: quando finalmente nos despedirmos dos sentimentos mais difíceis que residem na nossa psique.

Aí, todas as despedidas de lugares, pessoas e situações poderão ser vividas plenamente. E todos os recomeços serão extremamente auspiciosos. Olharemos a vida como uma sequência infinita de encontros e despedidas, nascimentos e mortes, inícios e términos… Deixaremos de tentar aprisionar as coisas que estão indo bem (embora possamos curtir plenamente este lado bom da vida!) e também deixaremos de tentar fugir ou afastar as coisas que nos perturbam com violência e sentimento de exclusão.

Como disse o escritor alemão Hermann Hesse, “A cada chamado da vida, o coração deve estar pronto para a despedida e para novo começo, com ânimo e sem lamúrias. Aberto sempre para novos compromissos. Dentro de cada começar mora um encanto que nos dá forças e nos ajuda a viver.”

 

Que saibamos vivenciar este fluxo!

Alex Possato

A Arte da Solução

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Muita gente me procura querendo soluções. E então pergunto: você deseja a solução, ou só quer eliminar o problema? Porque olhando sistemicamente, por detrás da manifestação de um problema, existe um mecanismo maior, onde fatos, situações, padrões, pessoas e sentimentos estão excluídos, pedindo para serem vistos. Gosto de ver problemas recorrentes, aqueles que persistem em nossas vidas ou voltam com roupagens novas, como portais para abrirmos nossa percepção. Descobrirmos partes de nós mesmos extremamente importantes, que necessitam serem olhadas com carinho.
A solução vai muito além de forçar estratégias para que nossas vontades imediatas prevaleçam. Ao nos entregarmos para o processo da solução plena, descobriremos a riqueza e até beleza que os desafios nos apresentam. Andamos com mais paciência, resiliência, assertividade e compaixão. Os problemas se resolvem, sim. Mas de outra forma. E passamos a olhá-los com gratidão verdadeira. Esta é a proposta deste Workshop… Trabalharemos os problemas que você trouxer, de forma prática, paciente e sistêmica! Além de você entrar em contato e poder aprender um método diferente, experiencial, e efetivo! Bem-vindo!

Alex Possato

A Arte da Solução – conflitos e problemas sob o olhar sistêmico
Facilitador:Alex Possato
Data: 30 de junho de 2018 (sábado)
Horário: das 09h00 às 18h00
Local: CORPO DE LUZ – CAMPINAS/SP
Rua Francisco Otaviano, 921 Jardim Chapadão
Valor sugerido: R$ 260,00
Informações e inscrição: Edmilson Quesada (19) 9189-6166 ou cursos@alexpossato.com

Ordens para si mesmo

Ordens para si mesmo

Quando negamos a autoridade dos pais ou daqueles que nos cuidaram, ficamos presos a uma energia infantil, com dificuldade para dar e aceitar ordens. Principalmente as ordens que damos para nós mesmos. Conforme ficou registrado na psique a forma como foram transmitidas as ordens na infância (violência, descaso, coação, chantagem, vitimismo, suborno, ausência), agimos da mesma forma conosco. Nos torturamos, fingimos, enganamos, ameaçamos, fugimos… Assim, boicotamos o regime, a prosperidade, a saúde, o estudo, os bons relacionamentos, a espiritualidade, o crescimento profissional… Simplesmente não seguindo as ordens que sabemos fundamentais para nós mesmos.
Se faz necessário entrar num acordo com este passado. Fazer as pazes com os nossos cuidadores. Pegar a criança ferida e curá-la. E também estabelecer limites para este rebelde interior. Se você quer ser feliz, em algum momento terá que agir com autoridade. Que venha com amorosidade, esta autoridade. Amorosidade que você gostaria de ter recebido, quando pequeno. Mas não se esqueça: também a firmeza se faz necessária. A firmeza também é uma forma de demonstrar amor.

Alex Possato

 

Admita suas fraquezas

admita suas fraquezas

Neste último final de semana facilitei um trabalho sobre comunicação no relacionamento afetivo, junto com minha companheira, Luciana. O trabalho foi sensacional, muito melhor do que eu esperava. Até porque, antes dele acontecer, eu estava em sérias dúvidas se haveria a vivência. Muitas coisas estavam ocorrendo, que davam indícios de problemas. Poucas inscrições. Dificuldade na organização e divulgação. Desistência de algumas pessoas.

Mas o mais importante, eram as minhas conhecidas neuroses internas: minha sensação de que alguma coisa não estava correta, e que por isso não daria certo, e blá-blá-blá. Pensei até em desistir, mas percebi que não teria sentido, afinal, tínhamos um número mínimo de participantes, que acabou até aumentando, pois entraram mais pessoas em cima da hora. Tudo ocorreu muito bem, e minhas previsões mais sombrias não se concretizaram. Mais uma vez…

Ao final do trabalho, como geralmente fazemos, tiramos uma carta de tarô, com uma mensagem. E a minha foi bem clara: “admita suas fraquezas”. E na explicação, dizia para que eu parasse de tentar controlar as necessidades emocionais, físicas ou intelectuais, onde atua o “medo de não conseguir” e que me entregasse à condução de Algo Maior. “O propósito da Alma é acolher a sua vulnerabilidade e calmamente aceitar a realidade de que tudo na vida é Absolutamente dependente do Espírito Amoroso do Universo”.

Recado mais claro e explícito não seria possível.

Ser frágil

Vivo um momento de reconhecimento de minha fragilidade. O que me incomoda muito. Costumo dizer aos meus alunos e clientes que a vida difícil que tivemos nos ensinou a agir como se tudo dependesse somente de nós. Desde muito pequeno, aprendi a não confiar em ninguém. Ou eu faço, ou eu me ferro. Meu ego foi se cristalizando numa ideia mentirosa de alguém abandonado, que nunca fora ajudado, muito menos validado pelos pais e família.

Passei a desenvolver grandes habilidades para sobreviver e até vencer em alguns aspectos da vida. Mas este tipo de comportamento, além de ser desgastante, está fadado sempre ao fracasso. Simplesmente porque existem pontos na vida que não dependem em absoluto da nossa vontade. O Destino rege sobre nossos atos, e sobre Ele, não temos poder. Por exemplo: encontrar um amor. Restabelecer-se de uma doença. Evitar acidentes. Montar uma vivência de sucesso. Até o simples fato de tornar-se tranquilo e pacífico é algo que não depende especificamente de nós. Podemos e devemos fazer os nossos melhores esforços para ter sucesso na nossa proposta. Mas não está no poder da mente pensante estas realizações.

Sim, entendi…

Subitamente, sou assombrado por esta verdade, que grita na minha cara: você não pode sozinho! Você não consegue sozinho! Você sempre dependeu de alguém!

Uma súbita compreensão me toma: descubro que a dor faz a gente sair pelo mundo sozinho. E a mesma dor fará, um dia, abaixarmos a cabeça. Assim é o caminho. Sinto agora como se o peso da minha dor e arrogância já não fosse mais suportável… Nem mesmo útil, pois para aquilo que devo fazer, é necessário seguir mais leve. Mais confiante, mesmo na incerteza. Alguém está cuidando de mim. O gênio Leonardo da Vinci disse, sabiamente: “Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe.”

Alex Possato

 

Comunicação no casal: como se entender? (vídeo)

 

Desta vez uma entrevista! Alex Possato e Lu Cerqueira, terapeutas e parceiros afetivos, fazem perguntas um para o outro, falando sobre os problemas e soluções da comunicação do casal. Como um homem funciona? O que ele quer? Como a mulher funciona? Quais os segredos do feminino que os homens não veem? Neste papo descontraído, Alex e Lu falarão de assuntos muito importantes: sexo, realização, mente racional x mente emocional, e muitas outras coisas! Acompanhe!

Vivência “O Dito e o Não Dito” – o olhar sistêmico na comunicação do casal – mais informações: https://alexpossato.com/o-dito-e-o-nao-dito/

Conheça o trabalho de Alex Possato acessando:

Instagram: https://www.instagram.com/alexpossatooficial/
Facebook: https://www.facebook.com/alexpossatooficial/

Conheça o trabalho de Lu Cerqueira acessando:
http://www.sagradoventre.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/Sagrado-Ventre-1892103484444769/

Quem ama, escuta

quem ama escuta

Ontem, encontrando minha esposa trabalhando, fui surpreendido por uma situação: ela comentando algo que acontecera na sua relação de trabalho com uma outra pessoa. Algo desagradável, que ela não soube lidar de uma forma muito assertiva. Pelo menos, esta era a minha opinião de homem. Afinal, um homem sempre quer assertividade. Respostas. Esclarecer as coisas. Somos verdadeiros solucionadores. E quando não é possível solucionar algo, ou não sabemos a resposta, viramos as costas, dizendo: esqueça isso!

Você já percebeu este fato? Como o homem, em geral, tem a necessidade de resolver, falar as verdades, finalizar assuntos? Somos focados sempre em direção a um objetivo. Lembro-me que lá nos idos dos anos 90, li um livro que achei fantástico, um best seller chamado Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus. Nesta época, eu vivia uma relação afetiva onde tinha enoooormeeeee dificuldade de me comunicar com a parceira. Me fazer entendido. E lógico, não a entendia também. E este livro esclarecia várias diferenças de comportamento entre homens e mulheres, mostrando claramente: somos quase que radicalmente opostos. Falamos de formas diferentes. Nos comportamos de jeitos diferentes e queremos coisas absolutamente diferentes. Aí, vamos morar sob o mesmo teto, dividimos a mesma cama, a mesma mesa, o mesmo banheiro, e o que acontece? Encrenca!

John Gray, autor deste livro clássico, diz: “Do mesmo modo que um homem se satisfaz solucionando os detalhes intrincados da resolução de um problema, uma mulher se satisfaz conversando sobre os detalhes dos seus problemas”.

Ok, sei de tudo isso desde os anos 90, não é? Mas o cara esperto aqui, que já leu tanto, já se trabalhou tanto e fez tantos cursos, e hoje é um terapeuta experiente, simplesmente entrou no seu “jeito homem de ser” e começou a dizer o que estava certo e errado no problema da esposa. Quais eram os padrões que se mostravam e apontando para o ponto emocional que não estava sendo visto naquela situação. Tinha razão? Quem sabe? Mas esse não é o ponto. Simplesmente eu não ouvi o que ela falara. E neste sentido que me refiro, ouvir quer dizer: criar sintonia com o sentimento do outro. Escutar além do que foi dito.

Escutar é ouvir com o coração

Gente, como é bom amar alguém! E amo minha esposa, sem dúvida! Por isso que tento, insistentemente, tirá-la das situações de sofrimento que percebo, quando me é falado sobre um problema. O cavaleiro prateado, montado em seu cavalo branco corre loucamente em busca de salvar a donzela, ameaçada por temíveis e cruéis monstros. Este é o arquétipo do homem que sempre deseja ajudar uma mulher (lógico, quando a ama!). Porém, este tipo de ajuda, na prática, levará invariavelmente à desvalia do outro e a problemas na relação. Porque a ajuda que a mulher precisa, em geral, é ser ouvida. Acolhida. Amparada. Às vezes, em silêncio.

Ao dizer que sei qual a solução, o que ela deveria fazer e qual foi o erro cometido, estou dizendo silenciosamente: você é burra! Incapaz! Incompetente! É por sua culpa que a situação deu errado! E isso vem de alguém que diz amar a mulher… Pois é, falhei…

“Quando falamos da escuta desinteressada do outro, sentimos que há um outro nível de audição que precisamos de aprender. Não há apenas uma escuta com os ouvidos, mas também um escutar com o coração, que mais não é que uma escuta profunda, onde todos os sentidos nos são úteis”, diz o escritor português José Tolentino Mendonça.

Logo que percebi meu engano, silenciei. Nossa, como é difícil não entrar neste papel de salvador da donzela. Papai da filhinha. Professor do aluno. Meu mestre de constelação familiar, Bert Hellinger, já vai dando porrada: “O apreço implica reconhecer que o outro tem o mesmo valor, embora seja diferente. Esse é o fundamento do apreço. O parceiro é diferente, mas é certo. Toda tentativa de converter o parceiro em algo que ele não é, torna-lo, por assim dizer, mais semelhante a si mesmo, está fadada ao fracasso e destrói o relacionamento”.

Da mesma forma que me comporto diante dos meus clientes de terapia ou meus alunos de constelação, entendo que o silêncio é o primeiro passo para a comunicação empática. Estou buscando aplicar esta técnica nas comunicações além do profissional, e vejo o quanto é efetiva: ouvir, e deixar passar. Não interpretar o que o outro fala e nem julgar. Respirar junto e buscar sentir no corpo o que aquela expressão está provocando. Olhar nos olhos e simplesmente compartilhar.

Foi incrível como, ao fazer isso, meu sentimento em relação ao problema que minha mulher disse mudou. Na verdade, o problema desapareceu. E eu entrei em conexão com ela. Com o sentimento dela, e senti talvez dores não expressas. A mulher é, em si mesma, um caldeirão alquímico de transformação de sentimentos. Passam pela mulher emoções de todos os naipes. Quando uma mulher fala de um problema, ela não está falando apenas de um problema. Ela está falando dela, mas também falando das pessoas envolvidas na situação. Das perdas que este problema pode provocar. Dos sentimentos envolvidos e talvez, negados. “As mulheres sabem coisas sobre as pessoas a seu redor – elas sentem o sofrimento de uma adolescente, os pensamentos do marido acerca de sua carreira, a alegria de um amigo ao atingir uma meta ou a infidelidade de seu parceiro em um nível intuitivo. A intuição não é somente um vago estado emocional, mas o resultado de sensações físicas reais que transportam significado a certas áreas do cérebro”, ensina a neuropsiquiatra Louann Brizendine, no livro Como as Mulheres Pensam.

Ao querer solucionar algo, estou desprezando esta alquimia que está ocorrendo com ela. O que a mulher pede, ao homem, quando conta um problema? Talvez ela diga: venha comigo! Ajude-me a processar em meu ventre estes sentimentos! Fique comigo, enquanto estou gestando esta energia conflituosa, buscando paz em mim e com os outros!

Tão diferentes, tão complementares

Viver bem ao lado da mulher que eu amo é um desafio! Pois, como falei, tenho que refrear meu impulso masculino de ser o solucionador e entrar num lugar de silêncio e escuta empática que são, em si, qualidades receptivas que vêm do feminino. Sair da mente racional e acionar o coração, em busca de uma relação afetiva de crescimento é um caminho que irá provocar as lembranças da relação afetiva que meus pais viveram. E também trará a tona a imagem interna que possuo tanto do meu pai, quanto da minha mãe. Afinal, reproduzimos aquilo que temos dentro de nós. Por isso que, nas minhas relações anteriores, não conseguia entender nem ser entendido. Vim de um lar de homens e mulheres que não se entendiam. Não falavam com clareza. Se reprimiam, se enganavam e se machucavam de várias formas.

Ao mesmo tempo, hoje vejo: que bom que podemos mudar isso! Que bom que podemos nos conhecer, através das nossas relações e conhecimento do passado! Descobrir os padrões de comportamento e padrões emocionais que nos habitam, e modifica-los. Entendendo que estas experiências são infinitas: descobrirmos que funcionamos de forma tão diferente – homem e mulher, e sempre será assim. E mesmo assim, posso confiar nela, e celebrar nossas diferenças, que nos complementam.  Eu atuando como homem. Mas abraçando dons femininos, que possuo. E ela atuando como mulher. Da forma como ela é. Do jeito que é…

Que cesse a necessidade de fazer dela algo que acho que ela deveria ser. Que eu me dedique a ser o melhor que posso, agora… Este é o meu mantra de hoje.

Alex Possato

 

Vivência “O dito e o não dito” – o olhar sistêmico para a comunicação afetiva – com Alex Possato e Lu Cerqueira – clique aqui e saiba mais