Admita suas fraquezas

admita suas fraquezas

Neste último final de semana facilitei um trabalho sobre comunicação no relacionamento afetivo, junto com minha companheira, Luciana. O trabalho foi sensacional, muito melhor do que eu esperava. Até porque, antes dele acontecer, eu estava em sérias dúvidas se haveria a vivência. Muitas coisas estavam ocorrendo, que davam indícios de problemas. Poucas inscrições. Dificuldade na organização e divulgação. Desistência de algumas pessoas.

Mas o mais importante, eram as minhas conhecidas neuroses internas: minha sensação de que alguma coisa não estava correta, e que por isso não daria certo, e blá-blá-blá. Pensei até em desistir, mas percebi que não teria sentido, afinal, tínhamos um número mínimo de participantes, que acabou até aumentando, pois entraram mais pessoas em cima da hora. Tudo ocorreu muito bem, e minhas previsões mais sombrias não se concretizaram. Mais uma vez…

Ao final do trabalho, como geralmente fazemos, tiramos uma carta de tarô, com uma mensagem. E a minha foi bem clara: “admita suas fraquezas”. E na explicação, dizia para que eu parasse de tentar controlar as necessidades emocionais, físicas ou intelectuais, onde atua o “medo de não conseguir” e que me entregasse à condução de Algo Maior. “O propósito da Alma é acolher a sua vulnerabilidade e calmamente aceitar a realidade de que tudo na vida é Absolutamente dependente do Espírito Amoroso do Universo”.

Recado mais claro e explícito não seria possível.

Ser frágil

Vivo um momento de reconhecimento de minha fragilidade. O que me incomoda muito. Costumo dizer aos meus alunos e clientes que a vida difícil que tivemos nos ensinou a agir como se tudo dependesse somente de nós. Desde muito pequeno, aprendi a não confiar em ninguém. Ou eu faço, ou eu me ferro. Meu ego foi se cristalizando numa ideia mentirosa de alguém abandonado, que nunca fora ajudado, muito menos validado pelos pais e família.

Passei a desenvolver grandes habilidades para sobreviver e até vencer em alguns aspectos da vida. Mas este tipo de comportamento, além de ser desgastante, está fadado sempre ao fracasso. Simplesmente porque existem pontos na vida que não dependem em absoluto da nossa vontade. O Destino rege sobre nossos atos, e sobre Ele, não temos poder. Por exemplo: encontrar um amor. Restabelecer-se de uma doença. Evitar acidentes. Montar uma vivência de sucesso. Até o simples fato de tornar-se tranquilo e pacífico é algo que não depende especificamente de nós. Podemos e devemos fazer os nossos melhores esforços para ter sucesso na nossa proposta. Mas não está no poder da mente pensante estas realizações.

Sim, entendi…

Subitamente, sou assombrado por esta verdade, que grita na minha cara: você não pode sozinho! Você não consegue sozinho! Você sempre dependeu de alguém!

Uma súbita compreensão me toma: descubro que a dor faz a gente sair pelo mundo sozinho. E a mesma dor fará, um dia, abaixarmos a cabeça. Assim é o caminho. Sinto agora como se o peso da minha dor e arrogância já não fosse mais suportável… Nem mesmo útil, pois para aquilo que devo fazer, é necessário seguir mais leve. Mais confiante, mesmo na incerteza. Alguém está cuidando de mim. O gênio Leonardo da Vinci disse, sabiamente: “Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe.”

Alex Possato

 

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