Nossos velhos pais

Conforme nossos pais envelhecem, é comum que nos achemos mais capazes que eles. Mais inteligentes. Mais lúcidos. Até pode ser. Porém, comumente se estabelece um jogo emocional que os filhos não se dão conta: a vontade de descontar neles todas as dores antigas de rejeição, tratamento diferenciado entre irmãos, maus tratos, descasos… E sob o pretexto de que estamos fazendo o melhor para eles, passamos a desrespeitar suas opiniões, suas vontades e até suas incoerências, como se tivéssemos o direito de controlá-los. Tornamo-nos pais dos nossos pais, quer dizer, nos colocamos no lugar dos nossos avós.
Sistemicamente, o que ocorrerá? A mesma reação (às vezes inconsciente) que os pais tinham em relação aos avós será despejada contra os filhos. E o pior: os filhos, que gostariam de ver seus esforços valorizados, reconhecidos, sentir-se-ão menosprezados mais uma vez. Como nós estamos fora de lugar, nossos filhos também não nos respeitarão. O jogo do sofrimento se perpetuará, reacendendo mágoas antigas.
Claro que em casos de incapacidade mental, é diferente. Porém, a maioria das vezes observo somente birra e picuinhas desequilibrando a relação entre pais idosos e filhos.
Seria tão mais fácil dizer: sim papai! Sim mamãe! Vocês têm razão! E sorrir, mesmo que às vezes as decisões deles sejam meio incoerentes, até infantilizadas. Tudo bem! Eles têm o direito! Eles são os grandes. Nós, os pequenos.

 

Alex Possato


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