Medo de ser grande (vídeo)

 

Hoje respondo à pergunta do seguidor do nosso Canal (assine o Canal gente!!!), o Filipe, que pediu para que falasse sobre “o medo de ser grande”.

Começo dizendo a respeito da evolução do nosso sistema familiar, desde lá dos primórdios até hoje – e o quanto foi fundamental o foco na sobrevivência, antes de qualquer coisa. Ter sucesso, demonstrar seus talentos ao mundo, etc e tal, são focos praticamente nunca vividos pelos nossos ancestrais. Por isso, trazemos em nosso interior uma programação onde a sobrevivência é o fundamental. Para sair desta repetição de padrão, é necessário honrar tudo o que houve no passado: todas as derrotas e sucessos, pessoas bem sucedidas e mal sucedidas, os que viveram e os que morreram… assim vamos saindo da “carga” que nos leva para baixo e para o fracasso.

Além disso, é necessários olharmos para as nossas sensações de “fracasso” na vida e aprendermos a lidar com ela. Este é o nosso trabalho terapêutico. Saber lidar com nossas emoções, sentimentos e crenças, o que exige tempo e trabalho. Não é fácil, e nem deveria ser. A vida é uma construção, passo a passo, e é isso que falo neste vídeo, que agora compartilho com você!

Distúrbio de fala nas crianças:

Neste final de semana realizamos o módulo Movimento do Espírito, no curso de formação para consteladores, em São Paulo. Um dos temas trabalhados, a partir de uma questão de um dos alunos, foi o distúrbio na fala. Distúrbio, no meu entendimento, não é somente sintomas físicos, mas também a incapacidade de se comunicar, se expressar, colocar a própria opinião. Recebo muitos alunos assim. E ainda mais hoje, com a proliferação da expressão através das mídias sociais, grande parte das pessoas não se sente à vontade para “falar”.

No caso do nosso aluno, havia um segredo de família. Onde foi estabelecido um pacto: ele não falaria para ninguém da família. Mas nem sempre este pacto é tão claro. O pai de uma amiga lutou na guerra, e na volta, se recusava a falar o que havia feito, o que havia vivido, como fora a experiência… Minha avó, embora tivesse enorme dor em relação ao meu bisavô, seu pai, a ponto de tirar o seu sobrenome da própria identidade, ficava sempre irritada quando eu, criança que era, perguntava o que acontecera… Recebo clientes que sabem de casos extraconjugais do pai ou da mãe, às vezes são até convidados para se tornarem cúmplices da história, e não podem nem devem comentar isso para ninguém. Lembro-me de outro caso onde um assassinato foi acobertado, o corpo escondido e todos deveriam guardar eternamente o segredo… Quantas vezes os pais não se amam, continuam casados, todos sabem disso, mas nada é falado? São só exemplos de tantos e tantos segredos que ficam entupindo nossa “garganta”… Atrapalhando a nossa expressão…

Em algum momento, é importante deixarmos de ser cúmplices do pai ou da mãe. Parar de ser “amiguinho” ou confidente deles… Termos clareza dentro de nós: papai tinha uma amante. Mamãe odiava papai. Vovô escondia o dinheiro da vovó. Mamãe flertou com o vizinho. Ter clareza não quer dizer falar as verdades para eles. É falarmos as verdades para nós. E deixarmos os segredos para eles carregarem. Com firmeza, colocar a intenção de não mais carregar as mentiras, os enganos da família. Sair do jogo. E comprometer-se com a verdade.

Alex Possato

Ainda não perdoei o meu pai…

Meu pai era um homem amargurado. Ontem, ao ver o pai de Elton John no filme Rocket Man, lembrei-me um pouco disso. O pai do gênio musical nunca foi ver uma apresentação do filho. E talvez a dor de nunca ser acolhido por este pai serviu de motivação para que o artista se mostrasse ao mundo. A dor é um grande propulsor. Mas é também um veneno perigoso.

Pegando uma carona no drama, reconheço-me diversas vezes tentando provar para o meu pai que eu sou um bom filho e não merecia ter sido abandonado por ele. Assim, realizo coisas, escrevo, trabalho, ensino, vou para o mundo. Lógico que existe verdade naquilo que faço. Sem verdade, um movimento não se sustenta muito tempo. Mas a dor da criança ferida acompanha as ações do adulto inspirado. E esta criança fica sussurrando, o tempo todo: você não foi visto. Ele te deixou! Mostre pra ele que ele foi um idiota. Fracassado! Ferida, a criança não vê prazer nas coisas que conquista. E não raro, começa a boicotar o sucesso.

Este é um processo cíclico. Para quem está no mundo da terapia há muito tempo, sabe que existem períodos de reavaliação. O desenvolvimento pessoal não é linear. São fases, movimentos elípticos que se aproximam dos traumas diversas vezes na vida, mas em geral, de forma cada vez menos impactante.

Não há mal nenhum em perceber que ainda carrego mágoas do papai. Ou dores não resolvidas. É até bem gratificante perceber isso, pois aí posso olhar. Entrar em contato com a dor interna, e deixá-la ir. Ver que ainda o vejo como um fracasso. E ver que parte de mim ainda age querendo confrontá-lo. E de maneira diferente, torno-me um fracasso, como assim é a imagem interna que carrego. “Ok, papai! Estou olhando para você, mais uma vez! E por falar nisso, é bom olhar! Ainda temos ajustes a fazer. Estou tentando crescer! Um dia, espero vê-lo de forma adulta. Mas enquanto isso não ocorre, permita-me bater o pé! Ficar emburrado. Porque nem isso pude fazer, depois que você foi embora.”

Alex Possato

Amor só vive em liberdade

Umas das coisas que mais me incomoda é quando vejo as pessoas manipulando outras. Família usando de mil artifícios para manterem seus membros presos a si. Empreendedores amarrando fornecedores, funcionários, sócios, clientes… Prestadores de serviço que dão um jeito de não deixar o cliente partir. Inúmeras empresas, que hoje está avançando até no mundo da terapia, desenvolvendo o que chamamos de marketing de rede, onde as pessoas são instigadas a trabalhar e atrair outras pessoas para aquele determinado caminho, com táticas sedutoras…
A raiz de tudo isso, ao meu ver, é o medo. Como muitas pessoas têm medo e não confiam no movimento natural do universo, precisam “amarrar” seus clientes, seus membros, as pessoas que compartilham da mesma ideia. E as pessoas “amarradas”, igualmente com medo e carentes, vêem no esquema uma forma de se sentir protegidas.
Talvez tenhamos ouvido a frase: amor só vive em liberdade. É o que creio. O Amor maduro, seja numa relação afetiva, familiar, profissional, espiritual, política, esportiva, etc., é pautado na liberdade de estar, ou não estar. Participar, ou ir embora. Ajudar, enquanto tiver sentido.
Lógico que a liberdade dá medo! É angustiante, às vezes. Mas a liberdade não cria “amarrações”. Não deixa arestas para serem aparadas. Seremos verdadeiramente livres quando cumprimos com todas as obrigações assumidas, os compromissos, e depois, podemos partir. Ou podemos ficar, e criar “novos contratos”, onde as partes estabelecerão novos compromissos, direitos e deveres. Com o máximo de flexibilidade possível.
Estaremos exercitando a sutil arte de ser necessário até um ponto, e depois nos percebermos desnecessários, e assim, podemos seguir. E deixar os outros livres. Quanta confiança em Algo Maior, ou Deus, esse movimento livre e espontâneo despertará em quem participa dele!

Alex Possato

Para que serve um curso de constelação familiar?

 

Bem, a resposta mais óbvia seria: para se tornar um terapeuta de constelação. Porém, eu quero ir além do óbvio. Por quê? Por vários motivos. Primeiro: um terapeuta nasce terapeuta. Mesmo que tenha andado por outros caminhos, como economista, administrador, dona de casa, comerciante, advogado, professor, artista, assistente social, padre, estudante… a vontade de curar deve vir de longe…
É comum que o terapeuta em potencial tenha passado por tantas dores que ele sente a necessidade de se curar, ao mesmo tempo que vê em si a vocação para trabalhar com a cura. E neste sentido, o curso de constelação familiar sistêmica que conduzo é realmente uma jornada em si, no próprio sistema e investigaremos profundamente as ligações das dores com o passado familiar. Aprendi constelação, constelando-me. Mergulhando profundamente. Me virando do avesso. E também reconhecendo tanta coisa boa que herdei dos meus pais e antepassados.
Dito isso, tenho também que dizer que o processo da entrega ao caminho de constelador é algo para toda a vida. Temos muita coisa desalinhada, e conforme vamos andando, vemos novos nuances de situações que julgávamos em paz. Às vezes, um cliente, com sua questão e sua história familiar irá disparar lembranças e processos de cura em nós mesmos, terapeutas. Canso de vivenciar isso: o cliente senta em minha frente, e quando abre a boca, lá está! A minha questão, o meu problema! Sim, acabo me trabalhando através do processo do atendimento. Tenho certeza que muitos outros terapeutas e consteladores passam por isso. Afinal, tudo é sistêmico. A constelação não é só uma técnica utilizada no momento do atendimento individual ou em grupo: passamos a ver o sistema se movendo, as pessoas chegando ou indo, as situações ocorrendo na nossa frente como o desdobramento de uma grande constelação em nossa vida.
Assim, um curso somente não forma um constelador. É a vida que forma. E lógico, o treino. Muito treino. E muito estudo.
Na minha percepção, o curso de constelação abre um caminho de vida. Um portal mágico (não tenho inibição em dizer esta palavra, porque é mágico mesmo – e exigente!) que nos possibilita uma leitura do mundo, da vida, das pessoas e de nós mesmos a partir de um aspecto amplo, que engloba os grandes movimentos, as razões que extrapolam as vontades individuais. Nos quedamos maravilhados diante de uma inteligência maior, que comanda tudo. Tanto os aspectos prazerosos quanto os dolorosos, e aos poucos, compreendemos, no coração: é tudo amor!
Ser terapeuta de constelação sistêmica, portanto, nos provoca a nos tornarmos humildes, flexíveis, humanos ao extremo, conscientes do nosso pequeno papel na vida e da importância de tudo o que veio antes. Consciente também da interdependência de tudo e todos, e por isso, menos ávidos por mudar o mundo, já que passamos a ver a perfeição neste mundo aparentemente imperfeito.
Quando busquei a terapia da constelação como cliente, estava tão amargurado e desconstruído que desejava uma cura profunda. Queria que algo poderoso tirasse o tanto de dores que eu estava vivenciando, há 11 anos atrás. Posso dizer que esta cura veio, mas de uma forma muito diferente daquela que eu imaginava. A constelação me mostrou a crueza da vida. A dificuldade de relacionamento entre os meus pais, que refletiu também na minha dificuldade de relacionamento. Jogou-me na cara que eu estava sendo um pai tão perturbado como a imagem perturbada que eu carregava de papai e mamãe. E o balde de água fria foi ensinar-me a olhar a vida como ela é. E não como eu queria que fosse. Passei por uma intensa reprogramação interna. Na realidade, nada externamente mudou. Mas eu mudei. E por isso, o externo também mudou.
Mergulhar na constelação familiar exige coragem. E se tornar um terapeuta sistêmico mais ainda. Exige postura de guerreiro, força interna, confiança em Algo maior e a propensão para reconhecer nossos pais como os pais adequados para aquilo que viemos exercer no mundo. Não é necessário perfeição, pois isso não existe. Mas a boa vontade para olhar. E querer ver. Em todos os sentidos. Este terapeuta estará assim, através do seu próprio “campo sistêmico”, influenciando na mudança e adaptação de outros “campos”, auxiliando no despertar da força e Amor que se demonstra quando reconhecemos nossas raízes, reverenciamos nossos pais e nossa terra, e olhamos para a vida. A nossa vida.

Curso de Constelação Familiar Sistêmica em Brasília
7a. Turma
Início em 27 e 28 de julho!
Inscrições abertas!

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O que existe por trás do medo da escassez?

Quantas pessoas morreram na miséria, no passado familiar? Quantos se suicidaram, após alguma perda? Outros entraram em vícios, jogos, mulherada… Muita gente pode ter ficado com raiva pelo mau uso do dinheiro. Corruptos, traficantes, falsários, estelionatários ou empreendedores inescrupulosos podem ter sido nossos pais, avós, bisavós… Ou, quem sabe, gente explorada, assassinada, enganada por causa de dinheiro e posses.
As histórias deveriam morrer com o passado. Porém, como não foram bem digeridas pelas gerações anteriores, continuam “pesando” na vida dos descendentes, causando o que chamamos de “emaranhamentos”. Sem saber, inconscientemente, carregamos culpas, medos, pânico, desvios de comportamento e instabilidade emocional que nos leva ao fracasso, ao vitimismo, à dó, ao descontrole…
O grande trabalho de quem se investiga é tomar posse dos inúmeros dons que herdamos, e trazem benefícios ao mundo, e deixar estas identificações com os fracassos, mortes e perdas para o passado.
Mas como se faz isso?
O caminho é olhar para nossa relação com os pais. Se foi através deles que recebemos tudo o que somos nesta vida, será através deles que devolveremos todos os pesos que carregamos também. Falando especificamente de dinheiro, quanto mais em paz estivermos com tudo o que recebemos financeiramente dos pais (mesmo que tenha sido nada!), mais em paz estaremos com o poder da prosperidade que possuímos.
Podemos trabalhar nossa inveja, culpa, medo, raiva, ciúme, sensação de fracasso, dó, ambição, competitividade enlouquecida e muitos outros padrões que aprendemos devido a criação que tivemos, e ao processar tudo isso, deixamos o excesso para eles: papai e mamãe.
O poder de construir uma vida próspera começa em nós. Às vezes não vemos que os nossos pais e antepassados nos legaram também a força para o trabalho, a inteligência para administrar nossa vida e o amor para oferecermos os frutos daquilo que fazemos ao mundo. Quem sabe se pudermos amar também aqueles que venceram no passado – os ricos, poderosos, fortes, investidores, pioneiros, exploradores – consigamos equilibrar a força de realização, dentro de nós?

Alex Possato

Como ter gratidão se estou magoado?

 

É quase diário receber alguém com a história familiar extremamente dolorosa. Olhando em volta, pensando nos meus amigos, parentes, alunos e clientes, posso dizer com certeza de que a maior parte das pessoas tiveram muitas complicações na infância, presenciaram muitos problemas entre os próprios pais e herdaram padrões familiares bem complicados.

Junta-se isso a uma diretriz espiritual que ao meu ver, é muito mal entendida – “amar pai e mãe” e aí vemos as pessoas tentando engolir todas as mágoas e desacertos do passado para dizerem: sim, sou grato à minha família!

Falo sempre a todos: constelação familiar é terapia, e não tratado de moralismo. Terapia lida com sentimentos, padrões de comportamento, falta de energia, descontrole emocional. Como podemos fazer terapia e não olhar para as dores do passado? Impossível, não é? Forçar alguém a acreditar que “temos que ter gratidão”, como vejo e ouço por aí, não resolverá o problema de ninguém.

Como posso ter gratidão, se estou magoado? Se tenho raiva? Se, às vezes, minha dores nem conseguiram ainda sair do porão do inconsciente? Acho que existe um caminho:

1 – olhar para as dores, todas elas. Verificar pacientemente cada mínimo sentimento que a lembrança do passado desperta.

2 – aprender a lidar com elas. Como? Percebendo que tudo isso são memórias passadas. Que as pessoas que achamos que nos feriram, também estavam cegas e feridas pelo passado delas. Que por acaso, é o mesmo que o nosso.

3 – arcando com toda esta bagagem, e reconhecendo o aprendizado que tivemos, através da dor, da exclusão, das separações.

4 – assim, crescemos. Nos tornamos adultos, e podemos ir para a vida.

5 – indo para a vida, sentiremos gratidão por tantas pedras que ultrapassamos, pois somente aí, entenderemos na prática o sentido maior de toda a nossa infância, de todo o passado familiar, e a função dos nossos pais.

6 – dar o tempo necessário para que o processo ocorra naturalmente.

Alex Possato