Amar exige ir além das crenças

Muitas vezes, pensamos no amor como uma criança, que ama somente aquilo que lhe faz bem. E como criança, está tudo certo, porque a criança precisa da segurança para crescer com saúde e sanidade. Assim, ela vai crescendo. Aos poucos, vão sendo colocadas as ideias dos certos e errados. Certos e errados nas posturas, nas atitudes, no jeito de falar, na forma de pensar religião, no direcionamento político, na ética e moral, no trato com a família… por aí vai. Conforme estas crenças vão ficando enraizadas, a criança aprende que não pode nem deve amar aqueles que pensam e agem de forma contrária àquela que lhe foi passada.
Se ela, como criança, não obedecesse, seria punida. Deixada de lado. E esse é o maior terror que alguém pode sentir: a exclusão! Por isso, após adulta, ela olha para as pessoas com jeitos contrários e vê o “diabo encarnado”. O pior símbolo que pode existir na face da Terra: a exclusão que ela – a criança adulta – acha que poderá passar se se tornar cúmplice destas ideias.
Estas pessoas, em geral, não nos fazem mal pessoalmente. Elas só representam o mal. Aquela pessoa de partido diferente. De religião diferente. De práticas sexuais diferentes. De atitudes morais e éticas diferentes. De classe social diferente. Ou, simplesmente, a pessoa diferente.
Sem perceber, justificamos o nosso asco com argumentos lógicos. Lógico, para nossa forma de pensar, não para a forma do outro pensar. Com medo da exclusão, excluímos.
Imagine que, só de brincadeira, pudéssemos deixar de defender nossos pontos de vista? Não é tão difícil, desde que entendamos que, primeiro, não são nossos pontos de vista, mas foram ensinados, e segundo: o que nos mantém presos às nossas ideias é o medo da exclusão.
Amar exige ir além das crenças, e da necessidade de pertencer. Amar o diferente e o contraditório. Temos muitas negações. Minha proposta é que olhemos um pouco para aquilo que excluímos. E que, em outras palavras, impede que o amor flua…

Alex Possato

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