Os “nãos” necessários

Hoje em dia não falo mais “estou em processo”. Porque eu, que me considero um buscador que se “terapia” muito, estava entrando em processos constantes e intermináveis, a ponto de impedir olhar para as coisas boas do aqui e agora. Assim, entendi que não precisava procurar compulsivamente me entender, investigar pai e mãe, olhar para a criança ferida, escarafunchar a sombra, pintar a árvore genealógica e ficar tentando encontrar excluídos, tragédias e traumas passados na ancestralidade… 

E realmente, ao meu ver, foi um passo bem importante, porque me aproximou da agradável experiência de viver curtindo o presente, da forma como ele se apresenta. Descobri que não é necessário ficar atiçando “os processos”, pois eles se apresentam no momento propício. Vou dar um exemplo.

Um destes episódios ocorreu recentemente, através dos movimentos que estavam ocorrendo na minha família, de uma forma um tanto quanto conturbada. Tentei auxiliar no que foi possível, mas aos poucos, vi emergir uma raiva muito grande. Algo estava me incomodando, e eu não conseguia saber o que fazer. Deixei a raiva ficar em mim. Como gosto de dizer aos alunos e clientes: fica com isso! Eu fiquei. Me vi buscando isolamento. Não queria falar com ninguém. Fiquei perturbado. E continuei “ficando com isso”. 

Em algum momento, enquanto estava ruminando meu processo, me veio algo: se você está com raiva, é porque está se sentindo invadido. Talvez esteja faltando colocar limites. Talvez você esteja esquecendo das próprias coisas, enquanto a família o exige demais para resolver coisas que nem são suas. Como um grande jogo cósmico, a peça que faltava se encaixou. A raiva imediatamente passou, e se transformou em motivação. Percebi que eu precisava dizer não para uma situação externa. E dizer sim para meus sonhos, que estavam meio esquecidos. Nossa, como foi bom sentir a raiva! Eu te amo, raivinha querida!

Alex Possato

 

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