Ordens para si mesmo

Ordens para si mesmo

Quando negamos a autoridade dos pais ou daqueles que nos cuidaram, ficamos presos a uma energia infantil, com dificuldade para dar e aceitar ordens. Principalmente as ordens que damos para nós mesmos. Conforme ficou registrado na psique a forma como foram transmitidas as ordens na infância (violência, descaso, coação, chantagem, vitimismo, suborno, ausência), agimos da mesma forma conosco. Nos torturamos, fingimos, enganamos, ameaçamos, fugimos… Assim, boicotamos o regime, a prosperidade, a saúde, o estudo, os bons relacionamentos, a espiritualidade, o crescimento profissional… Simplesmente não seguindo as ordens que sabemos fundamentais para nós mesmos.
Se faz necessário entrar num acordo com este passado. Fazer as pazes com os nossos cuidadores. Pegar a criança ferida e curá-la. E também estabelecer limites para este rebelde interior. Se você quer ser feliz, em algum momento terá que agir com autoridade. Que venha com amorosidade, esta autoridade. Amorosidade que você gostaria de ter recebido, quando pequeno. Mas não se esqueça: também a firmeza se faz necessária. A firmeza também é uma forma de demonstrar amor.

Alex Possato

 

Admita suas fraquezas

admita suas fraquezas

Neste último final de semana facilitei um trabalho sobre comunicação no relacionamento afetivo, junto com minha companheira, Luciana. O trabalho foi sensacional, muito melhor do que eu esperava. Até porque, antes dele acontecer, eu estava em sérias dúvidas se haveria a vivência. Muitas coisas estavam ocorrendo, que davam indícios de problemas. Poucas inscrições. Dificuldade na organização e divulgação. Desistência de algumas pessoas.

Mas o mais importante, eram as minhas conhecidas neuroses internas: minha sensação de que alguma coisa não estava correta, e que por isso não daria certo, e blá-blá-blá. Pensei até em desistir, mas percebi que não teria sentido, afinal, tínhamos um número mínimo de participantes, que acabou até aumentando, pois entraram mais pessoas em cima da hora. Tudo ocorreu muito bem, e minhas previsões mais sombrias não se concretizaram. Mais uma vez…

Ao final do trabalho, como geralmente fazemos, tiramos uma carta de tarô, com uma mensagem. E a minha foi bem clara: “admita suas fraquezas”. E na explicação, dizia para que eu parasse de tentar controlar as necessidades emocionais, físicas ou intelectuais, onde atua o “medo de não conseguir” e que me entregasse à condução de Algo Maior. “O propósito da Alma é acolher a sua vulnerabilidade e calmamente aceitar a realidade de que tudo na vida é Absolutamente dependente do Espírito Amoroso do Universo”.

Recado mais claro e explícito não seria possível.

Ser frágil

Vivo um momento de reconhecimento de minha fragilidade. O que me incomoda muito. Costumo dizer aos meus alunos e clientes que a vida difícil que tivemos nos ensinou a agir como se tudo dependesse somente de nós. Desde muito pequeno, aprendi a não confiar em ninguém. Ou eu faço, ou eu me ferro. Meu ego foi se cristalizando numa ideia mentirosa de alguém abandonado, que nunca fora ajudado, muito menos validado pelos pais e família.

Passei a desenvolver grandes habilidades para sobreviver e até vencer em alguns aspectos da vida. Mas este tipo de comportamento, além de ser desgastante, está fadado sempre ao fracasso. Simplesmente porque existem pontos na vida que não dependem em absoluto da nossa vontade. O Destino rege sobre nossos atos, e sobre Ele, não temos poder. Por exemplo: encontrar um amor. Restabelecer-se de uma doença. Evitar acidentes. Montar uma vivência de sucesso. Até o simples fato de tornar-se tranquilo e pacífico é algo que não depende especificamente de nós. Podemos e devemos fazer os nossos melhores esforços para ter sucesso na nossa proposta. Mas não está no poder da mente pensante estas realizações.

Sim, entendi…

Subitamente, sou assombrado por esta verdade, que grita na minha cara: você não pode sozinho! Você não consegue sozinho! Você sempre dependeu de alguém!

Uma súbita compreensão me toma: descubro que a dor faz a gente sair pelo mundo sozinho. E a mesma dor fará, um dia, abaixarmos a cabeça. Assim é o caminho. Sinto agora como se o peso da minha dor e arrogância já não fosse mais suportável… Nem mesmo útil, pois para aquilo que devo fazer, é necessário seguir mais leve. Mais confiante, mesmo na incerteza. Alguém está cuidando de mim. O gênio Leonardo da Vinci disse, sabiamente: “Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe.”

Alex Possato

 

Comunicação no casal: como se entender? (vídeo)

 

Desta vez uma entrevista! Alex Possato e Lu Cerqueira, terapeutas e parceiros afetivos, fazem perguntas um para o outro, falando sobre os problemas e soluções da comunicação do casal. Como um homem funciona? O que ele quer? Como a mulher funciona? Quais os segredos do feminino que os homens não veem? Neste papo descontraído, Alex e Lu falarão de assuntos muito importantes: sexo, realização, mente racional x mente emocional, e muitas outras coisas! Acompanhe!

Vivência “O Dito e o Não Dito” – o olhar sistêmico na comunicação do casal – mais informações: https://alexpossato.com/o-dito-e-o-nao-dito/

Conheça o trabalho de Alex Possato acessando:

Instagram: https://www.instagram.com/alexpossatooficial/
Facebook: https://www.facebook.com/alexpossatooficial/

Conheça o trabalho de Lu Cerqueira acessando:
http://www.sagradoventre.com.br/
Facebook:
https://www.facebook.com/Sagrado-Ventre-1892103484444769/

Quem ama, escuta

quem ama escuta

Ontem, encontrando minha esposa trabalhando, fui surpreendido por uma situação: ela comentando algo que acontecera na sua relação de trabalho com uma outra pessoa. Algo desagradável, que ela não soube lidar de uma forma muito assertiva. Pelo menos, esta era a minha opinião de homem. Afinal, um homem sempre quer assertividade. Respostas. Esclarecer as coisas. Somos verdadeiros solucionadores. E quando não é possível solucionar algo, ou não sabemos a resposta, viramos as costas, dizendo: esqueça isso!

Você já percebeu este fato? Como o homem, em geral, tem a necessidade de resolver, falar as verdades, finalizar assuntos? Somos focados sempre em direção a um objetivo. Lembro-me que lá nos idos dos anos 90, li um livro que achei fantástico, um best seller chamado Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus. Nesta época, eu vivia uma relação afetiva onde tinha enoooormeeeee dificuldade de me comunicar com a parceira. Me fazer entendido. E lógico, não a entendia também. E este livro esclarecia várias diferenças de comportamento entre homens e mulheres, mostrando claramente: somos quase que radicalmente opostos. Falamos de formas diferentes. Nos comportamos de jeitos diferentes e queremos coisas absolutamente diferentes. Aí, vamos morar sob o mesmo teto, dividimos a mesma cama, a mesma mesa, o mesmo banheiro, e o que acontece? Encrenca!

John Gray, autor deste livro clássico, diz: “Do mesmo modo que um homem se satisfaz solucionando os detalhes intrincados da resolução de um problema, uma mulher se satisfaz conversando sobre os detalhes dos seus problemas”.

Ok, sei de tudo isso desde os anos 90, não é? Mas o cara esperto aqui, que já leu tanto, já se trabalhou tanto e fez tantos cursos, e hoje é um terapeuta experiente, simplesmente entrou no seu “jeito homem de ser” e começou a dizer o que estava certo e errado no problema da esposa. Quais eram os padrões que se mostravam e apontando para o ponto emocional que não estava sendo visto naquela situação. Tinha razão? Quem sabe? Mas esse não é o ponto. Simplesmente eu não ouvi o que ela falara. E neste sentido que me refiro, ouvir quer dizer: criar sintonia com o sentimento do outro. Escutar além do que foi dito.

Escutar é ouvir com o coração

Gente, como é bom amar alguém! E amo minha esposa, sem dúvida! Por isso que tento, insistentemente, tirá-la das situações de sofrimento que percebo, quando me é falado sobre um problema. O cavaleiro prateado, montado em seu cavalo branco corre loucamente em busca de salvar a donzela, ameaçada por temíveis e cruéis monstros. Este é o arquétipo do homem que sempre deseja ajudar uma mulher (lógico, quando a ama!). Porém, este tipo de ajuda, na prática, levará invariavelmente à desvalia do outro e a problemas na relação. Porque a ajuda que a mulher precisa, em geral, é ser ouvida. Acolhida. Amparada. Às vezes, em silêncio.

Ao dizer que sei qual a solução, o que ela deveria fazer e qual foi o erro cometido, estou dizendo silenciosamente: você é burra! Incapaz! Incompetente! É por sua culpa que a situação deu errado! E isso vem de alguém que diz amar a mulher… Pois é, falhei…

“Quando falamos da escuta desinteressada do outro, sentimos que há um outro nível de audição que precisamos de aprender. Não há apenas uma escuta com os ouvidos, mas também um escutar com o coração, que mais não é que uma escuta profunda, onde todos os sentidos nos são úteis”, diz o escritor português José Tolentino Mendonça.

Logo que percebi meu engano, silenciei. Nossa, como é difícil não entrar neste papel de salvador da donzela. Papai da filhinha. Professor do aluno. Meu mestre de constelação familiar, Bert Hellinger, já vai dando porrada: “O apreço implica reconhecer que o outro tem o mesmo valor, embora seja diferente. Esse é o fundamento do apreço. O parceiro é diferente, mas é certo. Toda tentativa de converter o parceiro em algo que ele não é, torna-lo, por assim dizer, mais semelhante a si mesmo, está fadada ao fracasso e destrói o relacionamento”.

Da mesma forma que me comporto diante dos meus clientes de terapia ou meus alunos de constelação, entendo que o silêncio é o primeiro passo para a comunicação empática. Estou buscando aplicar esta técnica nas comunicações além do profissional, e vejo o quanto é efetiva: ouvir, e deixar passar. Não interpretar o que o outro fala e nem julgar. Respirar junto e buscar sentir no corpo o que aquela expressão está provocando. Olhar nos olhos e simplesmente compartilhar.

Foi incrível como, ao fazer isso, meu sentimento em relação ao problema que minha mulher disse mudou. Na verdade, o problema desapareceu. E eu entrei em conexão com ela. Com o sentimento dela, e senti talvez dores não expressas. A mulher é, em si mesma, um caldeirão alquímico de transformação de sentimentos. Passam pela mulher emoções de todos os naipes. Quando uma mulher fala de um problema, ela não está falando apenas de um problema. Ela está falando dela, mas também falando das pessoas envolvidas na situação. Das perdas que este problema pode provocar. Dos sentimentos envolvidos e talvez, negados. “As mulheres sabem coisas sobre as pessoas a seu redor – elas sentem o sofrimento de uma adolescente, os pensamentos do marido acerca de sua carreira, a alegria de um amigo ao atingir uma meta ou a infidelidade de seu parceiro em um nível intuitivo. A intuição não é somente um vago estado emocional, mas o resultado de sensações físicas reais que transportam significado a certas áreas do cérebro”, ensina a neuropsiquiatra Louann Brizendine, no livro Como as Mulheres Pensam.

Ao querer solucionar algo, estou desprezando esta alquimia que está ocorrendo com ela. O que a mulher pede, ao homem, quando conta um problema? Talvez ela diga: venha comigo! Ajude-me a processar em meu ventre estes sentimentos! Fique comigo, enquanto estou gestando esta energia conflituosa, buscando paz em mim e com os outros!

Tão diferentes, tão complementares

Viver bem ao lado da mulher que eu amo é um desafio! Pois, como falei, tenho que refrear meu impulso masculino de ser o solucionador e entrar num lugar de silêncio e escuta empática que são, em si, qualidades receptivas que vêm do feminino. Sair da mente racional e acionar o coração, em busca de uma relação afetiva de crescimento é um caminho que irá provocar as lembranças da relação afetiva que meus pais viveram. E também trará a tona a imagem interna que possuo tanto do meu pai, quanto da minha mãe. Afinal, reproduzimos aquilo que temos dentro de nós. Por isso que, nas minhas relações anteriores, não conseguia entender nem ser entendido. Vim de um lar de homens e mulheres que não se entendiam. Não falavam com clareza. Se reprimiam, se enganavam e se machucavam de várias formas.

Ao mesmo tempo, hoje vejo: que bom que podemos mudar isso! Que bom que podemos nos conhecer, através das nossas relações e conhecimento do passado! Descobrir os padrões de comportamento e padrões emocionais que nos habitam, e modifica-los. Entendendo que estas experiências são infinitas: descobrirmos que funcionamos de forma tão diferente – homem e mulher, e sempre será assim. E mesmo assim, posso confiar nela, e celebrar nossas diferenças, que nos complementam.  Eu atuando como homem. Mas abraçando dons femininos, que possuo. E ela atuando como mulher. Da forma como ela é. Do jeito que é…

Que cesse a necessidade de fazer dela algo que acho que ela deveria ser. Que eu me dedique a ser o melhor que posso, agora… Este é o meu mantra de hoje.

Alex Possato

 

Vivência “O dito e o não dito” – o olhar sistêmico para a comunicação afetiva – com Alex Possato e Lu Cerqueira – clique aqui e saiba mais

Limpador de vidros chegando à Brasília!

constelacao BSB mai_2018

Queridos! Amanhã chego à Brasília para mais uma série de trabalhos: constelação em grupo, Projeto Incluir, Treinamento de Constelação e o encontro de homens – Diamante Bruto. Estes dias andei me perguntando: o que estou fazendo? Por que faço estes trabalhos? Senti que eu havia desconectado do sentido profundo da razão da minha existência neste planeta. Estava entrando no piloto automático… E isso é a morte da criatividade, do prazer, da alegria de viver… Mas peguei o “vírus” no começo, antes que ele infectasse o sistema…

Relembrei no que acredito, lá no fundo da alma: somos seres de luz. E tudo o que fazemos com o coração, é a manifestação do Amor maior, através das nossas mãos. Estamos aqui para auxiliar o próximo a também perceber que ele já é aquilo que espera ser no futuro. Mas esta visão está encoberta, através de dores, crenças e traumas antigos. Eu atuo neste lugar: limpo os vidros embaçados da visão interna, que insiste em lutar contra os outros e contra si mesmo. Meu trabalho visa levar luz aos conflitos. Bálsamo às dores. Cura às feridas. Motivação aos travados. Alerta aos rebeldes. Direção aos perdidos. Mas lembre-se: eu só limpo os vidros. O resto, quem faz é você! Com a ajuda do “homem” lá de cima!

Alex Possato

24 de maio: Constelação em Grupo, das 15 às 21 horas (aberto a todos)
25 de maio: Projeto Incluir, das 15 às 20 horas (aberto a todos)
26 e 27 de maio: Treinamento de Constelação Familiar Sistêmica (exclusivo aos alunos)
28 de maio: Diamante Bruto, das 18h30 às 22 horas (somente para homens)

Informações e inscrições:

florbrasil.newtonlakota@gmail.com (61) 99976-7740 VIVO / Whatsapp (com Newton/Talita)

Local: Auditório do Medical Center – 607 Norte (Entrada pela L-3 Norte/UNB)

 

 

Coração em greve

coracaoemgreve

Ei! Psiu! Queria falar com você! Aqui… olha pra cá… mais pra baixo… do lado esquerdo… fazendo tum-tum. Tum-tum. Ainda estou batendo, apesar de tudo. Você tem me esquecido, não é mesmo? Mas o pior não é isso: está me contaminando. Sim, você tem me dado muito veneno, e eu tive que me fechar, me proteger, pra evitar entrar em colapso.
Mas agora cansei, e resolvi protestar. Levantar minhas faixas na rua:

– pare de guardar seus sentimentos!
– fora repressão!
– assuma suas dores!
– queremos lágrimas sinceras!
– mágoa livre!
– mais amor, menos silêncio!
– abaixo as máscaras!

Sabe, cara: tô cansado de ver você entrar em relação, e sair de relação… e não se expressar. Se tá magoado, não fala. Quando fala, só briga, mas não tem a capacidade de dizer: você me machucou. E aí, depois que briga, se arrepende. E também não fala: sinto muito. Agora, fui eu quem te machucou. Eu ainda te amo. E aí se afastam, e você não diz: tô com saudade! Sinto a sua falta. Foi muito bom o que vivemos. Então, vê o outro com outra, e não comunica: ahhhh, que inveja! Como eu queria que fosse eu! Tomara que acabe logo… só pra ele sofrer mais um pouco. E logo em seguida, quer voltar atrás: nossa! Que maldade… como pude sentir coisa tão ruim assim. Que sejam felizes. Eu vou continuar aqui, sozinho na minha dor…
E você sabe, cara. Anos e anos assim. Sem expressar seus sentimentos pras pessoas que você ama, as que odeia, as que ignora, as que te ignoram… Sem expressar seus sentimentos nem pra você mesmo! Mas saiba você que cada palavra não dita cai como ácido sobre mim. E eu tenho que me fechar, me proteger. Preciso falar uma coisa: Eu fechado, impeço você de amar. De sentir alegria. Prazer. Êxtase. Plenitude. Confiança.
Todos os sentimentos passam por mim. Se você nega um, nega todos. Se não sabe demonstrar sua raiva, sua mágoa, seu perdão, sua amizade, sua alegria… você começa a dizer para mim que não sou tão útil… Você está me esquecendo, achando que minha única função é fazer tum-tum. Tum-tum. Tum-tum uma pinóia, cara! Não tô aqui pra ser bateria de escola de samba. Eu existo porque sou a razão principal da sua existência… sentir! Manifestar o que você sente. Viver em plenitude. Curtir a vida! Em todas as suas nuances. E você preso aí nesse cérebro. Só querendo saber. Resolver. Chegar a algum lugar. Entender. Ah, vá…
Tô pensando em entrar em greve. O que acha? Vou dar uma paradinha… No começo, é só um alerta. Uma pequena parada. Só um susto. Mas se você não olhar direito para seus sentimentos, a parada vai ser mais longa… Um dia. Ou uns três dias… E não vai adiantar entrar na justiça trabalhista, viu?
Quem sabe você resolva validar seus sentimentos. E expressá-los.
Eu só quero uma coisa: me deixa trabalhar. Mas do meu jeito! Na totalidade. Pare de usar tantas máscaras. Pare de fingir. Seja mais coração, cara! E menos cabeça…

Alex Possato

 

Você está pronto para a paz?

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Você clama por paz. Sim, você me ouve. Paz. Eu lhe convido à paz. Porém, até agora você assentou sua base sobre o conflito. Relações conflituosas. Brigas com o outro, com a família, com o passado, e inclusive, consigo mesmo. Detonando sua mente, suas emoções, seu corpo. E você até gosta da guerra, não é mesmo? Vem excitação, adrenalina, sensação de estar vivo.
Pergunto: você quer a paz? Porque irei retirar você destes conflitos. Algumas pessoas se afastarão. Você será convidado a deixar atitudes que geram mais e mais guerra. Sua mente será direcionada ao silêncio, e seus hábitos, para a saúde física, mental e emocional.
Você renascerá outro. Não é fácil renascer. Primeiro terá que morrer para o velho.
Diga ao passado, se está preparado: descanse em paz.
E será feita a sua vontade…

Alex Possato

 

A raiva saudável

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“Só uma raiva, no entanto, é bendita: a dos que precisam.”
Clarice Lispector

Faz muitos anos que falo para as pessoas que atendo: a raiva faz parte. Olhe para a sua raiva. Não negue. Não a esconda. Ela pode ser sua amiga. Principalmente, falo para as pessoas que estão paradas na vida. Que não tem força para tocar seus projetos. Fazer as mudanças necessárias. Tomar decisões. É muito comum que estejam inibindo a raiva, com dificuldade de lidar com esta energia. Por que acontece isso?

Vou explicar, de um jeito que gosto: falando um pouco da minha experiência, que de alguma forma, pode ser a sua também. Vivi numa família raivosa. Eu era o menor de todos. Meu irmão, sempre cheio de conflitos e violência, volta e meia me agredia. Minha avó tinha acessos de fúria, entrecortados por abismos de depressão. Meu avô era gente boa dentro de casa, mas capaz de agredir alguém na rua simplesmente porque olhou atravessado. Meu pai era um cara baixinho, colecionador de armas de fogo, espadas e facas, cujo temperamento era sujeito a chuvas e trovoadas. Minha mãe era uma pessoa impulsiva também. E imprevisível. E eu, a pequena criança, a menor de todas, assustado com tanta energia em minha volta. Não havia como confrontar, sem apanhar. Bem que tentei. E apanhei. E então, comecei a desenvolver outras estratégias: a lábia. A chantagem. O vitimismo. A sedução. O bom humor. A racionalização. Ganhava minhas lutas sem lutar.

Quando criança, criamos várias defesas e estratégias. Tudo para não sermos mais feridos e podermos obter nossas vantagens. O problema dessas estratégias, é que as levamos para a vida adulta. Um homem com a minha idade, que parte para a vida pensando que poderá apanhar, que qualquer coisa que fale – ou não! – irá detonar uma explosão, ou que as pessoas são instáveis e assustadoras, terá muita dificuldade de alcançar metas. De lutar pelos próprios direitos. De batalhar por um espaço na sua carreira. De ousar competir e conquistar.

Quando observo bem a mim mesmo, vejo que parte de mim acredita que perdeu o direito de reivindicar. De ter a própria opinião e sustenta-la. De achar que algo está desconfortável e que posso querer mudar. Esta parte de mim, no fundo, só quer sombra e água fresca. Um ambiente onde não haja conflito, para me livrar dos ecos do passado. Essa parte só quer paz. E por isso, se recusa à guerra.

Sem a guerra, não há paz

Meu grande mestre Bert Hellinger diz, em A Paz Começa na Alma: “ A guerra é o pai de todas as coisas. Isso quer dizer: a guerra é também o pai da paz. Sem a guerra, não há paz. Quais são os efeitos disso na alma? Freud, o fundador da psicoterapia moderna, observou que o indivíduo só pode crescer se integrar algo que ele excluiu de sua alma. Rejeitamos muito de nós mesmos, apesar de sentirmos que faz parte de nós”.

Traduzindo para a minha vida, não aprendi a guerrear. Não aprendi a defender meus pontos de vista. Não aprendi a usar a minha raiva (que era muita!) para abrir meus caminhos. Assim, tive que me aproximar de pessoas que sabiam lidar com a raiva – geralmente de jeitos não adequados – para que elas fizessem por mim aquilo que eu tinha medo de fazer sozinho. Amigos fortes. Grupos que me defendiam. Mulheres fortes e lutadoras. Gente que abria as portas na minha vida aos pontapés, enquanto eu ia atrás. Como criancinha. Um verdadeiro bunda mole! E ok! Para quem vem de uma história onde não sabia se defender de inúmeras agressões externas. Mas um adulto?!? Onde não havia mais irmão, pai, mãe, avós, família em conflito vivendo comigo…. isso não fazia mais sentido!

A raiva saudável pode ser uma expressão do amor

“Na medida exata em que uma pessoa é capaz de sentir e expressar amor verdadeiro, ela também é capaz de manifestar raiva saudável e construtiva. Tanto o amor real como a raiva vêm do eu interior. Absolutamente todo sentimento real é saudável e construtivo e propicia o desenvolvimento do eu e dos outros. Os sentimentos reais não podem ser forçados, comandados nem impostos. Eles são uma expressão espontânea, que ocorre como resultado natural e orgânico de nós mesmos”, diz Eva Pierrakos, em Criando União.

Demorei para entender isso. O motivo principal é que estava magoado com a minha família. Que sempre manifestou muita raiva. Que me feriu. Logo, como poderia eu usar as mesmas armas “deles”? E disse para mim mesmo: vou fazer diferente. Vou mostrar pra “eles” como é que faz! Vou ser diplomático. Pacífico. Conciliador… Besteira…

Sempre defendi minhas convicções “pacíficas” com a faca nos dentes. Sempre tive (e ainda tenho) muita raiva das pessoas que contrariam meus princípios, minhas opiniões. A única diferença é que hoje sou consciente de que não saber usar esta energia da raiva tem a ver com o não concordar com o meu passado. No fundo, sou absolutamente igual ao meu pai, minha mãe, meu irmão, meus avós. E eles também não souberam usar a raiva de forma apropriada, para alcançar os próprios objetivos, para galgar os degraus que achavam adequados. Se perderam numa guerra entre si… e o cavalo do sucesso passou arreado… eles não montaram…

Deixando o passado, para estar presente na própria vida

Quando estamos perdidos no uso da raiva de forma distorcida, quando machucamos os outros e a nós mesmos, ou inibimos esta energia, causando úlceras e paralisia na vida, estamos identificados com situações do passado familiar – a maior parte inconsciente – onde houveram feridas que não foram vistas. Tanto a nossa infância, quando as diversas gerações que nos antecederam, estão recheadas destas histórias: pessoas feridas pela agressividade de um e de outro… pessoas que agrediram, mataram, coagiram, violentaram… Eles são todos nossos antepassados. Vítimas e algozes. E tudo isso é passado. Deveria ser, ao menos. Porque, bem ou mal, eles foram os bravos pioneiros que avançaram ano a ano, década a década, vida a vida, ganhando e perdendo, nascendo e morrendo, procriando e matando, para que nós estivéssemos aqui. Nós somos o bom resultado de todo este esforço: os frutos que deram certo!

Honrar a este passado significa andar. Ir para frente. Carregar esta força de combate, resiliência, inteligência, estratégia, amor e dor, tudo isso dentro de nós… e fazer a nossa parte. Montar no cavalo do sucesso que passar arreado à nossa frente. Para isso também necessitaremos bravura. Coragem. Usar um pouco desta raiva, que nos torna desconfortáveis diante de situações desagradáveis, como motivação para avançar. “Lute apenas por lutar sem pensar em perda ou ganho, em alegria ou tristeza, em vitória ou em derrota, pois, agindo desse modo, você nunca pecará”, aconselha Krishna ao atemorizado guerreiro Arjuna, no livro sagrado indiano, Bhagavad-Gita.

E quando dizemos lutar, muitos pensarão em levantar bandeiras e comprar causas sociais, políticas ou espirituais. No meu entender, não é necessariamente isso. A luta é contra os próprios fantasmas internos. Os medos. Os vícios. As estratégias que nos impedem de sermos amorosos conosco e com o outro, e complicam a transmissão dos nossos dons e talentos para o universo, em retribuição e gratidão a tudo o que recebemos da vida.

Sem um pouco de raiva concentrada e bem direcionada – para frente! -, não tiramos a bunda da cadeira para nos mover nesta tarefa tão importante, e tão difícil: manifestar o melhor daquilo que somos, ainda nesta vida. Aqui e agora.

 

 

 

Abortos, natimortos e insucesso (vídeo)

Muitas pessoas têm um padrão comum: começam coisas e não acabam. Deixam cursos, projetos, relações, planos, empresas, carreiras, tudo por terminar. Até se dedicam, às vezes realmente dão o melhor de si, mas parece que os planos não vingam. Começam, crescem, e quando parece que vai dar certo… não vinga! Uma das possibilidades é que esta pessoa está vinculada à energia de aborto, natimortos ou crianças com morte precoce. Geralmente da mãe ou avó. E por isso seus planos abortam. Crescem até um ponto, mas não frutificam totalmente. É sobre este aspecto da constelação familiar que Alex Possato irá falar com você!

 

Antes de firmar sua imagem nas redes sociais

imagem internet

Volto a um tema que me é muito querido: o marketing pessoal… Já fiz grupos de estudo, workshops e estudei bastantão sobre o assunto. Acima de tudo, apliquei (e aplico!) em mim mesmo os inúmeros e tortuosos caminhos para o desenvolvimento da minha imagem pessoal e profissional, e consequentemente, da minha carreira. E por lidar com milhares de pessoas, muitas das quais desejam também se estabelecer no mercado e firmar o próprio nome como alguém atrativo para o seu próprio público, sempre recebo feedbacks do tipo:

– tenho medo de me expor

– sinto-me uma fraude

– não tenho o suficiente para dar

– tenho vergonha e uma cobrança interna insuportável

– é muito difícil lidar com as requisições das pessoas no mundo virtual

– não sei me expressar

– preciso ganhar dinheiro, logo!

Por isso, resolvi escrever algumas linhas, e pra variar, vou deixar vir o conteúdo que quer fluir por mim, agora, já que não preparei tecnicamente uma lista de teoria e dicas para você sobre esta “arte da exposição” nas redes sociais.

Antes de começar, pergunte-se: quem sou eu? O que eu tenho para dar?

Uma das coisas que mais pega na cabeça desmiolada dos iniciantes, é a comparação. Olham os youtubers, ou aqueles que se destacam no Facebook e Instagram, e tentam fazer o mesmo. O mesmo modelo, as mesmas piadas, o mesmo tipo professoral. Enfim, procuram imitar aqueles que, na visão limitada deles, estão dando certo. O que nem sempre é verdade.

A não ser que a sua onda seja a imitação, a sátira, o humor, imitar só vai levar você para mais autocrítica, autojulgamento e autocondenação. É um inferno! Quem é você, cara? Qual a sua habilidade? O que você realmente domina e pode sustentar firmemente, diante da necessidade do seu público?

Seja verdadeiro, porque você sabe quando ainda não está pronto para atender as pessoas. E se você não está pronto, e insiste em se mostrar, irá ter vários desafios internos e externos, que irão minar a sua capacidade de dar o seu talento ao mundo.

Minha dica: vá devagar. Demora um bom tempo (ANOS!!!) para “entendermos” quem somos e o que temos. Coloque-se, sim, mas sempre com verdade. Evite o lugar do “sabe-tudo”, do “especialista”, do “bem resolvido” e mostre-se humano. Até porque, se é que não estou falando com um extraterrestre… você É HUMANO!

Vá refinando o seu foco. Sei que você é multitalentoso, e pode falar de milhares de assuntos… Mas existem bem poucos, talvez um ou dois que são aqueles que mais fluem por você. Aquele onde você não precisa estudar para expressar. Aqueles que “estão na ponta da língua”. Descubra estes dois assuntos, sustente estes dois focos (ou até um somente!) e fique nisso! Segure a insuportável vontade de mudar de foco a todo instante! Falar e fazer coisas diferentes a cada dois dias! Se ainda não for possível, talvez ainda seja o momento de afinar o foco. Lembre-se: ter multitalento não significa que você não possa ficar dois, três ou cinco anos se dedicando a um caminho. Para depois mudar.

Vontade de ser aceito pelos pais

Poucas pessoas entendem o papel do psicológico na construção da carreira, dos projetos, das empresas… Na minha experiência pessoal e também através do acompanhamento de inúmeras pessoas que partem rumo ao mundo autônomo e empresarial, muito do que fazemos é uma forma de dizer aos nossos pais: olha o que eu estou fazendo! Agora me valide! É uma forma de revanche diante das inúmeras dores que carregamos por não termos sido totalmente (ou nada!) validados nas coisas que fazíamos quando criança, o que acabou gerando uma baixa autoestima fenomenal, abissal, monstruosa! E depois de adultos, empunhamos a bandeira da guerra contra eles: vocês vão ver só! Eu vou dar certo! E… lógico que dá errado.

A lei psíquica da mente diz que iremos atrair aquilo que estamos vibrando internamente. Se estou vibrando baixa autoestima, irei atrair fracasso. Esta é a lei. Pergunte-se: verdadeiramente confio em mim mesmo e no que faço? Se alguém disser que não está bom, consigo não me desmontar todo? Se alguém disser: você é uma fraude, você irá resistir à vontade de se atirar para a morte, do alto da sua beliche do quarto?

Cara, olhe suas motivações emocionais. E faça terapia, se precisar, antes que você gaste um montão de dinheiro em projetos, que irão lhe dar mais dor de cabeça. Digo isso porque sou doutor na insana arte de tentar provar ao mundo que não sou o merda que parte de mim acredita ser.

O quanto o meu movimento de exposição tem um “q” de dizer aos meus pais: olha aí! Eu dei certo! Bem diferente de vocês! Por que vocês não me amaram? Por que vocês não me aprovaram?

Mesmo que você seja muito talentoso naquilo que faz, esta competição louca por ser visto e aprovado irá impedir que você enxergue o seu público, o que eles querem, e também impedirá você de estar bem consigo mesmo, desempenhando a sua função da melhor forma possível. Afinal, algo dentro de si combate a si mesmo… E este algo quer te destruir! Não duvide disso!

Deixando de ser criança, você se abre para doar

Vejo muitos que iniciam na exposição do seu projeto nas redes assim: criam algo, às vezes toscamente organizado, fazem um pequeno texto e lançam furiosamente em todos os lugares, ocupando grupos onde não foi pedida a autorização para isso, enchendo a paciência de muitos: parecem aqueles insuportáveis carros de som gritando algum produto, show ou propaganda política na sua janela. Isso é uma ação que produzirá efeitos contrários, em curto ou médio prazo.

A criança só deseja receber. Esta criança que se divulga desta forma só quer receber o público, o dinheiro, a atenção, e não está preocupada em doar nada. Ou muito pouco. Poucos percebem que a internet, de certa forma, se transformou num novo cômodo dentro da casa de cada um. Abrimos a telinha do celular ou do computador e permitimos que venham informações e conteúdos para a nossa intimidade. O que atrai mais: eu abro a porta do meu quarto e encontro um mendigo pedindo esmola? Ou: eu abro a porta do meu quarto e você me oferece as mais belas flores do seu jardim?

Sim, flores do seu jardim! Porque tem pessoas que oferecem flores de plástico, replicadas de grupos de whatsapp, com palavras vazias e sem sentido… isso também é semelhante a propaganda política no horário eleitoral ou panfletos jogados debaixo da sua porta.

Organize as flores que você tem para dar ao seu público. Fale de si, das suas experiências. Do seu conhecimento. Algo que pode auxiliar o próximo. Sem querer nada em troca. É o “brinde cortesia” que você dá ao universo. Você é lindo como você é. Você tem conteúdo que poderá despertar muitas pessoas.

Comece devagar. Não pense em números: milhares de seguidores nesta ou aquela rede social. Compartilhe seus pensamentos e experiências no grupo de whatsapp de amigos. Família. Colegas de estudo. Ponha pequenas frases suas no seu Facebook. Pensamentos no Twitter. Fotos com significado no Instagram. Não apenas mostrando o que você come, os seus passeios e suas caras e bocas… (a não ser que você seja modelo). Aprenda a usar a rede social como um grande jardim, onde você está plantando sementes do bem. Sementes de comunhão. Sementes de crescimento. Junto a pessoas que você nunca viu. Provavelmente nunca verá. Mas que ficarão extremamente agradecidas pelos frutos que suas sementes irão gerar.

Resumo da ópera

Evite a comparação

Seja você

Vá devagar

Refine o seu foco: um ou dois assuntos

Trabalhe sua necessidade psicológica de ser aceito

Não invada a casa das pessoas com flores de plástico

Comece com pequenos textos em pequenos grupos

Dê, mas com significado

Fale da sua experiência, do seu conhecimento

Seja um jardineiro dedicado em semear

Não pense nos frutos

Você é lindo como você é