Constelação Familiar em São Paulo, com Alex Possato

Paper cut of Family

Olá, pessoal!

A constelação familiar em grupo é para mim uma ocasião onde posso passar um pouco deste conhecimento precioso de Bert Hellinger, auxiliando efetivamente no seu desenvolvimento pessoal e até profissional, ao entrar em contato com as Ordens do Amor e entender os padrões herdados que interferem na sua vida.

Além disso, é um mergulho no “campo sistêmico”, um ambiente de ressonância e sincronicidade onde emoções profundas são compartilhadas, e a partir disso, os participantes – de acordo com a própria vontade e mérito – têm a oportunidade de libertarem-se de medos, dores, traumas, conflitos, tristezas. Acessam assim a alegria de viver, a energia de reconciliação, aprendem a colocar limites e também a não invadir. Enfim, um trabalho muito especial!

Espero ver você! Até breve!

Alex Possato

18 de outubro de 2018 (quinta-feira)
Constelação Familiar em grupo ( 5 vagas ) – das 15 às 21h
Valor sugerido para constelar: R$ 500,00
Valor sugerido para participar: R$ 50,00
Informações: atendimento@alexpossato.com ou (11) 99791-7211 (whatsapp)
Inscrições: https://goo.gl/forms/CsqjJWWloUwjpdQx2
Rua Maestro Cardim, 1170 – Paraíso (próximo a estação de metrô Paraíso e Vergueiro)

Meu amado comunista

orlando possato

Vovô me carregou no colo. Ensinou-me, pelo exemplo, a trabalhar muito. A ser imensamente criativo e presente. Um senso de humor afiado; ótimo contador de história. Pouco soube da sua atuação partidária, afinal, nos anos de chumbo, as reuniões eram feitas às escuras, em locais desconhecidos. Lembro-me do vovô saindo à noite, como se fosse fazer algo muito importante, sigiloso e perigoso… e com alegria e alívio, ouvia seus passos se aproximando da porta de entrada de casa. Eu, nesta hora, já deitado por obrigação do horário, agradecia por poder sentir a segurança daquele velho idealista de volta ao lar.

Talvez o mais importante que vovô me ensinou foi servir. De vez em quando, ele pegava sua maletinha de técnico em eletrônica, avançava peito aberto e confiante pelo meio das favelas com seus esgotos a céu aberto de Suzano, periferia de São Paulo, e consertava rádios e TVs por preços irrisórios. Vovó muitas vezes reclamava: só isso, Orlando? E ele dava de ombros, dizendo: ele não podia pagar mais…

Vovô me mostrou um lado do Brasil que muitos de nós não conhecemos. O lado da miséria. O lado daqueles que não podem trocar de tênis todo ano. Não podem, muitas vezes, pagar a condução para se deslocar. Não têm panelas e nem entendimento pra ficarem batendo contra este ou aquele – embora motivos não faltasse.  Eu, calças curtas e sandália no pé, pulando córregos fétidos, ia com ele às suas investidas solitárias, em busca de levar uma gota de serviço àqueles que tão pouco tinham. Menos até do que nós, que não tínhamos grande coisa. Do seu jeito, lavava os pés dos pobres e humildes. Justo ele, sem religião e crítico às igrejas!

Não, não me tornei comunista. Até gosto bastante de ganhar meu dinheiro. E acredito que esmola demais é desmoralizante e enfraquece. Tive inclusive que abandonar diversas crenças da infância, para conseguir começar a ganhar dim-dim e sair da faixa do endividado eterno. Porém, jamais esquecerei o exemplo do velho comunista. E honro do fundo do meu coração, cada alma parecida com meu vovô, que anda pra cima e pra baixo neste país tão desigual, buscando trazer um pouco mais de dignidade à imensa massa de excluídos que habitam nossa pátria. E honro igualmente aqueles que trabalham duro, honestamente, crescem e enriquecem, e podem através do próprio crescimento, auxiliar no crescimento de outros. No meu coração, cabe comunista e cabe capitalista. Só não cabe o desrespeito e a falta de compaixão. Quisera um dia entendamos que ideologias, sem amor e compromisso real ao próximo, de nada servem. E amor, compromisso e ação, não depende de ideologias: basta pegar a maletinha, calçar os sapatos, arregaçar as mangas e… fazer a sua parte!

Saudades, vovô Orlando Possato!

 

Os jogos de poder, num relacionamento tóxico

jogos

Vivi uma relação onde havia um nítido jogo de poder. Éramos bons amigos. Compartilhávamos muitas coisas em comum. Mas um pacto maldito imperava na nossa dinâmica: quando um sobe, o outro desce. E se não desce, eu puxo para baixo. Para daí pisar sobre a cabeça e poder subir. Até que o outro, lá embaixo, se mexe tanto até eu despencar. E ser pisado. Tudo isso de uma forma muito dissimulada. Aparentemente, estamos tentando ajudar ao parceiro e vice-e-versa.

Por exemplo: nossa companheira relata um problema que teve com o chefe, no serviço. E nós, habilmente, mostramos a ela o quanto ela é tola, o quanto não sabe lidar com situações de comando, o quanto está se deixando contaminar por questões infantis. Se o jogo vai até o fim, auxiliamos no processo dela se demitir (ou ser demitida), e então, cantamos de galo: tá vendo! Eu sabia! Te avisei! Agora você faz do jeito como eu estou dizendo, que tudo irá dar certo!

Mais um outro exemplo: a companheira critica nossa dificuldade de se estabelecer financeiramente. Embora não diretamente, nos culpa pelo fracasso econômico da família. “No tempo do papai era diferente. Mamãe nunca passou dificuldade”, joga descaradamente a nossa querida companheira. “Acho que você deveria procurar outro emprego!”, finaliza, com um golpe no fígado.

São muitas as situações de confronto e disputa de poder dentro de uma relação tóxica. Assim funcionam as dinâmicas, e não há o que fazer, a não ser aprender com elas, para poder sair disso.

Aprendemos a agir assim seguindo padrões de comportamento das relações que houveram na nossa família. Em primeiro lugar, entre nossos pais, que são a influência mais importante. “Cada pessoa decide em sua infância como ela vai viver e como ela vai morrer, e esse plano, que ela carrega em sua cabeça onde quer que vá, nós o chamamos de roteiro”, explica Eric Bern, o grande criador da Análise Transacional. Mas também sabemos, pela constelação familiar sistêmica, que os padrões são transgeracionais, e portanto, herdamos hábitos de comportamento dos avós, ou das relações paralelas que houveram no passado familiar.  “Além de sermos filhos, parceiros e talvez pais, partilhamos um destino comum com relacionamentos mais distantes – o que quer que aconteça a um membro de nosso grupo familiar, para bem ou para mal, nos afeta e afeta também os outros. Junto com a nossa família, formamos uma associação cujo destino é comum”, acrescenta Bert Hellinger.

Então, pera lá! Será que estou, como diz Bern, ligado a um script até o final da minha vida? Ou ainda, segundo Hellinger, vou ter que viver relações conflituosas para sempre, em honra a algo que aconteceu com um antepassado?

Identificando o jogo

Conheci o trabalho de Eric Bern antes mesmo de mergulhar na constelação sistêmica. E conheci porque estava extremamente cansado e insatisfeito com a vida que vivia. Finalmente, após anos de sofrimento, comecei a perceber: deve ter alguma coisa errada comigo! Sem saber, comecei a me abrir para a cura! “Os roteiros só são possíveis porque as pessoas não sabem o que estão fazendo para si mesmas e para os outros. De fato, saber o que se está fazendo é o oposto de seguir um script”, confirma Bern.

É necessário perceber que estou num jogo, e eu sou parte ativa desta partida. Eu mantenho o game ocorrendo! Existe uma história real na análise transacional, que ilustra muito bem como acabamos escolhendo um marido ou esposa para preencher uma lacuna emocional dentro de nós, alimentando um padrão de comportamento que aprendemos com nossos pais e nossa família.

“ A senhora Blanco reclamou que seu marido limitou severamente suas atividades sociais, então ela nunca aprendeu a dançar. Devido às alterações em sua atitude como resultado do tratamento psiquiátrico, seu marido começou a se sentir menos seguro de si mesmo e a ser mais indulgente. Então a senhora Blanco conseguiu expandir o leque de suas atividades. Ela se matriculou em aulas de dança e descobriu, desanimada, que sentia um grande medo das pistas de dança e teve que abandonar esse projeto. Esta infeliz aventura, junto com outras similares, trouxe à luz aspectos importantes da estrutura de seu casamento. Dentre seus inúmeros pretendentes, ela escolheu como marido um homem dominante. Ela estava então em posição de reclamar que poderia fazer tudo ‘se não fosse por ele’. Muitas de suas amigas também tinham maridos dominantes…”.

Pois é! Descobri que eu escolhi uma parceira que estimulava uma competitividade dentro da relação, para poder manter vivo o script de competição que foi a vida afetiva dos meus pais e dos meus avós. E praticamente nenhum diálogo. Raro entendimento. Decisões todas tomadas nos jogos de força, chantagem, agressividade e vitimismo.

Jogando o mesmo jogo que meus pais, avós e bisavós, inconscientemente estou dizendo: eu sou como vocês! Eu faço parte! E mesmo sofrendo, é a forma que aprendi para honrar minha linhagem!

Que porre, heim? Porém, como disse acima, eu estava cansado do jogo. Cansado de mim mesmo. Desta atuação tosca, num drama familiar digno de novela de quarta categoria.

Sair do jogo

Aí é que é a coisa. Quando vivemos uma relação tóxica, estamos “apaixonados” pelo conflito. Aquela disputa toda dá adrenalina. Nos faz sentir vivos. E também pertencentes. Quem seríamos nós, sem aquela briguinha cotidiana? Sem uma boa discussão após o jantar? E sem o sexo gostoso que tantas vezes vem após a gritaria? Pois é… falei que parece uma novela…

E querer deixar este jogo dá uma sensação muito grande de vazio. De fracasso. Algo muito valioso está prestes a morrer. Pode até ser que a relação afetiva não resista a isso. Sim, pode ser… E nós temos as cartas nas mãos, e precisamos fazer nossas apostas. Vamos pagar para ver?

O objetivo de qualquer terapia não é consertar uma relação. Nem desfazer. É trazer um pouco mais de luz e paz para a nossa história. Ou seja, para nós mesmos. Pegando o exemplo da senhora Blanco, acima, podemos afirmar com absoluta certeza de que ela estava vivendo um roteiro conhecido, escrito por seus pais e/ou avós. A mulher “reclamona”, que culpa o marido por não ter sido feliz. No meu caso, eu estava seguindo um roteiro honrando a imagem que gravei na infância sobre os homens da minha família: homens que não conseguiram o sucesso e eram culpados de diversas formas pelas mulheres da família por diversas coisas: traição, desagregação familiar, abandono, vícios, dificuldade financeira, etc.

Quando entendemos todo o contexto do enredo, podemos ver a nossa história familiar somente como um grande drama. Nada mais que isso. E com um pouco de sensibilidade e criatividade, podemos reescrever o roteiro – transformar o drama em comédia, por exemplo. E a única forma de reescrever o roteiro é começando com o nosso personagem.

Qual é a sua nova forma de atuar?

Muitos caminhos de autoconhecimento perguntam: quem é você? É por aí que começamos. O outro não importa. Seu companheiro ou companheira não importam. Importa você. O que te faz feliz? Como você quer viver? Naquilo que depende de você, o que você pode mudar?

É uma longa estrada ingressar neste caminho interno de autodescobertas. Desde esta época em que me percebi cansado de tanto sofrimento e repetição de padrões dolorosos, muita coisa mudou. Minha relação afetiva mudou. Meu trabalho. Minha forma de ser, de falar, de me vestir, de me comportar. Minhas conquistas. A forma de encarar minha família e todas as pessoas que passaram na minha vida. A visão que tinha da minha infância e dos meus pais. Tudo, tudo, tudo mudou. E continua mudando. Já se vão mais de 15 anos. Aquele sofrimento se foi. Mas isso não é garantia de nada.

Começo a ver que a história da minha vida é viva. E que em alguns momentos, não tenho a menor condição de interferir nos scripts, mesmo entendendo mais ou menos o que está ocorrendo. Já não vivo relações tóxicas, nem com amigos, nem no amor, nem no trabalho. Mesmo assim, não é tudo que me agrada. E tudo bem! Não estou nesta vida para viver um conto de fadas com final feliz. Mas também sei que alguns sofrimentos só perduram porque quero evitar olhar para padrões inconscientes que me fazem ficar dando murros em ponta de faca. Muitas vezes percebo que continuo jogando algum jogo. E tão logo vejo isso, assumo o compromisso de olhar. E abrir as cartas na mesa.

E você? Como está jogando os jogos dentro do relacionamento?

Só mais um detalhe: quando cessam os jogos na relação afetiva, podemos verdadeiramente viver a intimidade. Duas pessoas desarmadas, e entregues uma à outra. Sem manipulações. Sem vítima, salvador ou perseguidor. Somente dois iguais. E a intimidade é a única e verdadeira manifestação do Amor, na relação a dois.

Alex Possato

 

 

 

 

 

O verdadeiro Amor na relação afetiva

amor verdadeiro

 

No começo é um tesão! O outro é maravilhoso. Um ser perfeito que Deus colocou no seu caminho. A saudade parece corroer as entranhas; é quase impossível passar mais de 24 horas sem vê-lo. E o encontro? Ahhhh… o encontro é uma explosão de prazer e gozo, saudade e alegria, renovação e encantamento.

Mas os meses passam. E assim como o café vai sendo esquecido sobre a mesa, sem ser tomado, porque “preciso correr para o trabalho”, aquilo que era quente e amistoso, passa a ser frio e sem graça como o leite que esfriou, criou nata e uma crosta de gordura na caneca,  difícil de ser removida. Por que é tão complicado manter um nível de satisfação elevado numa relação mais duradoura? Porque aquele “néctar dos deuses” se transforma num duro e sem graça pão do dia seguinte? Como reacender o interesse por alguém que amamos, mas não sentimos mais o mesmo tesão do começo da relação?

Dura missão falar sobre isso! Mas é um tema que tem estado recorrente nos papos com amigos. Nas conversas com minha parceira. Nos atendimentos terapêuticos que realizo. E falando seriamente, não sei qual a linha de raciocínio vou seguir. Vou deixar a intuição me guiar, porque é um assunto que, embora eu tenha várias teorias sobre… estou aprendendo na prática, com a minha experiência, como transitar do estado de encantamento de uma relação no começo para o aprofundamento de uma relação com compromisso. E como ultrapassar os eventuais perrengues pelos quais passamos, ao longo dos anos, dormindo com a mesma pessoa ao lado.

Tão logo o compromisso se instala, os padrões antigos se repetem

Passada a fase do “amor I love you”, e principalmente, quando nos comprometemos, um com o outro, a construir uma relação duradoura, vamos ver padrões antigos se manifestando na nossa forma de agir com o outro. Sem perceber, é comum entrarmos num papel de qualquer coisa, menos verdadeiros companheiros. Por exemplo:

– viramos papai da companheira, e começamos a achar que temos que protege-la, orientá-la, dar bronca e pagar sorvetes e a entrada no parque de diversões;

– viramos mamãe do companheiro, e nos mostramos cuidadora, censora, vigiamos o boletim escolar e as mensagens de whatsapp, criticamos a roupa que ele veste e os modos como ele se porta com os outros, damos remedinho e tratamos quando ele ou ela estão dodói;

– em outros momentos, somos o conselheiro dele ou dela, e começamos a orientá-lo como se portar no trabalho, na família, nas amizades. Motivamos ele(a) para a vida, damos livros geniais, indicamos filmes e cursos, sempre com o intuito de melhorá-la(o). Pois do jeito que o traste está, não vai dar certo;

– em alguns casos, somos o liberal: tudo tá bom, fingimos não ver nada, não cobrar nada, permitir que o outro seja como é, mas no fundo, temos muito medo do compromisso, e estamos inconscientemente torcendo que ele vá embora. Afinal, já sabemos que “iremos ser abandonados”. E também, tanto faz: ele não era tudo isso e eu arrumo outro!

Eu poderia ficar falando de padrões de comportamento em casais que massacram, oprimem, amarram, seduzem, etc., até amanhã. Ou depois de amanhã. Mas o padrão em si não é o importante neste momento. Queria que você analisasse a si mesmo, e pensasse nestas duas perguntas:

Por medo de perde-lo(a), o que eu faço? Prendo ou abandono? Seduzo ou chantageio? Fico em cima ou dou espaço? Viro professor ou cuidador? Adoeço ou mostro-me mais poderoso que o outro?

Por medo de perder minha liberdade, o que eu faço? Busco ocupações externas? Dou escapadas? Dou um “perdido”? Mostro-me o “fodão” e não permito ver minha rotina invadida? Trabalho demais ou me ocupo com a família e outras pessoas?

 

Olhando para minha forma de proceder, vejo que o jogo se mostra dos dois jeitos: tanto tenho medo de ser abandonado, como também tenho medo de perder minha liberdade. E sinto a mesma coisa vindo da parceira. Filosofando um pouquinho, parece que vivemos um modelo de tensão natural, que põem a prova a energia mais fundamental atuando no masculino e feminino: a liberdade e a união. O ficar e o partir. O prender e o soltar.

Homens e mulheres se digladiam porque não sabem lidar com estas duas forças poderosas e aparentemente antagônicas:  a liberdade e a união.

Saindo dos padrões emocionais dolorosos e indo além

Seremos provocados muitas vezes em situações onde sentimos que iremos ser abandonados ou aprisionados. Por exemplo:

  • Excesso de trabalho
  • Gravidez ou dedicação aos filhos
  • Doenças pessoais (físicas ou emocionais) ou da família
  • Viagens longas
  • Dedicação à família de origem
  • Foco nos estudos ou cursos
  • Uso do tempo com amigos e hobbies
  • Cuidados com obras, construção, patrimônio, dívidas

Inevitavelmente, nestes momentos as emoções inconscientes virão à tona. Se por algum motivo, tenho marcas doloridas de abandono dentro de mim, ao menor sinal que a companheira está se dedicando a outra coisa que não sou eu, somente eu, totalmente eu, irei espanar. No momento em que ela se dedica demais no trabalho, ou aos filhos, ou na casa da família, ou ainda em viagens, estudo, etc., vou surtar. Sapatear sobre a mesa de jantar. Cair na cama com febre de quarenta graus. Ter uma ataque de fúria e quebrar todos os discos do É o Tcham dela.

Agora… se eu estou do outro lado, e sou a pessoa que está em busca de sentir-se livre, indo para a vida, saindo para fazer as próprias coisas, cuidando dos próprios assuntos, e vejo o companheiro fazendo de tudo para prender-me, eu também começarei a espanar. A dar distância. A fechar as pernas e evitar o sexo. A intimidade. A exagerar mais e mais no estar fora de casa, não importa os motivos. A humilhá-lo e fazer coisas que nos afastará, um do outro. E ainda irei justificar: é para o seu bem! Para você crescer, meu amorrrr!

Da mesma forma, esta pessoa que necessita a liberdade extrema, também tem dores inconscientes de ter estado aprisionada por alguma relação tóxica. Mesmo que ela não tenha lembranças, afinal, os traumas podem ser transgeracionais, quer dizer, vindos do pai, mãe, avós e antepassados. São memórias antigas que despertam padrões de dor. E carregamos sem saber.

Esta fase de lidar com dores inconscientes é inevitável. Seremos desafiados em uma ou várias relações afetivas. Temos que passar por isso, mesmo sendo tão desagradável. Não dá para avançarmos no autoconhecimento que uma relação propicia, sem desprogramarmos os padrões reativos que carregamos dentro de nós. Sem olhar para o ódio que temos do feminino e masculino. Das prisões e abandonos que nos habitam. E olhar para as consequências que estas dores causam na nossa autoestima e capacidade de expressar nossa verdadeira, pura e espontânea beleza.

Chegará um momento em que teremos certeza absoluta de que jamais seremos abandonados, e também jamais seremos aprisionados. Porque a sensação de ser abandonado ou aprisionado é uma neurose. Não é realidade. As pessoas vêm e vão. Nascem e morrem. As relações começam e terminam. Assim é a vida. Da mesma forma, vivemos sempre com pessoas. E a sensação de estar preso ou livre é porque permitimos viver jogos nas relações. E os jogos podem mudar as regras. Podemos fazer regras muito agradáveis. Baseadas na alegria e no prazer. E não na manipulação e sofrimento.

O verdadeiro Amor na relação afetiva

Olho para as relações afetivas como material de escola. Sempre que minha companheira me desperta alguma sensação de abandono ou aprisionamento, me pergunto: qual dor antiga, dentro de mim, está sendo provocada? O que devo aprender com esta dor?

Por exemplo, às vezes, a minha amada aquariana está livre e solta por aí, cuidando dos seus próprios assuntos. E eu, um canceriano tosco e caseiro, fico achando que o lar e o coração estão vazios. Logo, vem o abandonado interior gritar. E enquanto ele grita, evito a primeira tentação de taxar: ela é a culpada! Olho para minha dor. Relembro quantas e quantas vezes me senti abandonado na infância. Literalmente. Abandonado por pai, mãe, irmãos, avós. Sozinho e entregue às minhas próprias dores, que eu adorava ruminar. E vou além: sim, existe um abandonado em mim! Isso não vai mudar! Você, criança carente interior, faz parte! E eu te vejo…

Desta forma, entro em contato com o fantasma do abandono, que não tem realidade no aqui e agora. Aprendo a acolher partes de mim, que eu mesmo abandonava. E tudo isso, graças à sensação de que minha parceira não está cuidando de mim. Aí, quando estamos novamente juntos, olho-a com verdadeiro ar de gratidão. Sincera. Profunda.

Em outros momentos, me sinto tolhido na minha expressão. Acho que estou sendo aprisionado por ela, e não posso fazer o que desejo. Mesmo quando faço, é como se houvesse um sentimento de culpa permeando o ato. Quantas vezes não estou totalmente presente nas coisas que faço, quando estou longe de casa, porque parece que deveria estar com ela. Vivo o outro lado: aquele que está abandonando. E deixo de viver plenamente o momento de liberdade, fora da relação. Lógico: se pergunto a ela, em geral está tudo bem estar longe. E às vezes também não, mas aí, é o problema dela, e não o meu.

Investigando a raiz disso tudo, é a mesma coisa. É uma grande neurose. Não tem realidade. Temos uma relação honesta, onde às vezes estamos juntos, às vezes estamos separados. E cada um está buscando suas próprias coisas. As sensações emocionais pesadas não têm a menor verdade. Ao perceber a culpa, o medo, a angústia que vem quando estou longe, trato da mesma forma: vejo vocês. Vocês fazem parte. Eu cuido de vocês. Ela, minha parceira, não tem nada a ver com isso.

E assim, quando estamos juntos, novamente, posso olhá-la amorosamente. Entendendo o quanto é profundo ter alguém para me despertar estes trabalhos interiores e que é o instrumento do meu desenvolvimento espiritual.

Quando percebemos que realmente o outro é um instrumento divino, colocado no nosso caminho para mostrar a nossa capacidade de amar, além das dores, sentimos o verdadeiro Amor se mostrar. Não o amor da paixão, que é químico: mas o Amor do coração, que é uma conexão muito mais profunda, duradoura, abrangente. Ao acessar este Amor, não há mais personalização. Não amamos especificamente nosso parceiro, mas Amamos. Amamos o todo. Amamos a nós, nossas dores e nossos dons. Amamos o companheiro atual e todos os anteriores. Pois somos um só. Vivenciar este Amor tem o poder de dissolver a sensação de separação que o Ego criou. Que lindo, não?

Neste Amor, a liberdade vive em união. O antagonismo desaparece. E o medo se dissolve.

Alex Possato

II Congresso Online de Relacionamento Amoroso – de 17 a 23 de setembro de 2018

cora

E aí gente? O que acha de participar de um congresso online sobre relacionamento amoroso, que você poderá acompanhar do seu próprio celular? 1 semana com grandes especialistas falando sobre este tema que tanto nos toca? E além disso… De graça!!!
Eu estarei no dia 19 de setembro, às 16 horas, conversando com você! O tema será “A arte da solução no relacionamento afetivo!” Vamonessa?
Bora se inscrever! Tem muita coisa boa! Clique no link abaixo!

http://corasocial.org/congresso/alexpossato/

 

 

 

Vivência: O Dito e o Não Dito, em São Paulo

Paper cut of Family

O dito e o não dito

O olhar sistêmico na comunicação do casal

A interação como casal aproxima dois universos muito diferentes entre si e cria intimidade. Por isso mesmo, também traz desafios, especialmente alinhar a comunicação. O que um quer? O que o outro quer? Ambos são convidados a se entregar ao Amor e à comunhão, mas não foram ensinados a expressar suas verdades. Nem a ouvir o outro com o coração. Assim, o vínculo entre ambos vai enfraquecendo.

Se você está disposto a aprofundar no Amor, e quer aprender a se posicionar dentro de uma relação afetiva madura, sem repetir novamente os padrões de dores, abusos e separação já vivenciados no passado, este é o momento. Você irá “sentir” e exercitar a linguagem emocional que leva à cura, à reconciliação e à integração.

Perguntas como estas serão respondidas (e vivenciadas!) neste workshop:

– como expressar, assumindo meus sentimentos, sem magoar o outro?

– como não se sentir atingido por aquilo que o outro diz?

– qual o mecanismo para baixarmos a guarda e entrar em sintonia verdadeira com o parceiro?

– como restabelecer a comunicação, após uma desavença?

– qual o papel do silêncio e da escuta empática na comunicação do casal?

– como fazer da relação um aprendizado de desenvolvimento pessoal, sem sentir-se pessoalmente atingido pelas atitudes do outro?

O casal de terapeutas Alex Possato e Luciana Cerqueira conduzirão você nesta jornada do despertar o amor compassivo para o outro através da comunicação curadora e saudável.

Junto com eles, você compartilhará aprendizados e desafios vivenciados pelo casal, fará dinâmicas em grupo, constelações sistêmicas, exercícios em duplas, meditará e respirará o Amor de diversas formas, e será incentivado a exercitar a linguagem emocional, a única capaz de aproximar o seu coração do coração do outro.

Para quem é?

Casais, não importando a orientação sexual. E também para o participante individual que deseja melhorar a comunicação na relação afetiva, esteja dentro de um relacionamento ou não.

Sobre os terapeutas

Alex Possato trabalha há 10 anos como terapeuta e professor de constelação familiar sistêmica, é facilitador de grupos terapêuticos, comunicador e estudioso do poder essencial da palavra desde que se descobriu apaixonado pela escrita e oratória.

Luciana Cerqueira é terapeuta de constelação sistêmica, terapeuta de Bênção do Útero, professora de yoga e facilitadora de vivências do Sagrado Feminino. Luciana considera a abertura ao outro e a escuta empática como fator primordial para a harmonia nas relações.

Quando, onde, quanto, inscrições

Vivência “O dito e o não dito”

Data: 1 e 2 de setembro de 2018 (sábado e domingo)

Horário: das 09h00 às 18 horas

Local: Espaço Elementos

Rua Gaspar Lourenço, 496 – Vila Mariana – São Paulo

Valor:
Individual: R$ 440,00 (R$ 220,00 para inscrição e saldo no dia)
Casal: R$ 792,00 (R$ 220,00 para inscrição e saldo no dia)

Informações: atendimento@alexpossato.com ou (11) 99791-7211

Inscrições:  https://goo.gl/forms/oere7yrSKm9KO6j73

Falando de dinheiro em casal

falando de dinheiro em casal

 

Certa vez, estava lendo o ótimo livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de Gustavo Cerbasi, e ficou muito claro para mim a necessidade de criar uma comunicação saudável entre ambos os parceiros, pois existe uma coisa muito óbvia: é preciso falar do dinheiro, planejar, ver o que é utilizado para os sonhos de cada um e para o sonho do casal, como administrar, como gastar, onde investir… Dá pra fazer isso sem diálogo, sem transparência? Não!

E veja que incoerência! Justamente eu, um cara que se acha tão esclarecido e “terapeutizado”, não falava sobre dinheiro com minha esposa. Fazia meus controles, meus investimentos, mas ela não tinha a menor noção de quanto eu ganhava, onde eu aplicava, enfim, a transparência mínima necessária para começar a conversa sobre finanças. E por que será que é tão difícil falarmos de dinheiro abertamente para a pessoa que está ao lado? Este é um aspecto que gostaria de elaborar um pouco.

Eu não confio nele(a)

Carregamos em nós memórias de padrões dos nossos pais, avós, bisavós. E na minha prática de constelação familiar, vejo o quanto que estas memórias estão impregnadas de enganação, perdas, descasos, opressão, mau uso do dinheiro, e assim por diante. Por exemplo: Quantos pais e mães deixaram de cumprir suas funções de provedor, no passado? Quantos filhos bastardos não tiveram direito a nada? Nem as respectivas mães? Quantas brigas, por causa de dinheiro, demoliram a convivência do casal? Isso e muitos outros fatores, sem que saibamos conscientemente, estão afetando a nossa forma de se comportar em relação às finanças.

Investigue um pouco:

  • Quem era o provedor, na sua família?
  • Como eram discutidas (ou não) a forma de se gastar, de se poupar, de se organizar?
  • Quem ganhava menos (ou não ganhava) tinha direito a colocar seus sonhos, suas vontades?
  • Havia carência? Ou esbanjamento?
  • O dinheiro era utilizado para comprar o carinho, a fidelidade?
  • Houve conflitos relacionado a partilhas, heranças, benefícios?
  • Alguém quebrou ou passou por sérias crises financeiras?
  • Mesmo que irreal, existia (ou existe) o medo da escassez, da falta, de “passar fome” e/ou de “morar debaixo da ponte”?
  • Como foram suas relações afetivas: quem bancava as contas? Como foram as separações das obrigações?
  • Você enganou ou sentiu-se enganado nas relações – no aspecto do dinheiro?

Estas perguntas podem ajudar você a entender alguns aspectos internos da sua relação com o dinheiro, e consequentemente, da sua relação com seu parceiro(a) no quesito finanças. É importante não ser infantil: toda relação afetiva envolve outras coisas, além do amor. Principalmente, nossa psique tão machucada por dores, abandonos, descasos e enganações do passado, busca no outro segurança material e emocional, em primeiro lugar. É a base da pirâmide: sem esta segurança, o sucesso dos planos de casal é inviável.

 

Aprender a revelar-se

Ter dificuldades com o dinheiro, medos e padrões financeiros ineficazes não é demérito para ninguém. Aprendemos com a nossa família, com os padrões herdados e com a nossa experiência de vida. E se você já saiu da imagem do príncipe ou princesa em busca de uma relação de conto de fadas (e olha que muitos ainda estão procurando isso!), deve entender que uma relação afetiva inclui revelar o seu lado Shrek e Fiona, que todos temos, o universo todo sabe disso, o cara ao seu lado também, e continuamos a fingir não ter.

Num sentido sistêmico, nos sentimos atraídos por um parceiro afetivo para que o Amor possa se manifestar nesta relação, e frutificar em benefícios ao mundo. O Amor sempre gera frutos! Podem ser filhos, projetos, prosperidade, serviços… Mas é lógico que, por termos dentro de nós traumas que trazem desconfiança, teremos que aprender a desarmar nossas defesas, a confiar de forma inteligente e metódica, a ir gradualmente despindo a fantasia de príncipe para mostrar nossas verdadeiras faces ao outro.

Vivemos um tempo que pede, com urgência, esta revelação! A verdade imperando dentro do lar, dentro das relações, dentro da família… Pelo menos, se você está cansado de dar murros em ponta de faca, quer dizer, entrar e sair de relações onde se sente ferido, ou estar fechado ao outro (mesmo estando numa relação), deve pagar o preço do Amor: entender que é você que carrega medos, traumas, bloqueios, e por não confiar… não se abre… e acaba encontrando alguém que irá corresponder a este seu padrão.

Imagine como seria dizer:

  • Eu me sinto mal de não ganhar tanto quanto você
  • A sua forma de arcar com as despesas me faz sentir inferiorizado
  • Eu uso o dinheiro para ter poder sobre você
  • Gostaria de poder usar parte do dinheiro para sonhos meus, pessoais
  • Estou pagando as contas da minha família anterior
  • Me incomoda o fato de você gastar mais com sua família do que conosco
  • Vejo, na herança que vamos receber, uma possibilidade de salvar nossa situação financeira
  • Tenho medo de ir atrás do dinheiro e não confio no meu poder
  • Estou totalmente descontrolado financeiramente – você pode me ajudar?
  • Estou de saco cheio do meu trabalho, mas não saio porque ele é nossa segurança
  • Morro de medo da miséria! Mesmo sem sentido…

Pergunte-se: qual a revelação eu nunca fiz para um parceiro afetivo? Mesmo que você não fale, explicitamente, como seria imaginar dizendo isso? Dizemos a nós mesmos que um dos valores que mais prezamos é a verdade. E ficamos muito putos quando nos sentimos traídos. Mas num sentido profundo, eu digo: as nossas “verdades” não ditas na relação afetiva é uma traição, e a não exposição delas, são formas camufladas de mentir.

Convoque uma DR (discussão de relação) financeira

Se existir clima, sem forçar, pense seriamente em convocar DRs financeiras periodicamente. Existem inúmeras situações que precisam ser abertas, esclarecidas. Casais que convivem com desequilíbrios profundos, que vão minando qualquer possibilidade de confiança e manifestação de amor, poderiam ver a situação se resolver simplesmente conversando. Por exemplo: quantas pessoas se sentem exploradas pelo outro? Quantos parceiros se sentem humilhados por não poder colaborar da forma como gostariam na vida do casal? Quanto desperdício de dinheiro em coisas supérfluas, vícios, desvios?

Tudo isso pode (e deve!) ser olhado de frente. Somos humanos, e um parceiro afetivo verdadeiramente envolvido para o crescimento da relação, saberá lidar com todos os desvios, em prol do desenvolvimento conjunto. O amor pode se manifestar na verdade. Ou melhor: o amor pode se manifestar na verdade. Por isso, encare a sua verdade, e mãos à obra! Abaixo, vou deixar algumas regrinhas básicas, que podem orientar a sua DR financeira. Elas são extremamente importantes:

– fale sempre de você. “Eu me sinto fracassado, quando vejo você trabalhando, e eu desempregado!” Evite, terminantemente, apontar o dedo e dizer coisas assim: “Você me humilha com o seu jeito provedor!”;

– conte dos padrões financeiros que acompanham a sua vida, desde a infância, passando pela adolescência, primeiros trabalhos, como lidou com o dinheiro nas relações afetivas;

– fale dos seus sonhos pessoais – o que faria somente para si, com o dinheiro?;

– imagine também os sonhos de casal – o que seria, para você, um bom uso do dinheiro para planos conjuntos?

– revele o quanto você ganha, onde você gasta, como economiza (ou não);

– fale de suas dificuldades e como está disposto a superá-las (se é que está… e se não está, seja sincero);

– você poderá falar do que incomoda no outro, mas sempre dizendo: “isso que você faz me deixa… (triste, raivoso, frustrado, ausente, etc.)”

– e agora… ouça tudo do outro, sem interferir…

Lembrando: o outro precisa estar realmente disposto a conversar. Não force. Se você percebe que não rola, aguarde o tempo que for necessário, para que a confiança possa surgir. Ou talvez, a urgência do papo se manifeste. E se não for possível realizar isso somente em casal, busque o auxílio de um especialista, que fará a mediação. É importante entender, que às vezes, antes de harmonizar, algumas sujeiras que estavam embaixo do tapete vem a tona, e poderá haver uma fase de turbulência. Lidar com a verdade é algo bem difícil, e precisamos, em nome do Amor, respeitar o tempo do outro.

Entenda, definitivamente: encontramos uma relação afetiva para nos ajudar a manifestar o Amor. E uma das formas que o Amor atua é nos auxiliando a olhar em que ponto específico nós estamos fechados para Ele. Portanto, se seu parceiro te provoca, ele está mostrando exatamente o ponto onde você ainda não desenvolveu compaixão, flexibilidade, inteligência emocional. Assim, respeite o tempo! Tanto o dele, quanto o seu! Quando você aprender a sua parte, o caminho para o Amor estará desimpedido…

Alex Possato

Os dois “fazeres”

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Muitos dizem: eu não sei o que fazer! Onde ir! Sinto-me frustrado… impotente… infeliz… Talvez estas pessoas estejam muito perto de entender que, embora possamos conquistar muitas coisas, nada disso nos torna mais preenchidos. Sonhos realizados são ótimos. Porém, o prazer da vitória passa muito rápido. E novamente caímos no vazio… A mente dominada pelo fazer compulsivo, pelo retroalimentar de objetivos e planos, vicia-se nos picos de adrenalina que uma vida de competição impõe. E assim como qualquer vício, os picos de depressão são inevitáveis. A Mãe sábia, dentro de mim, diz: pare! Pare agora. Olhe para as pessoas que estão em sua volta. Observe o canto dos pássaros. O latir do cachorro. O silêncio desta manhã. O céu em seu tom cinza. Sinta seu coração. Cuide de si, da sua mente, do seu corpo. Não faça nada. Deixe surgir uma ação espontânea. Aja deste lugar. Ou contemple o não-fazer.

Existem dois “fazeres”. O fazer vindo desta mente compulsiva, cansa. Já o fazer que brota do silêncio, do não-foco, da não-vontade, da não-intenção, surge com uma pureza quase infantil, e tal qual a alegria genuína de uma criança diante da novidade, se torna prazer, fluidez, suavidade… Temos medo deste não-fazer. Temos muito medo de perder o controle. De permitir que Algo Maior faça os planos por nós. Não percebemos que, na realidade, os planos já estão traçados. E que às vezes, o nosso fazer compulsivo encobre aquilo que realmente deveria ser feito. Quando redescobrirmos a magia de simplesmente cumprir os desígnios supremos, veremos a vida se preencher de significado. Isso é instantâneo. Aqui e Agora. O banquete já está pronto, e o Pai, aguardando o nosso retorno à casa…

Alex Possato

 

O lado bom de ser criticado

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Recentemente, recebi uma crítica que me fez pensar: o que realmente é verdade nesta crítica? O que é viagem? Como posso lidar bem com a crítica, e fazê-la algo bom para mim e para os outros?

Fato é: nunca lidei bem com críticas, e por isso mesmo, este é um assunto extremamente relevante para mim. E vejo, através do meu trabalho ensinando constelação familiar e também atendendo meus clientes em terapia, que é um assunto quase que universal. A dificuldade de olhar para as críticas de forma construtiva e madura. Você já percebeu como que modificamos nosso comportamento, exatamente para nos proteger dos julgamentos, comparações, opiniões e maldades do outro? Vou dar alguns exemplos:

 

– você se torna bonzinho (sei bem como é isso!), agradável, sorri fácil e se mostra dócil e inofensivo. Tipo o gatinho do Shrek – quem irá fazer mal diante de tão inofensivo ser? (que você sabe não ser!!!)

– você se torna malzinho, crítico, uma mala sem alças, que espana a qualquer palavra do outro. Ninguém terá saco de afrontá-lo, e se algum incauto o fizer, levará no meio da fuça!

– você vira o perfeccionista: é tão, mas tão, mas tãoooo bom naquilo que faz, que não sobra um milímetro de espaço para críticas, opiniões, melhorias.

– você preenche todo o espaço com a sua comunicação: fala demais, ri demais, conta causos demais, fala de toda a sua sabedoria, é simpático ao extremo, seduz os outros, que ficam olhando para você como um cachorro faminto olha uma peça de carne pendurada no churrasco grego… todos hipnotizados. (Este é o meu preferido!)

– por último (poderia dar mais um monte de exemplos), você se esconde, se anula, busca se parecer um pouco pior que o último pedaço do cocô do cavalo do bandido – assim ninguém poderá falar nada de você. Afinal, você já é nada!

 

Claro! Estou falando com humor de assuntos que são muito, muito dolorosos! Não estou brincando quando falo da minha dificuldade de lidar com as críticas. Talvez, a única diferença é que, sendo um buscador ensandecido, passada a sensação da porrada na boca do estômago que uma palavra mal dita provoca, parto em busca da resposta: de onde vem esta dor? Por que dói tanto, afinal, o outro nem sabia exatamente o que estava falando!

 

A dor vem do passado

Todas as estratégias que coloquei acima são defesas. Defesas que vamos construindo, ano a ano, como forma de não mais sermos atingidos pelas dores das críticas, comparações, julgamentos, punições e humilhações que vivemos na infância. Somos seres humanos, e precisamos nos sentir pertencentes ao nosso grupo de origem: a família que nos criou. E por isso, somos extremamente sensíveis a qualquer palavra – ou crítica silenciosa, que diga algo assim: do jeito que você faz, não está correto. Isso pode vir em formas de gritos e pancadarias, mas também em forma de conselhos aparentemente “sábios” e sensatos. Talvez piadinhas. Ou tratamento desigual entre irmãos: uns são enaltecidos, outros, ignorados. A criança simplesmente entende: do jeito como sou, não pertenço. Outra tradução para “não pertencer”: eles não me amam porque sou assim.

Daí, para a culpa, é um pulinho. Não sou amado porque sou ou ajo errado. E da culpa para a raiva, é mais um passinho: eu odeio eles por não me amarem. Eu também me odeio porque sou errado e eles não me amam!

O ego da vítima sofredora começa a se cristalizar

Tudo isso se passa a partir dos primeiros anos de vida. Um mecanismo muito importante que a constelação familiar explica, se dá, concomitantemente a este padrão: conforme vamos nos sentindo não adequados, toda a amargura, sensação de tristeza por não ser aceito, inibição da criatividade e espontaneidade, raiva, etc., nos une aos excluídos do passado familiar. Carregamos em nossos genes as histórias e emoções vividas por toda a nossa ancestralidade. E a dor abre as portas para nos identificarmos com histórias e pessoas que foram esquecidas ou deixadas de lado, pessoas que nem temos conhecimento: aquele tio alcoólatra, o bisavô fracassado, a noiva esquecida do papai, o aborto não falado da mamãe, a bisavó que foi prostituta, o tio-avô corrupto e assassino, e assim por diante. Personagens e histórias que foram apagadas do livro tradição-família-propriedade, por não serem adequadas.

É como se um personagem sofredor, não aceito, começasse a ganhar corpo dentro de nós: sim, eu não presto! Sim, eles não me amam! Sim, o que faço não tem valor! Sim, o outro é melhor! Sim, nunca serei aprovado!

A união da psique infantil ferida com a identificação com o excluído do passado familiar fará um estrago na sua vida, pois você adotará um comportamento na sua vida baseado nestas dores, que podemos resumir em dois (que são os dois comportamentos básicos de quando nos sentimos acuados):

– a agressão (vou provar a eles o meu valor, eles vão ter que me engolir, vou despejar todo o meu ódio e raiva através da minha expressão, vou manipular a todos – pois não confio em ninguém, vou dar certo de qualquer jeito, o céu é o meu limite…)

– a fuga (vou ser bonzinho, serei agradável com todos, farei o que todos querem, serei perfeccionista, vou me esconder e não mostrar meus dons, me viciarei e mostrarei o quanto sou um fracasso, não vou me mostrar ao mundo, vou entrar em depressão…)

 

Crescendo com a crítica

Bem… ao receber a crítica que me fez pensar… refleti: vou analisar parte a parte desta crítica, e fazer disso algo bom para o meu desenvolvimento pessoal, emocional e espiritual. Então, a primeira coisa que preciso fazer é: abandonar o ego da vítima sofredora e seu padrão normal de comportamento. No meu caso, o padrão de quando me sinto criticado é contra-atacar. Desmoralizar aquele que me criticou. Jogá-lo no chão e pisar em sua cabeça. Não através de golpes de judô, mas através de argumentos inteligentes e desmoralizantes. Como disse no parágrafo acima, agressão e fuga são os comportamentos básicos de todo animal que se sente acuado, e não tenha dúvida: você utiliza os dois comportamentos na sua vida, o tempo todo, se você está identificado com o ego ferido. Você ataca e foge, o tempo todo!

Mas vem comigo: você não está sendo atacado quando alguém lhe critica (pelo menos, na maioria das vezes). Você simplesmente acessa momentos de desvalidação da sua infância, e também acessa sua identificação inconsciente com algum excluído do seu sistema familiar. São fantasmas, não são fatos verdadeiros. A dor é lembrança de algo passado. Portanto, será necessário você dizer para a sua vítima interior: agora, quem manda aqui sou eu! Você está demitida!

Primeiro passo: desidentifique-se da vítima sofredora que você mantém viva em si

O segundo passo, que não é tão simples: aprenda, de uma vez por todas, a lidar com os sentimentos, emoções e imagens que chegam, quando você acessa a dor de ser criticado. Pode ter certeza: é muito forte este processo. Só para você ter ideia, vou lhe falar o que ocorre em mim, quando acesso esta dor: ódio! Muito ódio! Tenho vontade de assassinar alguém! Dá enjôo. Também culpa. Medo. Vontade de me esconder. Sinto o impulso de largar tudo o que faço e sumir! Houve tempo que partia para a bebida. Acho que tudo o que fiz foi uma bosta. E em outros momentos, acho que todos são uma bosta! Lembro de diversos momentos em que fui humilhado, na infância. Enfim, é um retrato do inferno. O meu inferno interior.

Seja lá o que surgir em você, respire! Peça proteção àquilo que você acredita espiritual na sua vida, e não aja. Simplesmente, respire. Embora sejam tudo impulsos vindos de situações passadas, a impressão que dá é que são reais. Muito reais. Respire mais uma vez. Não faça nada. Entenda que esta é a reação da sua vítima sofredora interior.

Segundo passo: peça proteção e guiança espiritual e entre em contato com os sentimentos, imagens e emoções que surgem, quando você se vê criticado

Se você sentir muita dificuldade em relação ao passo anterior, procure ajuda de um especialista, para auxiliar neste processo. Serão necessários muitos meses, talvez anos, indo passinho a passinho, andando nesta senda do autoconhecimento e abertura da compaixão por si mesmo. Carregamos em nós imagens do céu e do inferno, como diz o mestre da constelação Bert Hellinger. E olha: temos muito prazer em recriar em nossa vida as imagens do inferno, pode ter certeza! Deixar a vítima que tão carinhosamente cuidamos décadas da nossa existência, é um processo gradual, lento, cíclico. Mas finalmente, você percebe que este eu sofredor começa a ceder. Lembre-se: ele só existe porque você precisou dele para se defender das humilhações e dores do passado. Seu passado e o passado dos excluídos da sua família, que tão carinhosamente você está identificado.

Aí, finalmente, um horizonte aberto começa a se mostrar. É muito louco, querido: você olha para as críticas e para quem o criticou com profundo sentimento de gratidão. Você sente em si a não necessidade de atacar ou fugir, como antes, e toda a energia que você desperdiçava tentando provar ao mundo que você é uma vítima sofredora, neste momento, fica a disposição para você simplesmente ser quem você é. Em posse desta energia, você começa a transmitir ao mundo a sabedoria que flui através de si, em prol do desenvolvimento humano, material e espiritual do outro. Você simplesmente está desarmado, e mostra o seu brilho e sua luz, naturalmente, a todos, indistintamente.

 

Terceiro passo: em posse da energia vital reequilibrada, grato pela vida e por tudo o que viveu (incluindo críticas e críticos), você se mostra um canal de sabedoria, compaixão e amor

Estes passos não são lineares. Você não sai do quilômetro 0 e chega ao quilômetro 100, e acabou! É uma aproximação e um afastamento destas compreensões. É preciso viver a experiência e permitir-se ser desafiado no dia-a-dia, através da convivência, aprovações, desaprovações e críticas que você enfrenta do seu namorado, sua família, seu chefe, professor, guia espiritual, amigos e da própria consciência. Em alguma fase da sua vida, você está trabalhando a sua expressão autêntica e amorosa, e em outra fase, você está novamente se defendendo das dores, se escondendo ou tentando provar ao mundo o seu valor.

Se eu pudesse dar um conselho, diria: se mostre! Coloque aquilo que você tem a disposição do outro. Porque será através da ação, e não da compreensão racional, que se dará o processo da purificação do seu ego vítima-sofredor, e ao mesmo tempo, do ressurgimento do melhor que você é – e você talvez tenha se esquecido. O seu ser, tal qual uma flor em botão, é belo, essencialmente puro, espontâneo e pronto para levar alegria, paz, prazer, diversão, cura, beleza e encantamento ao outro. Quando percebemos o botão da nossa flor se abrindo, não são os outros os primeiros beneficiados: somos nós, que ficamos embasbacados diante de tanta beleza e poder que o universo dispôs, gratuitamente, em nossas mãos. E sem dúvida, neste sagrado instante de compreensão profunda, dizemos, com os joelhos jogados na terra e a cabeça inclinada em devoção: grato a tudo o que vivi! Grato a absolutamente tudo o que eu vivi e vivo!

Cara, uma última palavra: quando você sentir dor ao ser criticado, justa ou injustamente, por outro ou por você mesmo, lembre-se que esta é a dor do parto. O seu botão de flor está se abrindo! Respire! Entre em contato com a dor, não fuja. Cuide com amor do seu próprio processo. A gratidão chegará. Pode crer nisso…

 

Alex Possato

 

 

 

 

O que é constelar, para mim?

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A constelação familiar sistêmica, para muitos, é algo incompreensível. Como que as pessoas, sem se conhecerem ou sem saber das histórias pessoais e familiares dos constelados, podem assumir postura, tom de voz, movimentos e até falar como se fossem alguém do sistema familiar? De onde vem as emoções, que surgem do nada, e se vão também do nada? Por que o corpo fica tomado por algum tipo de energia, que nos faz perder a força, ir ao chão, ou ao contrário, nos deixa eretos e cheios de poder?

Por tudo isso e muito mais, uma roda de constelação instiga o imaginário, as crenças espirituais e facilita uma confusão com questões sobre mediunidade, energias – seja lá o que isso significa, telepatia, hipnose, obsessão, incorporação, animismo, etc., etc., etc.

Constelação é terapia

Tenho minhas crenças espirituais e de tudo isso que falei acima, diria que aceito e entendo o lugar de cada um destes aspectos. Trilhei vários caminhos religiosos e sou realmente uma pessoa muito conectada com todo este tipo de conhecimento espiritual, filosófico, energético – o que é isso mesmo? – parapsicológico, ritualístico… porém, lembro que a constelação familiar sistêmica tem como objetivo prioritário o trabalho terapêutico.

E uma das principais características do trabalho terapêutico, baseado no fundador da constelação, Bert Hellinger, é incluir tudo o que foi, do jeito que foi. Entendemos, como facilitador do processo, que as pessoas participantes de uma roda terapêutica estão com seus problemas ou manifestando sintomas porque não conseguem incluir algo, alguém, uma situação, uma dor ou emoção. “Nosso ser se enriquece se permitimos que tudo seja como foi, que siga para sempre como foi e que nós também nos concedamos o direito de ser tal como somos, junto a tudo. Juntos de que maneira? Com amor por tudo o que foi e segue sendo em nossa vida”, ensina Hellinger (trecho extraído do livro Liberar el Pasado, da terapeuta canadense Galina Husaruk).

Por exemplo, não conseguimos incluir a amante que papai teve. Em geral, porque a mamãe também nega este amor de papai. E nós, inconscientemente, carregamos a dor da exclusão deste amor, dentro de nós, às vezes provocando a dificuldade de nos estabelecermos em relações afetivas. Nos portamos como se não merecêssemos uma relação duradoura. Às vezes, nos descobrimos como sendo o outro, ou a outra, numa relação afetiva. Um outro exemplo: negamos, sem saber, a morte do nosso tio, que faleceu com 2 anos de idade, vítima de um acidente doméstico no qual a nossa avó se sentiu totalmente responsável. E culpou também o vovô por não ter estado no momento do acidente. E assim nos vinculamos a dor de perder precocemente alguém muito querido, além de carregarmos uma culpa inexplicável por algo muito grave que irá acontecer. Vivemos com um peso inconsciente, uma sensação de morte, de segredos não revelados.

Esses aspectos, e tantos outros, são profundamente importantes para entendermos os padrões inconscientes que nos fazem agir, sem que saibamos, rumo a repetir estas situações do passado, como forma de honrar a dor vivida pelos nossos pais ou antepassados.

Observe estas perguntas:

  • Por que nos isolamos?
  • Por que sentimos a sensação de abandono?
  • Qual a causa da sensação de carência financeira?
  • Por que sinto raiva dos homens (ou das mulheres)?
  • Por que não me sinto parte da família?
  • Qual o motivo de permitir-me ser manipulado?
  • De onde vem esta agressividade contra as injustiças?
  • Qual o motivo de eu manipular os outros, para que façam as coisas como quero?

Muitas vezes, estes exemplos de padrões de comportamento e/ou emocionais estão influenciados por traumas vindos do passado. Histórias não digeridas, vividas nas gerações anteriores, continuam. E carregamos em nossas células, pedindo para serem vistas. Porém, a grande virada possível está em nossas mãos: padrões vistos se transformam em poder. Em compaixão. Em inteligência emocional. Em cura. Incluindo, harmonizando os padrões dentro de nós, nos convertemos em membros mais capazes de perpetuar o sistema familiar com eficiência e saúde.

 

Constelar é incluir – para incluir, é necessário maturidade

Sim, a constelação tem a sua magia. E uma coisa que sempre ocorre, é a magia da sincronicidade. Em 100% das vezes posso dizer que as constelações que facilito demonstram aspectos meus que também não foram incluídos. Costumo dizer que estou constelando a mim mesmo, através de outros. Quantas vezes surge a mesma história que tive com meu irmão, na minha frente. Ou a dor do abandono, que vivenciei na infância. Ou ainda, a minha rebeldia, a incapacidade de acatar as ordens dos “superiores”. Carl Jung, o descobridor do movimento da sincronicidade, diz: “O principal objetivo da terapia psicológica não é transportar o paciente para um impossível estado de felicidade, mas sim ajudá-lo a adquirir firmeza e paciência diante do sofrimento. A vida acontece no equilíbrio entre a alegria e a dor. Quem não se arrisca para além da realidade jamais encontrará a verdade”.

Por isso, a maior parte das vezes que constelamos, olhamos para aspectos difíceis de nós mesmos. Mesmo que os traumas tenham se originado lá atrás, no passado familiar longínquo, o sistema está rodando dentro de nós. E se analisamos nossas ações, sabemos muito bem que somos responsáveis pelas coisas que acontecem em nossa vida. Este é o papel da terapia. Trazer luz à sombra. E garanto para você: o trabalho, via de regra, é sempre maravilhoso!

Nosso mestre Bert Hellinger diz que estamos identificados a um peso, por amor. Um amor infantil, que não leva à resolução em nenhum aspecto, mas que nos dá uma sensação de pertencimento. Através do sofrimento, nos sentimos pertencentes à família. E nos colocamos numa posição de sacrifício. Algo muito próximo ao mito de Jesus crucificado. Preferimos morrer – simbolicamente (fracassar na saúde, nas finanças, no sucesso, nas relações), para salvar papai, mamãe e antepassados. É um mecanismo inconsciente. E durante a constelação, não raras vezes, este amor se mostra. Grandioso. Profundo. Intenso. E a inadequação deste amor doentio, a falta de resolução, também se mostra. Isso provoca um enorme alívio a todos os participantes, quando é possível se libertar desta identificação amorosamente desastrosa.

Como falei acima, a magia da sincronicidade nos faz ver que também estamos carregando pesos enormes, com a vontade inconsciente de salvar papai, mamãe ou alguém que nem sabemos. E ao poder vivenciar a despedida deste padrão, sentimos um grande alívio. Não somente quem está constelando, mas todos. Inclusive eu – o facilitador.

Incluir é permitir a existência de um sentimento difícil, dentro de si

Quantos clientes recebo que desejam simplesmente eliminar o problema! Dizem-me, por exemplo: tenho fracassado financeiramente há mais de 20 anos. Não suporto mais isso. Ou: meu relacionamento afetivo está um desastre – quero uma solução! Ou ainda: meu filho não estuda, não trabalha, não colabora – quero mudar isso! É lógico que todos desejam soluções para seus problemas, mas vamos ser bem sinceros: se eu estou buscando uma terapia para mudar uma situação qualquer ou mudar alguém, no fundo estou querendo uma mágica! Vou pagar uma consulta que irá mudar a situação para o jeito que eu desejo… assim deve estar pensando, de um jeito inocente e infantil, a pessoa.

Então, eu sempre alerto, ao ouvir este tipo de questão: não é desta forma que iremos trabalhar. O problema é algo muito importante na sua vida, um verdadeiro portal que está direcionando o seu foco para algo excluído. Estamos fazendo terapia – estamos trabalhando para você mudar a sua forma de ver a si, aos outros e à própria vida. Existe algo emocional que está impedindo a sua vida de ser mais leve. Vou dar alguns exemplos possíveis e práticos:

  • A pessoa está passando por situações recorrentes de abandono nos relacionamentos. Às vezes, por detrás desta história, há um noivo amargurado, deixado pela mãe que foi instruída a casar-se com outra pessoa. Qual é o desafio deste cliente? Aprender a lidar com a dor da rejeição.
  • Alguém deseja trabalhar a dificuldade financeira. Que ela vive, o pai já viveu e os avós, que vieram de outro país, fugidos da pobreza, também viveram. O que este cliente precisa aprender a incluir, internamente? Talvez a vergonha de não poder pagar a escola que deseja aos filhos. Ou saber lidar com o nome sujo na praça.
  • Um outro cliente vem com uma questão de saúde: uma doença grave o acometeu. Não sabemos qual a origem dela, mas invariavelmente, a constelação irá mostrar alguma exclusão do passado. Um amor traído. Um filho abandonado. Um aborto não visto. Uma relação que acabou em violência. Porém, qual é a inclusão que este cliente está sendo chamado? Quem sabe olhar para a própria impotência, diante da doença? Aprender a incluir a morte, como uma possibilidade bem real. Estar em paz com as despedidas…

Este é um aspecto que precisa ficar bem claro. Incluir algo na constelação não é dizer: ah! Eu incluo o aborto que tive! Ou: sim, claro! Vovô teve muitas amantes e elas fazem parte! Quem sabe: eu incluo a morte, a morte faz parte! Quando incluímos, o que falamos não importa, porque estamos lidando com sentimentos. Incluir a traição, por exemplo, significa sentir-se mal, perceber talvez a raiva, o medo do abandono, e dizer: ok! Eu permito. Isso faz parte e eu dou conta destes sentimentos dentro de mim.

Tudo isso pode parecer difícil no começo. E é, não vou negar. Lidar com nossas dores internas é muito duro. Porém, “o homem que não atravessa o inferno de suas paixões também não as supera”, diz Jung. Terapia exige esta postura. E na minha visão pessoal, preciso dizer: é muito bom! Fazer terapia é um caminho fantástico, pois nos descobrimos humanos. Humanos na nossa luz e na nossa sombra. Emoções contraditórias! Humores diversos. E desta forma, aceitamos os desvios dos nossos pais e antepassados. Todos eles, conforme aprendemos a amar os nossos desvios. Aquilo que negamos em nós. Logo, o amor começa a fluir de um jeito que nunca antes foi possível: o amor da inclusão. O amor da compreensão da alma. O amor que somente nossas emoções profundas, em paz, consegue propiciar.

Alex Possato