Disciplina… sem perder a ternura jamais

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Fato é: uma das maiores razões para alguém não alcançar o sucesso naquilo que almeja é a falta de disciplina. O inverso também é verdadeiro. Já fui taxado de indisciplinado. Na realidade, eu mesmo sempre me achei indisciplinado. Achei, não. Fui. Ou sou. Às vezes. Basta alguém falar: faça isso durante 1 hora, e eu farei por 59 minutos. Ou uma hora e dez. Mas não uma hora. Ou não farei.

Quando pequeno, me chamavam de preguiçoso, dissimulado, indolente… naquela gentil e amorosa forma de bullying, que denominavam educação infantil. Pensando agora, eu era um dos que mais trabalhava dentro de casa. Mas fazer o quê? É assim que me ensinaram. E não é que eu acreditei? Sou preguiçoso!

Lógico: criei um ódio mortal quanto às figuras de autoridade e às ordens, já que me senti muito ferido e injustiçado em relação à forma como fui disciplinado. Por que que tenho que acordar cedo para fazer lição, se quero dormir até as 10? Para que limpar este canteiro no jardim? Por que que tenho que estudar, se quero brincar ou ficar vagando com minha mente vertiginosamente fértil? Não entendi e não aceitei as imposições. Mas por outro lado, tinha que fazer, porque havia castigo. Que saco, não? Quando eu crescer, eles vão ver só!

E não é que eu cresci? Tô grande! E peludo. E subitamente, me vejo tendo que dar ordens para mim mesmo: controle suas finanças! Organize sua agenda! Corte as distrações! Cuide de seu corpo com amor! Para de beber! Receba o seu cliente! Fique com sua mulher! E assim por diante…

E da mesma forma como quando criança, me vejo obedecendo somente na pressão. Ou não obedecendo. Vou confessar uma coisa: aprendi a empreender, organizar meu tempo, planejar e executar por causa das minhas dívidas. No fundo, eu queria que tudo se resolvesse por obra e graça do Espírito Santo. Mas não funcionou. Até acender vela eu acendi. E as dívidas multiplicavam…

Foi com muita raiva que arregacei as mangas, e falei: vou acabar com estas dívidas de uma vez por todas. E comecei a estudar os 12 passos do endividado anônimo, comprei tudo quanto é livro de organização financeira, vi vídeos e palestras… e iniciei a árdua tarefa de OBEDECER o que era recomendado. Se não fosse na marra, com uma corda no pescoço, eu largaria… eu voltaria ao meu estado indolente e revoltado contra minha educação na infância… Indolente, revoltado e endividado.

Não foi fácil. Não trabalhei sorrindo nem me organizei com alegria… Tive que fazer coisas que, quando pequeno, odiava: lista de tarefas e prioridades. Controlar horários e executar. Perceber metas e verificar a qualidade da execução. Dizem que Deus escreve certo por linhas tortas. Sei lá. Fato é que eu fui ensinado direitinho. De uma forma um tanto quanto ditatorial, sanguinolenta e ensandecida, mas fui. Bastava aplicar o que papai, mamãe e meus mestres ensinaram…

Bem… dívidas pagas… aí… adivinha? Perdi a motivação. Se aprendi a fazer planejamento e execução somente na pressão, não havendo pressão, larguei mão. O barco andando, minha carreira indo tranquilamente para frente… podia me encostar num barranco… Mas a vida é sábia. Deu-me uma alma que deseja expansão. Expansão no trabalho, expansão no conhecimento, expansão no bolso, expansão na espiritualidade… Falar a verdade, não aguento barranco não. Mas também não queria ter que me esforçar para mudar.

O problema é que esta equação não bate. Se estou num lugar, até agradável, mas almejo um novo patamar, tenho que sair da zona de conforto, né? E muito cedo tive que olhar novamente para a mesma coisa: planejar e executar. Mas como planejar, se estou numa situação confortável? Meu sistema não entende “bem-estar”, “alegria e paz” junto com “ação”. Ou melhor, não entendia… pois me vi na necessidade de ressignificar minhas estratégias. Um lado mais equilibrado da minha mente louca diz: eu posso crescer em paz. Ter harmonia nas ações. Sim! Eu posso e quero!

Estou sendo convidado a ter disciplina, mas uma disciplina que não parte do meu “lado sofredor” e ameaçado por algo muito ruim… Esta disciplina parte de um lado centrado e amoroso, que diz: existe um novo lugar para você! Um novo e ótimo lugar! E você precisa se mover até lá! Com suavidade, mas também firmeza. Clareza de propósito. Amor e respeito pelo seu próprio ritmo, mas sem cair na tentação da preguiça e procrastinação…

E se eu cair? Como acabo caindo várias e várias vezes… (sou humano, sabe?) Bem… levanta, sacode a poeira… continuemos… O mapa tenho nas mãos. Por escrito! Sim, me ensinaram quando pequeno a fazer um planejamento por escrito. Vovó, a megera, torturando-me com suas ameaças terríveis e bolos de fubá sublimes. Depois, já adulto, minha ex apresentou-me ao mind map. Brilhante! Um mapa mental, visual, onde posso, num apanhado rápido, captar as coisas importantes, fundamentais para minha vida, que me inspiram. Para onde devo ir. (Quer saber qual programa de mind map eu utilizo? Uso o mindmeister.com e adoro!)

Conversando hoje com meu terapeuta Walfredo Medeiros, ele me instruiu: fique atento! A sombra está sendo afogada, e ela não quer morrer. Para o leitor que não entende este contexto, a sombra, neste caso, é o meu “eu sofredor”, que aprendeu a dureza do fazer na infância, e ou agia como um general, ou se rebelava e ia para a preguiça.

Existe um lado centrado, amoroso – dentro de mim e de qualquer um -, que quando obedeço, tenho muito prazer e ótimos resultados. Um pouco antes de ir à terapia, acordei mais cedo para meditar. Havia colocado o relógio, e nem pensei muito nisso. E tive uma experiência meditativa fantástica. Sem esforço. Sem me machucar. Sem o “tenho que meditar, caso contrário meu mestre espiritual irá me punir!”. Creia: a disciplina pode ser suave, e o caminho, prazeroso… Para muitos de nós, não há mais sentido uma vida de sofrimento e esforço, metas sem sentido e castigos se não formos bons meninos! A luta entre o general interior e o eterno rebelde sem causa pode, assim, se encerrar. Para seguirmos amparados, quem sabe, pelo sábio e a criança saudável, que residem em nós também…

Que sua vida seja suavemente disciplinada… e plena!

Primeiro você cresce… depois o outro cresce

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Finalizando o Workshop Sucesso para Empreender a Si Mesmo, realizado em Brasília em parceria com minha amada companheira Luciana Cerqueira, me vem algumas considerações sobre crescimento. Principalmente num ponto específico: a vontade de auxiliar outros a crescerem. Contei na vivência que, ao abrir minha empresa, a primeira funcionária que contratei tinha deficiências na dicção. E uma das funções dela era atender o público. Que mancada, né? Comecei com o pé esquerdo!

O que me moveu a colocar uma pessoa superbacana, mas não adequada para o que eu precisava, no lugar da minha “única” funcionária? A dó. Sou neto de um avô comunista e com o coração enorme, que me ensinou a ser caridoso com as pessoas sem posses e menos privilegiadas. Durante muito tempo achei que este sentimento era grandioso. Até perceber que a dó quebra as empresas. Da informalidade, passando por uma loja, outra loja maior, fechamento desta loja e uma dívida enorme, foram 11 anos. Foi a melhor universidade de administração que eu poderia ter tido. Tudo prático. Muitas tentativas, poucos acertos, mas que me tornou o homem que sou hoje.

Hoje, a experiência me diz, com certeza: cresça sozinho. É você com você mesmo. Conquiste o seu lugar ao sol. Um lugar seguro, onde o dinheiro flui, dependendo única e exclusivamente do seu trabalho. Somente com esta energia, você poderá ter pessoas ao seu lado, para auxiliar ainda mais no seu processo de crescimento. Pessoas para auxiliarem no seu processo de crescimento precisam ser competentes para aquilo que você precisa. Precisam ser competentes, não tanto quanto você… pois você é a pessoa mais competente em relação ao seu projeto. Não dê funções para pessoas que não mostram capacidade para cumpri-las. Pode parecer óbvio, mas o que vejo de autônomos e pequenos empresários fazendo exatamente o contrário, não é mole não!

Acredito que o empreendimento, seja ele qual for, é um lugar onde podemos compartilhar amor, compaixão, paz e boas relações. Trabalho com esta visão interior. Mas um item necessário a qualquer organismo vivo, seja uma bactéria ou um negócio, é a sobrevivência: a sustentabilidade é o objetivo número um! Os grandes ideais que você tem em relação ao seu trabalho podem até movê-lo, mas a busca incansável primeira é pelo planejamento, organização, lucro, qualidade, atendimento e serviços adequados. Sem isso, é como vovô dizia: colocar o carro na frente dos bois.

Hoje, com meus cinquenta anos de idade, entendi as atitudes do vovô: ele era aposentado, não precisava do dinheiro e por isso podia fazer caridade. Como criança, só vi a beleza dos seus atos, mas a parte prática – a sobrevivência já estava garantida, não entrou na minha lógica infantil… e quis partir pelo mundo seguindo um ideal belo, mas sem realidade. Resultado: quebrei. Quebrei para aprender o que estou lhe falando agora: a sobrevivência é o objetivo número um de qualquer ser vivo. Sem isso, ideais não tem o menor sentido…

Alex Possato

Sucesso a serviço do amor

a serviço do amor

 

O sucesso está relacionado diretamente à sua abertura para amar. E ser amado. Uma pessoa próspera não tem medo do outro. Está plenamente aberto a ele, pronto para servi-lo. E também não se opõem aos recebimentos. Pagamentos em forma de carinho, gratidão, reconhecimento e também dinheiro.

Uma pessoa aberta para o amor, está em seu próprio lugar. Sabe o que quer, o que tem para dar e seus próprios limites. Olha nos olhos do outro e é verdadeira. Transpira confiança, e por isso, o outro confia. Muitos confiam. Uma quantidade infinita de pessoas quer você. Mas você sabe que é somente um canal. O amor flui através do seu serviço. E a recompensa lhe é dada pelo universo, através do público que você atende. Chegar neste lugar é uma jornada. Uma jornada árdua, pois seus diversos “eus” carentes, manipuladores, medrosos, vingativos, pobres, fracassados, contestadores, irão cair por terra… para que você seja somente um canal. Neste lugar de sucesso, você deixa de ser independente, e está a serviço do próximo. Torna-se interdependente. Suas preocupações pequenas precisarão ser deixadas. Um pouco, ao menos no princípio. Pois você está a serviço. A serviço do amor. Não importa qual seja o seu trabalho. A serviço do amor.

Metas forçadas já são derrotas

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Ontem, entre um pedaço e outro de pizza com meu amigo Fernando Tassinari, falávamos sobre caminhos de vida, vícios, nossas mulheres, papai e mamãe, neuras e nosso papel de homem nisso tudo. Papo bem Diamante Bruto, o projeto de encontros do masculino que estamos retomando.

Relembramos que a última vez que nos encontramos, há 5 meses atrás, eu estava iniciando um período de abstinência alcoólica, meta que se mostra amigável comigo até hoje. Zero álcool. Abstinência que já havia realizado por dez anos, antes do meu casamento anterior degringolar e eu entrar na cachaçada de novo.

Durante muitos anos trabalhando com o desenvolvimento pessoal e terapia, e aplicando todos os conceitos aprendidos em mim mesmo, tenho a certeza de que, quando algo planejado acontece na nossa vida, é fruto de um amadurecimento da consciência, idas e vindas, pressão e relaxamento, até que vemos o fruto do planejamento concretizado.

As metas, não importa se seja parar de beber, emagrecer, montar uma empresa, criar uma carreira, estabelecer uma família ou levar adiante um projeto, são como seres vivos que necessitam do tempo adequado para serem gestados, nascerem e crescerem. Como dizemos na constelação familiar sistêmica, lidamos com forças a favor da vida e também a favor da morte, e o jogo não é vencer as barreiras… mas ficar em paz com as duas forças antagônicas.

Figuradamente, as forças a favor da vida é tudo aquilo que nos leva para frente, nos dá prazer, alegria, desperta a criatividade, traz união… e as forças a favor da morte são aquelas onde sentimos peso, culpa, agressividade, falta de energia, medo, tensão, ansiedade, cria separação… Em geral, quando estamos a favor da vida, estamos a favor do fluxo maior, conectados com o que há de mais puro e verdadeiro em nossa ancestralidade e em nós mesmos… E quando estamos buscando a morte, estamos conectados com o peso, os traumas, as perdas, as dores da nossa ancestralidade – começando pelas dores dos nossos pais – e conectados com a parte mais dolorosa de deles e de nós mesmos.

Vou repetir o que falei linhas acima: o jogo não é vencer as barreiras… mas ficar em paz com as forças da vida e da morte. Aquilo que nos favorece o caminho e também o que nos dificulta. Na prática, ter vontades, projetos, metas… sim! Porque quem não sabe o que quer, é simplesmente levado pelos impulsos inconscientes, influenciados pelo próprio sistema familiar, e vive, mas não está em posse do seu instrumento que lhe permite se deslocar pela vida: a mente. Mas saber o que quer, planejar e executar não é o desafio maior. A grande questão é aprender a lidar com os sentimentos que surgem quando vemos dificuldades em prosseguir nas nossas metas. Geralmente, ou lutamos desesperados contra aquilo que nos confronta, ou desistimos. Mas a sabedoria maior diz: fique amigo da energia que lhe atrapalha. Aquilo que lhe impede. Veja o que ela tem a lhe dizer. Converse com ela.

Também trabalho com muitos profissionais autônomos e pequenos empreendedores, e vejo a falta de percepção em relação a isso. Lutam contra e perdem. E daí partem para fazer um novo projeto, e novamente, quando não aprendem a lidar com a energia que os confronta… caem outra e outra vez.

Num sentido mais profundo, nós não viemos neste planeta para construir coisas. Sejam famílias, empresas, negócios, planos… Acredito firmemente que nós viemos neste planeta aprender a lidar amorosamente conosco e com o próximo. Amar ao próximo como a si mesmo, dizia o mestre. E a vida dá oportunidades a cada instante para que olhemos amorosamente para nós… principalmente nas situações em que ouvimos um não! Um não do pai, da mãe, do marido ou esposa, do chefe, do governo, da justiça, do mercado, dos clientes, do dinheiro, do corpo, da mente… Quando deparamos com a nossa incapacidade, podemos perceber os sentimentos difíceis que chegam até nós… a sensação de injustiça, de raiva, de tristeza, de abandono, rejeição, culpa, desvalidação…

Olhando pacientemente para esses incômodos, começaremos a ver o que nos separa da nossa realização. Quantos sentimentos pesados (advindos de emaranhamentos sistêmicos, traumas do passado, seus e da família) estão impedindo o próprio avanço. Uma outra forma de ver é: quanta dor impede você de estar em paz consigo, com os outros e com o seu próprio caminho.

Ficar em paz com estes obstáculos permite que você prossiga com o peito aberto, pescoço ereto e confiante. Tenho tido a experiência real de ver caminhos se abrirem quase que miraculosamente na minha frente, enquanto estou desvendando os mistérios destes mesmos obstáculos que surgem à minha frente. Claro: continuo com metas, desejos, planos… mas procuro não leva-los tão a sério. A riqueza de aprender a desvendar os segredos dos obstáculos e a pacificação dos meus sentimentos internos é tão gratificante, que passa a ser divertida a caminhada. Chamar a energia da tolerância, da espera e da observação pacífica é fundamental neste estágio. Porque o “homem fazedor”, que a tudo quer resolver, irá detonar com a possibilidade de aprendizados. Fica então a dica: deixe de forçar suas metas. Aprenda a estabelecer contato com as dores que surgem enquanto você caminha. Faça isso na prática. Depois me diga os resultados…

Sucesso para empreender a si mesmo – Brasília

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Sucesso para empreender a si mesmo

O sucesso nasce de uma percepção interna, do coração. É uma verdade que já existe em si, antes mesmo que qualquer coisa surja no mundo exterior. E este sucesso se manifesta efetivamente, no momento em você consegue sentir, pensar, planejar e agir na mesma direção daquela primeira percepção do coração. Sucesso não é aleatório. É a consequência da sua rendição à intuição, juntamente com a união do melhor de si em prol desde objetivo.

Este é o nosso convite: apoiar a sua jornada rumo ao sucesso pessoal!

Nesta vivência sistêmica, trabalharemos a sua relação com o próprio sistema familiar que talvez ainda o prende a situações de medo, perdas, desvios… e também olharemos através da constelação para os vínculos com as partes prósperas da sua ancestralidade, de onde brotam recursos e possibilidades, abrindo um espaço de consciência para que você decida seus próximos passos nesta jornada com muito mais assertividade!


Alguns conteúdos que trabalharemos:

  • Sobrevivência x prosperidade
  • Autoconfiança e empoderamento
  • Foco x dispersão
  • Capacidade de planejamento e execução
  • Coerência nos produtos/serviços e objetivos
  • Resiliência e perseverança
  • Propósito e caminho de vida

Alex Possato
é terapeuta e professor de constelação familiar sistêmica. Está envolvido desde 2008 com a constelação, é coordenador do Projeto Incluir – Laboratório de Constelação Sistêmica, atua na condução de vivências por diversas regiões do Brasil e cursos de treinamento de constelação familiar sistêmica em São Paulo, Goiás e Brasília.

Luciana Cerqueira
é terapeuta de constelação sistêmica, terapeuta de Benção do Útero, professora de yoga e facilitadora de vivências do Sagrado Feminino. É responsável pelo projeto Sagrado Ventre – terapias do feminino & curas, e realiza vivências e atendimentos em São Paulo, Brasília e Goiás.


Vivência: Sucesso para empreender a si mesmo!

Data: 15 e 16 de julho

Sábado e Domingo das 10 às 18 horas

Valor sugerido: R$ 260,00

Contato para informação e inscrição: clique aqui e preencha o formulário online

Email: florbrasil.newtonlakota@gmail.com

Telefone: (61) 99976-7740 com Newton Lakota

Local: Espaço Despertar para Crescer
Rua das Quaresmeiras, 11 – Condomínio Verde – Jardim Botânico – Brasília

Revertendo o fracasso dos nossos sonhos

nosso projeto

 

Acordei hoje pensando sobre empreendedorismo. Estou em Brasília, na casa do amigo Newton, debaixo do silêncio e acolhido pela bela natureza do cerrado. Uma casa, mas também um projeto que abriga cursos, atendimentos terapêuticos, alguns encontros espirituais… e que nasceu da necessidade. Precisávamos de um lugar para trabalho, já havia o trabalho, já tínhamos público… e é lógico, tudo fluiu… Até quando irá durar, não sei, afinal, tudo depende, como se dizia antigamente, “dos olhos do dono”.

Eu já fui dono de um projeto. De uma empresa. E apesar de ter durado muito tempo, quase uma década, não tive lucro nem felicidade com ela. Foi muito trabalho, tudo o que tínhamos foi investido e… perdido… Ao contrário do projeto acima, não havia público, não havia um produto adequado, estávamos na região errada, enfim, foi um grande aprendizado, através do sacrifício.

Repetindo o fracasso dos nossos pais, avós e antepassados

Sem ter feito esta experiência, jamais eu poderia ter partido para uma carreira autônoma – que também é um projeto, uma empresa individual – com mais assertividade como estou tendo agora. Sem ter montado a minha empresa errada, no lugar errado, com os produtos errados e público idem, não estaria nem escrevendo estas linhas.

Hoje posso dizer que aquilo que é o “nosso projeto”, já flui por si só… antes de termos algo concreto, já aparecem nossos clientes. Já desenvolvemos um produto ou serviço adequado. Somos muito competentes naquilo que fazemos e nos dá imensa satisfação realizar o trabalho. O dinheiro flui, mesmo na informalidade, e passar para o próximo estágio, a regularização, é uma consequência natural, e não uma invenção do ego.

Eu disse: invenção do ego. Para entender um pouco sobre o que estou dizendo, o ego, nesta concepção que coloco, é o apanhado de crenças, emoções e padrões de comportamento que dá uma sensação de “eu”. Algo muito importante, para entendermos os limites nossos e dos outros, reconhecermos quem somos diante do mundo, fazermos nossas escolhas… Porém, o ego é uma parte programada dentro de nós. Programada por nossos pais, família, sociedade e modelada também pela nossa personalidade. Nossa forma de atuar no mundo.

O ego é um programa, e não aquilo que sou… Vou dar um exemplo, voltando ao empreendedorismo. Sentado na cama, pensando sobre minha empresa antiga e o fracasso, começaram a vir lembranças: vovô dizendo que teve uma lanchonete numa escola particular em São Paulo muito bem-sucedida, mas… vovó brigou com a diretoria da escola e eles tiveram que ir embora. Depois, montou uma lanchonete em Suzano, cidade periférica de São Paulo… tudo estava indo bem até que… vovó resolveu que teriam que mudar de cidade por causa dos problemas de saúde do meu pai… Ele vendeu tudo. Outra voz que me vem do passado, é de vovô dizendo, meio que ridicularizando, de um projeto que meu pai fez: criar galinhas no Mato Grosso. Virou motivo de piada e foi um fracasso que, possivelmente, mal saiu do papel. A última voz que ouvi é da minha mãe, que há alguns dias atrás, disse que meu avô, seu pai, tinha uma indústria química para produtos de beleza e não deu certo, enquanto que a vovó, a mãe dela, montou uma escola de cabeleireiros que foi de vento em popa. Ela nem sabia cortar cabelo, contratou um profissional, aprendeu e em breve estava ensinando, dentro de um instituto que ela mesma fez. O dinheiro da família, nesta fase, veio todo da vovó.

Hoje eu tenho certeza absoluta de que meu ego ficou infectado pela ideia do fracasso, principalmente os homens fracassados da minha família. Embora eu tivesse sido influenciado a ser empreendedor como vovô paterno e materno, o padrão que mais fiquei preso era o fracasso, a frustração, a perda financeira e a sensação de derrota… e com uma mulher mandona ao lado. Isso também ocorreu comigo: ao quebrar minha empresa, voltamos para São Paulo, e em breve minha antiga companheira estava fazendo terapia. Aprendeu muito rápido, ela já possuía este dom natural, e começou a ensinar… E nós finalmente entramos numa era de poder ganhar muito dinheiro.

Já ouviram esta história antes?

Mas só me dei conta agora, quando mamãe contou outra vez a história dos seus pais.

 

Honrar a derrota, para abrir-se para a vitória

Uma coisa que aprendi fazendo terapia é que reproduzimos a eterna guerra entre homem e mulher dentro da nossa relação, e isso se espalha nos nossos negócios. Meus avós paternos não se davam bem. Conviveram juntos até o fim, mas era uma relação cercada de mentiras, traições, mágoas e comportamentos abusivos. Meus avós maternos também não se deram bem. Conviveram até o final da vida juntos, mas havia alcoolismo, agressividade velada, falta de diálogo. O ambiente de conflito gera energia para aquelas pessoas que conseguem canalizar a guerra para seus objetivos. Motivados para a batalha, podemos direcionar esta força para os negócios e sermos muito bem-sucedidos. Mas quando a briga é dentro de casa, isso vai minando nossas resistências. Geralmente um tem que ceder, para o outro subir. Um deve ficar submisso, para que o outro fique em evidência. O que ficou embaixo, logo irá tentar puxar o tapete daquele que ficou acima. Por raiva, ciúme, inveja, competição.

Eu também acabei vendo despertado em mim a raiva, a frustração, a sensação de incapacidade ao me ver fracassado. E ao ver minha mulher subir, tive ciúme. Inveja. Mas já eram muitos anos de relação, que não estava bem. E a necessidade financeira, junto com meu trabalho espiritual, me fez ver que era o momento de baixar a bola. De ver meu ego cair por terra. E auxiliar no processo que estava dando certo. Mesmo que nossa relação afetiva não estivesse mais íntegra.

Era necessário honrar a derrota e todos os sentimentos que isso provocava em mim. No fundo, vovô, quando dizia que só foi derrotado por causa da vovó, estava ausentando-se da responsabilidade do fracasso. Ao ridicularizar seu próprio filho, estava dizendo, pelo menos ao meu ouvido: nós, homens, somos uns bostas. E eu, o descendente, também. Isso é inconsciente, mas acaba ficando. Logo, na vida adulta, eu tive que reproduzir mais uma vez, a experiência de derrota em mim mesmo, para que pudesse ter a oportunidade de assumi-la. Achava que queria empreender para ser bem-sucedido, mas no fundo, meu inconsciente queria empreender para ser derrotado, e se igualar à mediocridade que meu ego acreditou ser real. Mas eu não sou medíocre. Vovô e papai também não. Era um grande engano.

Era isso que o universo quis me ensinar: não há culpa de alguém, quando fracassamos. Não há culpa de nada. Somente é uma situação que precisa ser incluída. Vovô não conseguiu e jamais se levantou. Tanto o paterno quanto o materno. O dinheiro ganho por eles, as propriedades conquistadas, foram divididas e diluídas pelos descendentes. Quase nada sobrou.

Ao tomar a decisão de servir, com meu trabalho, àquilo que minha ex estava fazendo, o combate entre nós suavizou, e a prosperidade pôde chegar. E ficar.

O sucesso não necessita esforço desmedido

Os passarinhos cantam, por entre as árvores do cerrado. Logo mais, terei um encontro com alunos e pessoas interessadas no meu trabalho e no trabalho proporcionado pelas pessoas que ensinei. Me encontrarei com algumas dezenas de pessoas, entre hoje e este final de semana. Tenho que dizer: estou muito surpreso em ter entrado em contato com a sensação de que estou honrando a minha avó materna, empreendedora bem-sucedida, que deixou o marido seguir seu caminho e provou a sua competência ao aprender uma profissão, e tornar-se professora… assim como eu. Passou a vida submissa, ao lado do marido, para depois, já com certa idade, partir para o próprio negócio.

Os homens da minha família sempre lutaram. Lutaram muito. Se esforçaram muito, e não deram conta. Eram raivosos e emocionalmente instáveis, frágeis. As mulheres, de certa forma, faziam as coisas com leveza. E talvez por isso, muito mais assertividade. Também emocionalmente problemáticas, mas com mais estabilidade nas ações. O homem e a mulher, unidos, conseguiriam prosperar. Mas não havia união de casal, e cada um teve que ir por um caminho. Lembro-me que a ex dizia para mim: para que você faz isso? Por que gastar tanto nisso? E eu não a ouvia. Intimamente sentia que ela era incapaz, não auxiliava no processo e estava me desmotivando. Estava revivendo a guerra entre os sexos da minha família. E tentando provar para ela a minha competência. Estava unido ao vovô e ao papai.

Não consegui. Ela conseguiu. Felizmente, pude reconhecer isso. A relação acabou. Mas o aprendizado ficou. É necessário entrar em contato com o fracasso. É importante nos dobrarmos e cairmos ao chão, sinceramente derrotados, após todos os nossos esforços. Renunciar à insanidade de tentar provar, seja lá para quem, a nossa competência: porque nesta toada, só colheremos frustração. Somente assim, saberemos tomar posse da nossa força. A nossa força natural, e não os condicionamentos do ego, que age por programação. Suavemente, deste lugar, a prosperidade começa a se mostrar. O próprio caminho se abre. Seus tons despertam. As pessoas chegam. O dinheiro vem.