Você está pronto para a paz?

paz

Você clama por paz. Sim, você me ouve. Paz. Eu lhe convido à paz. Porém, até agora você assentou sua base sobre o conflito. Relações conflituosas. Brigas com o outro, com a família, com o passado, e inclusive, consigo mesmo. Detonando sua mente, suas emoções, seu corpo. E você até gosta da guerra, não é mesmo? Vem excitação, adrenalina, sensação de estar vivo.
Pergunto: você quer a paz? Porque irei retirar você destes conflitos. Algumas pessoas se afastarão. Você será convidado a deixar atitudes que geram mais e mais guerra. Sua mente será direcionada ao silêncio, e seus hábitos, para a saúde física, mental e emocional.
Você renascerá outro. Não é fácil renascer. Primeiro terá que morrer para o velho.
Diga ao passado, se está preparado: descanse em paz.
E será feita a sua vontade…

Alex Possato

 

A raiva saudável

tunel

“Só uma raiva, no entanto, é bendita: a dos que precisam.”
Clarice Lispector

Faz muitos anos que falo para as pessoas que atendo: a raiva faz parte. Olhe para a sua raiva. Não negue. Não a esconda. Ela pode ser sua amiga. Principalmente, falo para as pessoas que estão paradas na vida. Que não tem força para tocar seus projetos. Fazer as mudanças necessárias. Tomar decisões. É muito comum que estejam inibindo a raiva, com dificuldade de lidar com esta energia. Por que acontece isso?

Vou explicar, de um jeito que gosto: falando um pouco da minha experiência, que de alguma forma, pode ser a sua também. Vivi numa família raivosa. Eu era o menor de todos. Meu irmão, sempre cheio de conflitos e violência, volta e meia me agredia. Minha avó tinha acessos de fúria, entrecortados por abismos de depressão. Meu avô era gente boa dentro de casa, mas capaz de agredir alguém na rua simplesmente porque olhou atravessado. Meu pai era um cara baixinho, colecionador de armas de fogo, espadas e facas, cujo temperamento era sujeito a chuvas e trovoadas. Minha mãe era uma pessoa impulsiva também. E imprevisível. E eu, a pequena criança, a menor de todas, assustado com tanta energia em minha volta. Não havia como confrontar, sem apanhar. Bem que tentei. E apanhei. E então, comecei a desenvolver outras estratégias: a lábia. A chantagem. O vitimismo. A sedução. O bom humor. A racionalização. Ganhava minhas lutas sem lutar.

Quando criança, criamos várias defesas e estratégias. Tudo para não sermos mais feridos e podermos obter nossas vantagens. O problema dessas estratégias, é que as levamos para a vida adulta. Um homem com a minha idade, que parte para a vida pensando que poderá apanhar, que qualquer coisa que fale – ou não! – irá detonar uma explosão, ou que as pessoas são instáveis e assustadoras, terá muita dificuldade de alcançar metas. De lutar pelos próprios direitos. De batalhar por um espaço na sua carreira. De ousar competir e conquistar.

Quando observo bem a mim mesmo, vejo que parte de mim acredita que perdeu o direito de reivindicar. De ter a própria opinião e sustenta-la. De achar que algo está desconfortável e que posso querer mudar. Esta parte de mim, no fundo, só quer sombra e água fresca. Um ambiente onde não haja conflito, para me livrar dos ecos do passado. Essa parte só quer paz. E por isso, se recusa à guerra.

Sem a guerra, não há paz

Meu grande mestre Bert Hellinger diz, em A Paz Começa na Alma: “ A guerra é o pai de todas as coisas. Isso quer dizer: a guerra é também o pai da paz. Sem a guerra, não há paz. Quais são os efeitos disso na alma? Freud, o fundador da psicoterapia moderna, observou que o indivíduo só pode crescer se integrar algo que ele excluiu de sua alma. Rejeitamos muito de nós mesmos, apesar de sentirmos que faz parte de nós”.

Traduzindo para a minha vida, não aprendi a guerrear. Não aprendi a defender meus pontos de vista. Não aprendi a usar a minha raiva (que era muita!) para abrir meus caminhos. Assim, tive que me aproximar de pessoas que sabiam lidar com a raiva – geralmente de jeitos não adequados – para que elas fizessem por mim aquilo que eu tinha medo de fazer sozinho. Amigos fortes. Grupos que me defendiam. Mulheres fortes e lutadoras. Gente que abria as portas na minha vida aos pontapés, enquanto eu ia atrás. Como criancinha. Um verdadeiro bunda mole! E ok! Para quem vem de uma história onde não sabia se defender de inúmeras agressões externas. Mas um adulto?!? Onde não havia mais irmão, pai, mãe, avós, família em conflito vivendo comigo…. isso não fazia mais sentido!

A raiva saudável pode ser uma expressão do amor

“Na medida exata em que uma pessoa é capaz de sentir e expressar amor verdadeiro, ela também é capaz de manifestar raiva saudável e construtiva. Tanto o amor real como a raiva vêm do eu interior. Absolutamente todo sentimento real é saudável e construtivo e propicia o desenvolvimento do eu e dos outros. Os sentimentos reais não podem ser forçados, comandados nem impostos. Eles são uma expressão espontânea, que ocorre como resultado natural e orgânico de nós mesmos”, diz Eva Pierrakos, em Criando União.

Demorei para entender isso. O motivo principal é que estava magoado com a minha família. Que sempre manifestou muita raiva. Que me feriu. Logo, como poderia eu usar as mesmas armas “deles”? E disse para mim mesmo: vou fazer diferente. Vou mostrar pra “eles” como é que faz! Vou ser diplomático. Pacífico. Conciliador… Besteira…

Sempre defendi minhas convicções “pacíficas” com a faca nos dentes. Sempre tive (e ainda tenho) muita raiva das pessoas que contrariam meus princípios, minhas opiniões. A única diferença é que hoje sou consciente de que não saber usar esta energia da raiva tem a ver com o não concordar com o meu passado. No fundo, sou absolutamente igual ao meu pai, minha mãe, meu irmão, meus avós. E eles também não souberam usar a raiva de forma apropriada, para alcançar os próprios objetivos, para galgar os degraus que achavam adequados. Se perderam numa guerra entre si… e o cavalo do sucesso passou arreado… eles não montaram…

Deixando o passado, para estar presente na própria vida

Quando estamos perdidos no uso da raiva de forma distorcida, quando machucamos os outros e a nós mesmos, ou inibimos esta energia, causando úlceras e paralisia na vida, estamos identificados com situações do passado familiar – a maior parte inconsciente – onde houveram feridas que não foram vistas. Tanto a nossa infância, quando as diversas gerações que nos antecederam, estão recheadas destas histórias: pessoas feridas pela agressividade de um e de outro… pessoas que agrediram, mataram, coagiram, violentaram… Eles são todos nossos antepassados. Vítimas e algozes. E tudo isso é passado. Deveria ser, ao menos. Porque, bem ou mal, eles foram os bravos pioneiros que avançaram ano a ano, década a década, vida a vida, ganhando e perdendo, nascendo e morrendo, procriando e matando, para que nós estivéssemos aqui. Nós somos o bom resultado de todo este esforço: os frutos que deram certo!

Honrar a este passado significa andar. Ir para frente. Carregar esta força de combate, resiliência, inteligência, estratégia, amor e dor, tudo isso dentro de nós… e fazer a nossa parte. Montar no cavalo do sucesso que passar arreado à nossa frente. Para isso também necessitaremos bravura. Coragem. Usar um pouco desta raiva, que nos torna desconfortáveis diante de situações desagradáveis, como motivação para avançar. “Lute apenas por lutar sem pensar em perda ou ganho, em alegria ou tristeza, em vitória ou em derrota, pois, agindo desse modo, você nunca pecará”, aconselha Krishna ao atemorizado guerreiro Arjuna, no livro sagrado indiano, Bhagavad-Gita.

E quando dizemos lutar, muitos pensarão em levantar bandeiras e comprar causas sociais, políticas ou espirituais. No meu entender, não é necessariamente isso. A luta é contra os próprios fantasmas internos. Os medos. Os vícios. As estratégias que nos impedem de sermos amorosos conosco e com o outro, e complicam a transmissão dos nossos dons e talentos para o universo, em retribuição e gratidão a tudo o que recebemos da vida.

Sem um pouco de raiva concentrada e bem direcionada – para frente! -, não tiramos a bunda da cadeira para nos mover nesta tarefa tão importante, e tão difícil: manifestar o melhor daquilo que somos, ainda nesta vida. Aqui e agora.

 

 

 

Acalme-se. O “processo” não está em suas mãos

acalmeseO buscador gosta de dizer: estou em processo! Estou me trabalhando! E até usa deste artifício para diferenciar-se daqueles que “não se trabalham”. E pressioná-los para que façam alguma coisa. Alguma coisa espiritual. Ou terapêutica. Ou ambos. Torna-se frenético. Compulsivo. Não raro, utiliza-se do bom argumento para ferir e ferir-se. Estar se trabalhando vira vício. Um vício que encobre um profundo desamor e revolta: eu não me aceito do jeito como sou. Eu não aceito as coisas como elas são. Eu não aceito! Eu vou mudar a qualquer custo!

O ego toma conta do processo. E sutilmente, invade uma área que ele sabe não ser sua: a cura. A transformação. O encontro da Paz.

Se o ego está doente, ele precisa entregar-se à cura, sim. Confiar no trabalho de um curador. Que age em nome de Algo Maior. E sair da frente. Deixar de querer atingir algum lugar. Por exemplo: conquistar um amor. Recuperar a saúde física, mental, emocional ou financeira. Reatar relações. Reerguer empreendimentos. O poder do ego está na sua inteligência, na sua estratégia, na sua capacidade de ação. O que, em si, não significa muita coisa. Podemos aprender a fazer “tudo certo”, e mesmo assim, tudo dá errado. O aprendizado que talvez Deus queira de você não é o de fazer as coisas darem certo, mas de harmonizar-se com o fracasso. Com a sensação de incapacidade e impotência. Com a sua insignificância e fragilidade…

Afinal, alguém que se diz um buscador, no fundo, não coloca em primeiro plano o sucesso pessoal, profissional, empresarial, atingir metas na saúde ou no amor. O verdadeiro buscador quer encontrar Deus. O Amor. A Compaixão. O Perdão. A Alegria. O Prazer. E acredite você, ou não, o Universo está neste exato momento abrindo a estrada por onde você irá passar, como o Rei que é, rumo a encontrar e ocupar o seu verdadeiro Trono.

Acalme-se. Tudo está programado e previsto. No seu verdadeiro tempo, o véu será descortinado. E você verá. E reconhecerá! Enquanto isso não ocorre, viva mais leve! Deixe de querer chegar! Domine sua ansiedade e sua angústia. Medite! Faça, sim, mas sem expectativas… Deixe de pressionar-se. E pressionar os outros. No grande mistério da vida, a chegada não é um lugar físico a ser encontrado em algum momento específico. É um lugar onde você já está, Aqui e Agora. Pare de correr dentro da rodinha, que gira, gira e gira… e você não sai do lugar. Sente-se ao lado dela. Feche os olhos. Respire. Profundamente… Você é perfeito, com todas as suas imperfeições. O mundo está ok. Os outros estão ok. A sua vida é essa mesma e está tudo certo. Pronto. É só isso. Afine a sua mente. Respire mais uma vez. E solte… solte… solte…

Por que atraímos doenças e infortúnios? (vídeo)

O “vínculo” inconsciente que temos a pessoas e situações do passado familiar, muitas vezes desconhecidas, faz com que repitamos dores, doenças, problemas, que de certa forma, sinalizam para a cura que o sistema deseja. Esta é a explicação da constelação familiar. Mas a ciência também começa a encontrar algumas possíveis explicações para a repetição de traumas de geração em geração, através da epigenética. Alex Possato fala um pouco sobre este mecanismo, e a possibilidade de desligar-se dos efeitos destes “vínculos” através do autoconhecimento e terapia.

 

A dor faz parte!

vida bonita

Estou caminhando no Parque da Aclimação, domingão de sol entre nuvens… quando ouço:

– Ele já fez três operações no joelho e não resolveu… Viu, precisa perseverar no exercício físico. Bicicleta pra fortalecer… caminhada…

O homem ao seu lado deu um grunhido, algo que não entendi se era sim, não ou não encha o saco! De longe, eu já havia reparado nele. Sua perna direita estava cheia de marcas, varizes e protuberâncias. Não sei o diagnóstico, mas não parecia saudável. Seu tronco arqueado e suas passadas desvitalizadas mostravam que algo não estava bem com ele, que devia ter aproximadamente a minha idade.

Bem… deixa eles pra lá, pensei comigo. Eu estava na sétima volta no parque. Mesmo tendo estabelecido dez voltas, já estava quase querendo voltar. As dores na lombar, que me acompanham há um ano, incomodavam um pouco. Mas após ouvir “a chamada” daquela mulher, falei pra mim mesmo: tem que perseverar, ô meu! Não quero operar nenhum joelho… Mesmo não tendo nenhum problema no joelho…

Prosseguindo no andar rápido, lembrei-me do Caminho de Santiago de Compostela. Alguém havia me dito: não há caminho sem dor. A dor faz parte. E realmente… uma longa jornada, quase oitocentos quilômetros, cerca de 25 por dia, não há como não doer algo. Nem que seja o cérebro!

Trabalhando com dezenas de pessoas que buscam mudanças profundas na própria vida, costumo olhar para o caminho de sair do padrão antigo, para alcançar uma nova forma de agir e viver uma vida melhor e diferente, como uma longa jornada! Largar um vício. Deixar uma carreira. Sair de uma relação abusiva. Se abrir para um novo amor. Divorciar. Casar. Divorciar e casar novamente. Mudar de cidade ou estado. Alcançar a prosperidade. Enfim, mudanças profundas, que exigem um total alinhamento das crenças, do emocional e das ações. E ainda, uma adequação ao tempo que a própria vida impõem, muitas vezes diferente do tempo que gostaríamos de ver as mudanças acontecendo.

E percebo o quanto alguns doidos desejam a mudança mágica, instantânea, com um mínimo de esforço e dor… Inclusive assumem a postura de alguém que já está mudando. Agora será diferente! Sou um novo homem! Aquela carreira já era: sou um isso e aquilo. O passado não me afeta… E por aí vai. A maior parte destas bravatas, auto enganação. Para não olhar para a dor que ficou.

Quando não se valida a dor, os desafios, os fracassos do passado, não validamos os aprendizados. As conquistas. O lado bom de tudo – que só existe devido ao lado ruim de tudo. Não despertamos gratidão pelas coisas vividas. E olhamos para o futuro com um sentimento de vingança: será melhor do que antes! Eu acharei um cara bem melhor do que este canalha! Não sei como me enfiei neste emprego de merda por tantos anos – agora serei independente!

Mal sabemos que tudo o que vivemos é preparação para aquilo que nos é apresentado aqui e agora. Todas, absolutamente todas as experiências do passado, nos fornecem os recursos necessários para atuarmos com maestria no aqui e agora. Mas ao negar o passado, negamos também os dons e talentos despertados nesta longa caminhada.

A vida é muito bonita! E mesmo com situações difíceis, ela chega a ser excitante, se olharmos para tudo como oportunidades milimetricamente colocadas na nossa frente, para desenvolvermos mais um pouquinho o nosso potencial. Achamos erroneamente que existe algo errado em nós, quando uma situação não dá certo. E por isso queremos fugir dos erros. “O não dar certo” está certo!  Não nascemos para acertar tudo o que fazemos: nascemos para despertar o melhor em nós, que só enxergamos, quando somos provocados!

Entenda bem a diferença: não estou dizendo para cultuar o sofrimento e a dor. Estou dizendo, somente isso: alguma dor faz parte! Principalmente nas grandes mudanças da vida. E se planejarmos cuidadosamente, aprendermos a olhar para nossos hábitos, pensamentos e emoções e equilibrá-los com nossas ações, estas dores serão minimizadas. E assim, também vivenciaremos inúmeros momentos de alegria e desfrute…

Voltando lá no início do texto, na minha caminhada no Parque da Aclimação, e depois na lembrança do Caminho de Santiago, posso afirmar para você: o deslumbre e prazer que tenho nas caminhadas é infinitamente superior às dores lombares, tendinites e outros “ites” que volta e meia ataca um jovem de cinquenta anos como eu… Mas quando me foco na dor, começo a perder a motivação para caminhar. Por outro lado, se finjo não existir a dor, acabo exagerando e me machucando mais do que devia, impedindo a caminhada por um prazo muito maior. Aprender a olhar para a dor, para os limites do corpo e impulsionado pelo prazer de andar, me traz consciência. Ajusta meu ritmo. Tira-me a ânsia de chegar a algum lugar. Motiva-me a cuidar amorosamente do meu corpo. Ouso dizer que, desta forma, consigo viver um pouco mais feliz!

Sim, a dor faz parte!

Alex Possato

 

 

O dia em que reencontrei a minha expressão criativa

eu posso me expressar

Recentemente li A Grande Magia – vida criativa sem medo, de Elizabeth Gilbert. Para quem não a conhece, ela é autora do best seller Comer, Rezar e Amar, que se tornou também filme famoso, com Julia Roberts.

Envolto num movimento de ampliar minha comunicação e vencer medos e travas que ainda insistem em boicotar meus projetos, tenho usado de vários artifícios para sentir-me em paz com o que falo, escrevo e divulgo nas redes sociais. Ler diversos livros sobre o assunto, fazer terapia, projetar e administrar o tempo, permitir situações de prazer, abraçar o ócio criativo… enfim, a jornada tem sido longa.

Geralmente você não percebe, quando vê alguém se comunicando, o quanto é desafiante para o comunicador bancar o que ele está transmitindo. Como é difícil assumir os próprios pensamentos, ideias, ousar ser criativo quando o mundo pede a normalidade e as estúpidas ideias politicamente corretas, se despir do papel do cara que quer agradar todo mundo para fugir das críticas, e transmitir algo que vem de um outro lugar muito além da própria mente e do próprio ego. O verdadeiro comunicador é um instrumento da comunicação, e assim como um médium tomado por uma energia exterior, ele se deixa conduzir por algo encantado, que lhe conduz a fala, a escrita, o pincel, os acordes, a massa do pão, as sementes do jardim ou seja lá os recursos que a vida lhe dá para encantar o mundo em sua volta.

Não é você quem faz a magia, assim como não era você que transmitia tanta luz pura e inocente quando, como criança, pegou a toalha de mesa e saiu dançando pela casa como se fosse um misto de Sherazade e ninfa tupiniquim… Seus braços voavam em torno do sol e da lua, seus cabelos flutuavam como ondas celestiais e seu sorriso abraçava todo o universo…

– Meninaaaaaa!!!! Volta já com esta toalha!!! Já para o quarto, troca de roupa, vá arrumar a cama e estudar!!! O que você está pensando? Eu aqui dando o duro pra fazer o almoço e você igual uma espavitada doida, sujando a toalha da sua bisavó!

E a menina, subitamente retirada do seu mundo onírico transcendental, se vê trazida ao perverso universo dos cadernos, lápis e obrigações.

Quantas e quantas vezes isso ocorreu com você, claro! – de outras formas, mas com igual sadismo e crueldade, mostrando a sua impotência e incapacidade de manter belo e feliz o seu sagrado mundo de criança e tendo que se adaptar ao mundo competitivo e chato dos adultos?

O não que vem do passado

Neste final de semana, mergulhado num curso terapêutico denominado Relacionamento em Equilíbrio, capitaneado por Ronald Fuchs e Fanny Van Laere, mal sabia eu que também iria acessar, mais uma vez, um NÃO para a minha criatividade e expressão, não este que veio do passado. Puxa… fui trabalhar relacionamento afetivo, com a amada Luciana, e subitamente, surge a vovó carrasca, proibindo-me de brincar, obrigando-me a limpar toda a casa no final de semana, desvalidando minhas vontades e forçando-me a comportar-me de forma adequada… para ela. Vovó!!! Eu já não falei pra senhora continuar enterrada, quietinha, no cemitério? O que você tinha que aparecer em Pinheiros, naquele grande salão de terapia, só pra lembrar o quanto ainda não valido minhas ideias, e inconscientemente, transfiro a minha raiva e frustração que tive com você para as mulheres da minha vida? Principalmente a Luciana?

Falo brincando, para não pegar este notebook e jogá-lo com ódio no chão! Foram muitas feridas. Muitas. Tantas, que resolvi enterrá-las no fundo do meu inconsciente, fazendo então cara de paisagem e dizendo: sim, está tudo bem! Já perdoei meu passado!

Perdoei uma ova! Lógico, já me trabalhei terapeuticamente um montão. Sei que não é a vovó. Mas sim os fantasmas do passado, a mágoa, a humilhação e a dor de ser dia-a-dia desvalidado e massacrado, não somente por ela, mas também pelo meu irmão mais velho, meu avô e, em menor grau, meu pai…

Como posso saber que existem mágoas não resolvidas? É bem claro: não consigo fazer algo sem morrer de medo de uma crítica hipotética, que irá detonar comigo. Ao menor sinal de desvalidação de qualquer pessoa, principalmente mulheres, eu reajo fugindo, virando as costas, ou agredindo. Sem a menor razão. Aprendi a não ser eu, com medo da crítica. Transformei-me num personagem que:

– fala coisas legais para agradar;

– não expõem suas ideias claramente;

– evita assuntos polêmicos;

– foge correndo de discussões e debates;

– por ter medo dos embates, não coloca a própria vontade;

– por não colocar a própria vontade, é engolido pela vontade dos outros;

– depois, explode do nada, devido a sentir-se usado e não fazer o que deseja…

 

Sistemicamente, honro os inibidos, aqueles que não se expressaram

A constelação familiar também me ensinou que os traumas vêm de mais longe: foram vividos por gerações anteriores às minhas, e por vínculo, eu vivo a mesma dor que um ou outro membro do meu passado familiar viveu. Por amor ao que eles sofreram, eu procuro, inconscientemente, sofrer igual… Ou seja, embora eu (e você também!) tenha um potencial criativo inigualável, resolvemos boicotar nossa expressão, e assim, podemos honrar com o nosso sofrimento, o sofrimento de outro.

Recentemente, o contrabaixista de uma banda famosa brasileira se suicidou. Sistemicamente, ele seguiu o vocalista, que também houvera se suicidado tempos antes. É uma escolha muito comum, mas muito comum mesmo: escolhemos sofrer, como forma de honrar pessoas que conhecemos ou nem conhecemos, já que, conforme a epigenética afirma, memórias traumáticas podem ser transmitidas de geração para geração e reproduzem os sintomas em descendentes que não tiveram contato com o fato traumatizante.

Quem não se expressou alegremente na minha família? Quem não teve a coragem de se mostrar, com medo da crítica e do julgamento? Em menor ou maior grau, todos! Absolutamente todos! Venho de uma família muito talentosa. Papai escrevia e pintava muito bem. Acabou em decadência, doente, falido e mentalmente debilitado. Mamãe é pianista, extremamente inteligente, buscadora espiritual convicta. Vive se criticando e se comparando e sente extrema dificuldade de se expressar. Desvalida a si o tempo todo. Vovô era extremamente talentoso. Fazia casas. Esculturas em madeira. Consertava rádio e televisão. Montava sistemas de alarme, elétrico e eletrônico. Contava histórias infinitas. Isso nos anos 70 e somente com a quarta série primária! Mas viveu frustrado e não se realizou profissionalmente… nem artisticamente… Vovó, a minha querida “carrasca”, era muito inteligente. Conhecia os poetas clássicos. Exímia cozinheira. Hábitos refinados e aparência até nobre. Mas o pânico e a neurose a prendeu dentro de casa, afastando-a do convívio até dos parentes mais queridos.

Para que eu possa me expressar em toda a potencialidade que também herdei do meu sistema familiar, preciso largar estas frustrações para trás. Não são só as minhas dores de humilhação e as mágoas por não poder ser eu. São dores muito antigas, de muitos, que carrego. Ou carregava…

O padrão só pode ir embora quando revivemos as emoções dolorosas com consciência

Tive a grande oportunidade, nesta vivência que participei, de poder reviver a dor de ter sido tão humilhado quando criança. Eu pedi, no final do ano passado, para que os meus guias espirituais me conduzissem neste túnel, em busca da minha plena manifestação como ser humano. E dia após dia, semana após semana, tenho tido testes que vão abrindo a ferida antiga que ainda não cicatrizou, fazendo a limpeza e permitindo a cura final…

Fanny e Ronald me lembraram meus avós: vovô bonzinho, espirituoso, inteligente e alegre – incluindo os lindos olhos azuis dele! E vovó megera (me desculpe, Fanny: é só projeção!), loira, clara, racional, dura… Fiquei com raiva e entrei no trabalho pronto para bagunçar. Lançar piadinhas em horas erradas. Era assim o meu jeito de reagir aos maus tratos da minha família. Bagunçando. Mas hoje também tenho consciência das emoções me dominando, e segurei a língua ferina. E não deixei este erê bagunceiro dominar meu trabalho, caso contrário não teria chegado à essência da dor.

A própria Fanny me trouxe uma luz: você está com problemas de colocar limites para si! E caiu a ficha! Enorme! Luciana, minha parceira de vida e dinâmicas, completou: já pensou em colocar uma frase, um mantra para você, afirmando algo assim: eu posso me expressar do meu jeito! Eu me permito!

Quando criança, eu não podia. Tinha que me adequar. Mas não sou mais aquela criança. E esta dor não precisa mais ficar comigo. Eu devolvo para você vovó! Você não soube se expressar! Você também, com certeza, foi massacrada! Sinto muito. Vivi a sua dor. E a de tantos outros. E me inibi. Mas agora acabou… eu me permito expressar, do meu jeito!

Agora, eu me autorizo! E se você me criticar, vovó, na voz de outras pessoas, ao até da minha mente julgadora (igual mamãe!), não fugirei mais. Nem reagirei com raiva. Somente irei sorrir. E continuarei me expressando. Obrigado, vovó! A lição foi dura, mas aprendi! Agora você pode descansar em paz… E se não for pedir muito, por favor, me abençoe, se eu usar a expressão de boa maneira, em benefício da alegria! Do amor! Do conhecimento! Da reconciliação!

 

 

 

 

Constelador não é conselheiro (vídeo)

 

Gente, voltando à ativa, em relação aos vídeos! Vídeo novo no ar! Deixo uma frase para pensar: “Quando você permite que um ‘conselheiro’ lhe diga o que fazer, está tirando a própria responsabilidade da ação… e das consequências.” Falo neste vídeo que um terapeuta de constelação familiar não é conselheiro, e nem sempre é confortável aquilo que é visto e/ou falado numa constelação… Assim é o processo terapêutico! Assistam! Dê uma curtida no vídeo e assinem o canal!!! Este ano de 2018 teremos muitas novidades!

Que 2018 seja uma relação intensa de amor, confiança e entrega!

2018

Querido amigo que me acompanhou neste 2017… Talvez você tenha participado de um grupo comigo. Ou feito algum workshop, quem sabe fez ou está fazendo um curso? Foi atendido terapeuticamente… ou interagiu através dos textos, vídeos e mensagens que publico nas redes sociais e blogs. Bem, de alguma forma, nos tornamos um pouco mais íntimos. E mesmo que não tenhamos sido apresentados pessoalmente, isso não importa. Acredito verdadeiramente que a energia que trocamos através dos textos é viva, atuante, transformadora e me retroalimenta também!

Creio que tudo o que está vivo, mantém uma relação ativa conosco. Vivemos um caso de amor, 24 horas do nosso dia. Há alguns anos venho experimentando algo meio maluco, quase esquizofrênico: converso com a Vida, com a natureza, com meus projetos, com meus talentos, com você que talvez eu nem conheça pessoalmente… E por mais maluco que possa parecer, tudo me responde. A Vida me fala, através dos sons do mar, da voz do atendente da padaria, do choro da criança, da brisa que acaricia meu rosto, das portas que se abrem, dos medos que surgem em meu peito…

Como isso começou? Como desandei a conversar com as “coisas” do mundo? Quando começou a cair a ficha: eu não existo sozinho neste mundo. Quando comecei a abandonar o complexo do cachorro abandonado que senti sempre! Quando percebi: existe vida inteligente e interconectada na Terra! Embora possa parecer besteira, esse é talvez o maior passo para o desenvolvimento humano! Pelo menos foi assim comigo! E quando digo desenvolvimento, digo progresso profissional. Saúde. Fé. Alegria. Realização pessoal. Sensação de alívio.

Existe uma grande Alma que circunda tudo o que existe. E existem pequenas Almas que abraçam cada pequena relação. Se eu tenho problemas com meu corpo, posso conversar com ele. E também com a Alma que abraça a minha relação com meu corpo. Se tenho problema com meus dons, posso falar com eles: hei! Vocês! O que tem pra hoje? E também posso conversar com a Alma que organiza a relação eu-meus-dons. O que você deseja de nós?

E assim para cada coisa. Desde as pequenas. Até as gigantes. Nós existimos. Os outros, as coisas, o invisível existe também. E há uma coordenação para cada relação estabelecida, quer você creia, quer não. Acostume-se a pensar assim: eu. O outro. Aquilo que organiza a nós dois.

Aprenda a ouvir os sinais. Quando agimos somente pelo “eu”, quantas vezes atropelamos “o outro”? Quando agimos pelo “outro”, como é comum esquecermos o “eu”? Eu convido ir além: veja a si. Com coragem! E veja o outro! Fale com o outro! Mas ouça, principalmente, a Alma do nós. Algo que fala em nome do Amor que existe em todas as relações. Em todos os contatos estabelecidos em Verdade.

Dessa forma, olhe para 2018. E veja a si. O que eu quero deste ano? Faça uma lista. Sério, faça uma lista: o que eu quero realizar no ano de 2018? Coisas coerentes, mas também coloque pitadas de loucura, para temperar a seriedade da vida com sorrisos tolos e bolachas de morango. E pergunte: 2018… o que você quer de mim? O que quer que eu faça por você? E espere a resposta. Talvez você sinta um aperto no peito. Um arrepio. Talvez um pássaro fale consigo. Ou os versos de uma música ecoem no seu ouvido. Quem sabe não seja na hora a resposta. Continue perguntando: 2018, como posso servi-lo? E finalmente, olhe para algo que coordena esta história de amor: a Alma da relação entre você e 2018. E sinta: o que deseja de nós? Para onde você quer nos levar?

Este é o meu desejo, para você! Que você possa olhar para si, com confiança e doçura. E olhe para o outro com respeito e abertura. Que aprenda a estabelecer contato. Aprenda a se comunicar. Ouse pedir. Ouse estabelecer parâmetros, impor limites, tecer contratos, abrir a guarda. Fale, fale, fale. Ninguém irá se apaixonar por você se você não consegue se expressar. Fale, mas aprenda a ouvir. 2018 tem um projeto maravilhoso para você. Depende do que você quer. E depende do quanto você está disposto a fazer por ele também. O quanto está disposto a se entregar. Se tem dúvidas, pergunte para a grande Alma, que guia você e o seu ano especial, 2018: o que quer de nós?

Vou te falar um segredo: o dia em que você aprender a conversar com a Alma das relações infinitas que nos cercam, jamais se perderá no caminho! Tudo se tornará um imenso campo a ser explorado! Uma jornada instigante a ser vivida!

Que 2018 seja uma relação intensa de amor, confiança e entrega!

Alex Possato

 

Aprender a aguardar e ouvir os sinais

sinais

O velho índio, enrugado, respira com lentidão e olha para o nada, o vazio, fitando a imensa natureza e seus segredos. Logo antes, alguém da tribo havia lhe perguntado sobre uma decisão importante a ser tomada por todos, e lá se colocava o ancião. Pensando? Não: aguardando as respostas.

Essa era uma cena que eu, quando criança, gostava de ver em filmes de western, geralmente torcendo para que os índios conseguissem escapar dos homens brancos e salvar a tribo…

Ontem, conversando com minha filha até altas horas, me peguei dizendo algo assim, quando percebi a vontade dela decidir algo de forma muito imediata: deixe o tempo dizer. Não é necessário decidir nada, agora. Você saberá, no tempo adequado.

Desde que me envolvi no universo da constelação familiar sistêmica, comecei a aprender a perceber os movimentos, os ciclos, o tempo das coisas. E como vivemos numa sociedade onde os ciclos e tempos naturais não são vistos, em detrimento das nossas vontades mentais e muitas vezes desconectadas da verdade interior, acabamos decidindo coisas que trazem sofrimento. Para nós e para os outros. Quantas vezes prolongamos uma relação que já acabou? Quantas vezes fugimos de uma relação que ainda necessita de acertos finais? Quantas escolhas sobre caminhos profissionais tomamos, baseados no medo e no sentimento de carência? Quantas vezes deixamos nossos talentos definhando, por não aceitá-los adequadamente?

Queremos ter a resposta certa. Pois somos ensinados, desde pequenos, a ter a resposta certa. Como se, ao decidir, fôssemos tirar nota 10. Ter um ponto positivo da professora. Um elogio do papai ou mamãe. Esta forma de decidir não tem lugar para as dúvidas cruciais da nossa vida. Porque esta forma de decidir irá se basear em certos e errados aprendido pela nossa educação e convívio social, e nossa alma, que sabe exatamente o que é importante para nós, não é consultada nesta história.

Aprender com o não-fazer

Diferente das decisões racionais, onde queremos acertar, fugir da dor, perseguir o prazer, a alma busca o amadurecimento emocional e o crescimento espiritual. Às vezes, algo desagradável precisa ser vivido com paciência, até que aprendamos a lidar com as dores emocionais que até então não sabíamos lidar. Raiva, medo, angústia, rancor, ingratidão, ciúme, inveja, cobiça… Quantas e quantas vezes você é chamado, através de uma relação afetiva, ou um conflito no local do trabalho, uma disputa familiar, um prejuízo financeiro, uma doença ou mesmo um conflito interior, a olhar para estes elementos emocionais e… foge? Procura solucionar o conflito ou problema, ou sair dele, mas não olha os sentimentos seus envolvidos na questão?

Fato é que, ao aprender a lidar com estas emoções dolorosas dentro de si, você começa a se abrir para o entendimento maior. Para a compaixão. Para a amizade verdadeira e o perdão sincero.

A vida é uma grande oportunidade para a gente parar e observar. Um enorme campo meditativo está a nossa disposição, 24 horas do dia, pronto para trazer-nos lições valiosas, que quando aprendidas nos liberta energeticamente dos conflitos que nos prendem. Sim, estou afirmando! Ao aprender a lidar emocionalmente com fatos e pessoas que nos provocam, nos libertamos da necessidade de ter estas lições repetidas em nossas vidas.

Por isso, o grande segredo não é agir. Não é tentar eliminar as fontes de perturbação. Ao contrário, é observar. Sentir. Mergulhar no profundo do seu íntimo e ouvir os sinais. Esta vida é muito fugaz, e todas as relações são passageiras. E não viemos neste mundo para tranformá-lo num paraíso: viemos aprender a ser co-criador da nossa história. Co-criar significa, em primeiro lugar, estar em paz com as lições dadas pelo Criador maior de tudo isso. Não negar, lutar contra, achar-se injustiçado…

Mesmo não vivendo na natureza pura, como o velho índio estava acostumado, o mundo irá nos dar os sinais de como agir. Estes sinais podem vir numa ação inusitada de alguém. Na mensagem de um livro ou texto vindo pelas redes sociais. Na oferta de uma ajuda, ou no rompimento de uma parceria. Na frase de um personagem do filme que lhe ficou clara, na cabeça. No vôo de um pássaro ou no sorriso de uma criança. Nos sons do ambiente. Na sensação de ser bem recebido em algum lugar, ou mal recebido. Na percepção de prosperidade real em ações que tomamos.

Nosso trabalho não é tentar, a qualquer custo, entender os sinais. É observar. Respirar e ficar aberto para eles. E ao percebê-los, deixar que a mensagem se mostre clara na mente. Quando pensamos linearmente, somos capazes de estabelecer uma linha lógica do porquê temos uma determinada opinião. Mas quando “ouvimos” os sinais, as mensagens surgem, e não temos como dizer, racionalmente, as razões de tal pensamento.

A constelação familiar lida muito com estas respostas intuitivas. Poucas pessoas estão acostumadas a ela, e por isso, muitas me perguntam: mas o que preciso fazer? Qual decisão tomar? E via de regra, minha resposta é: aguarde! Observe! Dê tempo ao tempo…

As respostas que surgem deste lugar, são sempre surpreendentes, e nos levam para lugares realmente incríveis, que auxiliam na expansão da consciência e na abertura da alma… As ações que surgem daí, estão em sintonia com o nosso desenvolvimento maior… Por isso, dá prazer, paz e sensação de completude!

Alex Possato

 

O futuro é agora

vida

 

Às vezes passo tempo demais procurando encontrar algo que me faça sentido, e não vejo que o sentido está passando exatamente neste momento, debaixo do meu nariz. Acho que os projetos me trarão realização futura e deixo a mente entorpecida por planos e devaneios, longe da presença e do centramento.
Não há como eu ser feliz e realizado fugindo e combatendo aquilo que é e está presente, aqui e agora.

O corpo ideal é o meu corpo, aqui e agora. Com o seu peso, seus contornos, suas dores e prazeres.
A melhor companhia? Aquela que está comigo, aqui e agora. Ahhh… estou só? Melhor ainda! Pelo menos estou com quem mais entende de eu mesmo!
O saldo bancário perfeito é o meu saldo bancário que aparece na telinha do smartphone. Com tantos zeros a mais ou a menos, é a parte que me cabe deste fluxo infinito de prosperidade, que goste eu ou não, tem me abastecido desde que nasci, a cada dia provendo o pão que me alimenta, os panos que me vestem, o teto que me abriga.
O trabalho ideal? É aquele que faço hoje. Aprendido através da laboriosa dedicação do universo, diariamente acordando cedo para despertar meus talentos e colocar-me a serviço, preparando-me como mãe zelosa prepara o filho para o primeiro dia de escola.
O maior conhecimento é aquele que já sei. Tanto pelos incontáveis estudos, mas principalmente adquiridos pelo simples fato de viver, e estar no lugar certo e na hora certa, presenciando tantas experiências, tanta dor e tantas alegrias que me preencheram de sentido e sabedoria.

Se posso pedir algo a Deus, peço que Ele auxilie-me a abrir os olhos para ver a Vida. Os ouvidos para escutar a Vida. O nariz para aspirar a Vida. Boca para provar a Vida. O coração para sentir a Vida. E desperte minha compaixão e tolerância, para que eu acolha o que vejo, ouço, cheiro, saboreio, sinto… e simplesmente descarto… porque julgo inválido, ruim, inadequado de ser vivido.

A vida é essa. Com suas cores, sabores, sons, aromas… bons e maus, belos ou feios, nada há além disso. Como é rico dançar com a vida, curtindo cada segundo, assombrando-se com o que ela oferece de maravilhoso e aterrador! Que minha doce e curiosa criança reaprenda a se espantar com a vida, como ela é… e ensine o meu velho angustiado a relaxar, descansar, parar de queimar o cérebro com tantas memórias e projeções, tudo matéria morta, que me tira da doce experiência de viver.

Alex Possato