Pessoas que causam: um chamado a olhar para a luz

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Desde pequeno, convivi com pessoas que causavam. Verdadeiros “barraqueiros”, não havia tempo ruim pra detonar com a paz do ambiente. Brigas estouravam a qualquer momento. Discussões. Invasão de privacidade. Manipulação e jogos diversos. Papai, mamãe, vovô, vovó, as mulheres de papai, meu irmão… E não adiantou eu crescer e ir embora: eles vieram atrás, e continuaram causando. Casei, e embora em menor grau, também vieram os conflitos, as novelas, os dramalhões…

Que saco estar cercado por situações e pessoas que ficam dando “piti”, não é mesmo? Bem… mas se estava cercado por estas situações e pessoas assim, significa que a energia do “piti” também está em mim, não é mesmo? Não é assim que funciona a lei da ressonância? Aquilo que vibramos, atraímos. E não é preciso ir longe: basta olhar um pouco mais demoradamente para a minha mente, meus pensamentos e emoções, e acharei um verdadeiro bordel de quinta categoria!  Algo dentro de mim que gosta e até se abastece dos conflitos, das traições, das misérias humanas, do sórdido, do pesado, do sombrio… E minhas palavras, então? Quantas vezes falando mal de outro? Contando fofoca. Jogando indiretas sobre pessoas, só pra ver o circo pegar fogo. Alimentando a maldade minha e dos outros. Denegrindo a imagem das pessoas, por mais que haja um fundo de verdade naquilo que espalho.

O “barraco” é alimentado por fofocas. Pare e veja se não é isso. O barraqueiro sente a adrenalina subindo, uma excitação toma conta, quando o drama se aproxima. Adoramos falar mal dos outros. Falamos mal dos políticos… ahhhh, mas eles merecem, você diz. Talvez… mas através do falar mal, você está espalhando energia de rancor, ódio, conflito, desarmonia… O que de bom você traz, quando detona com alguém?

Falamos mal dos religiosos desta e daquela linha… Falamos mal dos torcedores do time adversário. Falamos mal daqueles que aprendemos a discriminar: os homossexuais, os pobres, os favelados, os judeus, os negros, os índios, os turcos, os nordestinos, os norte-americanos, os ricos, os banqueiros, os da direita, os da esquerda…

Veja se você também não é um barraqueiro, dentro de si… e observe se você atrai situações de “barraco” para sua relação afetiva, seus negócios, seu trabalho, seus grupos sociais…  Bem, eu sou assim. Mas decidi não ser mais. Não porque não goste do “barraco”. Mas porque o “barraco” interfere na minha real alegria, na minha paz de espírito, no meu respeito pelo outro ser humano. E tudo começa dentro de mim. Uma decisão que tomei, e estou tentando cumprir a risca, é não falar mais da vida alheia. E olha que para mim é uma dificuldade, pois, devido ao meu trabalho como terapeuta, ouço histórias o dia todo. E como gosto de escrever, a tendência a falar da vida do outro é grande… Mas estou evitando. E quando falo de algo ruim que aconteceu com alguém, ou que foi provocado por alguém, procuro entrar em conexão com a dor que esta pessoa sente. Tanta dor, que acaba “causando” – assim posso olhar com compaixão para a situação. Estou começando a fechar minha boca.

Mas também estou fechando as orelhas. Quantas vezes dou uma disfarçada e saio, quando percebo alguém vir falar do “barraco” alheio? Não quero saber. Tento, educadamente, mudar o assunto. Mostro desinteresse. Minha orelha não é pinico. Porém, procuro olhar com gratidão para estas pessoas. Porque, ao falar mal de alguém, estão apontando para a luz que eu estou esquecendo de olhar. Sim, é verdade! Estas pessoas falam da sombra, mas eu posso olhar para a luz, cada vez que a sombra é apontada!

É um caminho: às vezes estou mais íntegro neste caminho, às vezes não… mas é um caminho. Fechar a boca e fechar as orelhas para a maledicência.

A luz proporciona abrirmos o peito para a compaixão. Para a compreensão de que muitos não conseguem falar da luz, pois ainda não estão em condições de observar a própria luz acesa. Não conseguem acessá-la. Mas eu, conscientemente, posso. E posso alimentar elogios. Posso alimentar sorrisos. Posso alimentar a escuta empática. Posso alimentar o amor. Posso indicar o caminho de olharmos para a própria sombra, para podermos descobrir que somos luz. Posso incentivar as pessoas a irem em busca da sua força interior, da sua paz. Assim, acredito, vou encontrando a minha própria força. A minha própria paz. Em essência, somos luz, somos paz. Todos nós. Barraqueiros ou não. E estamos nos preparando durante muito, muito tempo, para podermos escolher em qual lugar desejamos nos assentar. Na paz, ou na guerra. A maioria das pessoas talvez não tenha esta escolha, pois estão viciadas na guerra. Mas estou falando para você, que tem esta opção, pois já andou uma longa jornada… A paz é uma escolha. Que precisa ser acionada pelo poder da consciência.

Momento de mudança

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Você pediu, e eu cheguei! E agora fica dizendo que não era para vir? Vivia dizendo: minha vida não está boa… não gosto disso… não gosto daquilo… aquela pessoa não presta… ganho pouco… quero ser feliz… quero sentir-me realizado… sinto-me escravizado… as pessoas não reconhecem o meu valor… E eu ouvi! E aqui estou! Vim auxiliar no seu despertar! No seu reencontro consigo mesmo!

Por favor, não me peça para ir devagar. Tenho muita gente pra atender! Anos e anos pedindo e rogando, pedindo e rogando, eu acreditei que seu pedido era sincero. Mas não se desespere. Dará tudo certo. No começo será um pouco difícil, eu sei.

Irei tirar o seu chão.

Levar algumas pessoas para longe de você.

Terá a sensação da perda financeira. Quiçá, fracasso?

Sentirá que tudo o que você construiu não valeu nada.

Duvidará do seu caminho de vida. Do seu trabalho. Do seu Deus. De si mesmo.

Procurará ajuda nos pais, amigos e familiares, e eles não poderão fazer nada.

Sabe de uma coisa? Relaxe… solte… deixe o rio levar aquilo que precisa ser levado… Nada pode deter a minha força de transformação. Quando eu chego, chego chegando! Confie! Lhe quero bem. Quero o bem de todos. Tudo o que você viveu foi só uma simulação para a vida que você veio viver… uma preparação… Você não veio amar três ou quatro pessoas: você veio amar dezenas, centenas, milhares. Você não veio andar neste mundo com o freio de mão puxado. Você veio é para voar! Você não está aqui para dar tão mesquinhamente de si mesmo: você veio é dar tudo e mais um pouco! Você não deve mais viver como uma criança assustada e carente: olhe no espelho! Você é um adulto, preparado, potente, capaz! E pra isso precisa sair da zona de conforto. Do seguro, mesmo que este seguro não esteja tão seguro assim, não é mesmo?

Eu lhe darei uma mãozinha… Venha até aqui, na beira do abismo… Vamos, confie! Tá bom, eu sei que você não confia… mas agora é irreversível. Só mais um passo… Entregue-se… Vamos.

De agora em diante, a ideia de que você fazia o seu caminho acabou. Neste momento, a partir de agora, e para sempre o caminho fará você…

 

Feliz Aqui e Agora!

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Últimos instantes de 2015…
O que se passou neste ano? Quantos aprendizados? Quantas perdas? Quantos ganhos? Em geral, dizemos que queremos um ano novo melhor. Sim! Você merece um ano novo melhor. Mas vamos perceber uma coisa: o que é o melhor? Como podemos tomar posse do bem, quando negamos os aprendizados difíceis que tivemos? Então, minha sugestão é que você possa, antes de qualquer coisa, validar todos os fatos, acontecimentos da sua vida, neste ano que se finda. Com quem você brigou? Quem brigou com você? Como esteve o seu bolso? E a sua mente e emoções: estiveram descontroladas este ano? Em quantos conflitos você se viu mergulhado? Como esteve o seu corpo, a sua saúde?
E o quanto de dinheiro você recebeu? Quanta sensação de realização? Quantas pessoas cuidaram de você? Quantas vezes a vida, de diversas maneiras, lhe estendeu a mão? Quantos pequenos milagres passaram bem diante dos seus olhos? O quanto você soube fazer por si, pelo próximo, pelo mundo? E o quanto você não estava nem aí com nada disso?

Veja as coisas como elas são. Sem tentar mudar nada.
Tudo o que ocorreu na sua vida, neste ano, é a sua história. E não irá mudar. Porque é história.

Perceba que, não importa o que tenha acontecido neste ano, se você viveu fatos positivos ou não, você está aqui. E agora. O que passou, passou. Pelo menos, deveria passar. Entenda que não importa tanto se houveram fatos difíceis na sua vida. O grande problema é que sua mente acostumou-se a julgar que determinados fatos são bons, outros são ruins. Se você prestar bem atenção, entenderá que fatos são fatos. Nem bom, nem ruim. Somente fatos. Quem dá significado às coisas que acontecem é a sua mente.

Quem sabe esteja no momento de você aprender a viver sem dar tanta importância à história, e viver mais presente. Sem dar tanta importância aos significados que sua mente dá, e viver mais presente. Olhando as coisas como elas são. Olhando você como você é. Encarando os fatos positivos da vida com reverência e gratidão. E encarando os desafios da vida, com reverência e gratidão. A vida é muito curta, para passarmos toda ela buscando realizações, e fugindo das dores. A vida é muito bela para deixarmos de apreciá-la no aqui e agora. Você é muito belo, para passar o tempo se julgando, se condenando, se maldizendo.

Que tal deixar que a história deste 2015 descanse em paz? Que tal permitir que a história de 2016 seja escrita da forma como ela deve ser? Que tal permitir-se, como uma criança pura, apreciar a viagem sentada no banco dos passageiros, admirando-se com o momento de chuva, o momento de sol? As paradas? As pessoas que passam pela estrada?

Sei que a mente, condicionada que é no fazer o certo e evitar o errado, tem muita dificuldade em aceitar a sua pouca capacidade de interferir nas coisas mais profundas da vida. A mente não reconhece a sua impotência em mudar o destino. O meu convite nestes últimos instantes de 2015 é que possamos, antes de querer interferir no nosso destino e no dos outros, aprender, com a própria mente, a validar tudo o que se foi. Todo o bom, todo o ruim. Acredito firmemente que este é o caminho da paz. Quando tudo aquilo que vem é aceito da forma como é, tudo está bem. Então, desejo um Feliz Agora. Aqui, e agora!

 

Depois de encontrar o caminho

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Em algum momento, aquilo que você está vivendo começa a fazer sentido. Aquilo que faz, lhe preenche, e preenche o próximo. Você se sente recompensado.

Então, olha para trás, e vê que todo o passado lhe tornou quem você é. Um homem maduro, crescido, e não mais aquela criança frágil. E assim brota a gratidão. Gratidão pelos pais. Gratidão pela família. Gratidão pelo seu país. Pela sua etnia. Pela espiritualidade. Pelos ancestrais.

Grato por tudo o que veio antes, então, percebe gratidão até por si mesmo: algo perfeito e divino, que veio à Terra para ser um instrumento do Todo. Mesmo assim, o caminho não é claro.

Sua mente se pergunta: e agora? Qual o próximo passo? Para onde vou? A tendência de se perder, acreditando que é você quem está direcionando o caminho, é grande. Parece muita responsabilidade se mostrar um “servidor”. Mas no fundo, não é. Não há responsabilidade. Não há grandiosidade. Não há nada a ser mudado. Você somente está onde deveria estar, fazendo o que sabe fazer. Existe um irmão, pronto para receber. E existem ganhos. Deixe que Eu lhe guie. Falarei baixinho, dentro do seu coração. Elimine os pensamentos do certo e errado, e solte-se. Em qual lugar você irá? Eu lhe direi. Quem deve chegar até você? Eu direcionarei. Em qual velocidade você caminhará? Enviarei os sinais claros: sinta-os! Qual será o seu ganho? Eu lhe darei tudo o que você precisa, assim como supri todas as suas necessidades, até hoje.

O caminho é leve. O jugo, suave. A mente não acredita. Tudo bem. Deixe ela acreditar no peso, na responsabilidade, na dureza, na seriedade, na urgência. Continue caminhando e sorria para seus pensamentos. Devagar, devagar. Respire. Aprecie a paisagem, as pessoas, os aromas… Sinta a brisa acariciar o seu corpo. Permita-se “servir” com prazer. Permita-se viver com prazer. Permita-se o prazer. Suave. Lento. Profundo.

 

 

2015: Ciclos de constelações finalizando

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Este está sendo um ano inteeennsssoooo! Pra lá de intenso! Mas muito bom, também! Estava conversando agora com a amada, revendo planos conjuntos que traçamos, e vendo-os, em sua maioria, realizados. Outros, em caminho de realização. Isso dá uma convicção de que estamos no caminho certo. Não porque o Ego planejou, mas porque as coisas fluíram. E, como sempre falo nos meus trabalhos, quando as coisas fluem, quando não temos que lutar contra, quando não temos que forçar Deus e o mundo para que seja feita a nossa vontade, acredito que o sistema Maior está nos levando. E estamos adequados à ele.

Mesmo assim, entrei num processo de estresse e fui parar no hospital. Exagerei. Projetos demais, neuras demais, medos demais. Ainda muito apegado ao meu medo da miséria, que faz eu trabalhar muito, e curtir pouco. Faz, muitas vezes, eu deixar as maravilhas que poderiam tocar minha alma, passarem, sem nem mesmo um sorriso de gratidão. Comprometo-me a cuidar mais de mim. Do meu corpo. Das pessoas importantes na minha vida. Mas sem perder o foco no trabalho da constelação familiar, que tanto me abastece. Me ensina. Me desafia. Me engrandece. Minha gratidão imensa a você que participou dos trabalhos, ou me acompanha pelos textos na internet, ou que, de alguma forma, simpatiza com o trabalho. E até mesmo a você que nem sabe do que estou falando! Gratidão! Sei perfeitamente que, apesar das dificuldades e possíveis momentos de angústia, existe um espaço de paz, alegria e prosperidade possível, aqui e agora. Tudo é uma questão de foco. De domínio mental e emocional. De autoconhecimento e perseverança enquanto as coisas estão em mudança. O mundo, você e os outros são aquilo que você quiser que seja. Espero que você queira, de verdade, ser, ver e viver o melhor que você pode! Aqui e agora. Que é o único momento que há!

Vamos às últimas constelações e trabalhos em grupo que farei neste ano de 2015?

26 de novembro (quinta-feira) – Constelação Familiar Sistêmica em grupo – São Paulo – SP

27 de novembro (sexta-feira) – Projeto Incluir (laboratório de constelação) – Brasília – DF

28 e 29 de novembro (sábado e domingo) – Curso de Constelação Familiar – Brasília-DF

30  de novembro (segunda-feira) – Constelação Familiar em grupo e individual – Brasília-DF

1 e 2 de dezembro (terça e quarta-feira) – Constelação Familiar em grupo e individual  Brasília-DF

03 de dezembro (quinta-feira) – Constelação Familiar Sistêmica em grupo – Formosa-GO

05 e 06 de dezembro (sábado e domingo) – Constelação Familiar Sistêmica em grupo – Jataí-GO

13 de dezembro (domingo) – Constelação Familiar Sistêmica em grupo – Curitiba-PR

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A paz irá visita-lo

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Nisso não há professor, não há aluno, não há lider, não há guru,
não há mestre, não há salvador.
Você mesmo é o professor, o aluno, você é o mestre,
você é o guru, você é o lider, você é tudo.
Jiddu Krishnamurti

Muitos de nós estamos vivendo um tempo de opressão. As notícias desanimadoras em tantos aspectos somente ampliam o grau da angústia existencial que passamos. Não suportamos mais nossas rotinas. Nossos trabalhos. É comum não suportarmos nossas relações, apesar de também não suportarmos a solidão. Queremos dinheiro, e adoecemos em busca dele. Na falta, ficamos igualmente doentes. Queremos espiritualidade, mas não acreditamos nos mestres, nas religiões, e nem em nós mesmos. Estamos como doidos correndo atrás de algo – seja um bem material, uma posição social, um lugar elevado na nossa crença espiritual, na vã esperança de vivermos melhor, mais felizes, em paz.

Isso é importante em determinado momento da nossa vida. Mas quando alguém que se coloca a caminho de autoconhecer-se, mais cedo ou mais tarde chega à conclusão que grande parte da agonia deve-se principalmente aos seus próprios pensamentos e as ações que toma no mundo, determinadas por crenças instaladas – e que irremediavelmente, não o leva rumo à paz que tanto almeja. Afinal, quem olha para o mundo externo ou para o mundo interno, coloca um peso, uma medida, e julga o mundo e a si como sendo bom ou mau, somos nós mesmos. Através de pensamentos, crenças aprendidas, adquiridas, você está sempre em guerra. Por exemplo, um terrorista olha um ataque terrorista com satisfação. Ensinaram ele assim. Já um parente de uma vítima do terrorismo olha para a mesma coisa com raiva, ódio, mágoa, dor… Dois lados antagônicos, presos numa situação de dor e violência.

Da mesma forma, olhamos para nós. Alguém ensinou que determinada atitude era errada. Um vício, por exemplo. E quando cedemos ao vício, uma parte de nós gosta, porque sente prazer. E outra parte odeia, porque foi ensinada que esse vício é ruim. Não presta. Dois lados antagônicos, presos numa situação de dor e violência. Você continua em guerra.

Se você notar, agimos desta forma em tudo. Rotulamos algo bom e algo ruim, queremos eliminar uma coisa, e ficar com outra. E isso causa profundo estresse interior. Isso provoca a energia do conflito e da violência, dentro de nós. Que quando estimulada por algum acontecimento externo, pode se manifestar. Já vi pessoas saírem do sério e iniciarem conflitos dentro de um ambiente monástico, por exemplo.

Então, se o primeiro passo é entender que sua agonia deve-se a pensamentos e crenças, o segundo passo do buscador é perceber que não adianta tentar eliminar um pensamento ruim, para ficar somente com um bom pensamento. Nossa mente não aceita isso. Pensamentos bons e ruins passam pela mente ininterruptamente. Fazendo com que, muitas vezes, tomemos atitudes que podem provocar dor em nós e em outros. Assim é o ser humano.

Nem bom, nem ruim

Se você olhar com atenção, perceberá que todos os seus pensamentos foram instalados “dentro da sua mente” por alguém, que inclusive os rotulou: isso é bom. Isso é ruim. Isso é aceitável. Isso é abominável. Porém, antes dos seus pensamentos serem instalados, sua mente possuía uma saudável inocência. Você olhava para as coisas, e a maior parte destas coisas não o afetava. Você tocava nas suas partes genitais, por exemplo, e sentia-se bem. Até o dia em que mamãe lhe disse que isso era indecente. Você sentia prazer em simples e pequenas coisas. E esqueceu-se disso.

Não há outra forma, querido: um terceiro passo é refugiar-se nesta “parte” da mente imaculada, que está em você, apesar dos seus pensamentos barulhentos. Não é necessário modificar nada: basta perceber que, atrás dos pensamentos, existe um campo vasto, infinito, de paz, equilíbrio, presença, integração. Atrás de todas as ideias implantadas em sua mente, incluindo as ideias que dizem respeito à sua personalidade, suas características físicas, morais, mentais, espirituais… incluindo traumas, medos, sentimentos que você não tem a menor noção de quando foram implantados… tudo isso são como folhas voando ao vento, nos campos do Senhor. Sem levar a sério os pensamentos, acaba-se a comparação, o julgamento, a crítica. Desta forma, acaba-se a resistência. Acabando a resistência, estabelece-se a paz.

Acione o seu poder observador

Alguns buscadores acreditam que esse estado de paz e bem-aventurança é exclusivo de pessoas iluminadas, seres altamente espirituais. Isso não é a realidade. Qualquer pessoa que se colocar amorosamente a investigar sua própria mente, mais cedo ou mais tarde perceberá este espaço vazio como sendo inerente a todos e a tudo. Ele sempre esteve ali, e em algum momento, você o percebe! E sente benefício instantâneo ao conectar-se.

Isso pode ser agora! Experimente deixar os pensamentos passarem! Não resista a eles… mas também, não se apegue a eles…

Talvez você já tenha percebido este estado mais de uma vez. Muitas vezes, uma situação externa o faz ingressar neste plano pacífico, vasto, amoroso: por exemplo, uma contemplação na montanha. Um banho numa cachoeira. Um mergulho. Um vôo. Um trabalho introspectivo. Uma música. Dirigindo seu carro. O grande truque é não entrar em comparação, julgamento. Tipo: nossa! Que sensação maravilhosa! Que tudo! Ou: que horror! Minha mente não para! Porque aí você entrou novamente em no reino mental. Mas se entrou, não tem problema. Basta respirar, e deixar os pensamentos passarem. Não é uma questão de acalmar a mente. É uma questão pura e lógica de observar que você existe, apesar da mente barulhenta. Além da mente. Junto à ela.

Isso pode ser agora! Experimente deixar os pensamentos passarem! Não resista a eles… mas também, não se apegue a eles…

Neste estado, onde estão os problemas? Onde estão os conflitos? Onde estão os vícios? As doenças? Você está consciente de tudo, porém, aos poucos, começa a adquirir uma outra característica mental – a consciência, que sabe o que é do reino mental, e sabe qual é a sua própria essência. E vagarosamente, vai percebendo este espaço como se estivesse se ampliando. Mais e mais. Isso é só uma ideia, porque este espaço não se amplia. Ele já é infinito. Você é parte dele, e ele é parte de você. Neste lugar, cessam-se as divisões. Mas digo isso porque, muitas vezes, a mente entrará no processo. E você retorna ao barulho. Às vezes você irá se perder nas neuras, nas emoções distorcidas, nos hábitos destrutivos, outra vez.

Mas tudo bem. Isso faz parte. Retorne. Retorne. Retorne. Respire um pouco. Amorosamente. Não resista à nada. Somente observe. A paz irá visita-lo.

O que o Caminho de Santiago me ensinou sobre parceria e confiança numa mulher

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Acabo de realizar o Caminho de Santiago com minha parceira, companheira, amiga, amada, amante. Embora tudo tenha ocorrido de maneira adequada, confesso que foi um grande desafio me render ao fato de que eu teria alguém para caminhar ao meu lado, já que a ideia inicial era trilhá-lo sozinho. Isso há dez anos atrás, quando ainda estava em outro relacionamento, e me via como um solitário caminhante, perdido em suas próprias neuras.

Por que não fazer o caminho acompanhado? Logo eu percebi que tinha medo. Medo de perder minha individualidade. Medo de ver-me prisioneiro, dentro de uma relação. Medo de viver novamente as dores de algo que se foi, em outra relação. Mais fácil ficar só, não é?

Todo mundo que já viveu rompimentos de relação, sabe o quanto é difícil lidar com isso. O quanto não confiamos no outro, após termos feito de tudo – pelo menos é o que pensamos – para que a relação ficasse confortável. Mais um motivo para eu acreditar que o meu caminho deveria ser a só. Mas existem certas coisas na vida onde a cabeça, com os milhares de traumas inconscientes que ela carrega, não manda. Um caminho de vida já está marcado para acontecer, e somente o nosso coração pode dar indícios de como ele será.

E o meu coração sempre falou: existe alguém com quem você poderá compartilhar muitos e muitos caminhos, aprendendo a desarmar-se, confiar, abrir-se ao amor. Mal sabia eu que o Caminho de Santiago seria um mágico movimento, sabiamente orquestrado, para que eu soubesse me entregar a este amor, e principalmente, reaprender a confiar numa mulher.  Talvez você teve uma ou várias desilusões em relacionamentos, e também queira reaprender a confiar em alguém. É lógico que não posso ensiná-lo como fazer isso. Mas posso deixar algumas brincadeiras para pensar, da minha própria experiência, utilizando as lições que o Caminho de Santiago me ensinou sobre parceria e confiança numa mulher. Vamos lá?

– o sonho precisa ser dos dois. Como saber isso? Sabendo qual é o seu sonho. E perguntando qual o sonho dela. Se o sonho é de um só, realize-o sozinho. E deixe o outro escolher o próprio caminho;

– se o sonho é conjunto, é necessário dar o tempo correto para que ele possa acontecer. Assim como um filho nasce após 9 meses de gestação, um sonho tem o tempo dele para acontecer. Isso não depende dela. Nem de você. O sonho tem vida própria;

– os sonhos mais malucos, quando feitos com consciência e planejamento, são saudáveis e trazem benefícios a todos. Os sonhos inconsequentes trazem sofrimento, bagunça, embora sejam úteis como aprendizado… Não há certo ou errado, mas se você quer sofrer menos, seria importante saber qual via está pegando – lembrando que consequente ou inconsequente é um conceito muito particular;

– toda ação leva a uma reação. Se você semeia organização, paciência e rotina, colherá frutos, no tempo correto. Se você semeia desorganização, impaciência e impulsividade, colherá sementes incompletas, que não puderam germinar completamente;

– o Caminho é o mesmo para todos. Talvez a pessoa que está ao seu lado agora, não poderá completar o caminho. Talvez você não possa completar o caminho. Vocês se afastarão, e encontrarão outros companheiros. As coisas são como elas são, e você aprenderá com qualquer que seja a situação. Aprenda a deixar as pessoas livres, quer elas estejam andando ao seu lado ou não, e o sofrimento não existirá, caso alguém fique para trás;

– em liberdade, talvez você veja, se não estiver com os olhos fechados, que alguém escolheu andar junto com você. E você está junto a ela. Não é necessário forçar, insistir, manipular. Ambos caminham, porque assim o Caminho deseja. Seria até uma boa ideia dizer a ela: que bom ter você ao meu lado!;

– mesmo juntos, você estará sempre só. Esta é a suprema incongruência do relacionamento. Estará consigo mesmo. Com suas loucuras, desejos, impulsos, compreensões. E ela também estará no momento dela. Com as loucuras dela. O caminho se anda individualmente, embora possa parecer conjunto;

– por isso, é importante aprender a se revelar. O que se passa na sua cabeça? Quais suas expectativas? Quais suas broncas? Quais seus elogios? O Caminho deseja o silêncio, mas a palavra usada para esclarecer, trazer luz, é sempre bem-vinda. Sem paz interior, não existe silêncio. Duas pessoas sem paz interior e de boca fechada são um convite para a guerra;

–  em algum momento, você perceberá que as suas neuras não tem importância. Você perde tempo demais ruminando os problemas que somente a sua cabeça vê, e deixa de ver que, ao seu lado, existe alguém que, muitas vezes, está precisando do seu ombro e silêncio;

– se você não tem este ombro, tudo bem. Aceite que você é humano. E também aceite que ela não poderá lhe amparar todo o tempo que a sua mente carente deseja. Embora você não tenha se dado conta, ela também é humana!

– quem disse que o homem é mais forte que a mulher? Quem disse que ser mais rápido é uma qualidade melhor que a vagarosa constância? Você sabia que o homem vive menos que a mulher?

– quem disse que a criatividade e a intuição são melhores que o planejamento e o pensamento linear? E quem disse o contrário? O Caminho lhe diz quando usar a intuição, e quando é necessário saber exatamente o que se quer, e planejar para conseguir isso. Se o Caminho está traçado – e isto é um fato – para que tanta criatividade em querer inventar novos caminhos? E se o Caminho não vai mudar de lugar, para que tanta pressa e neura em planejamento? Planejamento e intuição andam lado a lado. Ação e descanso se complementam;

Por fim…

– você viu as flores do caminho e os pássaros cantando alegremente?

– o que acha de dar uma destas flores à ela? E convidá-la para dançar?

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caminho de santiago de compostela

Tolerância aos limites

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Você chegou ao seu limite. Fez o seu melhor, e não consegue dar mais um passo. Por que não esperar? Pare! Respire! Sente-se, e aguarde. Eu falarei com você. Não estou exigindo que você chegue a lugar nenhum. Não desejo que você seja melhor do que já é. E daí que outras pessoas passam, e aparentemente estão indo mais longe que você? Lá na frente, eles irão parar, e você irá passar por eles. E para que ficar julgando aqueles que não conseguem acompanhar o seu ritmo? Quanto desamor. A si, ao próximo. Não existe lugar nenhum a chegar. Você não pode realizar nada que já não foi feito… Não há vitória, ao chegar. Nem derrota, ao parar. Já pensou em dançar pelo caminho? Sorrir para as borboletas? Cantar uma canção?

A competição é uma invenção humana. E eu lhe digo: deixe de competir. E comece a se divertir… Comece a amar. Comece a se alegrar com as paradas e as caminhadas. Com a alegria e o sofrimento. Saia da mente. Brinque consigo mesmo. Ria das suas limitações. Das suas falhas. E dos seus acertos. E então, eu me revelarei.

Alegria de viver

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Muitos estão buscando a alegria de viver em atividades que lhe tragam prazer. E lógico, fogem dos momentos que trazem angústia, dor, sofrimento. Acreditam que a felicidade está vinculada à uma boa relação, um trabalho que preencha, ao prazer dos sentidos, às boas companhias, a um caminho espiritual sincero, à uma família amorosa e acolhedora. Assim, tentam transformar o caminho de vida nesta imagem pessoal de felicidade. Se condicionam a estar sempre em busca. A negar aquilo que não preenche esta expectativa. Vivem em conflito. E este conflito gera sofrimento e reforçam a busca.

Sim! Enquanto você não encontrou, faça experiências! Busque o melhor para si! Permita-se! Caminhe pela estrada… saia da rotina! Não acredite no que lhe falam: viva! Vá atrás daquilo que você acredita que é o bom, o bem, a paz! A mente humana precisa desta experiência, até perceber que não conseguirá preencher com coisas externas a própria insatisfação, e sentir em profundidade que a alegria chega em momentos, locais e situações totalmente inusitadas: um sorriso de uma criança. O voar de um pássaro. O saborear um pão. Um abraço gostoso. Os frutos do trabalho. O deitar-se numa boa cama. A leitura reconfortante. Uma roda de amigos e violão. O instante sagrado do silêncio. O tirar os sapatos após a longa jornada.

Eu lhe dou a paz e a alegria a todo instante. Em todos os lugares. Em qualquer companhia. Está aqui, ao seu dispor. Neste exato instante. Você não precisa fazer absolutamente nada para obtê-la, a não ser, relaxar. Silenciar. E desfrutar.

Mensagens do Caminho

Todos cuidam. Todos são cuidados

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Foto de Luciana Cerqueira

Até hoje, talvez você tenha pensado: ninguém olha para mim. Ninguém reconhece meus esforços. Ninguém me apoia. E achou que estivesse andando sozinho, nesta estrada sem fim. Os outros só serviam às suas conveniências, mas no fundo, você só via a si mesmo. Só via as suas dores.

O meu amor chega pelas mãos de muitos. Seus pais. Seus irmãos. Seu ex-companheiro. Ex-companheira. Seus empregadores. Os empregados. Os curadores. O vizinho. Os religiosos. Os ateus. Os filhos. O atendente do bar. O desconhecido do caminho. Eles não têm a menor ideia de que estão sendo meus instrumentos. Assim como eu o utilizei inúmeras vezes para despertar o seu irmão, a sua irmã. Alguém que você nunca mais irá ver. Mas você nem percebeu, tão mergulhado estava em suas próprias ideias. É assim que eu ajo. Todos estão cuidando, e sendo cuidados. Não há melhor cuidador, ou pior cuidador. Todos cuidam, todos são cuidados, porque quem cuida, sou Eu.