O direito de não saber

20170622_131341.jpg

 

Às vezes me sinto perdido. Muitas vezes. E quantas vezes tentei lutar contra o simples fato de não saber o que ocorrerá? E não poder dominar?
Aprendi na minha educação que somente um tonto, um bobo, um tapado não sabe das coisas.
Quem me ensinou estas ideias também não sabia das coisas… Mas fingia saber. E eu acreditava, afinal, era a criança.

Mas… hoje sou adulto. Criei trocentas mil estratégias para enganar a todos, e até a mim mesmo, que sei exatamente onde estou indo… Mas me diga uma coisa: como a mente racional pode saber algo? O que garante que daqui a um minuto, algo não acontecerá e terei que mudar meus planos?
As pessoas que me ensinaram não sabiam lidar com a mudança. Com a incerteza. Com a frustração de verem seus planos ruírem. Com as emoções que nos provocam quando percebemos não ter mais controle…

Lógico, como adulto, decido metas, faço planos, crio estratégias… mas diante das coisas mais significativas da vida, me percebo como um expectador, que de vez em quando pode escolher seguir o fluxo… ao invés de lutar contra… Eu não preciso mais provar aos meus pais que sei tudo. Eu não preciso ter razão o tempo todo. Eu simplesmente tenho o direito de não saber…

E descobri que nem preciso saber…

Porque existe um sussurro do Espírito em todo coração, que embora não dê certezas, nos brinda com a suave paz, que nos invade como os raios de sol aquecem a pele da criança, enquanto ela brinca no jardim. Aí, é tão fácil se deleitar para, em algum momento posterior, deixar que as novas e arejadas ideias saltem à mente… e possamos decidir mais alguns passinhos a tomar diante do Grande Mistério da vida…

Estes passos serão sempre os mais acertados. Mas necessitam se originar da paz. Da alegria. Do prazer…

Também não me ensinaram a viver no prazer e na paz. Bem… este assunto fica pra depois! 😁

Sucesso para empreender a si mesmo – Brasília

sucessoflyer

Sucesso para empreender a si mesmo

O sucesso nasce de uma percepção interna, do coração. É uma verdade que já existe em si, antes mesmo que qualquer coisa surja no mundo exterior. E este sucesso se manifesta efetivamente, no momento em você consegue sentir, pensar, planejar e agir na mesma direção daquela primeira percepção do coração. Sucesso não é aleatório. É a consequência da sua rendição à intuição, juntamente com a união do melhor de si em prol desde objetivo.

Este é o nosso convite: apoiar a sua jornada rumo ao sucesso pessoal!

Nesta vivência sistêmica, trabalharemos a sua relação com o próprio sistema familiar que talvez ainda o prende a situações de medo, perdas, desvios… e também olharemos através da constelação para os vínculos com as partes prósperas da sua ancestralidade, de onde brotam recursos e possibilidades, abrindo um espaço de consciência para que você decida seus próximos passos nesta jornada com muito mais assertividade!


Alguns conteúdos que trabalharemos:

  • Sobrevivência x prosperidade
  • Autoconfiança e empoderamento
  • Foco x dispersão
  • Capacidade de planejamento e execução
  • Coerência nos produtos/serviços e objetivos
  • Resiliência e perseverança
  • Propósito e caminho de vida

Alex Possato
é terapeuta e professor de constelação familiar sistêmica. Está envolvido desde 2008 com a constelação, é coordenador do Projeto Incluir – Laboratório de Constelação Sistêmica, atua na condução de vivências por diversas regiões do Brasil e cursos de treinamento de constelação familiar sistêmica em São Paulo, Goiás e Brasília.

Luciana Cerqueira
é terapeuta de constelação sistêmica, terapeuta de Benção do Útero, professora de yoga e facilitadora de vivências do Sagrado Feminino. É responsável pelo projeto Sagrado Ventre – terapias do feminino & curas, e realiza vivências e atendimentos em São Paulo, Brasília e Goiás.


Vivência: Sucesso para empreender a si mesmo!

Data: 15 e 16 de julho

Sábado e Domingo das 10 às 18 horas

Valor sugerido: R$ 260,00

Contato para informação e inscrição: clique aqui e preencha o formulário online

Email: florbrasil.newtonlakota@gmail.com

Telefone: (61) 99976-7740 com Newton Lakota

Local: Espaço Despertar para Crescer
Rua das Quaresmeiras, 11 – Condomínio Verde – Jardim Botânico – Brasília

Sonho a dois

sonho em casal

 

Fizemos um exercício: eu e ela. Ela e eu. Um casal que se dá bem, mas como qualquer casal, com vontades, sonhos, medos, anseios diferentes. Bert Hellinger nos ensina, através da constelação familiar sistêmica, que um casal, quando se compromete verdadeiramente a compartilhar uma vida conjunta, entra em contato com a alma da relação.

Esta alma é maior que a vontade dos dois. Que é maior que o medo dos dois. Que é maior que os sonhos dos dois. Esta alma tem vontade própria. Ela conduz os pombinhos para onde eles devem ir. Pessoas realmente conectadas com esta alma são (e precisam ser!) desapegadas. Embora tenham seus objetivos pessoais, sabem ouvir os objetivos da outra parte… mas o fundamental é que se abram para esta “alma” do casal. Este “espírito coletivo” da relação, que conduz os dois aprendizes rumo às descobertas que ambos precisam vivenciar.

Nesta jornada, eu tenho que aprender a não colocar meus sonhos acima dos sonhos dela. E ela  aprender a mesma coisa. Porém, mais que isso: ambos precisamos nos abrir para a aventura de sonhar um sonho conjunto, que pode ser bem diferente do meu e do dela. Às vezes, os sonhos individuais precisam dar espaço ao sonho do casal. Por isso Hellinger é bem claro na questão do compromisso do casal, já que um casal sem compromisso será levado pelo interesse de somente um dos lados, ou ficarão eternamente sendo confrontados pela guerra de interesses opostos, ou ainda, renunciarão simplesmente à parceria, e cada um segue do seu próprio jeito, sozinho.

Sonho a dois não é o meu sonho. Nem o dela. É o nosso. Eu preciso validar, sentir, respirar, vibrar com este sonho. Ela também precisa validar, sentir, respirar, vibrar o sonho. É assustador, pois às vezes não conhecemos, nem validamos nossos próprios sonhos… o que dirá validar um sonho “coletivo”, que nem sabemos o que é… Mas por que não abrir-se ao mistério? Por que não brincar de sonhar, e permitir-se ser levado por este sonho, que pode ser tão excitante, desafiador, instigante, e ao brincarmos de sonhar, percebemo-nos unidos, mais e mais?

A confiança em um casal surge não necessariamente quando um confia no outro. Não quando um tenta provar ao outro que seus argumentos são melhores. Não quando um se coloca submisso ao outro… Mas quando ambos confiam em si mesmos, e mesmo assim (e talvez por isso mesmo), os dois confiam e se entregam a Algo Maior. Um casal que sonha junto, permite sair das rédeas da mente que teme, que faz tudo em nome da segurança e da sobrevivência, e deixa gentilmente que o sonho conduza a ambos… o mistério é o destino, e o caminhar neste sentido, embriagado pelo doce sabor da aventura é a maior recompensa…

 

Disciplina

disciplina

“A única disciplina que a vida impõem, se formos capazes de a assumir, é aceitar a vida sem a questionar” Henry Miller – escritor

A raiz da palavra disciplina é a mesma de discipulus, aquele que aprende… Talvez marcados pelas dores de termos sido ensinados por pessoas agressivas, ou manipuladoras, ou incapazes, ou ainda sádicas, é provável que não consigamos lidar muito bem, nem com a palavra disciplina, nem com a ação disciplinada.

A disciplina implica, antes de qualquer coisa, uma disposição para aprender. E um reconhecimento na capacidade daquele que ensina. Às vezes sinto dificuldade uma ou outra vez em manter a disciplina, a atenção dos meus alunos, e então me pergunto: onde está faltando o meu posicionamento como professor? Onde eu nego a disciplina em mim mesmo?

E me percebo indisciplinado em muitos momentos: no meu caminho espiritual, deixo de efetuar as práticas meditativas da forma como fui instruído a fazer. Nos meus hábitos, volta e meia me vejo caindo em compulsões da bebida, comida, café, distrações na internet, etc., deixando de lado as coisas realmente importantes que clamam por serem feitas. E quando me perco na indisciplina, posso perceber: onde quero chegar? Qual é o meu objetivo de aprendizagem? E no meu tempo, amorosamente, cuidadosamente, realinhar minhas ações.

Mas uma coisa é importante perceber: quem faz tudo o que deve fazer não é necessariamente disciplinado, já que disciplina também implica aprender. Ao deixar de fazer aquilo que julguei dever fazer, posso aprender com isso. Que emoções surgem quando me rebelo a uma ordem, seja uma ordem minha, ou uma ordem de alguém? Como me sinto ao cumprir as ordens? O que realmente desejo aprender? Estou validando meus caminhos, meus mestres, meus professores, ou me acho melhor que eles? Estou desqualificando? Contra quem, especificamente, estou lutando dentro de mim ao me tornar rebelde?

Acredito que uma mente pacífica é disciplinada. Ela sabe o que fazer, e o que não fazer. E assume as consequências dos seus atos. Ouve a voz do coração, e sente os impulsos da mente, e entre os dois, pesa qual o dever que a situação requer: seguir o coração, ou seguir as regras e crenças? Nem sempre é possível seguir o coração. Nem sempre é possível seguir aquilo que nos traz prazer e conforto. Às vezes, é necessário a dureza. Às vezes, é necessário cumprir as leis, as regras, obedecer as autoridades. Dar a César o que é de César. Saber discernir é a sabedoria necessária.

Muito da indisciplina está marcado pela desobediência em relação aos pais. Se tivemos problemas com as autoridades, que são o papai e a mamãe, e nossos educadores, teremos muita dificuldade com a disciplina. Negamos a educação, da forma como ela veio – e às vezes veio de uma forma muito rude, muito difícil mesmo – e também negamos os professores e as autoridades. O grande problema disso é que, ao nos percebermos indisciplinados, temos muita dificuldade em dar comandos a nós mesmos e obedecer estes comandos. Pare de fumar! – digo. Mas não faço. Descanse mais! – não me permito. Cuide melhor dos seus amados! – me desvio em outras atividades. Tenha meta, crie um foco e siga! – e preferimos andar dispersos.

Uma pessoa indisciplinada não consegue atingir seus objetivos. Acho que isso não é novidade. Por exemplo: a dificuldade de regrar alguns pontos na minha vida semeou imensas perdas, até o momento em que eu tive forças mentais, emocionais e atitudes para mudar meu comportamento.  Uma destas áreas foi a financeira. Por não ter nenhuma disciplina com o dinheiro, durante décadas vivi uma vida de dívidas e de dificuldades, ganhos e perdas. Até que, em um momento necessário, onde a vida me empurrou para o abismo, resolvi fazer o que eu nunca houvera nem sonhado em conseguir: controlar as finanças, centavo a centavo. Traçar metas profissionais. Projetar meu futuro. E, como disse acima, eu também era um rebelde: condenei a disciplina recebida em casa, e achava que, fazendo diferente, chegaria a algum lugar. Não cheguei. Quando resolvi validar aquilo que aprendi, a vida mudou. Entendi, na prática, o que o líder judeu Ben Gurion disse: “não existe contradição entre disciplina e iniciativa. São o complemento uma da outra”.

Os aprendizados na selva, com papai

FB_IMG_1489684350292

Quando fiz 10 anos de idade, papai me deu de aniversário uma caminhada pela Serra do Mar, onde atravessaríamos de São Bernardo até o litoral, com direito a dormir no meio da mata atlântica, ao relento. O trajeto foi conduzido pelos policiais do COE, sob a batuta do austero Capitão Pazzelli… Entre meninos do orfanato, eu, meu irmão e os dois filhos do capitão, além dos soldados, éramos um grupo de 40 ou mais…
Fomos divididos em três setores: vanguarda, centro e retaguarda, cada um conduzido por um oficial. A ideia era que, durante a caminhada, pudéssemos estar em contato, os três grupos, um cuidando do outro. O da frente abrindo caminho. Este grupo necessitava de pessoas fortes, destemidas, preparadas. O do meio, com as crianças menores, sendo de certa forma protegido pelos dois outros, e responsável por carregar os maiores pesos e guardar as provisões. E o de trás, dando cobertura, protegendo aos dois da frente.

Jamais esqueci este presente. E os significados que levo até hoje. O quanto é importante sabermos, na nossa vida, em que lugar estamos. Às vezes somos requisitados a abrir a picada. Exige força, perseverança, tenacidade… Mas isso só tem sentido porque atrás virá um grupo maior, que poderá andar com mais facilidade.
O grupo do meio, extremamente importante também, porque levava as provisões. E por isso precisava ser bem protegido. Me faz pensar que, quando estamos construindo nosso patrimônio, criando nossos filhos, é necessário esta proteção. O lar pode representar este batalhão, onde os aventureiros que partiram podem retornar para descansar, cuidar de suas feridas e se alimentar.
E a retaguarda, protegendo a todos. Cuidando daqueles que ficaram para trás. Colocando um freio no ritmo dos soldados da vanguarda, quando eles aceleram exageradamente, fazendo com que todo o grupo se disperse.

Foi exatamente isso que aconteceu. Os grupos se dispersaram. E o experiente Capitão Pazzelli, comandando a retaguarda, subiu numa elevação, para poder observar onde estava. E onde estavam todos. Incumbiu um soldado para estabelecer comunicação via rádio. Aglutinar a tropa novamente.

Esse é outro aprendizado que jamais esqueci. Às vezes nos perdemos nos nossos objetivos. Nos distanciamos das pessoas amadas e daqueles que servimos através do nosso trabalho. Quiçá nos perdemos através de distrações: sexo, namorados, bebidas, farra, preguiça, trabalho demais e desnecessário… Esquecemos que a nossa participação nesta vida só tem sentido quando andamos em grupo. E vivemos pelo grupo, fazendo aquilo que nos foi incumbido de fazer. Então, a lição é: pare! Vá para um lugar onde se possa ter uma visão elevada. Do todo. Toda a vida. Todas as pessoas importantes. Onde estamos. E então, chame a todos. Reúna a tropa novamente.

Obrigado papai, por ter sido o veículo deste aprendizado!!!

A compulsão por terapias e caminhos espirituais

paz-verdadeira

 

Ontem, conversando com o grande amigo Fernando Tassinari, estávamos a discorrer o quanto é louco observar o movimento de tantas pessoas que conhecemos, buscando diversos caminhos ao mesmo tempo. Misturando egrégoras, conhecimentos, trabalhando mental, energético, emocional e corporal sem critério… querendo encontrar um sentido de vida e abrindo-se para perceber em si os resultados desta feijoada macarrônica.

Conheço compulsões. Desde cedo envolvido com o vício do álcool, até hoje estou trabalhando firmemente para não cair no canto da sereia que o vício promete: vou te trazer paz. Tranquilidade. Relaxamento. Você ficará mais desinibido. Mais solto. Mais alegre… O vício em terapias, cursos e caminhos espirituais é parecido: promete a paz, a iluminação, o equilíbrio emocional, a realização pessoal, a harmonia familiar, despertar para o amor…

Essas são as promessas, de todo e qualquer vício. Então, tomamos a primeira dose. Fazemos as primeiras sessões terapêuticas. Participamos dos primeiros rituais. E sentimos o bem estar. E começa o processo compulsivo: quero mais. Mais. Mais. Mais. Quero chegar lá em cima. Quero estar em outro lugar. Foi fantástico. Que maravilhoso! Nunca me senti assim. Mas… poderia ser melhor. Poderia ser assim sempre. Estou cansado de sofrer a mesma vidinha. Preciso mais, mais, mais. Depois do pico de êxtase, caímos na fossa da abstinência. E precisamos de outra dose. Outro curso. Outra terapia. Outro ritual. Tudo ao mesmo tempo agora.

O pior é que muitas pessoas se tornam ou já são terapeutas. Cuidam de outros. Quando não conseguem cuidar de si mesmas. E geralmente não percebem a ineficiência deste exagero por cursos, espiritualidade e rituais, porque não olham conscientemente para a própria vida. Em desequilíbrio, como posso orientar o equilíbrio do outro? Aprendi fazendo coaching que temos parâmetros para medir o nosso grau de satisfação e realização na vida. Como está minha vida financeira? Meus relacionamentos afetivos? Minha relação familiar? Meu corpo? Minha saúde mental e emocional? Minha energia para a vida? Sinto-me livre ou dependente?

Ao olhar conscientemente para a forma como eu me movo na minha vida e nas minhas relações, posso saber se estou razoavelmente pronto para lidar com o outro. Ou se preciso de ajuda. E se preciso de ajuda, é necessário me entregar para um caminho. Um único caminho. E confiar. Aceitar engolir o remédio, por mais amargo que possa ser. Libertar-se de compulsões exige parar de anestesiar-se. É o que meu terapeuta fala para mim, em relação ao vício do álcool. O que há por detrás da necessidade de entorpecer-se? Qual dor você quer esconder?

Se você se reconhece compulsivo, como eu, então faça o exercício comigo: o que há por detrás da necessidade de entorpecer-se? Qual dor você quer esconder?

Ao permitir-se acessar esta dor, sem querer mais anestesias, o início da libertação está próximo. Naturalmente, você verá a sanha ceder. Deixará de buscar, e… somente aí… terá algo a transmitir. A paz verdadeira, alcançada através do esforço, disciplina, firmeza e confiança num caminho. Que embora externo, levará você sempre para o seu Mestre interior.

 

O caminho para a prosperidade

caminho5

 

Durante toda a sua vida, você está sendo preparado para assumir o lugar que é somente seu. Todos os cursos, todos os empregos, todos trabalhos sociais, todas as igrejas, grupos de estudos… nada foi colocado em seu caminho aleatoriamente. Faz parte de uma grande orquestração, onde Algo Maior sabe exatamente o aprendizado que espera extrair de si.

Mesmo que, aparentemente, você esteja no caminho errado, isso é somente uma ilusão. Não existe caminho errado. Existem caminhos. Às vezes, os caminhos se acabam, e começam outros. O sinal deste “acabar” é o sofrimento. A falta de prazer contínuo. A frustração. A escassez de dinheiro. Problemas de saúde ou emocionais. Talvez signifique que você está insistindo em algo que já foi. E não está deixando ir. Mas se você está insistindo e sofrendo, pode significar também que você está negando o aprendizado do caminho apresentado. E se for isso, não tenha dúvidas. Mesmo que você abandone o caminho, ele voltará. Com outra cara. Mas voltará.

Mudamos o caminho, ou vemos novas nuances do mesmo, quando completamos o aprendizado. Quando podemos verdadeiramente agradecer pelas experiências, pelos aprendizados, pelo dinheiro conquistado, pelas pessoas que cruzamos na estrada, pelos tutores que nos proporcionaram estar neste lugar. Pare e olhe para o lugar onde você está. Olhe para trás, para as pegadas deixadas na estrada. Quantas vezes esquecemos que foi papai ou mamãe quem nos abriu as portas? Um parente? Ou um ex-marido? Uma ex-esposa? Um amigo que emprestou o dinheiro para que tudo começasse? Ou mesmo o banco? Um órgão do governo? Uma pensão herdada? Uma indicação de alguém, que nos colocou a andar? As palavras motivadoras de outros? Uma religião ou um mestre que nos iluminou nas horas sombrias? Quantas pessoas sustentaram nossas necessidades, enquanto andávamos?

Se algo está pegando no seu caminho, experimente perceber o quanto de gratidão você verdadeiramente tem pelas estradas por onde andou. Liste uma a uma. Desde criança, até agora. Veja quem foram as pessoas importantes. E quando se deparar com o descaso ou ingratidão, o que será muito normal, simplesmente diga: sinto muito! Eu não estava reconhecendo o seu valor! Eu nunca consegui olhar nos seus olhos e dizer: o que vivemos foi muito bom, mas agora, cada um segue o seu caminho. Sinto muito! Muito obrigado! Você está no meu coração.

E continue a andar. O caminho se faz por si mesmo. Você é um mero personagem da paisagem. Ativo, sim, enquanto consegue interagir com alegria, perseverança, criatividade, leveza, compromisso. Se isso não é possível, pare. Pare novamente. Olhe para si, e perceba: onde não estou conseguindo ser grato? Por quem não tenho profunda gratidão e respeito? Onde guardo mágoas escondidas, ressentimentos, raiva, culpa, que acabam transformando, mais cedo ou mais tarde, todas as estradas por onde ando num caminho de insucesso, frustração e cansaço?

Gratidão é a chave para a libertação. Mas esta chave é conquistada por merecimento, e não através de um exercício mental. A gratidão surge quando conseguimos mergulhar verdadeiramente nas profundezas do inconsciente, e relembrar o quanto desprezamos as dezenas, centenas, milhares de situações onde recebemos tanto, tanto, tanto, mas por alguma mágoa, por não ter sido da forma, do jeito ou no tempo que queríamos, dizemos: não valeu.

Valeu. Palavra que lembra “valor”. Você está com problemas em relação aos valores na sua vida? Ao dinheiro? Ao reconhecimento do próprio valor? Que tal experimentar reconhecer o valor das pessoas que andaram ao seu lado? Quem seria você, sem as experiências, boas e más, com seus pais? O que seria de você sem aquele marido, aquela esposa? O quanto você cresceu dentro daquele emprego que, hoje, você diz que foi um erro? O quanto você aproveitou financeiramente daquela herança, daquela pensão, daquele amigo que lhe pagava tudo, da partilha do divórcio? Problemas de valor, significa que você não reconhece o seu valor. Se você não reconhece o seu valor, quer dizer que você não reconhece aqueles que investiram em você, transformando-o na pessoa que você é hoje.

Não se culpe. Nós somos ingratos por natureza. Como crianças, gostaríamos que tudo fosse do nosso jeito, e temos dificuldade de reconhecer o que os outros fazem. Não temos uma supervisão dos fatos da nossa vida, para interpretar, como adulto, para tudo o que foi recebido.

O convite é: pare! Olhe onde você está. Olhe para trás. E reconheça tudo o que foi andado. Do jeito como foi. Diga a cada pessoa que reconhecer como um investidor na sua vida: obrigado por investir em mim. Muito obrigado! Se puder, solte um grande suspiro. Encha os pulmões o máximo que puder, e solte. Mais um. E mais um. Sim… foi assim que você chegou aqui. Está pronto para olhar para o outro lado, agora? E dar um passo a mais, nesta estrada? Ou ainda precisa um tempo parado, para perceber se existe espaço para a gratidão florescer em seu coração? Veja onde você está. Permita estar no lugar que você está. A estrada é infinita, e ela esperará o tempo necessário.

Alex Possato

O meu lugar

20170103_134125

Entre Oaxaca e a cidade do México, atravessamos um longo deserto, habitado por milhares e milhares de cactos, e alguns perseverantes e humildes seres humanos. Chegando à capital, minha filha disse: que bom estar em casa! Eu retruquei: você já se sente em casa, aqui, após um ano de moradia?
– Sim! É onde tenho meu apartamento, minhas coisas, meu trabalho!
Isso me faz pensar. Eu nunca me senti em casa, em quase nenhum lugar onde morei. Desde pequeno vivi entre deslocamentos, da casa da minha mãe, para a casa dos meus avós. Anos assim. Tinha a sensação de que, a qualquer momento, teria que pegar minha malinha e sair, rumo ao incerto.
Assim foi minha infância. A sensação de insegurança o tempo todo. Não há como mudar isso. Essa foi a minha história. Mas fato é que me acostumei, depois de adulto, a viver com a mala na mão. Até hoje. Jamais fico muito tempo num lugar. Até o meu trabalho é um infinito deslocamento. Mas isso é até hoje. Papai e mamãe também eram assim. Sem lugar fixo. Nômades involuntários. Parece que sempre procurando algo. E nunca achando.
Sinto falta de um lugar para dizer: este é o meu lugar. O meu pedaço de chão. Onde tenho o direito de ficar, e ninguém poderá me tirar. Um lugar conquistado pelo meu merecimento. Minha terra prometida. Recebida pela minha negociação direta com Deus. Uma terra que, ao ser assumida, exige responsabilidade. Pois algo que é dado por Deus, deve ser cuidado como divino. Será que estou pronto a honrar o pedaço de chão que tanto desejo? Possivelmente, em meu passado não. Possivelmente, cuspi na terra que pisei. Ofendi os lugares que me acolheram. E como punição pela minha própria arrogância, fui condenado a vagar por aí. Com uma mala na mão. Em busca de algo. Que só receberei quando souber agradecer verdadeiramente cada cama em que deitei. Cada mesa em que sentei. Cada teto que me protegeu da chuva e do sol. Talvez a gratidão seja a chave para encontrar a terra prometida.
Não é uma questão de dinheiro para comprar algo. Não é disso que estou falando. É bem mais profundo. Temos a péssima ideia de dizer: minha propriedade! Pela qual fazemos as coisas mais absurdas, inclusive usando de instrumento de chantagens nas heranças e divórcios, entre outras demonstrações da cegueira humana. A frase é batida, mas é isso: nada é nosso. Tudo é somente uma concessão, que um dia será tirada.
Neste momento, estou falando contigo, senhor do universo. Reconheço a minha mediocridade e ganância. Minha ingratidão e desrespeito. Mas se a minha punição por estes crimes já estiver expirando, que eu possa encontrar um lugar. Um lugar onde eu possa finalmente estabilizar. Parar de andar cegamente. Crescer de outro jeito. E chamar de meu. Mesmo sabendo que tudo é seu. Incluindo a minha vida, o meu corpo, o meu trabalho…

Honestidade ou cópia?

verdade

Tenho visto muita gente copiando trabalhos. Indo “conhecer”, “se inspirar”, para depois fazer o mesmo. Lógico que com uma cara diferente. Mas é uma cópia. Eu mesmo, quando comecei o meu trabalho de constelação, copiei o que aprendi com Theresia Spyra. O curso que montei, me inspirei nos módulos da Mimansa. Mas com um detalhe… fiquei quatro anos estudando, participando de grupos, me dedicando ao autoconhecimento, a trabalhar minhas dores mais profundas, até que em algum momento a constelação familiar me disse: vá… Eu não queria acreditar, não queria seguir… mas fui. Copiando e cantando e seguindo a canção…

Copiando. É assim que as crianças aprendem. Fazem como seus pais ou educadores ensinam, para depois seguirem a própria história. Nesse ponto, tenho que dizer que muitos, mas muitos mesmo jamais terão a autoestima suficiente para fazer a própria história. Porque estão presos às histórias do papai e da mamãe. E, ou querem fazer diferente, e por isso mantém a referência no passado, ou querem fazer igual, e da mesma forma, não se enxergam.

Encontro-me numa fase de reajuste. Mesmo reconhecendo que algo muito bonito e verdadeiro flui por aquilo que faço (o meu parâmetro é o retorno que recebo, tanto financeiro, quanto de feedbacks e a influência que meu trabalho exerce na vida das pessoas de tantos lugares do Brasil), ainda não me sinto totalmente confortável com o trabalho que é realizado. Existem pontos da minha alma que estão desejosos de se expressar, e estão reprimidos. Quando analiso a pergunta: reprimidos por quem? – a resposta é: papai e mamãe. Aqueles que me educaram. Os padres, os professores. A sociedade. Dentro de mim, quase na idade de 50 anos, ainda tem resquícios de uma criança querendo fazer o certo, ser aprovada pelos pais e adultos e com raiva das rejeições que passou. Pode isso, Arnaldo?

Ser honesto é uma caminhada para a vida toda. E eu convoco as pessoas que me seguem, principalmente alunos e pessoas que passaram pelas constelações comigo, a se perguntarem:

– por que faço o que faço? É só pra ganhar dinheiro? Ou pra ser aceito?

– se eu não precisasse ganhar dinheiro nem quisesse ser aceito, faria o mesmo?

– o que eu faria? Como?

– o que realmente eu quero fazer no mundo? Tenho verdadeiramente vontade de trabalhar?

– com o quê? Se a resposta é sim, com quem? Onde?

– o que faria diferente daquilo que faço hoje?

Perceba o quanto está sendo honesto na própria vida. O quanto o seu coração está sendo contemplado nas coisas que você faz. O quanto de prazer você tem em viver. Honestidade, não por uma razão moral. Pra mim, francamente, dane-se a moral! Mas por uma questão de alma… a pessoa que não faz o que a alma deseja, não é feliz. Não expressa os dons reais que desejam ser expressos por ela. Está ainda presa às dores do passado. É avarenta, afinal, está reprimindo dádivas que o Universo deu para serem transmitidas. Ou dá em conta gotas, com interesse de retorno financeiro ou reconhecimento social. E se é assim, tudo bem… veja se quer mudar, só isso… sem culpas…

Eu aqui estou fazendo minha reavaliação. E mudarei algumas coisas. Ou muitas… Vagarosamente, vou saindo das minhas mentiras. Ahhhh… quantas mentiras! Algumas delas: ser importante! Fazer algo de destaque na sociedade! Ser alguém bem visto pelos outros! Ter sucesso financeiro! Ajudar o próximo! Mentiras e mentiras e mais mentiras, que encobrem a verdade de quem eu já sou… um ser único e especial, cheio de dons naturais para serem transmitidos… sem a necessidade de nenhuma justificativa…

O que seriam das flores se só se abrissem quando tivessem certeza absoluta de que seriam aceitas pelos outros, elogiadas, cuidadas, paparicadas, colocadas em belos altares…

Pessoas que causam: um chamado a olhar para a luz

fechar-a-boca

 

Desde pequeno, convivi com pessoas que causavam. Verdadeiros “barraqueiros”, não havia tempo ruim pra detonar com a paz do ambiente. Brigas estouravam a qualquer momento. Discussões. Invasão de privacidade. Manipulação e jogos diversos. Papai, mamãe, vovô, vovó, as mulheres de papai, meu irmão… E não adiantou eu crescer e ir embora: eles vieram atrás, e continuaram causando. Casei, e embora em menor grau, também vieram os conflitos, as novelas, os dramalhões…

Que saco estar cercado por situações e pessoas que ficam dando “piti”, não é mesmo? Bem… mas se estava cercado por estas situações e pessoas assim, significa que a energia do “piti” também está em mim, não é mesmo? Não é assim que funciona a lei da ressonância? Aquilo que vibramos, atraímos. E não é preciso ir longe: basta olhar um pouco mais demoradamente para a minha mente, meus pensamentos e emoções, e acharei um verdadeiro bordel de quinta categoria!  Algo dentro de mim que gosta e até se abastece dos conflitos, das traições, das misérias humanas, do sórdido, do pesado, do sombrio… E minhas palavras, então? Quantas vezes falando mal de outro? Contando fofoca. Jogando indiretas sobre pessoas, só pra ver o circo pegar fogo. Alimentando a maldade minha e dos outros. Denegrindo a imagem das pessoas, por mais que haja um fundo de verdade naquilo que espalho.

O “barraco” é alimentado por fofocas. Pare e veja se não é isso. O barraqueiro sente a adrenalina subindo, uma excitação toma conta, quando o drama se aproxima. Adoramos falar mal dos outros. Falamos mal dos políticos… ahhhh, mas eles merecem, você diz. Talvez… mas através do falar mal, você está espalhando energia de rancor, ódio, conflito, desarmonia… O que de bom você traz, quando detona com alguém?

Falamos mal dos religiosos desta e daquela linha… Falamos mal dos torcedores do time adversário. Falamos mal daqueles que aprendemos a discriminar: os homossexuais, os pobres, os favelados, os judeus, os negros, os índios, os turcos, os nordestinos, os norte-americanos, os ricos, os banqueiros, os da direita, os da esquerda…

Veja se você também não é um barraqueiro, dentro de si… e observe se você atrai situações de “barraco” para sua relação afetiva, seus negócios, seu trabalho, seus grupos sociais…  Bem, eu sou assim. Mas decidi não ser mais. Não porque não goste do “barraco”. Mas porque o “barraco” interfere na minha real alegria, na minha paz de espírito, no meu respeito pelo outro ser humano. E tudo começa dentro de mim. Uma decisão que tomei, e estou tentando cumprir a risca, é não falar mais da vida alheia. E olha que para mim é uma dificuldade, pois, devido ao meu trabalho como terapeuta, ouço histórias o dia todo. E como gosto de escrever, a tendência a falar da vida do outro é grande… Mas estou evitando. E quando falo de algo ruim que aconteceu com alguém, ou que foi provocado por alguém, procuro entrar em conexão com a dor que esta pessoa sente. Tanta dor, que acaba “causando” – assim posso olhar com compaixão para a situação. Estou começando a fechar minha boca.

Mas também estou fechando as orelhas. Quantas vezes dou uma disfarçada e saio, quando percebo alguém vir falar do “barraco” alheio? Não quero saber. Tento, educadamente, mudar o assunto. Mostro desinteresse. Minha orelha não é pinico. Porém, procuro olhar com gratidão para estas pessoas. Porque, ao falar mal de alguém, estão apontando para a luz que eu estou esquecendo de olhar. Sim, é verdade! Estas pessoas falam da sombra, mas eu posso olhar para a luz, cada vez que a sombra é apontada!

É um caminho: às vezes estou mais íntegro neste caminho, às vezes não… mas é um caminho. Fechar a boca e fechar as orelhas para a maledicência.

A luz proporciona abrirmos o peito para a compaixão. Para a compreensão de que muitos não conseguem falar da luz, pois ainda não estão em condições de observar a própria luz acesa. Não conseguem acessá-la. Mas eu, conscientemente, posso. E posso alimentar elogios. Posso alimentar sorrisos. Posso alimentar a escuta empática. Posso alimentar o amor. Posso indicar o caminho de olharmos para a própria sombra, para podermos descobrir que somos luz. Posso incentivar as pessoas a irem em busca da sua força interior, da sua paz. Assim, acredito, vou encontrando a minha própria força. A minha própria paz. Em essência, somos luz, somos paz. Todos nós. Barraqueiros ou não. E estamos nos preparando durante muito, muito tempo, para podermos escolher em qual lugar desejamos nos assentar. Na paz, ou na guerra. A maioria das pessoas talvez não tenha esta escolha, pois estão viciadas na guerra. Mas estou falando para você, que tem esta opção, pois já andou uma longa jornada… A paz é uma escolha. Que precisa ser acionada pelo poder da consciência.