Sim, eu minto! Você não pediu para eu falar a verdade?

Como estou me preparando internamente, estudando e percebendo meus comportamentos, para a Jornada em Israel que farei em setembro, estes temas que lidam com espiritualidade me interessam. E me tocam. E hoje resolvi abordar o tema “verdade”. E “mentira”. Afinal, disse Jesus, no evangelho segundo João: “Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.”

Estudo as palavras de Cristo, para poder vivenciar “na alma” aquilo que também irei me deparar in loco, em Jerusalém, Belém, Nazaré e outros lugares históricos para católicos, evangélicos, ortodoxos e outras denominações derivadas do cristianismo. Esse é o objetivo desta peregrinação. Viver Cristo, viver o judaísmo, viver o islamismo, viver espiritualmente aquilo que a “terra santa” tem a nos oferecer.

Entendo que as religiões trazem seus dogmas conjuntamente, e por isso não desejo falar de teologia. Até porque não tenho a menor condição para isso. Quero simplesmente discorrer o que me vem quando leio esta frase atribuída a Jesus. E como isso ecoa dentro de mim.

Lembro-me que vovó dizia, quase em tom jocoso: faça o que eu falo, não faça o que eu faço. E justo ela, uma senhora moralista e rigorosa, que me chamou de mentiroso inúmeras vezes (e com razão!), e por isso, também me castigou de inúmeras formas. Mas aí já começava a contradição: se ela falava uma coisa e fazia outra, também estava mentindo, não é mesmo? E eu peguei algumas mentiras “no ar” e só não podia deixa-la de castigo porque meu tamanho e poder não eram condizentes com a minha vontade. “Vovó, vai pro canto pensar! Agora mesmo!” – ficava só na vontade…

De qualquer forma, mesmo ela também sendo mentirosa (depois percebi que vovô, meu irmão, papai, mamãe e todo o resto da humanidade também eram!), eu sentia culpa por mentir. Acreditava piamente que haveria algum tipo de punição – o tal do Deus irá me condenar. Na minha mente infantil, não cabia o fato de estar pecando, e ao mesmo tempo, ser merecedor da benevolência que Jesus garantia vir do seu Pai. Por sinal, o meu Pai também. Uma outra coisa que não entrava na minha cabecinha era que, se eu e Jesus éramos filhos do mesmo Pai, logo, eu era irmão de Jesus. Mas vou confessar uma coisa: em verdade, em verdade, eu não me achava da mesma família. “Acho que sou adotado” e o Pai é só um pai de criação. Eu era filho de outro cara.

Bem, acabei viajando nesta infância espiritualmente tortuosa, para finalmente poder dizer: acredito que Jesus dizia que a verdade se demonstra em ações. Não amemos de palavra e nem de língua. Quer dizer que vovó deveria dizer assim: faça o que eu faço, não faça necessariamente o que eu falo. Este seria o provérbio que o filho de Deus poderia dizer, se estivesse conversando com amigos numa padaria. Não, sejamos justos com Ele. Ele diria: faça o que eu faço e faça o que eu falo! Mas se não der, eu os perdoo, assim como o meu Pai já os perdoou!

Talvez o Filho de Deus gostaria que todos nós pudéssemos alinhar aquilo que falamos com aquilo que fazemos. Como é difícil, não é? Já vi um monte de líderes espirituais falhando nisso. Imagine eu! Eu me pego tantas e tantas vezes falando algo e não fazendo! Tudo bem que minhas mentiras são diferentes daquelas dos criminosos e corruptos, mas continuam sendo mentiras. Não devo atirar pedras.

Daí, acho que o meu caminho dentro da constelação familiar sistêmica esclareceu mais algumas coisas. Aprendemos que fazemos as coisas levados em grande parte pelo sistema familiar. Se eu minto, é porque meus pais também mentem. E até vovó, quase beata, mentia! Então, a mentira faz parte dos meus hábitos, e quando eu quero somente dizer a verdade, fazer a verdade, pensar a verdade, sinto extrema, enorme, quase intransponível dificuldade. Bert Hellinger diz que repetimos nossos padrões porque assim, nos sentimos pertencentes.

Se eu minto, por pior que seja para minha moral cristã, eu pertenço ao meu sistema. Mas se sou totalmente verdadeiro (como se isso fosse possível!), aí sinto-me um traidor. Não pertencente. Terei que entrar para a Ordem dos Verdadeiros Imaculados Transparentes da Palavra do Senhor e deixar definitivamente a família Possato. Excluído do meu sistema, por falar somente a verdade.

Entendo a necessidade da verdade e a busco incansavelmente. Mas na minha percepção, mentir também faz parte da minha verdade. Sim, eu minto! E muitas vezes sou verdadeiro. Não necessito nem de aplausos, nem de castigo. Mentira e verdade fazem parte. Este sou eu! Sei que Jesus, o Nazareno, me entende. Na suprema inteligência que foi concedida à Ele, o mestre sabe que a psique humana é cheia de altos e baixos. Luz e sombra. Deuses e diabos. Milagres e horrores. Só não vou usar a minha humanidade para me omitir. Serei sempre responsável pelos meus atos. E no momento em que pisar na bola, posso falar: pisei na bola! E se for verdadeiro, também posso dizer: sinto muito! Mas somente se for verdadeiro, porque se não for, é melhor ficar só com:

– Pisei na bola! Eu errei!

Acho que a verdade pode começar por aí… Pelo menos, para aqueles que buscam…

 

Alex Possato

Quer saber mais sobre a Jornada Sistêmica em Israel 2019? Clique aqui!

Confira abaixo o vídeo que Alex Possato e Lu Cerqueira fizeram, explicando detalhadamente como será a Jornada!

 

O medo de subir na vida

Domingo de Carnaval, lá estava eu pendurado numa parede de escalada, uns 6 metros do chão. Para cima, mais 4 metros, que minha mente se recusou a encarar. Para baixo, nada demais, afinal, com o sistema de segurança do lugar, nada poderia acontecer, a não ser ficar pendurado, balançando, enquanto que o equipamento nos devolvia ao solo firme e seguro.

Quem me conhece mais intimamente, sabe que me defronto constantemente com o pânico de lugares altos. As mãos suam excessivamente, as pernas perdem a firmeza, em alguns casos fico com vertigem. Pânico é pânico. E ele frequentemente me visita, até porque eu sempre gosto de conversar com ele. Faço práticas de trekking e algumas experiências em altura, para que eu possa conhece-lo melhor. E cada vez entendo um pouquinho mais sobre meus mecanismos internos.

Desta vez, observei meticulosamente minha reação:

– subia bem até um determinado patamar;

– em certo ponto, os pensamentos diziam: aqui está bom! Chega!

– meu corpo, imediatamente, começava a apresentar sinais de desestabilização, perda de força nos membros;

– meu foco se perdia e eu não conseguia mais encontrar locais adequados para apoiar os pés e continuar subindo;

– então, eu desistia, e pedia pra descer.

Subindo na jornada da vida

Estou planejando uma jornada sistêmica em Israel (dá uma olhada no link com a descrição, está bem legal o projeto!). O grupo está se formando, porém, ainda temos várias etapas para vencer: aumentar o grupo é a principal, e para isso, fazer todos os movimentos de comunicação necessários, alianças, etc.

Este projeto, que possui desafios, está contido dentro de outro projeto maior, que tem a ver com o meu desenvolvimento profissional. Mais um tantão de desafios a serem transpostos. Estou sentindo um chamado para subir, indo a patamares antes não alcançados.  E aí posso fazer o paralelo das “mensagens da escalada”.

Existe uma parte dentro de mim que se recusa a prosseguir. Diz: aqui está bom! Chega! Pode descer! E da mesma forma que eu travo literalmente nos lugares altos, eu travo nas minhas atividades práticas, direcionados ao meu crescer profissional.

Percebi uma falta de perseverança, fibra, constância e disciplina muito forte reinando no meu sistema interno. E então eu pedi – sim! Eu pedi! – para que Deus me mostrasse o que eu precisava ver… É gente, eu faço assim. Observo o trabalho acontecendo dentro de mim, e então peço orientação… E ela vem!

Passei o dia de ontem com muita raiva. Sentia a energia de raiva pulsando em mim. E ao dormir, sonhei. Sonhei bastante. Alguns sonhos bem desconfortáveis, mas o que mais me chamou atenção foi um sonho onde eu brigava com minha mãe. Eu queria fazer algo por ela, ela se recusou, e me deu algumas moedinhas para que eu voltasse para casa. Então, furioso, joguei todas as moedas no chão, dei-lhe as costas e fui embora, bufando. Acordei.

A criança vive para ser aprovada pela família

Esta cena das moedas, com detalhes um pouco diferentes, ocorreu comigo e minha avó, que cuidou de mim por oito anos. Não joguei literalmente as moedas no chão, porém, recusei o “presente” que ela queria me dar, porque eu estava puto. Ela me dominava completamente, e fazia de mim o que queria. E de vez em quando, dava um dinheirinho para que eu pudesse comprar um sorvete ou algo assim. E naquele dia, eu disse: NÃO!!!

Hoje, passado décadas deste episódio, como terapeuta, entendo que esta parte psíquica que está presa na dor da criança reprimida ainda está atuando no meu sistema. E de alguma forma, ela controla o meu movimento ascendente na vida. Inclusive, é uma parte capaz de recusar as moedas e jogá-las no chão. Coisa que fiz muito tempo na minha vida, através do descontrole financeiro e incapacidade de poupar.

Eu planejo, trabalho e tenho capacidade de adulto. Muita capacidade. Porém, existe um lado infantil, emocional, que está lutando contra o adulto. Está rebelado, não quer seguir as ordens e prefere bater o pé e fazer bico. Na verdade, eu nunca bati o pé verdadeiramente para a minha avó e para as pessoas que me oprimiram. Eu simplesmente ouvia, engolia, e quando dava a hora certa, as abandonava. Dava-lhe as costas. Bufando e com muita raiva.

Todo mundo tem o direito de dizer que está magoado, machucado, amedrontado devido às ações de alguém. Porém, uma criança não tem este direito. Pelo menos, da forma como eu fui criado. Assim, a dor fica reprimida, inconsciente. Existe uma grande vontade de dizer FODA-SE! Eu não aceito mais! E ela não consegue. Dá muito medo. Esta energia continua dentro dela, pedindo para ser vista. Em algum momento, é necessário olhá-la nos olhos. Olhar para os olhos apavorados daquela criança que precisa confrontar os próprios pais. Ela tem este direito!

Subindo como adulto

Estou com cinquenta e um anos de idade. E volta e meia me defronto com estes processos psicológicos. Convidando-me para regressar aos meus tempos de criança. Isso não quer dizer que sou uma pessoa infantilizada – somente que existem algumas partes infantis feridas para serem vistas. Este é o processo natural.

Por isso sempre convido você a olhar para si desta forma: não somos bons ou maus porque temos mais ou menos traumas e comportamentos distorcidos em nós. Tudo são programações. Nosso sistema funciona como um computador, mas nós podemos olhar a tudo distanciado, e portanto, com a possibilidade de ir se transformando. Aos poucos. De acordo com nossas metas e objetivos.

A questão não é atingir o topo. Mas aprender na caminhada. Descobrir-se, ver como é maravilhoso o processo do despertar para os próprios padrões inconscientes. Perceber as resistências, e ok! O que elas têm para me ensinar? E também olhar para além disso tudo. Para o lado desvinculado com o sucesso pessoal ou material. Eu diria: um lado mais sensível, energético, espiritual. Porque em algum momento, esta jornada acaba. E você, assim como eu, possivelmente deixará muitas metas, pessoas e sonhos para trás… Mas… e daí? Se estamos aprendendo aquilo que é possível durante a caminhada, acho que já está valendo muito a pena.

Alex Possato

Você sabe lidar com a raiva?

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Quando criança, tive que engolir muita raiva. Com muitas mudanças, muita agressão, muito descaso, eu era uma bomba relógio. Mas que era severamente punido nos atos de rebeldia. Quando desobedecia, castigo. Quando me comportava, recebia algum agrado, a sutil corrupção que toda a família faz. Um presentinho aqui, um agrado ali. Porém, para piorar, meu irmão recebia agrados melhores. Pelo menos ao meu olhar infantil. E o ódio espumava dentro de mim.
Aprendi a não confrontar diretamente as pessoas, porque eu não conseguia ganhar. Então, eu manipulava aqui e ali, fingia, enganava e buscava benefícios escondidos, para ter as coisas que queria. Fui programado a não manifestar minha raiva. Além de tudo, é pecado, diziam!
Cresci, sem aprender a lutar pelos meus objetivos. Fazia tudo pelas beiradas. Me aproximava das pessoas influentes. Seduzia com minha inteligência e charme. Conseguia coisas, mas a que preço! O preço da vergonha de não me bancar. Escondi tanto minha raiva, que achava que não tinha. Mas sempre fui uma bomba relógio. Que um dia, explodiu. Quanto acabou a grana. Quando acabou o casamento. Quando acabou a empresa. Quando acabou minha carreira. Acabou minha paciência. Graças a Deus!
Tornando-me terapeuta, verifiquei, que as pessoas que massacram a raiva para debaixo do subconsciente, ficam paralisadas. E dependentes.
Estas pessoas fazem isso porque, assim como eu, tem dores profundas, foram submetidas às ordens de forma agressiva, humilhante. Ficam então, sem força para a vida. Sem força para os próprios objetivos. Esperando alguém que faça por elas.
Conforme vamos nos terapiando, não tem jeito: acessamos a raiva. E se não a controlarmos, iremos agredir. A raiva descontrolada é tão prejudicial como a reprimida: ambas não servem para nós, pois estão a serviço da dor. Da dor do passado.
Tive que aprender a validar minha raiva. Meu ódio. Por tudo o que aconteceu. Por tantos maus tratos. Mas de uma forma sadia, através de dinâmicas e auxílio de pessoas preparadas para me acompanhar neste processo. E conforme isso foi acontecendo, pasmem: minha vida começou a fluir. Comecei a ir atrás dos meus objetivos e conquistá-los! Estou num processo ainda de ficar realmente bem com o passado. Coisa que não aconteceu totalmente. Nem sei se acontecerá. Mas já vejo o quanto foi importante toda esta jornada. Inclusive todos os destratos na infância: me fizeram ver o quão forte eu sou!
Olhar para a raiva, conscientemente, é um caminho para o sucesso!

Hoje coloquei no Youtube um vídeo falando sobre a Preguiça e sua relação com a raiva… acessem meu canal Alex Possato Oficial!https://youtu.be/LmO4ILFV3Cs

 

O direito de não saber

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Às vezes me sinto perdido. Muitas vezes. E quantas vezes tentei lutar contra o simples fato de não saber o que ocorrerá? E não poder dominar?
Aprendi na minha educação que somente um tonto, um bobo, um tapado não sabe das coisas.
Quem me ensinou estas ideias também não sabia das coisas… Mas fingia saber. E eu acreditava, afinal, era a criança.

Mas… hoje sou adulto. Criei trocentas mil estratégias para enganar a todos, e até a mim mesmo, que sei exatamente onde estou indo… Mas me diga uma coisa: como a mente racional pode saber algo? O que garante que daqui a um minuto, algo não acontecerá e terei que mudar meus planos?
As pessoas que me ensinaram não sabiam lidar com a mudança. Com a incerteza. Com a frustração de verem seus planos ruírem. Com as emoções que nos provocam quando percebemos não ter mais controle…

Lógico, como adulto, decido metas, faço planos, crio estratégias… mas diante das coisas mais significativas da vida, me percebo como um expectador, que de vez em quando pode escolher seguir o fluxo… ao invés de lutar contra… Eu não preciso mais provar aos meus pais que sei tudo. Eu não preciso ter razão o tempo todo. Eu simplesmente tenho o direito de não saber…

E descobri que nem preciso saber…

Porque existe um sussurro do Espírito em todo coração, que embora não dê certezas, nos brinda com a suave paz, que nos invade como os raios de sol aquecem a pele da criança, enquanto ela brinca no jardim. Aí, é tão fácil se deleitar para, em algum momento posterior, deixar que as novas e arejadas ideias saltem à mente… e possamos decidir mais alguns passinhos a tomar diante do Grande Mistério da vida…

Estes passos serão sempre os mais acertados. Mas necessitam se originar da paz. Da alegria. Do prazer…

Também não me ensinaram a viver no prazer e na paz. Bem… este assunto fica pra depois! 😁

Sucesso para empreender a si mesmo – Brasília

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Sucesso para empreender a si mesmo

O sucesso nasce de uma percepção interna, do coração. É uma verdade que já existe em si, antes mesmo que qualquer coisa surja no mundo exterior. E este sucesso se manifesta efetivamente, no momento em você consegue sentir, pensar, planejar e agir na mesma direção daquela primeira percepção do coração. Sucesso não é aleatório. É a consequência da sua rendição à intuição, juntamente com a união do melhor de si em prol desde objetivo.

Este é o nosso convite: apoiar a sua jornada rumo ao sucesso pessoal!

Nesta vivência sistêmica, trabalharemos a sua relação com o próprio sistema familiar que talvez ainda o prende a situações de medo, perdas, desvios… e também olharemos através da constelação para os vínculos com as partes prósperas da sua ancestralidade, de onde brotam recursos e possibilidades, abrindo um espaço de consciência para que você decida seus próximos passos nesta jornada com muito mais assertividade!


Alguns conteúdos que trabalharemos:

  • Sobrevivência x prosperidade
  • Autoconfiança e empoderamento
  • Foco x dispersão
  • Capacidade de planejamento e execução
  • Coerência nos produtos/serviços e objetivos
  • Resiliência e perseverança
  • Propósito e caminho de vida

Alex Possato
é terapeuta e professor de constelação familiar sistêmica. Está envolvido desde 2008 com a constelação, é coordenador do Projeto Incluir – Laboratório de Constelação Sistêmica, atua na condução de vivências por diversas regiões do Brasil e cursos de treinamento de constelação familiar sistêmica em São Paulo, Goiás e Brasília.

Luciana Cerqueira
é terapeuta de constelação sistêmica, terapeuta de Benção do Útero, professora de yoga e facilitadora de vivências do Sagrado Feminino. É responsável pelo projeto Sagrado Ventre – terapias do feminino & curas, e realiza vivências e atendimentos em São Paulo, Brasília e Goiás.


Vivência: Sucesso para empreender a si mesmo!

Data: 15 e 16 de julho

Sábado e Domingo das 10 às 18 horas

Valor sugerido: R$ 260,00

Contato para informação e inscrição: clique aqui e preencha o formulário online

Email: florbrasil.newtonlakota@gmail.com

Telefone: (61) 99976-7740 com Newton Lakota

Local: Espaço Despertar para Crescer
Rua das Quaresmeiras, 11 – Condomínio Verde – Jardim Botânico – Brasília

Sonho a dois

sonho em casal

 

Fizemos um exercício: eu e ela. Ela e eu. Um casal que se dá bem, mas como qualquer casal, com vontades, sonhos, medos, anseios diferentes. Bert Hellinger nos ensina, através da constelação familiar sistêmica, que um casal, quando se compromete verdadeiramente a compartilhar uma vida conjunta, entra em contato com a alma da relação.

Esta alma é maior que a vontade dos dois. Que é maior que o medo dos dois. Que é maior que os sonhos dos dois. Esta alma tem vontade própria. Ela conduz os pombinhos para onde eles devem ir. Pessoas realmente conectadas com esta alma são (e precisam ser!) desapegadas. Embora tenham seus objetivos pessoais, sabem ouvir os objetivos da outra parte… mas o fundamental é que se abram para esta “alma” do casal. Este “espírito coletivo” da relação, que conduz os dois aprendizes rumo às descobertas que ambos precisam vivenciar.

Nesta jornada, eu tenho que aprender a não colocar meus sonhos acima dos sonhos dela. E ela  aprender a mesma coisa. Porém, mais que isso: ambos precisamos nos abrir para a aventura de sonhar um sonho conjunto, que pode ser bem diferente do meu e do dela. Às vezes, os sonhos individuais precisam dar espaço ao sonho do casal. Por isso Hellinger é bem claro na questão do compromisso do casal, já que um casal sem compromisso será levado pelo interesse de somente um dos lados, ou ficarão eternamente sendo confrontados pela guerra de interesses opostos, ou ainda, renunciarão simplesmente à parceria, e cada um segue do seu próprio jeito, sozinho.

Sonho a dois não é o meu sonho. Nem o dela. É o nosso. Eu preciso validar, sentir, respirar, vibrar com este sonho. Ela também precisa validar, sentir, respirar, vibrar o sonho. É assustador, pois às vezes não conhecemos, nem validamos nossos próprios sonhos… o que dirá validar um sonho “coletivo”, que nem sabemos o que é… Mas por que não abrir-se ao mistério? Por que não brincar de sonhar, e permitir-se ser levado por este sonho, que pode ser tão excitante, desafiador, instigante, e ao brincarmos de sonhar, percebemo-nos unidos, mais e mais?

A confiança em um casal surge não necessariamente quando um confia no outro. Não quando um tenta provar ao outro que seus argumentos são melhores. Não quando um se coloca submisso ao outro… Mas quando ambos confiam em si mesmos, e mesmo assim (e talvez por isso mesmo), os dois confiam e se entregam a Algo Maior. Um casal que sonha junto, permite sair das rédeas da mente que teme, que faz tudo em nome da segurança e da sobrevivência, e deixa gentilmente que o sonho conduza a ambos… o mistério é o destino, e o caminhar neste sentido, embriagado pelo doce sabor da aventura é a maior recompensa…

 

Disciplina

disciplina

“A única disciplina que a vida impõem, se formos capazes de a assumir, é aceitar a vida sem a questionar” Henry Miller – escritor

A raiz da palavra disciplina é a mesma de discipulus, aquele que aprende… Talvez marcados pelas dores de termos sido ensinados por pessoas agressivas, ou manipuladoras, ou incapazes, ou ainda sádicas, é provável que não consigamos lidar muito bem, nem com a palavra disciplina, nem com a ação disciplinada.

A disciplina implica, antes de qualquer coisa, uma disposição para aprender. E um reconhecimento na capacidade daquele que ensina. Às vezes sinto dificuldade uma ou outra vez em manter a disciplina, a atenção dos meus alunos, e então me pergunto: onde está faltando o meu posicionamento como professor? Onde eu nego a disciplina em mim mesmo?

E me percebo indisciplinado em muitos momentos: no meu caminho espiritual, deixo de efetuar as práticas meditativas da forma como fui instruído a fazer. Nos meus hábitos, volta e meia me vejo caindo em compulsões da bebida, comida, café, distrações na internet, etc., deixando de lado as coisas realmente importantes que clamam por serem feitas. E quando me perco na indisciplina, posso perceber: onde quero chegar? Qual é o meu objetivo de aprendizagem? E no meu tempo, amorosamente, cuidadosamente, realinhar minhas ações.

Mas uma coisa é importante perceber: quem faz tudo o que deve fazer não é necessariamente disciplinado, já que disciplina também implica aprender. Ao deixar de fazer aquilo que julguei dever fazer, posso aprender com isso. Que emoções surgem quando me rebelo a uma ordem, seja uma ordem minha, ou uma ordem de alguém? Como me sinto ao cumprir as ordens? O que realmente desejo aprender? Estou validando meus caminhos, meus mestres, meus professores, ou me acho melhor que eles? Estou desqualificando? Contra quem, especificamente, estou lutando dentro de mim ao me tornar rebelde?

Acredito que uma mente pacífica é disciplinada. Ela sabe o que fazer, e o que não fazer. E assume as consequências dos seus atos. Ouve a voz do coração, e sente os impulsos da mente, e entre os dois, pesa qual o dever que a situação requer: seguir o coração, ou seguir as regras e crenças? Nem sempre é possível seguir o coração. Nem sempre é possível seguir aquilo que nos traz prazer e conforto. Às vezes, é necessário a dureza. Às vezes, é necessário cumprir as leis, as regras, obedecer as autoridades. Dar a César o que é de César. Saber discernir é a sabedoria necessária.

Muito da indisciplina está marcado pela desobediência em relação aos pais. Se tivemos problemas com as autoridades, que são o papai e a mamãe, e nossos educadores, teremos muita dificuldade com a disciplina. Negamos a educação, da forma como ela veio – e às vezes veio de uma forma muito rude, muito difícil mesmo – e também negamos os professores e as autoridades. O grande problema disso é que, ao nos percebermos indisciplinados, temos muita dificuldade em dar comandos a nós mesmos e obedecer estes comandos. Pare de fumar! – digo. Mas não faço. Descanse mais! – não me permito. Cuide melhor dos seus amados! – me desvio em outras atividades. Tenha meta, crie um foco e siga! – e preferimos andar dispersos.

Uma pessoa indisciplinada não consegue atingir seus objetivos. Acho que isso não é novidade. Por exemplo: a dificuldade de regrar alguns pontos na minha vida semeou imensas perdas, até o momento em que eu tive forças mentais, emocionais e atitudes para mudar meu comportamento.  Uma destas áreas foi a financeira. Por não ter nenhuma disciplina com o dinheiro, durante décadas vivi uma vida de dívidas e de dificuldades, ganhos e perdas. Até que, em um momento necessário, onde a vida me empurrou para o abismo, resolvi fazer o que eu nunca houvera nem sonhado em conseguir: controlar as finanças, centavo a centavo. Traçar metas profissionais. Projetar meu futuro. E, como disse acima, eu também era um rebelde: condenei a disciplina recebida em casa, e achava que, fazendo diferente, chegaria a algum lugar. Não cheguei. Quando resolvi validar aquilo que aprendi, a vida mudou. Entendi, na prática, o que o líder judeu Ben Gurion disse: “não existe contradição entre disciplina e iniciativa. São o complemento uma da outra”.

Os aprendizados na selva, com papai

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Quando fiz 10 anos de idade, papai me deu de aniversário uma caminhada pela Serra do Mar, onde atravessaríamos de São Bernardo até o litoral, com direito a dormir no meio da mata atlântica, ao relento. O trajeto foi conduzido pelos policiais do COE, sob a batuta do austero Capitão Pazzelli… Entre meninos do orfanato, eu, meu irmão e os dois filhos do capitão, além dos soldados, éramos um grupo de 40 ou mais…
Fomos divididos em três setores: vanguarda, centro e retaguarda, cada um conduzido por um oficial. A ideia era que, durante a caminhada, pudéssemos estar em contato, os três grupos, um cuidando do outro. O da frente abrindo caminho. Este grupo necessitava de pessoas fortes, destemidas, preparadas. O do meio, com as crianças menores, sendo de certa forma protegido pelos dois outros, e responsável por carregar os maiores pesos e guardar as provisões. E o de trás, dando cobertura, protegendo aos dois da frente.

Jamais esqueci este presente. E os significados que levo até hoje. O quanto é importante sabermos, na nossa vida, em que lugar estamos. Às vezes somos requisitados a abrir a picada. Exige força, perseverança, tenacidade… Mas isso só tem sentido porque atrás virá um grupo maior, que poderá andar com mais facilidade.
O grupo do meio, extremamente importante também, porque levava as provisões. E por isso precisava ser bem protegido. Me faz pensar que, quando estamos construindo nosso patrimônio, criando nossos filhos, é necessário esta proteção. O lar pode representar este batalhão, onde os aventureiros que partiram podem retornar para descansar, cuidar de suas feridas e se alimentar.
E a retaguarda, protegendo a todos. Cuidando daqueles que ficaram para trás. Colocando um freio no ritmo dos soldados da vanguarda, quando eles aceleram exageradamente, fazendo com que todo o grupo se disperse.

Foi exatamente isso que aconteceu. Os grupos se dispersaram. E o experiente Capitão Pazzelli, comandando a retaguarda, subiu numa elevação, para poder observar onde estava. E onde estavam todos. Incumbiu um soldado para estabelecer comunicação via rádio. Aglutinar a tropa novamente.

Esse é outro aprendizado que jamais esqueci. Às vezes nos perdemos nos nossos objetivos. Nos distanciamos das pessoas amadas e daqueles que servimos através do nosso trabalho. Quiçá nos perdemos através de distrações: sexo, namorados, bebidas, farra, preguiça, trabalho demais e desnecessário… Esquecemos que a nossa participação nesta vida só tem sentido quando andamos em grupo. E vivemos pelo grupo, fazendo aquilo que nos foi incumbido de fazer. Então, a lição é: pare! Vá para um lugar onde se possa ter uma visão elevada. Do todo. Toda a vida. Todas as pessoas importantes. Onde estamos. E então, chame a todos. Reúna a tropa novamente.

Obrigado papai, por ter sido o veículo deste aprendizado!!!

A compulsão por terapias e caminhos espirituais

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Ontem, conversando com o grande amigo Fernando Tassinari, estávamos a discorrer o quanto é louco observar o movimento de tantas pessoas que conhecemos, buscando diversos caminhos ao mesmo tempo. Misturando egrégoras, conhecimentos, trabalhando mental, energético, emocional e corporal sem critério… querendo encontrar um sentido de vida e abrindo-se para perceber em si os resultados desta feijoada macarrônica.

Conheço compulsões. Desde cedo envolvido com o vício do álcool, até hoje estou trabalhando firmemente para não cair no canto da sereia que o vício promete: vou te trazer paz. Tranquilidade. Relaxamento. Você ficará mais desinibido. Mais solto. Mais alegre… O vício em terapias, cursos e caminhos espirituais é parecido: promete a paz, a iluminação, o equilíbrio emocional, a realização pessoal, a harmonia familiar, despertar para o amor…

Essas são as promessas, de todo e qualquer vício. Então, tomamos a primeira dose. Fazemos as primeiras sessões terapêuticas. Participamos dos primeiros rituais. E sentimos o bem estar. E começa o processo compulsivo: quero mais. Mais. Mais. Mais. Quero chegar lá em cima. Quero estar em outro lugar. Foi fantástico. Que maravilhoso! Nunca me senti assim. Mas… poderia ser melhor. Poderia ser assim sempre. Estou cansado de sofrer a mesma vidinha. Preciso mais, mais, mais. Depois do pico de êxtase, caímos na fossa da abstinência. E precisamos de outra dose. Outro curso. Outra terapia. Outro ritual. Tudo ao mesmo tempo agora.

O pior é que muitas pessoas se tornam ou já são terapeutas. Cuidam de outros. Quando não conseguem cuidar de si mesmas. E geralmente não percebem a ineficiência deste exagero por cursos, espiritualidade e rituais, porque não olham conscientemente para a própria vida. Em desequilíbrio, como posso orientar o equilíbrio do outro? Aprendi fazendo coaching que temos parâmetros para medir o nosso grau de satisfação e realização na vida. Como está minha vida financeira? Meus relacionamentos afetivos? Minha relação familiar? Meu corpo? Minha saúde mental e emocional? Minha energia para a vida? Sinto-me livre ou dependente?

Ao olhar conscientemente para a forma como eu me movo na minha vida e nas minhas relações, posso saber se estou razoavelmente pronto para lidar com o outro. Ou se preciso de ajuda. E se preciso de ajuda, é necessário me entregar para um caminho. Um único caminho. E confiar. Aceitar engolir o remédio, por mais amargo que possa ser. Libertar-se de compulsões exige parar de anestesiar-se. É o que meu terapeuta fala para mim, em relação ao vício do álcool. O que há por detrás da necessidade de entorpecer-se? Qual dor você quer esconder?

Se você se reconhece compulsivo, como eu, então faça o exercício comigo: o que há por detrás da necessidade de entorpecer-se? Qual dor você quer esconder?

Ao permitir-se acessar esta dor, sem querer mais anestesias, o início da libertação está próximo. Naturalmente, você verá a sanha ceder. Deixará de buscar, e… somente aí… terá algo a transmitir. A paz verdadeira, alcançada através do esforço, disciplina, firmeza e confiança num caminho. Que embora externo, levará você sempre para o seu Mestre interior.

 

O caminho para a prosperidade

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Durante toda a sua vida, você está sendo preparado para assumir o lugar que é somente seu. Todos os cursos, todos os empregos, todos trabalhos sociais, todas as igrejas, grupos de estudos… nada foi colocado em seu caminho aleatoriamente. Faz parte de uma grande orquestração, onde Algo Maior sabe exatamente o aprendizado que espera extrair de si.

Mesmo que, aparentemente, você esteja no caminho errado, isso é somente uma ilusão. Não existe caminho errado. Existem caminhos. Às vezes, os caminhos se acabam, e começam outros. O sinal deste “acabar” é o sofrimento. A falta de prazer contínuo. A frustração. A escassez de dinheiro. Problemas de saúde ou emocionais. Talvez signifique que você está insistindo em algo que já foi. E não está deixando ir. Mas se você está insistindo e sofrendo, pode significar também que você está negando o aprendizado do caminho apresentado. E se for isso, não tenha dúvidas. Mesmo que você abandone o caminho, ele voltará. Com outra cara. Mas voltará.

Mudamos o caminho, ou vemos novas nuances do mesmo, quando completamos o aprendizado. Quando podemos verdadeiramente agradecer pelas experiências, pelos aprendizados, pelo dinheiro conquistado, pelas pessoas que cruzamos na estrada, pelos tutores que nos proporcionaram estar neste lugar. Pare e olhe para o lugar onde você está. Olhe para trás, para as pegadas deixadas na estrada. Quantas vezes esquecemos que foi papai ou mamãe quem nos abriu as portas? Um parente? Ou um ex-marido? Uma ex-esposa? Um amigo que emprestou o dinheiro para que tudo começasse? Ou mesmo o banco? Um órgão do governo? Uma pensão herdada? Uma indicação de alguém, que nos colocou a andar? As palavras motivadoras de outros? Uma religião ou um mestre que nos iluminou nas horas sombrias? Quantas pessoas sustentaram nossas necessidades, enquanto andávamos?

Se algo está pegando no seu caminho, experimente perceber o quanto de gratidão você verdadeiramente tem pelas estradas por onde andou. Liste uma a uma. Desde criança, até agora. Veja quem foram as pessoas importantes. E quando se deparar com o descaso ou ingratidão, o que será muito normal, simplesmente diga: sinto muito! Eu não estava reconhecendo o seu valor! Eu nunca consegui olhar nos seus olhos e dizer: o que vivemos foi muito bom, mas agora, cada um segue o seu caminho. Sinto muito! Muito obrigado! Você está no meu coração.

E continue a andar. O caminho se faz por si mesmo. Você é um mero personagem da paisagem. Ativo, sim, enquanto consegue interagir com alegria, perseverança, criatividade, leveza, compromisso. Se isso não é possível, pare. Pare novamente. Olhe para si, e perceba: onde não estou conseguindo ser grato? Por quem não tenho profunda gratidão e respeito? Onde guardo mágoas escondidas, ressentimentos, raiva, culpa, que acabam transformando, mais cedo ou mais tarde, todas as estradas por onde ando num caminho de insucesso, frustração e cansaço?

Gratidão é a chave para a libertação. Mas esta chave é conquistada por merecimento, e não através de um exercício mental. A gratidão surge quando conseguimos mergulhar verdadeiramente nas profundezas do inconsciente, e relembrar o quanto desprezamos as dezenas, centenas, milhares de situações onde recebemos tanto, tanto, tanto, mas por alguma mágoa, por não ter sido da forma, do jeito ou no tempo que queríamos, dizemos: não valeu.

Valeu. Palavra que lembra “valor”. Você está com problemas em relação aos valores na sua vida? Ao dinheiro? Ao reconhecimento do próprio valor? Que tal experimentar reconhecer o valor das pessoas que andaram ao seu lado? Quem seria você, sem as experiências, boas e más, com seus pais? O que seria de você sem aquele marido, aquela esposa? O quanto você cresceu dentro daquele emprego que, hoje, você diz que foi um erro? O quanto você aproveitou financeiramente daquela herança, daquela pensão, daquele amigo que lhe pagava tudo, da partilha do divórcio? Problemas de valor, significa que você não reconhece o seu valor. Se você não reconhece o seu valor, quer dizer que você não reconhece aqueles que investiram em você, transformando-o na pessoa que você é hoje.

Não se culpe. Nós somos ingratos por natureza. Como crianças, gostaríamos que tudo fosse do nosso jeito, e temos dificuldade de reconhecer o que os outros fazem. Não temos uma supervisão dos fatos da nossa vida, para interpretar, como adulto, para tudo o que foi recebido.

O convite é: pare! Olhe onde você está. Olhe para trás. E reconheça tudo o que foi andado. Do jeito como foi. Diga a cada pessoa que reconhecer como um investidor na sua vida: obrigado por investir em mim. Muito obrigado! Se puder, solte um grande suspiro. Encha os pulmões o máximo que puder, e solte. Mais um. E mais um. Sim… foi assim que você chegou aqui. Está pronto para olhar para o outro lado, agora? E dar um passo a mais, nesta estrada? Ou ainda precisa um tempo parado, para perceber se existe espaço para a gratidão florescer em seu coração? Veja onde você está. Permita estar no lugar que você está. A estrada é infinita, e ela esperará o tempo necessário.

Alex Possato