Quando a exposição nas redes sociais perde o sentido?

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Estou há alguns meses bem contido nos meus textos e reflexões. Tenho postado menos os famosos “textões” que tanto gosto de escrever. Passo por um momento de reavaliação dos meus propósitos e dos meus objetivos: para que escrevo? Para quem escrevo? Onde quero chegar?

E percebi que, durante um tempo, estava andando no piloto automático: fazer textos no blog e Facebook, publicar posts no Instagram, criar vídeos para o Youtube. Existe uma dinâmica muito clara das pessoas que usam as redes sociais como forma de alavancar sua imagem profissional, e esta dinâmica passa pela quantidade de informação e exposição fornecida, geralmente conteúdos atrelados à venda de cursos, workshops e produtos. Até aí, tudo bem. Ninguém está obrigando ninguém a comprar isso ou aquilo. E muito do conteúdo que é oferecido, às vezes tem significância.

Mas no meu caso específico, eu não estou começando agora. Não preciso me tornar conhecido, porque meu trabalho anda muito bem, obrigado. E eu sou um cara que busca sempre ser muito verdadeiro nas coisas que faz. Dias destes publiquei uma postagem no Instagram perguntando exatamente sobre isso: para que bombar na Internet? E vieram dezenas de respostas, a esmagadora maioria falando para mim o quanto que é importante levar o conhecimento e reflexões que proponho a mais e mais pessoas. Fiquei muito feliz com as respostas… mas também analisei algumas que concordavam que o excesso de mídia denota insegurança do comunicador.

Elogios são maravilhosos e críticas também. Me perguntei: existe alguém, dentro de mim, que realmente tem um conteúdo útil, bacana, verdadeiro para ser passado? Sim! E existe alguém que deseja ser visto, aprovado, validado, elogiado? Também sim! E tem alguém que foge das críticas, comparações e julgamentos como o diabo foge da cruz? Claro!

Somos seres múltiplos, e ao mesmo tempo que habita um ser missionário em mim, coabita uma criança abandonada buscando carinho. Existe um comunicador intuitivo e espontâneo, mas também vive um marqueteiro conhecedor dos meandros emocionais que podem atingir mais e mais público.

Eu sou visto! E daí?

As redes sociais dão esta falsa ideia de que estamos sendo vistos. Sim, estamos. Em alguns segundos. Para depois, não mais. Pense bem: das centenas, milhares de frases, textos e vídeos que você vê, qual o nome das pessoas que produzem estes materiais realmente você lembra? E se estas pessoas deixassem de produzir material por alguns meses, será que a ausência seria notada? Não surgiriam outros comunicadores para preencher este espaço? Fazendo coisas tão boas ou bem melhores daquelas até então produzidas?

A questão então volta a ser: para que produzo? Para que faço o meu trabalho? Em essência, o que estou desejando? Acho que estas perguntas podem auxiliar todas as pessoas, incluindo aquelas que não se comunicam na Internet.

Busquei o auxílio da Carol Guedes para realinhar os objetivos do meu trabalho. Porque embora eu entenda conscientemente as indagações que fiz, não estava conseguindo encontrar respostas que aliviassem o meu sentimento de vazio e frustração com as redes sociais. Principalmente após ver tantas ofensas e perversidades sendo disparadas gratuitamente, poluindo a tela do meu celular e computador, nos últimos meses de campanha eleitoral.

Vale a pena oferecer flores num campo de batalha?

Quando o “eu” fica em segundo plano, a mensagem ganha importância

Talvez você tenha notado que estou conduzindo a narrativa deste texto em primeira pessoa. Eu, eu, eu… Aí é que está o problema. Quando trabalho para “me” divulgar, alavancar o “meu” trabalho, ficar pessoalmente conhecido, “me” destacar, aumentar “meus” números, estou a serviço de um ser carente, que ilusoriamente acredita “ser alguém” quando ganha visibilidade. Eu posso dizer que este ser dentro de mim é um ser adoentado. Frágil. Que é alimentado com migalhas de likes e emojis. Lembra-me o Tamagotchi, bichinho virtual que era febre há 20 anos atrás. Se não alimentássemos e cuidássemos dele, ele morria…

Pois bem. Para que possamos realmente expressar qualquer coisa através da nossa essência, é necessário, ao menos, deixar nosso ser em busca de reconhecimento de lado. É o que penso. O Tamagotchi interior precisa ser desligado. O foco precisa ser direcionado para “você” e não “eu”! O conteúdo das coisas que faço precisa ser carinhosamente pensado para agregar conteúdo na “sua” vida. Porque, se não agrega, para que fazer?

Em silêncio, eu ouço você… eu vejo você… e me ouço… e me vejo…

Uma outra característica das redes sociais é o excesso. Poluição de informações, entretenimento, desinformações e estímulos. Nos mantemos presos a ela, quase 24 horas do dia. Tudo bem que as pessoas fiquem presas às redes sociais. Assim é o ritmo da sociedade frenética. Mas eu não preciso disso. Ao contrário, eu preciso de silêncio. Eu preciso de paz, para saber e ouvir o que você precisa. Onde está sua necessidade e se posso auxiliar. Se é que posso auxiliar. Falar coisas que possam abrir espaços de consciência. Abrandar os corações. Trazer possibilidades de cura e reconciliação. Provocações que façam você se mover.

Em silêncio, o conteúdo que produzir será muito mais sintonizado com as suas necessidades… e também me preencherá – mas de outra forma. Por você, a comunicação na rede social ganha sentido. Se for somente por mim, não tem sentido.

Assim podemos ir caminhando. Você no seu ritmo, eu no meu ritmo. Fazendo coisas porque o coração deseja fazer, e não porque me sinto obrigado a preencher espaços. E como a mente humana é um balaio de gato, sempre que eu sair deste trilho, conto com você para, através dos seus comentários, me alertar e orientar! Assim, acredito que faremos um bom trabalho! Eu e você! Em prol de algo muito maior que nós dois!

 

Alex Possato

 

 

Antes de firmar sua imagem nas redes sociais

imagem internet

Volto a um tema que me é muito querido: o marketing pessoal… Já fiz grupos de estudo, workshops e estudei bastantão sobre o assunto. Acima de tudo, apliquei (e aplico!) em mim mesmo os inúmeros e tortuosos caminhos para o desenvolvimento da minha imagem pessoal e profissional, e consequentemente, da minha carreira. E por lidar com milhares de pessoas, muitas das quais desejam também se estabelecer no mercado e firmar o próprio nome como alguém atrativo para o seu próprio público, sempre recebo feedbacks do tipo:

– tenho medo de me expor

– sinto-me uma fraude

– não tenho o suficiente para dar

– tenho vergonha e uma cobrança interna insuportável

– é muito difícil lidar com as requisições das pessoas no mundo virtual

– não sei me expressar

– preciso ganhar dinheiro, logo!

Por isso, resolvi escrever algumas linhas, e pra variar, vou deixar vir o conteúdo que quer fluir por mim, agora, já que não preparei tecnicamente uma lista de teoria e dicas para você sobre esta “arte da exposição” nas redes sociais.

Antes de começar, pergunte-se: quem sou eu? O que eu tenho para dar?

Uma das coisas que mais pega na cabeça desmiolada dos iniciantes, é a comparação. Olham os youtubers, ou aqueles que se destacam no Facebook e Instagram, e tentam fazer o mesmo. O mesmo modelo, as mesmas piadas, o mesmo tipo professoral. Enfim, procuram imitar aqueles que, na visão limitada deles, estão dando certo. O que nem sempre é verdade.

A não ser que a sua onda seja a imitação, a sátira, o humor, imitar só vai levar você para mais autocrítica, autojulgamento e autocondenação. É um inferno! Quem é você, cara? Qual a sua habilidade? O que você realmente domina e pode sustentar firmemente, diante da necessidade do seu público?

Seja verdadeiro, porque você sabe quando ainda não está pronto para atender as pessoas. E se você não está pronto, e insiste em se mostrar, irá ter vários desafios internos e externos, que irão minar a sua capacidade de dar o seu talento ao mundo.

Minha dica: vá devagar. Demora um bom tempo (ANOS!!!) para “entendermos” quem somos e o que temos. Coloque-se, sim, mas sempre com verdade. Evite o lugar do “sabe-tudo”, do “especialista”, do “bem resolvido” e mostre-se humano. Até porque, se é que não estou falando com um extraterrestre… você É HUMANO!

Vá refinando o seu foco. Sei que você é multitalentoso, e pode falar de milhares de assuntos… Mas existem bem poucos, talvez um ou dois que são aqueles que mais fluem por você. Aquele onde você não precisa estudar para expressar. Aqueles que “estão na ponta da língua”. Descubra estes dois assuntos, sustente estes dois focos (ou até um somente!) e fique nisso! Segure a insuportável vontade de mudar de foco a todo instante! Falar e fazer coisas diferentes a cada dois dias! Se ainda não for possível, talvez ainda seja o momento de afinar o foco. Lembre-se: ter multitalento não significa que você não possa ficar dois, três ou cinco anos se dedicando a um caminho. Para depois mudar.

Vontade de ser aceito pelos pais

Poucas pessoas entendem o papel do psicológico na construção da carreira, dos projetos, das empresas… Na minha experiência pessoal e também através do acompanhamento de inúmeras pessoas que partem rumo ao mundo autônomo e empresarial, muito do que fazemos é uma forma de dizer aos nossos pais: olha o que eu estou fazendo! Agora me valide! É uma forma de revanche diante das inúmeras dores que carregamos por não termos sido totalmente (ou nada!) validados nas coisas que fazíamos quando criança, o que acabou gerando uma baixa autoestima fenomenal, abissal, monstruosa! E depois de adultos, empunhamos a bandeira da guerra contra eles: vocês vão ver só! Eu vou dar certo! E… lógico que dá errado.

A lei psíquica da mente diz que iremos atrair aquilo que estamos vibrando internamente. Se estou vibrando baixa autoestima, irei atrair fracasso. Esta é a lei. Pergunte-se: verdadeiramente confio em mim mesmo e no que faço? Se alguém disser que não está bom, consigo não me desmontar todo? Se alguém disser: você é uma fraude, você irá resistir à vontade de se atirar para a morte, do alto da sua beliche do quarto?

Cara, olhe suas motivações emocionais. E faça terapia, se precisar, antes que você gaste um montão de dinheiro em projetos, que irão lhe dar mais dor de cabeça. Digo isso porque sou doutor na insana arte de tentar provar ao mundo que não sou o merda que parte de mim acredita ser.

O quanto o meu movimento de exposição tem um “q” de dizer aos meus pais: olha aí! Eu dei certo! Bem diferente de vocês! Por que vocês não me amaram? Por que vocês não me aprovaram?

Mesmo que você seja muito talentoso naquilo que faz, esta competição louca por ser visto e aprovado irá impedir que você enxergue o seu público, o que eles querem, e também impedirá você de estar bem consigo mesmo, desempenhando a sua função da melhor forma possível. Afinal, algo dentro de si combate a si mesmo… E este algo quer te destruir! Não duvide disso!

Deixando de ser criança, você se abre para doar

Vejo muitos que iniciam na exposição do seu projeto nas redes assim: criam algo, às vezes toscamente organizado, fazem um pequeno texto e lançam furiosamente em todos os lugares, ocupando grupos onde não foi pedida a autorização para isso, enchendo a paciência de muitos: parecem aqueles insuportáveis carros de som gritando algum produto, show ou propaganda política na sua janela. Isso é uma ação que produzirá efeitos contrários, em curto ou médio prazo.

A criança só deseja receber. Esta criança que se divulga desta forma só quer receber o público, o dinheiro, a atenção, e não está preocupada em doar nada. Ou muito pouco. Poucos percebem que a internet, de certa forma, se transformou num novo cômodo dentro da casa de cada um. Abrimos a telinha do celular ou do computador e permitimos que venham informações e conteúdos para a nossa intimidade. O que atrai mais: eu abro a porta do meu quarto e encontro um mendigo pedindo esmola? Ou: eu abro a porta do meu quarto e você me oferece as mais belas flores do seu jardim?

Sim, flores do seu jardim! Porque tem pessoas que oferecem flores de plástico, replicadas de grupos de whatsapp, com palavras vazias e sem sentido… isso também é semelhante a propaganda política no horário eleitoral ou panfletos jogados debaixo da sua porta.

Organize as flores que você tem para dar ao seu público. Fale de si, das suas experiências. Do seu conhecimento. Algo que pode auxiliar o próximo. Sem querer nada em troca. É o “brinde cortesia” que você dá ao universo. Você é lindo como você é. Você tem conteúdo que poderá despertar muitas pessoas.

Comece devagar. Não pense em números: milhares de seguidores nesta ou aquela rede social. Compartilhe seus pensamentos e experiências no grupo de whatsapp de amigos. Família. Colegas de estudo. Ponha pequenas frases suas no seu Facebook. Pensamentos no Twitter. Fotos com significado no Instagram. Não apenas mostrando o que você come, os seus passeios e suas caras e bocas… (a não ser que você seja modelo). Aprenda a usar a rede social como um grande jardim, onde você está plantando sementes do bem. Sementes de comunhão. Sementes de crescimento. Junto a pessoas que você nunca viu. Provavelmente nunca verá. Mas que ficarão extremamente agradecidas pelos frutos que suas sementes irão gerar.

Resumo da ópera

Evite a comparação

Seja você

Vá devagar

Refine o seu foco: um ou dois assuntos

Trabalhe sua necessidade psicológica de ser aceito

Não invada a casa das pessoas com flores de plástico

Comece com pequenos textos em pequenos grupos

Dê, mas com significado

Fale da sua experiência, do seu conhecimento

Seja um jardineiro dedicado em semear

Não pense nos frutos

Você é lindo como você é