O verdadeiro Amor na relação afetiva

amor verdadeiro

 

No começo é um tesão! O outro é maravilhoso. Um ser perfeito que Deus colocou no seu caminho. A saudade parece corroer as entranhas; é quase impossível passar mais de 24 horas sem vê-lo. E o encontro? Ahhhh… o encontro é uma explosão de prazer e gozo, saudade e alegria, renovação e encantamento.

Mas os meses passam. E assim como o café vai sendo esquecido sobre a mesa, sem ser tomado, porque “preciso correr para o trabalho”, aquilo que era quente e amistoso, passa a ser frio e sem graça como o leite que esfriou, criou nata e uma crosta de gordura na caneca,  difícil de ser removida. Por que é tão complicado manter um nível de satisfação elevado numa relação mais duradoura? Porque aquele “néctar dos deuses” se transforma num duro e sem graça pão do dia seguinte? Como reacender o interesse por alguém que amamos, mas não sentimos mais o mesmo tesão do começo da relação?

Dura missão falar sobre isso! Mas é um tema que tem estado recorrente nos papos com amigos. Nas conversas com minha parceira. Nos atendimentos terapêuticos que realizo. E falando seriamente, não sei qual a linha de raciocínio vou seguir. Vou deixar a intuição me guiar, porque é um assunto que, embora eu tenha várias teorias sobre… estou aprendendo na prática, com a minha experiência, como transitar do estado de encantamento de uma relação no começo para o aprofundamento de uma relação com compromisso. E como ultrapassar os eventuais perrengues pelos quais passamos, ao longo dos anos, dormindo com a mesma pessoa ao lado.

Tão logo o compromisso se instala, os padrões antigos se repetem

Passada a fase do “amor I love you”, e principalmente, quando nos comprometemos, um com o outro, a construir uma relação duradoura, vamos ver padrões antigos se manifestando na nossa forma de agir com o outro. Sem perceber, é comum entrarmos num papel de qualquer coisa, menos verdadeiros companheiros. Por exemplo:

– viramos papai da companheira, e começamos a achar que temos que protege-la, orientá-la, dar bronca e pagar sorvetes e a entrada no parque de diversões;

– viramos mamãe do companheiro, e nos mostramos cuidadora, censora, vigiamos o boletim escolar e as mensagens de whatsapp, criticamos a roupa que ele veste e os modos como ele se porta com os outros, damos remedinho e tratamos quando ele ou ela estão dodói;

– em outros momentos, somos o conselheiro dele ou dela, e começamos a orientá-lo como se portar no trabalho, na família, nas amizades. Motivamos ele(a) para a vida, damos livros geniais, indicamos filmes e cursos, sempre com o intuito de melhorá-la(o). Pois do jeito que o traste está, não vai dar certo;

– em alguns casos, somos o liberal: tudo tá bom, fingimos não ver nada, não cobrar nada, permitir que o outro seja como é, mas no fundo, temos muito medo do compromisso, e estamos inconscientemente torcendo que ele vá embora. Afinal, já sabemos que “iremos ser abandonados”. E também, tanto faz: ele não era tudo isso e eu arrumo outro!

Eu poderia ficar falando de padrões de comportamento em casais que massacram, oprimem, amarram, seduzem, etc., até amanhã. Ou depois de amanhã. Mas o padrão em si não é o importante neste momento. Queria que você analisasse a si mesmo, e pensasse nestas duas perguntas:

Por medo de perde-lo(a), o que eu faço? Prendo ou abandono? Seduzo ou chantageio? Fico em cima ou dou espaço? Viro professor ou cuidador? Adoeço ou mostro-me mais poderoso que o outro?

Por medo de perder minha liberdade, o que eu faço? Busco ocupações externas? Dou escapadas? Dou um “perdido”? Mostro-me o “fodão” e não permito ver minha rotina invadida? Trabalho demais ou me ocupo com a família e outras pessoas?

 

Olhando para minha forma de proceder, vejo que o jogo se mostra dos dois jeitos: tanto tenho medo de ser abandonado, como também tenho medo de perder minha liberdade. E sinto a mesma coisa vindo da parceira. Filosofando um pouquinho, parece que vivemos um modelo de tensão natural, que põem a prova a energia mais fundamental atuando no masculino e feminino: a liberdade e a união. O ficar e o partir. O prender e o soltar.

Homens e mulheres se digladiam porque não sabem lidar com estas duas forças poderosas e aparentemente antagônicas:  a liberdade e a união.

Saindo dos padrões emocionais dolorosos e indo além

Seremos provocados muitas vezes em situações onde sentimos que iremos ser abandonados ou aprisionados. Por exemplo:

  • Excesso de trabalho
  • Gravidez ou dedicação aos filhos
  • Doenças pessoais (físicas ou emocionais) ou da família
  • Viagens longas
  • Dedicação à família de origem
  • Foco nos estudos ou cursos
  • Uso do tempo com amigos e hobbies
  • Cuidados com obras, construção, patrimônio, dívidas

Inevitavelmente, nestes momentos as emoções inconscientes virão à tona. Se por algum motivo, tenho marcas doloridas de abandono dentro de mim, ao menor sinal que a companheira está se dedicando a outra coisa que não sou eu, somente eu, totalmente eu, irei espanar. No momento em que ela se dedica demais no trabalho, ou aos filhos, ou na casa da família, ou ainda em viagens, estudo, etc., vou surtar. Sapatear sobre a mesa de jantar. Cair na cama com febre de quarenta graus. Ter uma ataque de fúria e quebrar todos os discos do É o Tcham dela.

Agora… se eu estou do outro lado, e sou a pessoa que está em busca de sentir-se livre, indo para a vida, saindo para fazer as próprias coisas, cuidando dos próprios assuntos, e vejo o companheiro fazendo de tudo para prender-me, eu também começarei a espanar. A dar distância. A fechar as pernas e evitar o sexo. A intimidade. A exagerar mais e mais no estar fora de casa, não importa os motivos. A humilhá-lo e fazer coisas que nos afastará, um do outro. E ainda irei justificar: é para o seu bem! Para você crescer, meu amorrrr!

Da mesma forma, esta pessoa que necessita a liberdade extrema, também tem dores inconscientes de ter estado aprisionada por alguma relação tóxica. Mesmo que ela não tenha lembranças, afinal, os traumas podem ser transgeracionais, quer dizer, vindos do pai, mãe, avós e antepassados. São memórias antigas que despertam padrões de dor. E carregamos sem saber.

Esta fase de lidar com dores inconscientes é inevitável. Seremos desafiados em uma ou várias relações afetivas. Temos que passar por isso, mesmo sendo tão desagradável. Não dá para avançarmos no autoconhecimento que uma relação propicia, sem desprogramarmos os padrões reativos que carregamos dentro de nós. Sem olhar para o ódio que temos do feminino e masculino. Das prisões e abandonos que nos habitam. E olhar para as consequências que estas dores causam na nossa autoestima e capacidade de expressar nossa verdadeira, pura e espontânea beleza.

Chegará um momento em que teremos certeza absoluta de que jamais seremos abandonados, e também jamais seremos aprisionados. Porque a sensação de ser abandonado ou aprisionado é uma neurose. Não é realidade. As pessoas vêm e vão. Nascem e morrem. As relações começam e terminam. Assim é a vida. Da mesma forma, vivemos sempre com pessoas. E a sensação de estar preso ou livre é porque permitimos viver jogos nas relações. E os jogos podem mudar as regras. Podemos fazer regras muito agradáveis. Baseadas na alegria e no prazer. E não na manipulação e sofrimento.

O verdadeiro Amor na relação afetiva

Olho para as relações afetivas como material de escola. Sempre que minha companheira me desperta alguma sensação de abandono ou aprisionamento, me pergunto: qual dor antiga, dentro de mim, está sendo provocada? O que devo aprender com esta dor?

Por exemplo, às vezes, a minha amada aquariana está livre e solta por aí, cuidando dos seus próprios assuntos. E eu, um canceriano tosco e caseiro, fico achando que o lar e o coração estão vazios. Logo, vem o abandonado interior gritar. E enquanto ele grita, evito a primeira tentação de taxar: ela é a culpada! Olho para minha dor. Relembro quantas e quantas vezes me senti abandonado na infância. Literalmente. Abandonado por pai, mãe, irmãos, avós. Sozinho e entregue às minhas próprias dores, que eu adorava ruminar. E vou além: sim, existe um abandonado em mim! Isso não vai mudar! Você, criança carente interior, faz parte! E eu te vejo…

Desta forma, entro em contato com o fantasma do abandono, que não tem realidade no aqui e agora. Aprendo a acolher partes de mim, que eu mesmo abandonava. E tudo isso, graças à sensação de que minha parceira não está cuidando de mim. Aí, quando estamos novamente juntos, olho-a com verdadeiro ar de gratidão. Sincera. Profunda.

Em outros momentos, me sinto tolhido na minha expressão. Acho que estou sendo aprisionado por ela, e não posso fazer o que desejo. Mesmo quando faço, é como se houvesse um sentimento de culpa permeando o ato. Quantas vezes não estou totalmente presente nas coisas que faço, quando estou longe de casa, porque parece que deveria estar com ela. Vivo o outro lado: aquele que está abandonando. E deixo de viver plenamente o momento de liberdade, fora da relação. Lógico: se pergunto a ela, em geral está tudo bem estar longe. E às vezes também não, mas aí, é o problema dela, e não o meu.

Investigando a raiz disso tudo, é a mesma coisa. É uma grande neurose. Não tem realidade. Temos uma relação honesta, onde às vezes estamos juntos, às vezes estamos separados. E cada um está buscando suas próprias coisas. As sensações emocionais pesadas não têm a menor verdade. Ao perceber a culpa, o medo, a angústia que vem quando estou longe, trato da mesma forma: vejo vocês. Vocês fazem parte. Eu cuido de vocês. Ela, minha parceira, não tem nada a ver com isso.

E assim, quando estamos juntos, novamente, posso olhá-la amorosamente. Entendendo o quanto é profundo ter alguém para me despertar estes trabalhos interiores e que é o instrumento do meu desenvolvimento espiritual.

Quando percebemos que realmente o outro é um instrumento divino, colocado no nosso caminho para mostrar a nossa capacidade de amar, além das dores, sentimos o verdadeiro Amor se mostrar. Não o amor da paixão, que é químico: mas o Amor do coração, que é uma conexão muito mais profunda, duradoura, abrangente. Ao acessar este Amor, não há mais personalização. Não amamos especificamente nosso parceiro, mas Amamos. Amamos o todo. Amamos a nós, nossas dores e nossos dons. Amamos o companheiro atual e todos os anteriores. Pois somos um só. Vivenciar este Amor tem o poder de dissolver a sensação de separação que o Ego criou. Que lindo, não?

Neste Amor, a liberdade vive em união. O antagonismo desaparece. E o medo se dissolve.

Alex Possato

Vivência: O Dito e o Não Dito, em São Paulo

Paper cut of Family

O dito e o não dito

O olhar sistêmico na comunicação do casal

A interação como casal aproxima dois universos muito diferentes entre si e cria intimidade. Por isso mesmo, também traz desafios, especialmente alinhar a comunicação. O que um quer? O que o outro quer? Ambos são convidados a se entregar ao Amor e à comunhão, mas não foram ensinados a expressar suas verdades. Nem a ouvir o outro com o coração. Assim, o vínculo entre ambos vai enfraquecendo.

Se você está disposto a aprofundar no Amor, e quer aprender a se posicionar dentro de uma relação afetiva madura, sem repetir novamente os padrões de dores, abusos e separação já vivenciados no passado, este é o momento. Você irá “sentir” e exercitar a linguagem emocional que leva à cura, à reconciliação e à integração.

Perguntas como estas serão respondidas (e vivenciadas!) neste workshop:

– como expressar, assumindo meus sentimentos, sem magoar o outro?

– como não se sentir atingido por aquilo que o outro diz?

– qual o mecanismo para baixarmos a guarda e entrar em sintonia verdadeira com o parceiro?

– como restabelecer a comunicação, após uma desavença?

– qual o papel do silêncio e da escuta empática na comunicação do casal?

– como fazer da relação um aprendizado de desenvolvimento pessoal, sem sentir-se pessoalmente atingido pelas atitudes do outro?

O casal de terapeutas Alex Possato e Luciana Cerqueira conduzirão você nesta jornada do despertar o amor compassivo para o outro através da comunicação curadora e saudável.

Junto com eles, você compartilhará aprendizados e desafios vivenciados pelo casal, fará dinâmicas em grupo, constelações sistêmicas, exercícios em duplas, meditará e respirará o Amor de diversas formas, e será incentivado a exercitar a linguagem emocional, a única capaz de aproximar o seu coração do coração do outro.

Para quem é?

Casais, não importando a orientação sexual. E também para o participante individual que deseja melhorar a comunicação na relação afetiva, esteja dentro de um relacionamento ou não.

Sobre os terapeutas

Alex Possato trabalha há 10 anos como terapeuta e professor de constelação familiar sistêmica, é facilitador de grupos terapêuticos, comunicador e estudioso do poder essencial da palavra desde que se descobriu apaixonado pela escrita e oratória.

Luciana Cerqueira é terapeuta de constelação sistêmica, terapeuta de Bênção do Útero, professora de yoga e facilitadora de vivências do Sagrado Feminino. Luciana considera a abertura ao outro e a escuta empática como fator primordial para a harmonia nas relações.

Quando, onde, quanto, inscrições

Vivência “O dito e o não dito”

Data: 1 e 2 de setembro de 2018 (sábado e domingo)

Horário: das 09h00 às 18 horas

Local: Espaço Elementos

Rua Gaspar Lourenço, 496 – Vila Mariana – São Paulo

Valor:
Individual: R$ 440,00 (R$ 220,00 para inscrição e saldo no dia)
Casal: R$ 792,00 (R$ 220,00 para inscrição e saldo no dia)

Informações: atendimento@alexpossato.com ou (11) 99791-7211

Inscrições:  https://goo.gl/forms/oere7yrSKm9KO6j73

Falando de dinheiro em casal

falando de dinheiro em casal

 

Certa vez, estava lendo o ótimo livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de Gustavo Cerbasi, e ficou muito claro para mim a necessidade de criar uma comunicação saudável entre ambos os parceiros, pois existe uma coisa muito óbvia: é preciso falar do dinheiro, planejar, ver o que é utilizado para os sonhos de cada um e para o sonho do casal, como administrar, como gastar, onde investir… Dá pra fazer isso sem diálogo, sem transparência? Não!

E veja que incoerência! Justamente eu, um cara que se acha tão esclarecido e “terapeutizado”, não falava sobre dinheiro com minha esposa. Fazia meus controles, meus investimentos, mas ela não tinha a menor noção de quanto eu ganhava, onde eu aplicava, enfim, a transparência mínima necessária para começar a conversa sobre finanças. E por que será que é tão difícil falarmos de dinheiro abertamente para a pessoa que está ao lado? Este é um aspecto que gostaria de elaborar um pouco.

Eu não confio nele(a)

Carregamos em nós memórias de padrões dos nossos pais, avós, bisavós. E na minha prática de constelação familiar, vejo o quanto que estas memórias estão impregnadas de enganação, perdas, descasos, opressão, mau uso do dinheiro, e assim por diante. Por exemplo: Quantos pais e mães deixaram de cumprir suas funções de provedor, no passado? Quantos filhos bastardos não tiveram direito a nada? Nem as respectivas mães? Quantas brigas, por causa de dinheiro, demoliram a convivência do casal? Isso e muitos outros fatores, sem que saibamos conscientemente, estão afetando a nossa forma de se comportar em relação às finanças.

Investigue um pouco:

  • Quem era o provedor, na sua família?
  • Como eram discutidas (ou não) a forma de se gastar, de se poupar, de se organizar?
  • Quem ganhava menos (ou não ganhava) tinha direito a colocar seus sonhos, suas vontades?
  • Havia carência? Ou esbanjamento?
  • O dinheiro era utilizado para comprar o carinho, a fidelidade?
  • Houve conflitos relacionado a partilhas, heranças, benefícios?
  • Alguém quebrou ou passou por sérias crises financeiras?
  • Mesmo que irreal, existia (ou existe) o medo da escassez, da falta, de “passar fome” e/ou de “morar debaixo da ponte”?
  • Como foram suas relações afetivas: quem bancava as contas? Como foram as separações das obrigações?
  • Você enganou ou sentiu-se enganado nas relações – no aspecto do dinheiro?

Estas perguntas podem ajudar você a entender alguns aspectos internos da sua relação com o dinheiro, e consequentemente, da sua relação com seu parceiro(a) no quesito finanças. É importante não ser infantil: toda relação afetiva envolve outras coisas, além do amor. Principalmente, nossa psique tão machucada por dores, abandonos, descasos e enganações do passado, busca no outro segurança material e emocional, em primeiro lugar. É a base da pirâmide: sem esta segurança, o sucesso dos planos de casal é inviável.

 

Aprender a revelar-se

Ter dificuldades com o dinheiro, medos e padrões financeiros ineficazes não é demérito para ninguém. Aprendemos com a nossa família, com os padrões herdados e com a nossa experiência de vida. E se você já saiu da imagem do príncipe ou princesa em busca de uma relação de conto de fadas (e olha que muitos ainda estão procurando isso!), deve entender que uma relação afetiva inclui revelar o seu lado Shrek e Fiona, que todos temos, o universo todo sabe disso, o cara ao seu lado também, e continuamos a fingir não ter.

Num sentido sistêmico, nos sentimos atraídos por um parceiro afetivo para que o Amor possa se manifestar nesta relação, e frutificar em benefícios ao mundo. O Amor sempre gera frutos! Podem ser filhos, projetos, prosperidade, serviços… Mas é lógico que, por termos dentro de nós traumas que trazem desconfiança, teremos que aprender a desarmar nossas defesas, a confiar de forma inteligente e metódica, a ir gradualmente despindo a fantasia de príncipe para mostrar nossas verdadeiras faces ao outro.

Vivemos um tempo que pede, com urgência, esta revelação! A verdade imperando dentro do lar, dentro das relações, dentro da família… Pelo menos, se você está cansado de dar murros em ponta de faca, quer dizer, entrar e sair de relações onde se sente ferido, ou estar fechado ao outro (mesmo estando numa relação), deve pagar o preço do Amor: entender que é você que carrega medos, traumas, bloqueios, e por não confiar… não se abre… e acaba encontrando alguém que irá corresponder a este seu padrão.

Imagine como seria dizer:

  • Eu me sinto mal de não ganhar tanto quanto você
  • A sua forma de arcar com as despesas me faz sentir inferiorizado
  • Eu uso o dinheiro para ter poder sobre você
  • Gostaria de poder usar parte do dinheiro para sonhos meus, pessoais
  • Estou pagando as contas da minha família anterior
  • Me incomoda o fato de você gastar mais com sua família do que conosco
  • Vejo, na herança que vamos receber, uma possibilidade de salvar nossa situação financeira
  • Tenho medo de ir atrás do dinheiro e não confio no meu poder
  • Estou totalmente descontrolado financeiramente – você pode me ajudar?
  • Estou de saco cheio do meu trabalho, mas não saio porque ele é nossa segurança
  • Morro de medo da miséria! Mesmo sem sentido…

Pergunte-se: qual a revelação eu nunca fiz para um parceiro afetivo? Mesmo que você não fale, explicitamente, como seria imaginar dizendo isso? Dizemos a nós mesmos que um dos valores que mais prezamos é a verdade. E ficamos muito putos quando nos sentimos traídos. Mas num sentido profundo, eu digo: as nossas “verdades” não ditas na relação afetiva é uma traição, e a não exposição delas, são formas camufladas de mentir.

Convoque uma DR (discussão de relação) financeira

Se existir clima, sem forçar, pense seriamente em convocar DRs financeiras periodicamente. Existem inúmeras situações que precisam ser abertas, esclarecidas. Casais que convivem com desequilíbrios profundos, que vão minando qualquer possibilidade de confiança e manifestação de amor, poderiam ver a situação se resolver simplesmente conversando. Por exemplo: quantas pessoas se sentem exploradas pelo outro? Quantos parceiros se sentem humilhados por não poder colaborar da forma como gostariam na vida do casal? Quanto desperdício de dinheiro em coisas supérfluas, vícios, desvios?

Tudo isso pode (e deve!) ser olhado de frente. Somos humanos, e um parceiro afetivo verdadeiramente envolvido para o crescimento da relação, saberá lidar com todos os desvios, em prol do desenvolvimento conjunto. O amor pode se manifestar na verdade. Ou melhor: o amor pode se manifestar na verdade. Por isso, encare a sua verdade, e mãos à obra! Abaixo, vou deixar algumas regrinhas básicas, que podem orientar a sua DR financeira. Elas são extremamente importantes:

– fale sempre de você. “Eu me sinto fracassado, quando vejo você trabalhando, e eu desempregado!” Evite, terminantemente, apontar o dedo e dizer coisas assim: “Você me humilha com o seu jeito provedor!”;

– conte dos padrões financeiros que acompanham a sua vida, desde a infância, passando pela adolescência, primeiros trabalhos, como lidou com o dinheiro nas relações afetivas;

– fale dos seus sonhos pessoais – o que faria somente para si, com o dinheiro?;

– imagine também os sonhos de casal – o que seria, para você, um bom uso do dinheiro para planos conjuntos?

– revele o quanto você ganha, onde você gasta, como economiza (ou não);

– fale de suas dificuldades e como está disposto a superá-las (se é que está… e se não está, seja sincero);

– você poderá falar do que incomoda no outro, mas sempre dizendo: “isso que você faz me deixa… (triste, raivoso, frustrado, ausente, etc.)”

– e agora… ouça tudo do outro, sem interferir…

Lembrando: o outro precisa estar realmente disposto a conversar. Não force. Se você percebe que não rola, aguarde o tempo que for necessário, para que a confiança possa surgir. Ou talvez, a urgência do papo se manifeste. E se não for possível realizar isso somente em casal, busque o auxílio de um especialista, que fará a mediação. É importante entender, que às vezes, antes de harmonizar, algumas sujeiras que estavam embaixo do tapete vem a tona, e poderá haver uma fase de turbulência. Lidar com a verdade é algo bem difícil, e precisamos, em nome do Amor, respeitar o tempo do outro.

Entenda, definitivamente: encontramos uma relação afetiva para nos ajudar a manifestar o Amor. E uma das formas que o Amor atua é nos auxiliando a olhar em que ponto específico nós estamos fechados para Ele. Portanto, se seu parceiro te provoca, ele está mostrando exatamente o ponto onde você ainda não desenvolveu compaixão, flexibilidade, inteligência emocional. Assim, respeite o tempo! Tanto o dele, quanto o seu! Quando você aprender a sua parte, o caminho para o Amor estará desimpedido…

Alex Possato

Quem ama, escuta

quem ama escuta

Ontem, encontrando minha esposa trabalhando, fui surpreendido por uma situação: ela comentando algo que acontecera na sua relação de trabalho com uma outra pessoa. Algo desagradável, que ela não soube lidar de uma forma muito assertiva. Pelo menos, esta era a minha opinião de homem. Afinal, um homem sempre quer assertividade. Respostas. Esclarecer as coisas. Somos verdadeiros solucionadores. E quando não é possível solucionar algo, ou não sabemos a resposta, viramos as costas, dizendo: esqueça isso!

Você já percebeu este fato? Como o homem, em geral, tem a necessidade de resolver, falar as verdades, finalizar assuntos? Somos focados sempre em direção a um objetivo. Lembro-me que lá nos idos dos anos 90, li um livro que achei fantástico, um best seller chamado Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus. Nesta época, eu vivia uma relação afetiva onde tinha enoooormeeeee dificuldade de me comunicar com a parceira. Me fazer entendido. E lógico, não a entendia também. E este livro esclarecia várias diferenças de comportamento entre homens e mulheres, mostrando claramente: somos quase que radicalmente opostos. Falamos de formas diferentes. Nos comportamos de jeitos diferentes e queremos coisas absolutamente diferentes. Aí, vamos morar sob o mesmo teto, dividimos a mesma cama, a mesma mesa, o mesmo banheiro, e o que acontece? Encrenca!

John Gray, autor deste livro clássico, diz: “Do mesmo modo que um homem se satisfaz solucionando os detalhes intrincados da resolução de um problema, uma mulher se satisfaz conversando sobre os detalhes dos seus problemas”.

Ok, sei de tudo isso desde os anos 90, não é? Mas o cara esperto aqui, que já leu tanto, já se trabalhou tanto e fez tantos cursos, e hoje é um terapeuta experiente, simplesmente entrou no seu “jeito homem de ser” e começou a dizer o que estava certo e errado no problema da esposa. Quais eram os padrões que se mostravam e apontando para o ponto emocional que não estava sendo visto naquela situação. Tinha razão? Quem sabe? Mas esse não é o ponto. Simplesmente eu não ouvi o que ela falara. E neste sentido que me refiro, ouvir quer dizer: criar sintonia com o sentimento do outro. Escutar além do que foi dito.

Escutar é ouvir com o coração

Gente, como é bom amar alguém! E amo minha esposa, sem dúvida! Por isso que tento, insistentemente, tirá-la das situações de sofrimento que percebo, quando me é falado sobre um problema. O cavaleiro prateado, montado em seu cavalo branco corre loucamente em busca de salvar a donzela, ameaçada por temíveis e cruéis monstros. Este é o arquétipo do homem que sempre deseja ajudar uma mulher (lógico, quando a ama!). Porém, este tipo de ajuda, na prática, levará invariavelmente à desvalia do outro e a problemas na relação. Porque a ajuda que a mulher precisa, em geral, é ser ouvida. Acolhida. Amparada. Às vezes, em silêncio.

Ao dizer que sei qual a solução, o que ela deveria fazer e qual foi o erro cometido, estou dizendo silenciosamente: você é burra! Incapaz! Incompetente! É por sua culpa que a situação deu errado! E isso vem de alguém que diz amar a mulher… Pois é, falhei…

“Quando falamos da escuta desinteressada do outro, sentimos que há um outro nível de audição que precisamos de aprender. Não há apenas uma escuta com os ouvidos, mas também um escutar com o coração, que mais não é que uma escuta profunda, onde todos os sentidos nos são úteis”, diz o escritor português José Tolentino Mendonça.

Logo que percebi meu engano, silenciei. Nossa, como é difícil não entrar neste papel de salvador da donzela. Papai da filhinha. Professor do aluno. Meu mestre de constelação familiar, Bert Hellinger, já vai dando porrada: “O apreço implica reconhecer que o outro tem o mesmo valor, embora seja diferente. Esse é o fundamento do apreço. O parceiro é diferente, mas é certo. Toda tentativa de converter o parceiro em algo que ele não é, torna-lo, por assim dizer, mais semelhante a si mesmo, está fadada ao fracasso e destrói o relacionamento”.

Da mesma forma que me comporto diante dos meus clientes de terapia ou meus alunos de constelação, entendo que o silêncio é o primeiro passo para a comunicação empática. Estou buscando aplicar esta técnica nas comunicações além do profissional, e vejo o quanto é efetiva: ouvir, e deixar passar. Não interpretar o que o outro fala e nem julgar. Respirar junto e buscar sentir no corpo o que aquela expressão está provocando. Olhar nos olhos e simplesmente compartilhar.

Foi incrível como, ao fazer isso, meu sentimento em relação ao problema que minha mulher disse mudou. Na verdade, o problema desapareceu. E eu entrei em conexão com ela. Com o sentimento dela, e senti talvez dores não expressas. A mulher é, em si mesma, um caldeirão alquímico de transformação de sentimentos. Passam pela mulher emoções de todos os naipes. Quando uma mulher fala de um problema, ela não está falando apenas de um problema. Ela está falando dela, mas também falando das pessoas envolvidas na situação. Das perdas que este problema pode provocar. Dos sentimentos envolvidos e talvez, negados. “As mulheres sabem coisas sobre as pessoas a seu redor – elas sentem o sofrimento de uma adolescente, os pensamentos do marido acerca de sua carreira, a alegria de um amigo ao atingir uma meta ou a infidelidade de seu parceiro em um nível intuitivo. A intuição não é somente um vago estado emocional, mas o resultado de sensações físicas reais que transportam significado a certas áreas do cérebro”, ensina a neuropsiquiatra Louann Brizendine, no livro Como as Mulheres Pensam.

Ao querer solucionar algo, estou desprezando esta alquimia que está ocorrendo com ela. O que a mulher pede, ao homem, quando conta um problema? Talvez ela diga: venha comigo! Ajude-me a processar em meu ventre estes sentimentos! Fique comigo, enquanto estou gestando esta energia conflituosa, buscando paz em mim e com os outros!

Tão diferentes, tão complementares

Viver bem ao lado da mulher que eu amo é um desafio! Pois, como falei, tenho que refrear meu impulso masculino de ser o solucionador e entrar num lugar de silêncio e escuta empática que são, em si, qualidades receptivas que vêm do feminino. Sair da mente racional e acionar o coração, em busca de uma relação afetiva de crescimento é um caminho que irá provocar as lembranças da relação afetiva que meus pais viveram. E também trará a tona a imagem interna que possuo tanto do meu pai, quanto da minha mãe. Afinal, reproduzimos aquilo que temos dentro de nós. Por isso que, nas minhas relações anteriores, não conseguia entender nem ser entendido. Vim de um lar de homens e mulheres que não se entendiam. Não falavam com clareza. Se reprimiam, se enganavam e se machucavam de várias formas.

Ao mesmo tempo, hoje vejo: que bom que podemos mudar isso! Que bom que podemos nos conhecer, através das nossas relações e conhecimento do passado! Descobrir os padrões de comportamento e padrões emocionais que nos habitam, e modifica-los. Entendendo que estas experiências são infinitas: descobrirmos que funcionamos de forma tão diferente – homem e mulher, e sempre será assim. E mesmo assim, posso confiar nela, e celebrar nossas diferenças, que nos complementam.  Eu atuando como homem. Mas abraçando dons femininos, que possuo. E ela atuando como mulher. Da forma como ela é. Do jeito que é…

Que cesse a necessidade de fazer dela algo que acho que ela deveria ser. Que eu me dedique a ser o melhor que posso, agora… Este é o meu mantra de hoje.

Alex Possato

 

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