A boa agressividade

agressividade

 

A raiz da palavra agressividade é a mesma da palavra grau, em latim. No sentido mais puro, agredir quer dizer ir em direção a, seguir rumo a um nível ou grau diferente… Durante muito tempo carreguei a crença de que a agressividade era uma atitude não conveniente e espiritualmente desabonadora.

Talvez porque tive uma infância cercada por agressões físicas, mas principalmente morais, dentro de uma família neurótica… e incapaz de reagir – quando reagia, era punido – aprendi a lidar muito mal com o meu impulso agressivo. Desenvolvi o medo de agredir e o medo de ser agredido. Comecei a andar com o freio de mão puxado. Parte da minha energia me puxava para frente, e parte dela mantinha-me preso no lugar onde estava.

O que me foi muito prejudicial no momento em que tive que partir para a vida. Agredir era errado. Então, como conquistar minha estabilidade financeira? Como avançar nos meus objetivos? Como conquistar o lugar ao sol que eu tanto queria?

Porém, como vemos na origem da palavra, agressividade não é algo ruim. É um movimento natural, que pode ser usado inclusive em situações onde não temos nenhum tipo de raiva. Para mudar o grau, é necessário um impulso agressivo. Para deixar uma vida de sofrimento, seja este sofrimento financeiro, afetivo ou outro qualquer, é importante validar o próprio impulso agressivo.

O bom agressivo não ataca ninguém. Não está lutando contra nada. Simplesmente está fazendo um movimento rumo a um outro nível na própria vida. Exige esforço  e competitividade, mas isso pode ser desempenhado com leveza, humor e alegria. Se precisar defender o próprio território, o bom agressivo está no seu lugar, em posse dos seus direitos, e como um samurai, preserva o lugar conquistado sem perder a calma. A agressividade assentada interiormente é um estado de espírito, e não necessariamente uma atitude externa.

Ser guerreiro é algo nobre. Acredito que as guerras interiores são muito mais importantes que as guerras exteriores – para aquele que está buscando o autoconhecimento e crê na possibilidade de uma vida feliz e saudável. Olhar para si, conhecer seus impulsos, sua raiva, sua covardia, sua compaixão, sua inflexibilidade, as diversas variáveis emocionais que habitam o seu “eu mais profundo”  é condição fundamental para um andar confiante, produtivo, realizado.

No meu dicionário de conduta, agressividade faz parte!

(dedico este texto a tantas pessoas que, assim como eu, um dia acreditaram que ser agressivo era algo que depunha contra a própria evolução espiritual neste planeta – e por isso, teve muita dificuldade em manter os esforços necessários para alcançar seus objetivos legítimos nesta vida: prosperidade, sucesso, saúde, amizades, boas relações afetivas, paz de espírito.)