A mãe e o sucesso (ou fracasso)

 

Sempre que escrevo um texto como o da frase acima, alguém pergunta: e como reverter este processo? Já vou responder: a imagem que temos da mãe é interna. Assim como qualquer imagem que tenhamos a respeito de qualquer coisa. É uma série de conceitos que aprendemos a preservar, devido às nossas experiências, à nossa educação, ao meio em que vivemos e às heranças sistêmicas que recebemos. O que pensamos da nossa mãe não é a realidade. É só um pensamento, permeado por emoções. Vou repetir: o que pensamos da nossa mãe não é realidade.
Pensamentos, crenças e sentimentos podem mudar. Desde que queiramos mudar. E por isso, mudar o sentimento que temos em relação à mãe tem a ver com “sair de um papel de vítima”. E sair de um lugar infantil.
Como adultos, entendemos que causamos dores aos outros. Assim é o ser humano adulto. Assim foi nossa mãe. A mãe não é melhor mãe porque carregou a criança no colo, nem pior mãe porque a abandonou. Ela é mãe, aos olhos da constelação familiar, e proporcionou o maior sucesso que a criança poderia ter: nascer!
Mas e as dores que ela provocou?
Cada um terá que carregar suas próprias dores. Quando falamos que a mãe provocou a dor em nós, estamos nos colocando como criança que acha que ela fez isso de propósito. A criança acha que tudo gira em torno dela. Mas o adulto sabe que não é bem assim. A vida provoca prazeres e dores, e nada é contra ou a favor de nós. É tudo, simplesmente, vida.
Precisaremos carregar nossas mágoas, sem dúvida. E mesmo assim, podemos reverenciar a mãe como a fonte geradora da nossa vida. A maior e única fonte. Perfeita, pois nós nascemos.
Tá bom… mas preciso morrer de amores pela minha mãe?
Claro que não. Morrer de amor ou de ódio ainda é a criança presa aos dramas. E tudo bem se nossa criança está presa a isso.. A vida é mais simples. A mãe é a maior fonte geradora de vida para nós, plena e perfeita neste aspecto. Foquemos somente neste ponto, e esqueçamos o resto, por um tempo. Os próximos 70 anos…

 

Alex Possato

Recebo meus presentes …

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Quando recebo algo, muitas vezes sou tentado a devolver em igual valor. Ou a prestar algum favor à pessoa. Fui educado com esta frase: não devo nada a ninguém. Logo, tudo aquilo que vem, tem que ser pago. Porém, tenho percebido que, em algumas situações, é importante sentir-se devedor. Somente assim, posso receber um presente, um favor, um agrado, uma homenagem. Nossa, como é difícil! Fico encabulado, envergonhado, com comichão no traseiro. Tudo isso, talvez encobrindo o orgulho enorme, que me faz “não querer dever nada a ninguém”. Aprendi assim, e desta forma, me isolo. Torno-me ingrato. Que tolo!

Eu sou um devedor! E sempre serei! Nada seria sem ter recebido tanto dos meus pais, da minha família, dos meus professores, das igrejas que frequentei, dos amigos que me apoiaram, das companheiras que passaram pela minha vida, das pessoas que vieram, passaram e nunca mais vi. Recebi, e muitas vezes, este “receber” veio também com dores. Porque alguns presentes não têm nenhum valor financeiro, mas têm o poder de mudar o rumo da jornada. Hoje, tenho certeza: os maiores presentes são aqueles que me transformaram. A mudança nem sempre foi confortável, mas não trocaria quem eu sou por aquele que fui um dia…

Diante desta transformação, estarei sempre em débito. Recebo, e não posso pagar…

Alex Possato

 

Confiança

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Quanto mais você pensa em confiar, menos você confia. A sua mente não pode confiar. Dentro do seu sistema, muitos ecos de traições, agressões e abandonos estão gravados, e por isso, você não confia. A confiança não vem da mente. Floresce do coração manso, humilde. Por isso, muitas vezes, a mente precisa chegar no limite da não-confiança e da separação, atravessando o deserto das emoções dolorosas, para se entregar ao coração.

Imagine uma criança muito, muito pequena, que sabe que seu pai está ao seu lado, e somente estende a mão para segurar nas mãos dele. É assim que você irá proceder. Estenda as mãos. Confiança necessita de um gesto. O seu pai está ao seu lado, mesmo que você não o veja.

Você está seguro. Experimente. Estenda a mão. Ele a segurará…