Sedução

Eu tenho medo de não te merecer. Medo de te perder. E você também tem medo. Seus medos? Não sei. Quem sabe medo da solidão? Medo de não dar conta sozinha? E então vem cupido e nos aproxima de forma alucinante. Não é amor. É loucura! Como loucos são todos apaixonados. Logo inicio o ritual do acasalamento. Despejo todo o charme, as flores, humor e poesias que guardei só para você. É o que falo, afinal, sei que te quero, e te quero a qualquer custo.
Mal sabe eu que você está jogando comigo. Enquanto faço os meus melhores esforços para transformar-me num ogro encantador, você aguarda. Analisa. Lembra-se dos antigos ogros e rememora suas velhas feridas e os amores rompidos. Não confia em mim, porque não confia nos homens. Eu acho que estou te conquistando, mas é você que tem o poder nas mãos. O sim e o não lhe pertence. E eu, somente jogo com o blefe. Quando você vê que eu acho que vou perder e quero desistir, discretamente abre dois botões da blusa e me enlouquece com a visão de quase nada, que me faz alucinar e imaginar quase tudo.
Gata e rato, cachorro e gata, homem e mulher. Brincando de amar, acreditando que brincar é amar. Mas nós temos medo do amor. Nos entregamos ao tesão, pernas e corpos abertos, coração fechado. Não confiamos. Carregamos feridas ancestrais. E subitamente percebemos que o jogo da sedução só serviu para nos aproximar. Corpos grudados e suados, descarregando toda a energia para não perder um ao outro.
Exaustos, sentados à beira da cama, olhamos para o chão, sem encarar os olhos, e continuamos sós. Se eu tivesse coragem, diria: tenho medo de te perder. E tenho medo de me entregar. Quero você. Mas também me quero. E se eu me entregar e me perder de mim?
Assim, nos afastamos. Cabisbaixos. Sem falar o que sentimos. O jogo da sedução acaba. Quando sentaremos frente a frente, olhos nos olhos, para falar dos nossos anseios e nossos medos? Quando aprenderemos a confiar um no outro, o suficiente para mostrar muito além dos nossos corpos: desnudar nossa alma, com toda a sua beleza e obscuridade?
Quero dar o primeiro passo. Tenho medo. Se você descobrir o ogro que sou, irá embora. Ou não? Bem… terei que arriscar. Quem sabe a minha honestidade te seduza? Quem sabe a verdade seja algo que liberte? Quem sabe esta brincadeira da revelação acenda novamente o tesão? Talvez acabemos na cama… mas desta vez olhando nos olhos, sem razão para fugir e se esconder, pois não haverá nada mais a ser escondido.
Fica a pergunta: será que a verdade também seduz?

Alex Possato (inspirado no sagrado encontro de homens – Diamante Bruto, Brasília, em 29 de janeiro de 2018)

Mãe: a cara do sucesso! (vídeo com Alex Possato)

Qual a relação entre a mãe e a sua capacidade de ir para a vida, desafiar-se, demonstrar seus dons e talentos? Por que a conexão com a mãe é fundamental para termos autoconfiança? É o que Alex Possato explica neste vídeo, falando sobre a visão da constelação sistêmica e da necessidade do resgate da confiança em relação à mãe, para que possamos estar bem conosco, e consequentemente, com a vida.

 

 

Casar ou juntar?

casamento

Quando minha esposa me convidou (me intimou, na verdade!) para casar, fui pego de surpresa. Já morávamos juntos quase três anos. Compartilhávamos contas, viagens, cursos, trabalhos, família, como um casal compartilha. E francamente, acho que para muitos homens, a palavra casamento tem um peso diferente: significa responsabilidade, que muitas vezes, pode sufocar. Prender. Assustar.

Escolado que sou em olhar para minhas emoções e programações internas, partiu o Alex a entender o porquê desta negação, afinal, casar é só um papel e uma cerimônia, não é? Não. Não era. Este seria o meu segundo casamento. E a separação do primeiro havia sido bem dolorosa, afinal, eu acreditei quase toda a minha vida que um casamento e ter filhos me faria feliz. E ao ver o meu sonho sendo destruído, o conto de fadas se despedaçou.

Os modelos de relacionamento afetivo que tive na família não foram saudáveis. Meus pais se separaram antes mesmo de eu nascer. Não conheci meus avós maternos, mas a notícia que tinha era de um avô alcoólatra, dominador, e uma avó submissa. E os avós paternos, apesar de viverem sempre juntos, tinham uma relação muito ruim. De brigas, confronto, o homem submisso e a mulher mandona e histérica. Exatamente o contrário do lado da minha mãe. Meu pai teve diversas outras relações, em algumas das quais acabei sendo apresentado às brigas, às confusões, no convívio com as mulheres e amantes que papai arrumava.

Enquanto meu casamento ia se despedaçando, comecei a procurar com mais seriedade terapia. E somente então percebi que meu sonho estava baseado na negação do que ocorrera no passado. E duramente entendi que tudo aquilo que é negado, se repete. Neguei as relações conflituosas dos meus pais e avós, dos dois lados, e eis que o conflito bate a minha porta!

Bert Hellinger, meu mestre em constelação familiar sistêmica, diz assim: “Quando um relacionamento termina, isso está sempre vinculado a uma profunda dor. É importante que ambos os parceiros se abandonem a ela. Muitas pessoas preferem se esquivar à dor. Por exemplo, através de acusações ou procurando pela culpa: Quem é o culpado? Agora sou culpado? O outro é culpado? Por trás dessa procura e dessas acusações está a idéia de que poderia ter sido diferente. Ou que talvez pudesse haver uma reviravolta. Entretanto, a corrente da vida flui para a frente, e não para trás.”

Realmente foi muito doloroso. Anos de dor, até conseguir chegar ao divórcio. E um desejo embutido em tudo isso: não quero mais passar por esta dor…

O casamento é um caminho espiritual

Porém, a vida apresenta situações onde somos confrontados a olhar outra e outra vez para nossas emoções desconfortáveis, para que possamos curá-las. E faz isso de uma forma irresistível. Por exemplo, nos faz apaixonar outra vez por uma mulher. Uma mulher que deseja profundamente passar pelo processo do casamento. E se realmente a amo, por que não? Há como uma relação sobreviver com integridade se o desejo dos parceiros não é visto? Sem que ambos possam estar dispostos a abrir mão das próprias convicções, de forma saudável, dialogada e com as emoções e negações dos dois devidamente esclarecidas? Eu diria mais: há como o amor se manifestar em sua beleza e totalidade, sem que baixemos nossa guarda, nossas certezas, nossas verdades e nos entreguemos verdadeira e profundamente um ao outro? Um homem confiando totalmente numa mulher e uma mulher confiando totalmente num homem?

No fundo, sempre acreditei na união do homem com a mulher como um poder místico. O casamento, para mim, é um caminho de autoconhecimento, fusão e transcendência. Deepak Chopra confirma: “As pessoas se casam por diversas razões, mas acho que a melhor delas é se amarem e se dedicarem um ao outro para realizar um amor e um destino espiritual que não conseguiriam alcançar sozinhos. Pode ser preciso uma vida inteira para atingirem juntos esse objetivo sagrado, mas é bom termos desde o início o máximo possível de certeza de que aquela é a pessoa certa para embarcar nessa viagem e com quem ter desde o início a mesma visão do objetivo”.

Eu posso hoje afirmar que encontrei as pessoas certas. Parte deste caminho foi trilhado na relação anterior. Que teve um prazo de validade. E agora, o universo me mostrava mais uma possibilidade de continuar na estrada. Em outro casamento. Resolvi dizer: sim!

A diferença entre casar ou morar junto

Senti imediatamente a diferença entre casar e morar junto. Não entendia muito a lógica disso, o porquê de perceber um peso diferente ao estar oficialmente casado, e busquei novamente em Bert Hellinger a explicação: “O casamento é a despedida da juventude. O relacionamento a dois sem casamento é a extensão da juventude. Quando um casal vive muito tempo junto e não se casa, um diz ao outro: Estou procurando algo melhor. Isso é ferir constantemente.”

Percebi que uma das barreiras que me impediam de confiar plenamente no casamento e numa mulher era ainda estar preso, emocionalmente, às dores da relação anterior. Portanto, era mais cômodo estar “namorando”, ao invés da responsabilidade sagrada de dividir a própria vida com uma mulher – e vice e versa. Sobre isso, Hellinger também esclarece: “Um vínculo se cria através da consumação do amor. Esse vínculo é indissolúvel. Ele permanece.

Um segundo relacionamento somente é possível quando o primeiro vínculo é reconhecido. No segundo relacionamento, o vínculo é menos forte do que no primeiro. Em um terceiro relacionamento ele é ainda menos forte. Ele diminui de relacionamento a relacionamento até que praticamente não exista mais nenhum vínculo.

O amor não é a mesma coisa que o vínculo. É importante saber disso. A gente pode amar mais num relacionamento posterior do que num anterior.

Para que um segundo relacionamento dê certo é preciso, portanto, que o relacionamento anterior seja, em primeiro lugar, reconhecido e, em segundo lugar, deva ter sido dissolvido de maneira positiva”.

Pois é… precisei de muitos anos para poder ressignificar toda a relação anterior, o que também significou ressignificar a relação dos meus pais e avós. Posso dizer que um bom trabalho foi feito. Da parte da minha esposa também.

Até que pudéssemos estar razoavelmente libertos para dizer: Sim! A história acaba aqui? Não… claro que não! A história começou antes, e simplesmente, continua! Porque aprender a abrir o coração e se entregar ao êxtase místico e divino da relação a dois é uma jornada para toda a vida.

Eu estou pronto para ser pai?

ser pai

 

Passei o domingo, dia dos pais, cercado por alunos do treinamento em constelação familiar sistêmica. Alguns, entre graça e provocação, me chamavam de “papai”. Curiosamente, tenho trabalhado o tema pai intensamente, nos últimos meses. Seja pelo processo do floral de Joel Aleixo, seja pela constelação familiar, fato é que estou sendo chamado a olhar este aspecto do masculino que, para mim, ainda é um mistério.

E como não poderia deixar de ser, a vida dá uma ajudinha. Tenho a possibilidade de ser pai novamente, e me deparei com um gigantesco “não” interior. Não é o momento! Estou no melhor da minha carreira, e isso iria atrapalhar meus planos! Já tenho dois filhos, para que mais? Perderei minha liberdade! Estou velho para isso!

O ego reage alucinadamente ante a possibilidade de eu ser gerador de mais uma vida… Ôpa, tem algum boi na linha… E então, resolvi encarar este fato de frente: posso ser pai, mas minha intenção consciente está negando.

Na última segunda feira, tivemos o grupo de homens, o Diamante Bruto, e trouxe esta questão para compartilhar. E curiosamente, embora nenhum dos outros homens estavam com a mesma neura, muitos disseram da dificuldade de concretizar seus planos. Na vida real. Dificuldade da carreira deslanchar. Medo de não se bancar. Insegurança. Medo de dar o primeiro passo. Medo da mudança de carreira. Muita masturbação mental e pouca ação concreta. Ou ações desenfreadas, inconsequentes e desistência. De alguma forma, estes homens estavam com dificuldade de gerar um filho, ou mantê-lo vivo, após a inseminação.

Fazendo a analogia de que todos os projetos que gestamos são filhos, me caiu a ficha: todo filho necessita de uma barriga, um ventre que o abrigue. Assim, é necessário estar em paz com o feminino, para gerar um filho saudável. É importante estar em paz com a mãe interior. Porque é a mãe que irá carregar o filho em seu ventre, durante nove meses. O pai, após a gestação, deverá proteger a mulher, dando condições para que a cria nasça bem. E então, fui procurar ajuda em Bert Hellinger, para entender melhor este processo da paternidade.

“…faz parte das ordens do amor na relação entre o homem e a mulher que ambos estejam orientados em função de um terceiro, e que sua masculinidade e sua feminilidade só se completem num filho. Pois o homem só se torna plenamente homem como pai, e a mulher só se torna plenamente mulher como mãe. E só no filho o homem e a mulher formam indissoluvelmente uma unidade, de maneira plena e visível para todos. No entanto, seu amor ao filho como pais apenas continua e coroa seu amor como casal, porque este vem antes daquele. E, assim como as raízes nutrem a árvore, assim também seu amor como casal sustenta e nutre seu amor de pois pelo filho”.

Puxa! Hellinger me ajudou! A questão do masculino e feminino, papai e mamãe estava clara pra mim. Porém, a questão do amor do casal, que é a base para o amor aos filhos, ficou clara somente agora! Nunca havia pensado nisso. Não posso negar que meus atritos com meu relacionamento anterior e divórcio marcaram profundamente meu ser. Mas neguei. Fingi ser um cara trabalhado. Terapiado. Espiritualizado. E as dores lá… esperando um gatilho para serem acionadas novamente. E o gatilho agora é a possibilidade de ser pai.

Lendo o texto do Hellinger, pergunto a mim mesmo: eu confio no relacionamento e amor do casal? Eu realmente estou em paz com o feminino que está ao meu lado, para poder amar nossas criações futuras? O amor do casal vem antes do amor aos filhos. Caso o primeiro esteja corrompido, o segundo também estará…

Aos meus amigos homens, que estão com problemas com seus projetos de vida, igualmente filhos, mas com outro aspecto, sugiro que avaliem como está a sua confiança em relação à mulher. Seja sua parceira, mas principalmente, sua mãe. Se você está em combate com o feminino, poderá jogar muitos espermas sobre tudo, porém, nada fecundará. Ou morrerá rapidamente. Se você não confia no amor entre um homem e uma mulher, a união dos princípios básicos da vida, o masculino e feminino, não conseguirá ter amor suficiente pelas suas criações. E elas poderão morrer. Ou nem nascer.

Criatividade produtiva: a fusão do masculino e feminino

criatividade produtiva

 

Intuir o caminho é feminino.

Querer intuir e determinar é masculino.

Gestar a intuição no ventre do coração é feminino.

Planejar a idéia, validar a gestação, é masculino.

Parir? Passar pelas dores da contração, a abertura da pélvis, deixar que o rebento nasça? Ah, isso é só a mulher mesmo! Graças a Deus!

Programar os primeiros passos, onde, como, quando, com quem, para quem – coisa de homem. Sim, e…

Agir. Agir. Agir.

Aguardar e proteger a pequena criação da expectativa e ansiedade de resultados do homem: é feminino.

Esperar. Esperar. Esperar.

Ver a idéia crescer, ganhar vida própria, beneficiar inúmeras pessoas por este universo afora: isso é para os dois. É só relaxar e sorrir pela criação bem-sucedida. Fama? Reconhecimento? Fortuna? Eu pergunto: o que importa isso? Mas se é importante para você, preciso dizer: isso não depende nem do homem, nem da mulher. É coisa dos desígnios de Deus. Que a tudo olha e conduz. Até o fracasso e a morte estão em Suas mãos.

Depois? Sugestão… que tal ir pra cama, gestar novas experiências?

constelação essencial