Limpador de vidros chegando à Brasília!

constelacao BSB mai_2018

Queridos! Amanhã chego à Brasília para mais uma série de trabalhos: constelação em grupo, Projeto Incluir, Treinamento de Constelação e o encontro de homens – Diamante Bruto. Estes dias andei me perguntando: o que estou fazendo? Por que faço estes trabalhos? Senti que eu havia desconectado do sentido profundo da razão da minha existência neste planeta. Estava entrando no piloto automático… E isso é a morte da criatividade, do prazer, da alegria de viver… Mas peguei o “vírus” no começo, antes que ele infectasse o sistema…

Relembrei no que acredito, lá no fundo da alma: somos seres de luz. E tudo o que fazemos com o coração, é a manifestação do Amor maior, através das nossas mãos. Estamos aqui para auxiliar o próximo a também perceber que ele já é aquilo que espera ser no futuro. Mas esta visão está encoberta, através de dores, crenças e traumas antigos. Eu atuo neste lugar: limpo os vidros embaçados da visão interna, que insiste em lutar contra os outros e contra si mesmo. Meu trabalho visa levar luz aos conflitos. Bálsamo às dores. Cura às feridas. Motivação aos travados. Alerta aos rebeldes. Direção aos perdidos. Mas lembre-se: eu só limpo os vidros. O resto, quem faz é você! Com a ajuda do “homem” lá de cima!

Alex Possato

24 de maio: Constelação em Grupo, das 15 às 21 horas (aberto a todos)
25 de maio: Projeto Incluir, das 15 às 20 horas (aberto a todos)
26 e 27 de maio: Treinamento de Constelação Familiar Sistêmica (exclusivo aos alunos)
28 de maio: Diamante Bruto, das 18h30 às 22 horas (somente para homens)

Informações e inscrições:

florbrasil.newtonlakota@gmail.com (61) 99976-7740 VIVO / Whatsapp (com Newton/Talita)

Local: Auditório do Medical Center – 607 Norte (Entrada pela L-3 Norte/UNB)

 

 

Sedução

Eu tenho medo de não te merecer. Medo de te perder. E você também tem medo. Seus medos? Não sei. Quem sabe medo da solidão? Medo de não dar conta sozinha? E então vem cupido e nos aproxima de forma alucinante. Não é amor. É loucura! Como loucos são todos apaixonados. Logo inicio o ritual do acasalamento. Despejo todo o charme, as flores, humor e poesias que guardei só para você. É o que falo, afinal, sei que te quero, e te quero a qualquer custo.
Mal sabe eu que você está jogando comigo. Enquanto faço os meus melhores esforços para transformar-me num ogro encantador, você aguarda. Analisa. Lembra-se dos antigos ogros e rememora suas velhas feridas e os amores rompidos. Não confia em mim, porque não confia nos homens. Eu acho que estou te conquistando, mas é você que tem o poder nas mãos. O sim e o não lhe pertence. E eu, somente jogo com o blefe. Quando você vê que eu acho que vou perder e quero desistir, discretamente abre dois botões da blusa e me enlouquece com a visão de quase nada, que me faz alucinar e imaginar quase tudo.
Gata e rato, cachorro e gata, homem e mulher. Brincando de amar, acreditando que brincar é amar. Mas nós temos medo do amor. Nos entregamos ao tesão, pernas e corpos abertos, coração fechado. Não confiamos. Carregamos feridas ancestrais. E subitamente percebemos que o jogo da sedução só serviu para nos aproximar. Corpos grudados e suados, descarregando toda a energia para não perder um ao outro.
Exaustos, sentados à beira da cama, olhamos para o chão, sem encarar os olhos, e continuamos sós. Se eu tivesse coragem, diria: tenho medo de te perder. E tenho medo de me entregar. Quero você. Mas também me quero. E se eu me entregar e me perder de mim?
Assim, nos afastamos. Cabisbaixos. Sem falar o que sentimos. O jogo da sedução acaba. Quando sentaremos frente a frente, olhos nos olhos, para falar dos nossos anseios e nossos medos? Quando aprenderemos a confiar um no outro, o suficiente para mostrar muito além dos nossos corpos: desnudar nossa alma, com toda a sua beleza e obscuridade?
Quero dar o primeiro passo. Tenho medo. Se você descobrir o ogro que sou, irá embora. Ou não? Bem… terei que arriscar. Quem sabe a minha honestidade te seduza? Quem sabe a verdade seja algo que liberte? Quem sabe esta brincadeira da revelação acenda novamente o tesão? Talvez acabemos na cama… mas desta vez olhando nos olhos, sem razão para fugir e se esconder, pois não haverá nada mais a ser escondido.
Fica a pergunta: será que a verdade também seduz?

Alex Possato (inspirado no sagrado encontro de homens – Diamante Bruto, Brasília, em 29 de janeiro de 2018)

Constelação Sistêmica em Brasília!

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Brasília! É nesta quinta-feira!

Depois de andar pelas belezas indescritíveis da Patagônia, com os olhos maravilhados e o coração cheio de conexão com a Mãe Natureza divina e majestosa, retorno meus trabalhos de constelação familiar nesta terra que aprendi a amar! Muitos amigos, muita hospitalidade, muitas curas (principalmente para mim!)… e cá estamos!

Dia 25 de janeiro (quinta-feira) – Constelação Familiar Sistêmica em grupo (das 15 às 21 horas)
Dia 26 de janeiro (sexta-feira) – Projeto Incluir – Laboratório de Constelação Familiar Sistêmica (das 15 às 20 horas)
Dia 27 e 28 de janeiro (sábado e domingo) – Treinamento de Constelação Familiar Sistêmica – Módulo Ordens da Ajuda (das 09h00 às 18 horas)
Dia 29 de janeiro (segunda-feira) – Diamante Bruto – encontro sistêmico de homens com o tema “Relacionamento afetivo: qual é o meu lugar nesta história?” (das 18h30 às 23h00)

Alex Possato

Informações com Newton Lakota florbrasil.newtonlakota@gmail.com (61) 99976-7740

 

Como eu, um homem, estou curando o meu feminino (vídeo)

Após uma vivência tântrica com sua esposa, Alex Possato entrou em contato com uma cura profunda em relação ao seu feminino: as relações afetivas antigas e principalmente as relações com a mãe e a avó, bem complicadas. Alex explica neste vídeo um pouco do caminho deste resgate e o que um homem precisa fazer para aprender a viver em paz com as mulheres da sua vida…

Leia o texto “Somente uma mulher pode curar o meu feminino” clicando: https://alexpossato.com/2017/10/14/so…

Acesse o site de Alex Possato: https://alexpossato.com/

 

Como honrar o pai que nos feriu? (video)

 

A energia equilibrada do pai, dentro de nós, nos leva para se aventurar, conquistar o mundo! Mas como podemos tomar posse desta energia, quando temos tantas mágoas justificadas em relação ao nosso pai? É o que Alex Possato explica, a partir do olhar terapêutico da constelação familiar sistêmica

O homem “mocinho” tem inveja do homem “bandido”

homem mocinho

 

Este texto do Gikovate me lembra o quanto eu tinha inveja dos meus amigos “comedores”. Eu ficava a festa toda tentando arrumar uma, e eles já saíram com três… Lembro-me que tudo começou com a Marta. Menina que me acompanhava, ano a ano, desde a terceira série… Andávamos dois quilômetros até a escola. Ela morava na rua de trás. Quando eu ia na frente, sentia que ela ia atrás, mas sem coragem de emparelhar. Quando ela ia na frente, eu fazia o mesmo. Conforme nós íamos andando, um na frente, outro atrás, ano após ano, seus seios iam crescendo, seu corpo tomando forma, e meu tesão começou a surgir. Até que um dia, tomei coragem para abordá-la. Já estava quase com quinze anos. E… Bem, a encontrei beijando um cara. No canto do pátio do colégio. Senti-me traído… meu grande amor me abandonara… E com ódio daquele sujeito… Nunca fui um “comedor”. Carreguei sempre a dificuldade de “emparelhar”. Se é que você me entende… Acho que hoje estou bem com isso. Sou um homem delicado, como o Gikovate diz. E existem os “comedores”. E também seres intermediários… acho. Por exemplo, o “comedor delicado”… Variações do mesmo bicho: o bicho homem. Por isso, achei tão interessante o texto abaixo, extraído do livro Homem: o sexo frágil?  

Coma! Desfrute. Com os olhos…

“Os homens mais delicados não se conformam com o fato de tantas mulheres atraentes preferirem os ‘bandidos’ ao invés dos ‘mocinhos’. Não podem deixar de colocar em dúvida a validade de suas condutas mais íntegras, pois neste assunto tão essencial quem leva vantagens é o homem padrão. Este homem padrão que já o humilhou quando criança e durante a adolescência, contra o qual desenvolveu secretas hostilidades, continua a humilhá-lo agora porque é capaz de agir com as mulheres de uma forma que ele não consegue. Ele não quer se transformar em grosseiro e mentiroso, mas também não quer pagar um preço tão alto pela sua integridade. Não é consolo saber que em outras áreas de atividade ele esteja se dando melhor do que os seus oponentes. Ele quer sucesso com as mulheres; mas não quer magoar e enganar ninguém. Não vê saída para este dilema, até porque, em virtude de seu temperamento, o usual é que as mulheres se apaixonem mesmo por ele, condição que cria o impasse mais apavorante. Não há mesmo muito o que fazer, a não ser dirigir os objetivos mais para o plano sentimental e tratar de encontrar uma mulher com a qual se realize também sexualmente. Porém, mesmo quando isto acontece, sobra sempre a inveja do homem padrão pela sua capacidade de conquistar dezenas de mulheres a cada ano.”

Homem: o sexo frágil? – Flávio Gikovate

O homem amordaçado

homens amordaçados

 

Muitos de nós, homens, esquecemos de como colocar limites. Deixamos nosso castelo ser invadido. Vemos os comandos que damos aos nossos filhos serem desvalidados. Aparceira, a mãe, o pai, a sogra, o papagaio, todos dão seus pitacos em como devemos agir. E nós até queremos opiniões, porque não sabemos o que fazer. Como fazer.

Desaprendemos a falar: não! Chega! Respeite-me!

Não sabemos o que queremos.

Talvez pela sombra dos desmandos do machismo predador e autoritário dos nossos pais, avós,  bisavós, ficamos mais dóceis. Ou mais calados. Tudo é negociável. Quantas vezes deixamos de exercitar o poder da escolha? Preferimos nos retirar para a frente da televisão, para atrás do copo, para a escrivaninha do trabalho, para o jogo de futebol… enquanto isso, o circo pega fogo. A mulher nos chama de omissos! Com razão, afinal, não nos colocamos. Mas também sem razão, porque ela ocupa espaço demais.

A mulher conquistou seu lugar. Isso é muito bom. Ela pode, hoje, viver até sem um homem. Não depende mais dele. E o homem? Não sabe mais qual é o seu lugar.

Sumimos de cena. Não somos mais totalmente responsáveis por prover. Muito menos por proteger nossa família. Nem por liderar e dar os comandos. Não sabemos o que fazer com nosso desejo sexual insaciável. Podemos cuidar dos filhos. Trocar fraldas. Cozinhar. Sair com o cachorro. Passar roupa. Fazer faxina. Costurar. O serviço que vovô dizia – isso é coisa de mulher! – não é mais. E daí?

Qual é o nosso lugar? Não desejamos reverter a situação. É bom ter alguém para dividir as responsabilidades da vida. Tanto para o homem, quanto para a mulher. Mas me diga: qual é o nosso espaço? Onde podemos exercer o nosso poder de homem, tão importante para manter ereta a nossa força masculina? Onde podemos dizer: eu quero isso! Chega! Não! Minha palavra tem valor!

Pela falta de exercitar este poder, nossas relações vão ruindo, dia a dia. A mulher também deseja um homem ao seu lado, para que ela possa relaxar um pouco. Sentir-se acolhida, protegida. Segura. Como muitas vezes, não há este homem ativo e participante, ela assume o papel. Com raiva. E depois cobra a presença masculina. Que se sente confrontado. E acuado. E some ainda mais.

Nós, homens, aprendemos a ser assim. Somos filhos de mães dominadoras. E pais fracos. Ou pais autoritários, e mães vítimas. Ou ainda, mães presentes, pais ausentes. Raramente, pai presente, mãe ausente. E por negar o padrão dos nossos pais, queremos fazer algo muito melhor. Mas não deu certo. Ao negar nosso pai, negamos nossa masculinidade. Sob a sombra da mãe, nos tornamos dóceis demais. Fracos. Perdemos a direção. O foco. O poder.

Não vejo outra solução, a não ser resgatar o pai e a mãe dentro de nós. Resgatar as feridas do relacionamento com nossos pais que ficaram em nós. Validar nossos pais e nossa história, por mais difícil que tenha sido. O primeiro grito masculino deve ser de integração e independência em relação ao passado. Se hoje, somos homens massacrados e calados, aprendemos isso em casa. Quando éramos muito pequenos. Como homens, precisamos cortar o cordão umbilical da nossa mãe. Amorosamente. Respeitosamente. Mas cortar. Corajosamente. Adeus, mamãe! E assumir o poder masculino que vêm do nosso pai. Do nosso avô. Bisavô. Tataravô. Tantos e tantos guerreiros, que deram suas vidas para que pudéssemos nascer. E também se despedir: adeus, papai!  Vou honrá-lo, com a minha felicidade! A mordaça deve cair. Para valorizarmos o fato, óbvio e simples: somos homens! Podemos agir diferente dos nossos pais e avós, mas somos homens! Podemos ser mais flexíveis, dóceis, sensíveis, mas… somos homens! Temos desejos, vontades, raiva, necessidade de expressão… e nossa palavra tem valor! Somos homens! Queremos nos relacionar, queremos sexo, queremos amizade! Somos homens… Um homem que não deseja competir, nem contra outros homens, nem contra as mulheres. Homens que querem somente encontrar o seu espaço, e ter o direito de falar. E também, calar. Por vontade própria. E não por sentirem-se acuados.


Alex Possato é um dos coordenadores o projeto Diamante Bruto – o poder do sagrado masculino

O homem em confronto com o pai perde a força de homem

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Pouco tempo tenho de participação nos encontros de homens, o Diamante Bruto. Mas uma coisa já deu pra notar: o homem que está, de alguma forma, confrontando o pai, perde a sua força de homem. Seja porque tem dó de um pai fraco, ou raiva de um pai agressivo. Ou um sentimento indefinidamente broxante por um pai ausente. Quem sabe, uma tristeza mórbida por um pai que morreu.

No trabalho de constelação familiar que meu amigo Fernando Tassinari conduziu, entrei em contato com um pai meio louco. Instável. Que dizia sempre: eu não confio. Eu não confio. Eu não confio. Não confiava nem em mim, nem no meu avô, o pai dele. Subitamente, vi: este é o meu pai! Sim, o pai ausente, o pai alcoólatra, o pai desregrado. E meu avô: bonzinho, mas omisso. Submisso à minha avó…

Mas, pera lá… constelação mostra sempre a própria pessoa. A imagem que eu tenho do meu pai, e não exatamente meu pai. A imagem que eu tenho do meu avô. E não exatamente o meu avô.

Quem é que não confia? Quem é omisso? Ausente? Desregrado? Submisso?

Bem… Pois é. Eu me enquadro em todos estes adjetivos. E só eu olhar direito, e acho as situações que tanto recrimino neles. Em todas as críticas que tenho em relação ao papai. E ao vovô. Sem saber, cada palavra de condenação a eles, é um verdadeiro “chute no saco”. No meu próprio. Quanto mais distorções tenho em relação às minhas referências masculinas – papai e vovô, mais problema terei de ser homem no meu mundo. Isso quer dizer: ganhar minha grana. Ter uma relação afetiva equilibrada. Saber colocar limites. Ter força e impetuosidade para conquistar meus objetivos. Ter estratégia, planejamento, foco. Saber ser líder. Destacar-me no que realizo.

Pois é… todo o trabalho realizado na vivência está bem fresco em minha memória. E serve para eu refletir. Até quando irei deixar que estas imagens fantasiosas que criei na minha infância dominem a minha masculinidade? Deixando-me um eterno menino, incapaz de usar em totalidade todo o poder, conhecimento, sabedoria e experiência que adquiri em quase cinquenta anos de idade?

O ego humano é um eterno semeador de dor e sofrimento. Olha o ruim nos outros, na vida humana e na própria pessoa, para ter o direito a existir. Existir separado dos outros. Pois assim foi ensinado. Eu aqui, o mundo lá fora. Incapaz de ver que somos todos um, verdadeiramente, julgamos e condenamos.

Meu pai, meu avô e eu somos uma coisa só. O louco, omisso, alcoólatra, irresponsável, sou eu. O inteligente, criativo, idealista, cuidador, também sou eu. O homem fraco sou eu. E o homem forte sou eu também. Sem razões para guerrear contra meu pai e a linhagem masculina da minha família, posso deixar as armas caírem ao chão. E usar a minha força do meu jeito. Para minha vida.

 

 

Adeus macho-alfa, bem-vindo macho-beta!

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“Como característica principal do macho-alfa, em uma esfera mais leiga, é um homem que atrai a atenção de todas as mulheres por sua alta capacidade de dominar os ambientes, mas ele também dispõe de esperteza e determinação suficientes para se juntar a grupos masculinos – daí ser interessante considera-lo também no âmbito dos relacionamentos. E é aqui que surge um dado interessante de se pensar dentro do novo cenário contemporâneo: antes festejado quase como um deus a viver no olimpo da sociedade, o que se descobriu, desde a entrada em cena do novo homem e da nova mulher, é que ser um macho-alfa não é mais sinônimo de sucesso garantido – nem no trabalho, nem na vida amorosa. E tudo porque há outro forte candidato ao posto: o “macho-beta”.

O macho-beta surge dentro de um cenário que não exige mais dos homens a mesma seriedade, perfeição, autossuficiência e rigidez. E assim ele se define como um homem que não faz questão de ficar em evidência, nem de provar sua autoridade o tempo todo; ele tampouco tem medo de mostrar suas emoções e não se importa em dividir tarefas. É justamente por causa dessas qualidades que o chamado macho-beta está se tornando o preferido por boa parte das mulheres, a qual busca um companheiro mais sensível, alguém que inclusive privilegie e participe do convívio familiar, ao contrário do homem que antes colocava a conquista de poder, dinheiro e mulheres acima de tudo e de todos. O dado é curioso porque o termo “beta”, em seu aspecto negativo, paradoxalmente serve também para denominar o homem que não interessa tanto, pois designa um homem submisso, fácil, desesperado, inseguro, previsível, e, principalmente, sem atitude.

Assim como acontece com os homens, essa inversão de preferências, para as mulheres, também tem se mostrado verdadeira, uma vez que os homens há tempos preferem a “mulher-beta” a uma “alfa” dominadora – lembrando que o termo “alfa”, no caso delas, também indica uma mulher bem-sucedida, independente e focada na conquista do poder. São as adeptas do “eu posso, eu serei e eu terei”, postura que lhes dá a convicção de que chegarão ao lugar em que o deseja delas está.

Mas para mostrar, porém, que até mesmo essas classificações são redutoras ao tentar captar a complexidade da natureza humana, chamo a atenção para a capacidade que homens e mulheres têm de incorporar uma e outra qualidade, mudando de alfa para beta e vice-versa, dependendo da situação. Eu mesmo já acompanhei esse movimento em pessoas que conseguem ter consciência de seus objetivos e limites, algo que obtiveram depois de aprender a se conhecer, para em seguida conhecer o outro.”

Luiz Cuschnir – Ainda Vale a Pena (Cultivar para manter os vínculos de amor)

(Diamante Bruto – O Poder do Sagrado Masculino, em São Paulo e Brasília – clique aqui e saiba mais)

Um homem decepcionado com o pai

culpa de ser homem

Ontem iniciamos mais uma etapa do projeto Diamante Bruto, círculo do sagrado masculino, desta vez em Brasília. Um encontro de “brothers”, muito bom para alguém que, até então, trabalhava em geral com mulheres ou grupos mistos formados na maioria, por mulheres. Uma das diferenças gritantes que senti é na minha atuação dentro do grupo. Quando há mulheres, querendo ou não, adoto uma postura de alguma forma sedutora: seja pelo conhecimento, pela graça ou delicadeza, lá está eu “cantando de galo”… no fundo, querendo mostrar que eu sou um macho adequado para acasalar. O velho instinto primitivo em ação.

Já no meio de homens, que alívio. Posso ser eu! Não me sinto competindo com os homens, até porque não há nenhuma mulher no meio para ser disputada. Falamos sobre sexo, comportamento, relacionamentos, perdas, ganhos, relação com filhos, relação com a nossa libido insaciável, cuidados com casa, jardim, arte, sensibilidade… Podemos mostrar até o nosso lado feminino… no meio de homens.

Luiz Cushnir, em Homens Sem Máscaras, diz que, após a revolução feminista, houve uma grande mudança no comportamento dos homens: “O homem está, agora, décadas depois, encarando o caminho inverso: sair da rua, entrar em casa e até mergulhar nas profundezas de si mesmo. Ele está tentando se liberar do estigma de ser sempre – e tão-somente – o profissional, papel que praticamente abafa sua identidade pessoal mais ampla. Às vezes até sua criatividade e sensibilidade. Muitos homens, com a intenção de atender às transformações sociais decorrentes das reivindicações feministas, confundiram aspectos sociais de fortalecimento de sua identidade masculina. Ao perceber que não eram bem-vindos quando desejavam expor seus sentimentos e/ou envolverem-se emocionalmente com a família, recolheram-se, quase plagiando a condição feminina anterior. Perderam, assim, características aguçadas e penetrantes que eram parte essencial de sua condição de homens. Foram ficando quietos. Não pelo poder absoluto do silêncio (fico quieto, faço cara de bravo e o pessoal fica com medo) mas literalmente deixando o barco correr, ao léu”.

Felizmente, no meio de homens, este recolhimento deixa de ser necessário, e podemos expor nossos conflitos, medos, dores, sensação de incompreensão, vitórias, esquisitices. Amostras de masculino totalmente diferentes, umas das outras, mas no fundo, mostrando partes do homem que todos somos: o tímido, o charmoso, o forte, o calado, o alegre, o eficiente, o “menino bonzinho”, o problemático, o confrontador, o “comedor”, o atleta, o poeta, o homem feninino… Tantos homens… todos, de alguma forma, doloridos…

Falta da referência masculina. Falta de papai

Somos frutos de uma geração de pais ausentes, onde o papel de provedor já deixou de ser exclusividade do mundo masculino. Pais que trabalhavam demais, e deixavam a tarefa do cuidar e educar os filhos com as mães. Ou pais que traíam demais, e da mesma forma, deixavam os filhos com as mães. Em alguns casos, pais morriam cedo, largando a mãe… e os filhos para a vida. E dessa forma, quem ensinava aos filhos homens o que é ser homem, era… a mãe – uma mulher profundamente marcada pela ausência do masculino! Mãe muitas vezes com ódio, ou desprezo pelo pai – porque ele traiu, porque ele escolheu outra mulher, porque ele bebia demais, porque não trazia dinheiro em casa, porque não dava um ombro amigo quando ela estava frágil, porque não conversava e não queria ouvir…

Estes meninos crescem, e sem perceber, carregam uma aversão ao próprio pai. Não importando as razões, que podem ser inúmeras e dolorosas para toda a família, o que um menino gostaria de manter é a imagem do pai herói, forte, alegre, atuante… e esta imagem é quebrada. Ao tornar-se adulto, inconscientemente, temos um homem com culpa de ser homem. Que tudo faz, ou para reafirmar que é um homem digno de confiança (coisa que papai não foi, neste imaginário inconsciente) ou já “chuta o pau da barraca”, aperta o botão do “dane-se” e sai por aí usando e confrontando as mulheres, numa espécie de vingança contra as “mães” que castraram o masculino deles. Mas ainda sem acolher o “pai” dentro de si. O homem que ele é. No fundo, ele também confronta o “pai”, como foi ensinado pela “mãe”.

Qual o sentimento que você tem, homem, quando se pensa no papai?

Numa roda de masculino, todos são iguais. Cada um vai se reconhecendo nas histórias dos outros, e tira suas próprias conclusões. Pessoalmente, o que me ficou gritante neste último encontro, é o sentimento de tristeza que sinto em relação ao meu pai. A minha forma de “confrontar” o que meu pai foi é a desaprovação e decepção, e não exatamente a raiva. Em muitos momentos percebi raiva em relação às coisas que meu pai fez: bebeu demais, nunca pagou as despesas dos seus diversos filhos, nos usou para seus interesses, mentiu, algumas vezes era agressivo, enchia o saco e ainda queria mostrar “as verdades da vida”, conversava pouco e não expunha seus sentimentos, etc., etc. Talvez ainda tenha raiva inconsciente… mas neste momento, o sentimento é de profunda tristeza. Como eu queria poder ver o meu pai como forte, e a imagem que vem é de fraqueza, doença, vício e fracasso financeiro. Como eu queria sentir que meu pai foi feliz na vida, mas só me lembro da sua raiva, incompreensão, revolta contra os próprios pais, o governo, a sociedade, os empregadores… Como eu queria me sentir protegido por ele, mas ele nunca esteve presente.

Percebo em mim a tendência de repetir alguns aspectos da vida de papai em mim: dificuldade nos relacionamentos, problemas financeiros e vícios. Aprendo na constelação familiar que carregamos os pesos dos pais, numa espécie de “honra ao sofrimento” deles. Uma criança triste dentro de mim está dizendo: “papai, eu sofro como você. Por favor, me ame!” Mas ele não vê. Não está aqui. Até porque morreu com 60 anos de idade, destruído pelo câncer e pela vida desequilibrada. Além de tudo, esta voz que sente falta de papai, dentro de mim, é muito infantil. Será que é dos meus um ou dois anos de idade, quando papai já estava com a outra mulher? Ou é a voz da mamãe, quando eu ainda estava na barriga dela, dizendo: “volta, Ari! Eu não suporto viver sem você!”

Há que se ter coragem de olhar para esta tristeza que me corrói. Com muito esforço, já consegui vencer inúmeros padrões difíceis, e posso dizer que meu relacionamento atual, minha vida profissional e minha saúde física se encontram em um bom caminho… Quero honrar papai, com gratidão, entendendo que ele me colocou no mundo, e o resto eu faço. Mas talvez, antes de encontrar este pai forte, dentro de mim, preciso, pela primeira vez na minha vida, encarar a tristeza que sinto em relação ao meu pai…

Vejo que “sentir” ainda é um grande problema aos homens em geral. A tendência é contar histórias. Explicar o porquê disso e daquilo. Lembrar de fatos do passado. Justificar. Porém, “sentir as emoções” com consciência, sem deixar o vitimismo ou a raiva indevida tomar conta, e ao mesmo tempo sem afastar as péssimas sensações que as dores emocionais trazem é o desafio. Vou sentir minha tristeza. E convido os homens para, verdadeiramente, permitir “sentir” no corpo tudo o que o papai significa em seu interior. Principalmente de doloroso. Porque depois disso, em algum momento, a dor se dissipa, naturalmente, e as coisas positivas dele se mostrarão.