Falando de dinheiro em casal

falando de dinheiro em casal

 

Certa vez, estava lendo o ótimo livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, de Gustavo Cerbasi, e ficou muito claro para mim a necessidade de criar uma comunicação saudável entre ambos os parceiros, pois existe uma coisa muito óbvia: é preciso falar do dinheiro, planejar, ver o que é utilizado para os sonhos de cada um e para o sonho do casal, como administrar, como gastar, onde investir… Dá pra fazer isso sem diálogo, sem transparência? Não!

E veja que incoerência! Justamente eu, um cara que se acha tão esclarecido e “terapeutizado”, não falava sobre dinheiro com minha esposa. Fazia meus controles, meus investimentos, mas ela não tinha a menor noção de quanto eu ganhava, onde eu aplicava, enfim, a transparência mínima necessária para começar a conversa sobre finanças. E por que será que é tão difícil falarmos de dinheiro abertamente para a pessoa que está ao lado? Este é um aspecto que gostaria de elaborar um pouco.

Eu não confio nele(a)

Carregamos em nós memórias de padrões dos nossos pais, avós, bisavós. E na minha prática de constelação familiar, vejo o quanto que estas memórias estão impregnadas de enganação, perdas, descasos, opressão, mau uso do dinheiro, e assim por diante. Por exemplo: Quantos pais e mães deixaram de cumprir suas funções de provedor, no passado? Quantos filhos bastardos não tiveram direito a nada? Nem as respectivas mães? Quantas brigas, por causa de dinheiro, demoliram a convivência do casal? Isso e muitos outros fatores, sem que saibamos conscientemente, estão afetando a nossa forma de se comportar em relação às finanças.

Investigue um pouco:

  • Quem era o provedor, na sua família?
  • Como eram discutidas (ou não) a forma de se gastar, de se poupar, de se organizar?
  • Quem ganhava menos (ou não ganhava) tinha direito a colocar seus sonhos, suas vontades?
  • Havia carência? Ou esbanjamento?
  • O dinheiro era utilizado para comprar o carinho, a fidelidade?
  • Houve conflitos relacionado a partilhas, heranças, benefícios?
  • Alguém quebrou ou passou por sérias crises financeiras?
  • Mesmo que irreal, existia (ou existe) o medo da escassez, da falta, de “passar fome” e/ou de “morar debaixo da ponte”?
  • Como foram suas relações afetivas: quem bancava as contas? Como foram as separações das obrigações?
  • Você enganou ou sentiu-se enganado nas relações – no aspecto do dinheiro?

Estas perguntas podem ajudar você a entender alguns aspectos internos da sua relação com o dinheiro, e consequentemente, da sua relação com seu parceiro(a) no quesito finanças. É importante não ser infantil: toda relação afetiva envolve outras coisas, além do amor. Principalmente, nossa psique tão machucada por dores, abandonos, descasos e enganações do passado, busca no outro segurança material e emocional, em primeiro lugar. É a base da pirâmide: sem esta segurança, o sucesso dos planos de casal é inviável.

 

Aprender a revelar-se

Ter dificuldades com o dinheiro, medos e padrões financeiros ineficazes não é demérito para ninguém. Aprendemos com a nossa família, com os padrões herdados e com a nossa experiência de vida. E se você já saiu da imagem do príncipe ou princesa em busca de uma relação de conto de fadas (e olha que muitos ainda estão procurando isso!), deve entender que uma relação afetiva inclui revelar o seu lado Shrek e Fiona, que todos temos, o universo todo sabe disso, o cara ao seu lado também, e continuamos a fingir não ter.

Num sentido sistêmico, nos sentimos atraídos por um parceiro afetivo para que o Amor possa se manifestar nesta relação, e frutificar em benefícios ao mundo. O Amor sempre gera frutos! Podem ser filhos, projetos, prosperidade, serviços… Mas é lógico que, por termos dentro de nós traumas que trazem desconfiança, teremos que aprender a desarmar nossas defesas, a confiar de forma inteligente e metódica, a ir gradualmente despindo a fantasia de príncipe para mostrar nossas verdadeiras faces ao outro.

Vivemos um tempo que pede, com urgência, esta revelação! A verdade imperando dentro do lar, dentro das relações, dentro da família… Pelo menos, se você está cansado de dar murros em ponta de faca, quer dizer, entrar e sair de relações onde se sente ferido, ou estar fechado ao outro (mesmo estando numa relação), deve pagar o preço do Amor: entender que é você que carrega medos, traumas, bloqueios, e por não confiar… não se abre… e acaba encontrando alguém que irá corresponder a este seu padrão.

Imagine como seria dizer:

  • Eu me sinto mal de não ganhar tanto quanto você
  • A sua forma de arcar com as despesas me faz sentir inferiorizado
  • Eu uso o dinheiro para ter poder sobre você
  • Gostaria de poder usar parte do dinheiro para sonhos meus, pessoais
  • Estou pagando as contas da minha família anterior
  • Me incomoda o fato de você gastar mais com sua família do que conosco
  • Vejo, na herança que vamos receber, uma possibilidade de salvar nossa situação financeira
  • Tenho medo de ir atrás do dinheiro e não confio no meu poder
  • Estou totalmente descontrolado financeiramente – você pode me ajudar?
  • Estou de saco cheio do meu trabalho, mas não saio porque ele é nossa segurança
  • Morro de medo da miséria! Mesmo sem sentido…

Pergunte-se: qual a revelação eu nunca fiz para um parceiro afetivo? Mesmo que você não fale, explicitamente, como seria imaginar dizendo isso? Dizemos a nós mesmos que um dos valores que mais prezamos é a verdade. E ficamos muito putos quando nos sentimos traídos. Mas num sentido profundo, eu digo: as nossas “verdades” não ditas na relação afetiva é uma traição, e a não exposição delas, são formas camufladas de mentir.

Convoque uma DR (discussão de relação) financeira

Se existir clima, sem forçar, pense seriamente em convocar DRs financeiras periodicamente. Existem inúmeras situações que precisam ser abertas, esclarecidas. Casais que convivem com desequilíbrios profundos, que vão minando qualquer possibilidade de confiança e manifestação de amor, poderiam ver a situação se resolver simplesmente conversando. Por exemplo: quantas pessoas se sentem exploradas pelo outro? Quantos parceiros se sentem humilhados por não poder colaborar da forma como gostariam na vida do casal? Quanto desperdício de dinheiro em coisas supérfluas, vícios, desvios?

Tudo isso pode (e deve!) ser olhado de frente. Somos humanos, e um parceiro afetivo verdadeiramente envolvido para o crescimento da relação, saberá lidar com todos os desvios, em prol do desenvolvimento conjunto. O amor pode se manifestar na verdade. Ou melhor: o amor pode se manifestar na verdade. Por isso, encare a sua verdade, e mãos à obra! Abaixo, vou deixar algumas regrinhas básicas, que podem orientar a sua DR financeira. Elas são extremamente importantes:

– fale sempre de você. “Eu me sinto fracassado, quando vejo você trabalhando, e eu desempregado!” Evite, terminantemente, apontar o dedo e dizer coisas assim: “Você me humilha com o seu jeito provedor!”;

– conte dos padrões financeiros que acompanham a sua vida, desde a infância, passando pela adolescência, primeiros trabalhos, como lidou com o dinheiro nas relações afetivas;

– fale dos seus sonhos pessoais – o que faria somente para si, com o dinheiro?;

– imagine também os sonhos de casal – o que seria, para você, um bom uso do dinheiro para planos conjuntos?

– revele o quanto você ganha, onde você gasta, como economiza (ou não);

– fale de suas dificuldades e como está disposto a superá-las (se é que está… e se não está, seja sincero);

– você poderá falar do que incomoda no outro, mas sempre dizendo: “isso que você faz me deixa… (triste, raivoso, frustrado, ausente, etc.)”

– e agora… ouça tudo do outro, sem interferir…

Lembrando: o outro precisa estar realmente disposto a conversar. Não force. Se você percebe que não rola, aguarde o tempo que for necessário, para que a confiança possa surgir. Ou talvez, a urgência do papo se manifeste. E se não for possível realizar isso somente em casal, busque o auxílio de um especialista, que fará a mediação. É importante entender, que às vezes, antes de harmonizar, algumas sujeiras que estavam embaixo do tapete vem a tona, e poderá haver uma fase de turbulência. Lidar com a verdade é algo bem difícil, e precisamos, em nome do Amor, respeitar o tempo do outro.

Entenda, definitivamente: encontramos uma relação afetiva para nos ajudar a manifestar o Amor. E uma das formas que o Amor atua é nos auxiliando a olhar em que ponto específico nós estamos fechados para Ele. Portanto, se seu parceiro te provoca, ele está mostrando exatamente o ponto onde você ainda não desenvolveu compaixão, flexibilidade, inteligência emocional. Assim, respeite o tempo! Tanto o dele, quanto o seu! Quando você aprender a sua parte, o caminho para o Amor estará desimpedido…

Alex Possato

Sucesso para Empreender a Si Mesmo

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Gente! Eu e Luciana Cerqueira estaremos trabalhando, meditando, constelando o “sucesso no empreendimento”! Trazemos uma abordagem bem interessante: o sucesso depende da união da sua energia masculina (pai) com a feminina (mãe). Por exemplo, é necessário planejar, executar, se aliar, comunicar.. ações “para fora”, masculinas… Mas é precisa intuir, aguardar, nutrir, proteger, esperar o tempo do crescimento, respeitar ciclos… energia “bem feminina”… A partir deste ponto, investigaremos como estão as habilidades masculinas e femininas em nossas vidas. E por tabela, como está a relação interior com nossa mãe e nosso pai… Serão muitas vivências, dinâmicas, constelações, papos e partilhas!

O foco deste trabalho é para você, empreendedor, autônomo ou quem está querendo seguir para este lugar do “patrão de si mesmo”!

O barco rumo ao sucesso está partindo! Está pronto(a)? Vamos nessa?

Será aqui em Sampa, dias 30, 31 de março e 1 de abril, no Espaço Elementos, Vila Mariana

Mais informações e inscrição: https://alexpossato.com/sucesso-para-empreender-a-si-mesmo/

Crianças carentes no mundo dos negócios

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Muitas vezes, partimos pelo mundo dos negócios ou do trabalho autônomo como crianças carentes. Nosso “eu pequeno e ferido” fica apegado ao reconhecimento, à necessidade de valorização, de ser aprovado, seja pelos nossos clientes, nossos funcionários, companheiros de trabalho, parceiros, mas como a parte que está comandando nossos atos é uma criança carente, mais cedo ou mais tarde iremos nos defrontar com a carência, a falta de reconhecimento e valorização. Esta é a lei psíquica que diz: atraímos aquilo que vibramos.

Solução? Olhar para a criança carente dentro de si. Esta criança está tentando provar algo aos pais ou àqueles que a criaram. Em geral não se sentiram reconhecidas, validadas, valorizadas… passaram por traumas profundos ou pequenos traumas diários, que resulta no mesmo: um ser assustado, revoltado, medroso, confrontador, que tudo faz para provar para “alguém” que vale a pena, que é um ser que merece respeito…

Mas este “alguém” é um fantasma. Que habita o inconsciente há décadas. Nunca seremos validados por “eles”. Essa história já passou faz tempo!

Se você é uma pessoa que percebe repetir fracassos nos seus projetos, pergunte-se: qual é a verdadeira motivação que me move? A quem estou querendo provar o meu valor? Qual é a dor da minha criança que não soube integrar? O que não aceito na minha história passada?

Conheço isso. Perdi tudo o que tinha. Movido por uma revolta infantil, num corpo de adulto. E tive que olhar seriamente para o meu psicológico. Reconhecer que fui eu o responsável pelas consequências dos meus atos. Uma criança revoltada e carente, querendo empreender. E tudo bem. Porque aprendi através das birras, das negações, da preguiça, da falta de foco, do uso indevido do dinheiro. Graças a isso, comecei a crescer… olhar para o passado e ver que meus pais deram verdadeiramente o que era importante para mim. E que eu teria que curar minhas próprias dores, mas com um olhar de respeito e reverência em relação a eles. E que precisava andar pelas minhas próprias pernas. Deixar meus pais e seguir meu próprio caminho. Como adulto… E fazer do meu sucesso, o sucesso deles… afinal, o que os pais mais desejam, no íntimo, é ver os filhos se darem bem na vida. Não é isso?

 

Como os sentimentos escondidos dos pais influenciam a vida profissional e financeira dos descendentes (vídeo)

 

Alex Possato conta como a trajetória frustrada do seu pai influenciou a própria vida. Seu pai  iniciou na carreira profissional de jornalista com sucesso precoce, mas gradativamente foi decaindo de patamar, e finalizou sua vida sem patrimônio, sem realização, sem saúde e dependente. Este padrão de frustração também foi vivenciado pelo avô paterno, que de formas diferentes, viu seu extremo talento para muitos caminhos não se concretizar em sucesso e reconhecimento.

Como descendente desta linhagem masculina frustrada e fracassada, Alex, desde muito jovem trabalhou, mas não encontrava o caminho profissional; tudo que fazia ia até um ponto e caía…  A partir de processos terapêuticos e trabalhos de coaching, e principalmente através da constelação familiar sistêmica, entrou em contato com a repetição do padrão doloroso de não se realizar, não se sentir um homem pleno, um homem que não pode cumprir seus compromissos, com vergonha de si e dificuldade de encarar esposa e filhos. Finalmente, a terapia auxiliou a lidar com esta vergonha, ficar em paz com o fracasso e modificar o padrão. Desta forma, naturalmente um caminho novo e próspero começou a se delinear.

[https://www.youtube.com/edit?o=U&video_id=AMOGnLTzrHo]

Confiança, meditação e a instabilidade financeira

caminhos-prosperos

 

– Estamos em crise. As vendas caíram muito! Mas vai dar tudo certo! – disse-me o cliente de constelação sistêmica, enquanto conversávamos sobre as razões da sua ansiedade.

Sou – ou melhor, estou – também uma pessoa ansiosa, e ainda não aprendi a lidar de forma tranquila com as oscilações do fluxo de entrada e saída que todo autônomo passa. Fiz a lição de casa alguns anos atrás, quando, mergulhado em dívidas, tive que olhar com muita seriedade para o descontrole financeiro, gastos acima dos ganhos e dificuldades de projetar conscientemente o meu crescimento profissional. Deixei o vermelho há tempos, porém, sempre que vejo que os ganhos, em algum momento, não estão dentro das expectativas, isso me pega. Chego a entrar em angústia, mesmo sabendo que não há a menor razão para isso, pois hoje tenho as contas muito bem equilibradas.

De onde vem esta angústia? Com certeza, de traumas do passado, sejam traumas meus ou dos meus familiares, onde a falta de dinheiro, a escassez, provocou dores profundas. Sei disso. Sou terapeuta e trabalho com esses conceitos o tempo todo. Mas o saber não vale nada. Não cura. O que, então, cura?

O mergulhar profundamente no medo da escassez. Vivenciar, conscientemente, a angústia da carência financeira existir. Permitir que meu coração dispare. Que minha mente louca diga: você vai morrer de fome! Não irá conseguir pagar suas contas! Não conseguirá construir um patrimônio! Não adianta tentar: no final, você perderá tudo!

Sim, minha mente é alucinada. Nesta área. E mesmo não havendo a menor razão para o pânico, ela dispara o alarme, sempre que dois ou três clientes não comparecem ao atendimento. Sempre que existe o indício de falta de dinheiro.

Como deixar brotar a confiança neste sólido árido? Aprendendo a sustentar o desconforto. Minha mente consciente sabe que não são reais as razões para a angústia. Não existe um fator verdadeiro para esse medo. Então, peço somente firmeza para passar pela tempestade. Que pode durar minutos, horas, dias. Mas passa.

O que faz a angústia permanecer, gerando invariavelmente situações futuras de dificuldades financeiras, é o medo de enfrenta-la. É preciso desmascarar este “monstro da carência”, que fará de tudo para provar ser verdadeiro. Ele quer que eu acredite: sou carente. Sou derrotado. Sou miserável. Atrás da tentativa ensandecida deste fantasma em destruir-me, existe uma dor profunda. Por isso, não devo tentar eliminá-lo, massacrá-lo… mas sim… amá-lo. Amar este monstro carente. Permitir que ele expresse essa dor. Entendendo que eu não sou ele. E não deixando que ele domine minhas ações, meus comportamentos.

Como esse monstro me domina? Fazendo com que eu deixe de controlar meus gastos. Ou gaste demais. Deixe de planejar. Caia no canto da sereia e faça parcerias que minha razão sabe muito bem que não darão certo. Que entre em investimentos fajutos. Trabalhe sem parar, como um louco, sem tempo para perceber o mundo em minha volta. Impedindo meus momentos de prazer. Fazendo eu emprestar ou dar aquilo que não tenho. Despertando minha cobiça e ânsia por compras. Não deixando eu cobrar o valor correto pelos meus serviços.

Não entrar nestes e em outros condicionamentos só é possível em silêncio. Meditação. Para que eu possa perceber claramente quem sou eu e quem são os monstros que me habitam. É fundamental desacelerar. Não há como separar o joio do trigo se estou correndo numa esteira de academia, com a orelha em uma música qualquer, os olhos na telinha da TV à frente e as mãos ocupadas, segurando algo. O ser humano, em tranquilidade, naturalmente descobrirá os caminhos prósperos que o estão chamando, a cada instante. Estes caminhos são sussurrados, quando paramos para ouvir. Serenamos a mente. Desligamos as mídias sociais. Nos recolhemos da família. Sentamos, em silêncio. É o que vou fazer agora. Sentar em silêncio. Meditar. Quer me acompanhar?

Que a confiança possa brotar em meu coração, suavemente. Que a confiança possa brotar em nosso coração, suavemente.

Alex Possato

Bendito fundo do poço

fundo do poço

No meu computador, rolando um Led Zeppelin… acabando de retornar da aula de yoga… um friozinho gostoso em Sampa…

Recebo hoje a feliz notícia do meu amigo Newton Lakota, de Brasília, que o grupo que facilitarei juntamente com Luciana Cerqueira, em Alto Paraíso, está praticamente fechado.

Logo me vem a memória: em 2012 as coisas não estavam nada bem. Uma dívida de mais de duzentos mil reais no banco, cartão de crédito estourado, conta corrente bloqueada, nome no Serasa e SPC… Os movimentos do meu trabalho incertos, minha autoconfiança lá no chão. Mas havia algo que me sustentou: a minha fé, a minha iniciação espiritual… e toda a experiência, a enorme experiência que adquiri ao tocar uma empresa durante anos a fio, sem lucro, carregando um piano de cauda enorme nas costas. Criei calo, aprendi a negociar, a entrar em contato com fornecedores, a contratar, a demitir, a perder. Ao mesmo tempo em que a vida me desafiava a cada dia na sobrevivência, os resultados iam, gradativamente, me dobrando.

Precisei ir ao fundo do poço, perder absolutamente tudo – a empresa, a casa, muitos bens, o casamento, o orgulho, para entender uma lição básica sobre prosperidade: a prosperidade está a disposição daqueles que sabem lidar com ela respeitosamente, como um serviçal, promovendo o crescimento de outros, ao mesmo tempo em que utiliza o dinheiro com desapego e humildade. Mas reverência.

Sempre agi como uma criança mimada, achando que Deus deveria olhar para minhas dores financeiras, afinal, eu era (me achava) uma pessoa boa, honrada, cumpridora das minhas responsabilidades sociais e espirituais. Não percebia o quanto de arrogância havia nesta cobrança interna. Certa vez, um fornecedor evangélico da minha empresa disse: há que se temer Deus. Cheio de preconceitos, entendi o que ele disse como uma distorção, afinal, para mim, Deus é paz, amor, plenitude, bondade absoluta.

Tardiamente, porém, percebi de outra forma: a partir do meu ego arrogante, era importante temer a Deus. Pois ele iria punir minha arrogância. Entendo que, pela lei da ação e reação, da mesma forma que eu dava mediocridade, orgulho, medo, avareza e vitimismo ao mundo, o universo me retribuía, com perdas financeiras.

Uma poesia do poeta persa Rumi, diz: “há centenas de maneiras de ajoelhar e beijar o chão”. Provei uma delas: ser jogado ao chão, dobrado, rendido. E hoje digo: graças a Deus! Não me vejo muito melhor, nem muito menos arrogante que antes, mas uma lição ficou clara – estou a serviço do universo, em primeiro lugar. Validando-me ou não, tenho algo a dar, e ao dar, a prosperidade se mostra. Era necessário ocupar o meu lugar, servir através do meu trabalho, e antes eu queria que o trabalho servisse aos meus propósitos de enriquecimento. Vindo de uma família pobre e comunista, filho de um pai anarquista, mãe sempre com dívidas, vivi com pessoas que sempre olharam para o dinheiro com desprezo, dor, luta. Cresci ouvindo que o trabalho era a exploração do sistema capitalista sobre o proletariado. Desconstruir minhas crenças e emoções sobre dinheiro, trabalho, riqueza… precisou anos. E muitas quedas. Acabei repetindo o que aprendi: dívidas, desprezo ao dinheiro, visão distorcida sobre o labor, inveja dos ricos.

Hoje vejo o trabalho como um dos caminhos mais bonitos para a espiritualidade. É no trabalho que encontro os milagres divinos acontecendo. Consigo olhar para a beleza das pessoas, onde antes, minha mente julgava feiura. O trabalho proporciona sorrisos, curas, lágrimas de redenção. Provoca-me o tempo todo a sair do meu lugar de “agente” e colocar-me no lugar de “instrumento”. Destrói minhas ideias mais arraigadas, para demonstrar que, no fundo, tudo é amor. Mói, desmonta, pulveriza meu ego, e às vezes, até vislumbres do ser imortal que me habita me é permitido vivenciar. Nada disso teria ocorrido sem o fundo o poço. Bendito fundo do poço! Não sei se ainda lido bem com a prosperidade. Nem o quanto realmente estou em paz com o dinheiro. Mas fato é que muita coisa mudou. E somente por hoje, agradeço!

 

Se o problema é financeiro, dê dinheiro

de dinheiro

Ontem, uma amiga disse: uma querida depositou um dinheiro na minha conta. Puxa, fico sem jeito, nem sei como retribuir. Até porque ela não precisa, e não iria aceitar.

Pensei um pouco, e me veio: quando você puder, dê a alguém. Nem sempre precisamos retribuir diretamente à pessoa que nos auxiliou. Deus provê de diversas formas, e se pudéssemos ver o mundo e as pessoas como uma rede, entenderíamos que o “dar e receber” nem sempre é direto. Recebemos de um, damos a outro… está tudo certo.

Isso me fez parar para pensar na minha vida. Desde jovem, envolvido em pequenas enrascadas financeiras, minha mãe patrocinou muitas das minhas despesas… e pagou muitas das minhas dívidas. Antes disso, meus avós paternos proveram totalmente a minha vida, durante 8 anos. Na juventude, minha tia e minha mãe auxiliaram no pagamento da faculdade. Minha ex-esposa utilizou o dinheiro da sua herança para injetar fôlego na empresa que nós abrimos… e quebrou… Pouco tempo atrás, uma amiga, ao saber que eu estava numa situação apertada, emprestou um valor, sem perguntar quando, nem como eu poderia pagar. Quando me vi mal, usei também os recursos do banco, e apesar dos juros surreais, sempre me auxiliaram nos momentos de aperto. Se descontrolei, a culpa não foi do Banco, nem da minha mãe, ou do meu pai boêmio, nem da minha ex-esposa, como sempre quis acreditar, mas de mim mesmo, que tinha muita dificuldade em organizar o fluxo financeiro.

Se tenho gratidão pelo que recebi, tenho boa vontade em dar… e investir para multiplicar!

Vou ser franco: dinheiro sempre foi o meu problema. Não sabia controlar, não sabia gastar, não sabia dar. Posso dizer que uma parte de mim é muito mesquinho. Avarento. Sou capaz de me dar profissionalmente, como amigo, de diversas formas… mas dar em forma de dinheiro, sempre foi muito difícil. Muito difícil.

Minha mãe certa vez me disse: se o problema é financeiro, dê dinheiro. E eu, embora não tenha conseguido seguir o conselho na época, mais para frente, quando me vi apertado (fato tão recorrente em minha vida), comecei a fazer doações. Não importa para quem: meu caminho espiritual. A Igreja Católica. Amigos… De alguma forma, a quantidade de dinheiro que passava por mim começou a aumentar. E assim, eu podia continuar a dar. Colocar algumas pessoas para auxiliar em coisas que eu já não podia fazer, por falta de tempo. Pagar comissões para amigos organizarem meus trabalhos. E embora parecesse que eu estava tirando do meu próprio bolso para pagar aos outros, comecei a perceber que não. O fluxo aumentava, e sobrava sempre para eu poder reinvestir em coisas que achava necessário.

O dinheiro vem de outro lugar: uma época, veio dos meus avós, depois, da minha mãe, da minha tia. Da ex-esposa. Depois, dos amigos. Do banco. Hoje, dos clientes. Dos alunos que atendo. Mas na minha concepção, na verdade, na verdade, vem de Deus. Vem do Universo. Porque existe um caminho invisível, que faz as pessoas me encontrarem, acharem o meu trabalho. Existe um mecanismo que faz com que o dinheiro seja depositado em minha conta. Quem controla este mecanismo? Quem sabe o momento em que realmente preciso? Como alguém pode saber que farei bom uso do dinheiro, e que cuidarei com respeito dele?

Bem… fato é que eu não sabia receber. Não tinha real gratidão pelo dinheirinho suado dos meus avós que pagava minhas roupas (muitas delas eu reclamava por não serem da moda), meus livros, meus sapatos. Chantageava minha mãe, pedindo dinheiro emprestado para nunca devolver. Pegava dinheiro do banco com ódio contra “estes porcos capitalistas” que exploram a minoria. Tinha tanto problema com dinheiro que era mais fácil me desfazer dele, não controla-lo, jogá-lo fora… ficar sempre no vermelho.

Até que cansei-me da miséria. Miséria espiritual, diga-se de passagem. Refletida na minha conta bancária devedora. No nome sujo no SPC e Serasa. Percebi este ser tosco, apegado, invejoso, rancoroso, que via no dinheiro algo nojento, problemático, e nas pessoas que o possuíam como seres “do mal”. Embora eu quisesse sempre estar “do lado de lá”…

Começo a entender que não existe “lado de lá” nem “lado de cá”. Nem o dinheiro é negativo ou positivo. Existe o coração aberto ao fluxo da prosperidade, ou não. E existe a mente consciente capaz de controlar, organizar e cuidar das finanças ou não. Vejo hoje que a prosperidade tem a ver com estes dois fatores: coração aberto e mente organizada. Não adianta eu estar aberto para receber um bilhão de reais, se não sei organizar duzentos. Como posso cuidar de milhares de cabeças de gado, se olho para o pasto e nem tenho noção de quantas cabeças de gado tenho? Qual o meu gasto com estas cabeças de gado? Quanto elas valem? Quantas preciso vender mensalmente?

E da mesma maneira, não adianta ter uma mente organizada, se meu coração está fechado.  Se não estou pronto para servir ao próximo. Se não sei me doar. Se não sei usar o dinheiro de forma amorosa, cuidadosa.

Sugiro ao leitor que, se de alguma forma, você se sente provocado por este texto, faça um exercício de gratidão. Escreva todos os momentos em que você recebeu benefícios financeiros, desde criança. Por menor que tenham sido. Desde a roupa que você usava, até a mesada mensal, se é que você teve. Desde o fato de ter um pão para comer, até o dinheiro para aquela viagem para a praia. O dinheiro que veio do namorado, da esposa. O lucro na venda do carro. Aquela herança que surgiu. O FGTS liberado num momento necessário. O seguro desemprego. O empréstimo do amigo. O uso do cheque especial. Agradeça tudo. Tenha vindo de alguém que você tem carinho, ou tenha vindo do governo ou da instituição financeira. Escreva, escreva tudo. E agradeça. Entenda que por detrás disso tudo, existe um comando maior. Que provê sua vida, no momento em que você mais precisa. E se possível, faça um pacto: vou usar cada centavo que passar pelas minhas mãos com amorosidade, respeito e liberdade. Usarei cada centavo em nome do crescimento. Do benefício ao próximo. Com inteligência, controle, e coração aberto. Trabalharei arduamente para ficar em paz com o “mostro” da ganância, da inveja, do ciúme, da miséria, da manipulação, da compulsão pelo gasto desnecessário, que habita minha mente inconsciente. Sei que ele está aí, mas não darei mais ouvido a ele. Mas caso eu caia na sedução irresistível deste “monstro”, tudo bem… Afinal, ele já está aí há tantos séculos. Começo tudo de novo. Coração aberto, mente organizada, gratidão a cada entrada, abertura para doar.

Coração aberto, mente organizada, gratidão a cada entrada, abertura para doar.

Faça o teste. Depois me conte…

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