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Blog · 6 de janeiro de 2026

Pertencimento na empresa: o caso do cargo fantasma

Pertencimento na empresa: o caso do cargo fantasma

Esse caso eu conto sempre nas formações, porque ele derruba a ideia de que basta contratar gente boa.

O caso

Uma associação de construtores estava com problemas. Dois diretores trouxeram uma queixa sobre um terceiro diretor: um homem simpático, altamente capacitado, com excelentes qualidades de gerenciamento. Mesmo assim, ele estava causando sofrimento à organização. Os funcionários dele adoeciam e o departamento não andava.

Tentaram alternativas, não acharam solução e buscaram uma constelação organizacional. O que apareceu surpreendeu todo mundo: o lugar daquele terceiro diretor não estava disponível no sistema.

À noite veio o esclarecimento. O diretor geral ligou e disse: “Está certo. Realmente éramos somente dois diretores. Colocamos esse homem como diretor de negócios internos porque era muito bom. Na época a votação foi unânime, mas na verdade nunca criamos, realmente, um terceiro lugar na equipe da diretoria.”

O homem era ótimo. O lugar é que não existia.

Pertencer é fato, não sentimento

A necessidade sistêmica de pertencer tem a ver com fatos, não com sentimentos. Você pertence à organização porque está na folha de pagamento, mesmo que não sinta pertencimento.

Fortalece a organização quando todos os que pertencem têm um lugar na cadeia do todo maior: todos os departamentos, os produtos, e também a origem e a história.

Quando falta lugar, aparecem sintomas

Se funcionários, produtos ou projetos não têm realmente um lugar dentro do todo, o sistema inteiro é invalidado. Isso se manifesta como insegurança, menor lealdade e laços frouxos com a organização.

Esses sintomas são a forma que o sistema tem de chamar atenção para uma necessidade básica: todos os que pertencem têm direito a um lugar. E todos os que não pertencem, ou já não contribuem, devem sair de forma adequada.

Lugares contaminados e lugares que não existem

Dois fenômenos aparecem muito:

  • Lugar contaminado: quem ocupa determinada posição sai muito mais rápido que o normal. Ninguém cria raízes ali. A causa está no passado daquele lugar, em alguém que saiu sem reconhecimento ou de forma estranha.
  • Lugar que não existe: uma função criada artificialmente. Os colegas sempre “esquecem” aquela pessoa. Individualmente ela é capaz, mas a posição não tem peso, porque não há razão para ela existir.

A regra prática

O lugar do cargo precisa existir antes da pessoa. Sem isso, por melhor que seja o profissional, o sistema rejeitará sua presença.

Antes de abrir uma vaga, pergunte: esse lugar tem razão de ser? Quem estava aqui antes? Essa pessoa saiu com o devido reconhecimento? Sobre a camada seguinte, veja ordem e hierarquia na empresa.

Quer levar esse olhar para o seu negócio?

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