Parcerias que somam: visão sistêmica
Existe uma sabedoria em estabelecer parcerias. Pois todas elas, sejam boas ou ruins, chegam até nós através de uma sabedoria maior, que deseja nos impulsionar para o mais! Como saber quando é hora de investir e confiar, e quando é hora de se afastar? Como lidar com o que foi ruim, transformando em aprendizados? E como tomar o que foi bom, reconhecendo o nosso mérito e o mérito do outro? É o que vamos conversar agora!
Parceria é como um casamento. Estamos prontos para casar?
Costumo dizer que qualquer parceria é como um casamento. Nossa energia masculina e feminina se une a de outra pessoa, com o objetivo de criar algo novo. É aqui que começa o enrosco.
Como carregamos os padrões familiares de como foram as parcerias afetivas, e muitas vezes estamos identificados a conflitos, vitimismos, relações codependentes, uniões por interesses financeiros, familiares, religiosos ou morais, projetamos em relações profissionais coisas que não tem a ver com trabalho.
Em alguns casos, evitamos as parcerias, com medo de ser enganado. Em outros, nos entregamos como uma criança sonhadora ao primeiro que promete soluções mágicas, e no final, saímos com dor da relação.
Quando você vai estabelecer uma parceria profissional, é importante se perguntar:
– qual o objetivo dessa parceria? O outro irá ajudar num projeto meu? Ou eu ajudarei no projeto dele? Para onde olha o projeto?
– essa parceria irá acrescentar algo para o meu cliente?
– ou: eu irei acrescentar algo para o cliente do parceiro?
– tenho os recursos, conhecimentos e experiência necessários para o projeto?
– o outro tem também recursos, conhecimentos e experiências que agregam, diferentes da minha?
– o quanto estou disposto a dar? O que irei receber? E o outro irá dar o que? Deseja receber o que?
Tudo isso inclui diálogo – o que talvez não seja algo muito fácil, visto que no sistema familiar, as pessoas em geral não eram claras e os interesses ficavam ocultos. Muitas coisas foram prometidas, e não entregues. O diálogo irá clarear esses aspectos, embora não evite totalmente os emaranhamentos.
Aprendendo com os emaranhamentos
Existe um lado lógico, racional, que citei acima. Através de conversas, análises e bom-senso, teremos ideia se a parceria tem força ou não. Mas existe o lado sistêmico, que irá apresentar desafios que a mente racional não consegue detectar, num primeiro instante. Por exemplo, às vezes, você carrega do seu sistema a negação em relação à traição: e você será enganado. Em outros casos, a falta de diálogo e transparência começam a se demonstrar – é uma boa lição para você incluir a falta de transparência e diálogo da sua família. Quem sabe você começa a ver que domina ou é dominado pelo parceiro – existe uma obstinação, uma inflexibilidade. Um pedido para você ficar em paz com os jogos de vítima e agressor do sistema familiar. Existem muitos outros exemplos de situações que trazem aprendizados sistêmicos:
– você se vê fazendo tudo sozinho
– o dinheiro é mal administrado
– o que é combinado não é feito
– você sente vontade de cuidar ou ser cuidado
Quantas vezes a parceria é um presente do Universo para você se curar de um padrão! E se você se cura, e reconhece a importância do parceiro e da situação, ambos podem se separar!
A parceria ideal
Numa parceria ideal, ambos querem crescer, sabem que precisam um do outro para isso, e estão olhando para o que de melhor podem ofertar ao mercado. Os dois estão fortes e dispostos a dar o melhor de si para criar um projeto, e lançá-lo. Sabem que haverá esforços, problemas, diferenças de ritmo, de ideias, mas renunciam à necessidade de ter razão para que o projeto seja a soma dos dois, e não a imposição de um em detrimento à renúncia do outro. Respeitam-se mutuamente, porém, sabem se cobrar quando necessário. Se apoiam nos momentos ruins e celebram as conquistas. Sentem-se recompensados pelo que recebem e felizes quando estão dando.
Mas… sabem que, possivelmente, em algum momento haverá separação. Cada um irá tomar o seu rumo. Quando isso ocorrer, não haverá mágoa. Mesmo que haja um pouco de tristeza, o que prevalecerá, ao final, é uma imensa gratidão! A parceria cumpriu o seu papel, e deixou um legado ao mundo.
