Como podemos ajudar alguém? (vídeo – parte 1)

Gente, vídeo fresquinho, sobre o que é realmente “ajudar” alguém, sob a perspectiva das Ordens da Ajuda… vejo muitos colegas se perdendo na “dó”, ou na “projeção” dos próprios problemas, ou ainda, querendo forçar as pessoas a mudar (mesmo que elas passem por problemas)… Como a constelação vê isso? É o que eu falo, neste novo vídeo!!!

 

A Arte da Ajuda

arte da ajuda

 

Fazes aquilo que dizes ser “ajuda”. Mas fazes sem expectativa. Não olhe a quem. Não escolha o rico, ou pobre. Doente ou saudável. O que paga ou o que não paga. O próximo ou o distante. Aquele que você gosta, ou aquele que você tem aversão. Eu enviarei a pessoa adequada.

Olhe nos olhos dela. Ela estará aí não para receber de ti. Mas para lhe dar. Eu estarei dando, através dela. Quem você acredita que está ajudando? No Meu mundo, todos estão sob Meu amparo. Alguns, passam pelas provações da vida, e mesmo que teus olhos não entendam, era para ser assim. Estas pessoas se sacrificam em nome do Amor. Do Meu Amor. Espelham as suas dores, que você insiste em não ver. E as dores de tantos outros cegos.

Sim. Se sentes chamado, parte para a Ajuda. Mas a ajuda daquele que não quer nada. Não quer chegar a lugar nenhum. Não tem nada para dar. Nem quer transformar nada nem ninguém. E se cansares, senta e espera. Porque então lhe enviarei um Ajudante. Que precisa muito receber de Ti. E você terá a oportunidade de dar a ele, em forma de quem é auxiliado.

Terapeuta: auxiliando a olhar para o que incomoda

nuvens

Estivemos ontem em mais um belo trabalho de cura, através da constelação familiar sistêmica. Desta vez, em Formosa, Goiás. Casa cheia, duas constelações intensas… dois clientes desistiram no dia… Coisa que sabemos que acontece, afinal, muitas vezes a pessoa não está ainda preparada para olhar para o conteúdo que irá emergir das profundezas do inconsciente coletivo. E tudo bem: a desistência faz parte! E é muito louvável que somente as pessoas que estão prontas – mesmo sem saber! – para olhar para suas sensações internas, participem do trabalho. Constelação também é “uma caixinha de surpresas”!

A constelação familiar me ensina e meditar ativamente. Estar presente, enquanto diversos sentimentos, sensações mentais, emocionais, físicas e energéticas vão se mostrando. Às vezes, estoura um desconforto no grupo. Outras vezes, o falatório quer dominar. Ainda em outros momentos, peso, tristeza e dor se mostram… O que quero dizer com isso é que aprendo a aceitar as coisas como elas chegam. Tudo o que acontece. Esse é o meu treino meditativo. Ao sustentar inúmeras situações que o grupo – no caso do atendimento em grupo, ou a pessoa – no caso do atendimento individual, não consegue encarar, abro espaço para a inclusão. E a inclusão abre espaço para a cura.

Talvez o grande exercício da constelação familiar sistêmica seja olhar. Olhar para aquilo que ninguém quer olhar. Olhar para uma perda. Uma dor. Uma traição. Um assassinato. Uma violência. Um abandono. Olhar até para o amor – que muitos não conseguem. E quando digo “olhar”, estou dizendo “sentir”. Olhar com o corpo, a alma, tudo! Quantas vezes passamos situações na vida e simplesmente reagimos, sem olhar.

Vejo pessoas se separando, ficando com raiva uma da outra, mas efetivamente não olham o que está incomodando. Não olham para a dor de ser abandonado, traído, sentindo-se usado e também manipulando. Em outros casos, pessoas perderam entes queridos, tiveram abortos, viram seus filhos adoecendo e falecendo, e não olham para esta profunda tristeza. Às vezes, alguém é enganado num negócio ou relação, por alguém muito próximo. E não olha para o sentimento da confiança rompida. Para a sensação de ter servido “de palhaço”. E também não vê a sua responsabilidade em ser traído, afinal, uma parte da pessoa necessitava desta traição, para ver a sua existência validada.

Sim! Você não entendeu errado. Eu disse que uma parte da pessoa precisa da traição. Precisa da dor. Da perda. Do abandono. Se você olhasse calmamente para sua psique, veria inúmeros “eus”, funcionando, cada um querendo uma coisa. Cada um seguindo uma regra, e influenciando a sua vida, as suas relações, o seu comportamento e o seu pensamento. Mas estes “eus” se escondem de diversas formas, para não serem encontrados. Eles sabem que, quando tomamos consciência de quem somos, a maior parte deles perdem suas funções, e deixam de ter domínio sobre nós. Segundo a constelação familiar, estes “eus” são marcados por situações do passado familiar, onde pessoas e fatos que não temos a menor ideia, foram esquecidos. Nós acabamos nos aliando a estas pessoas e fatos do passado, e sem saber, repetimos as dores vividas antes. Repetimos por amor. Para honrar as pessoas e fatos esquecidos. É a tal historinha de querer ajudar aqueles que achamos injustiçados, mais fracos. É uma programação, e ela age inconscientemente. Por isso dizemos constelação sistêmica. Um sistema atua sobre nós.

Quando buscamos uma relação afetiva saudável, honesta, que traga prazer, esbarramos na programação interna que mostra nossos pais não se amando verdadeiramente, traindo, mentindo, engando. Nossos avós, idem. Os diversos amantes também pululam, energeticamente, no nosso sistema que comanda nossos pensamentos, atitudes e emoções a respeito dos relacionamentos afetivos. Os filhos abortados, os filhos ilegítimos, os amores rompidos, tudo isso influencia nossa psique, e nos faz atrair, em primeiro lugar, as dores, os conflitos e perdas, antes que estejamos verdadeiramente preparados para uma relação livre e em paz… Isto é só um exemplo, que é muito comum, mas não significa que aconteça com todos.

Da mesma forma, podemos entender que, quando partimos rumo a um empreendimento, uma carreira, uma vocação, iremos nos defrontar com os medos: pobreza, incompetência, enganos, traições, julgamentos, excesso de responsabilidade, falta de força, etc. Aquilo que está inconsciente aflora, quando queremos o nosso sucesso. E somente após “olharmos” com o corpo, a alma, o coração, para aquilo que aflora, estaremos prontos para tomar posse do nosso verdadeiro sucesso. Da nossa verdadeira saúde. Da nossa verdadeira relação.

Precisamos das pedras do caminho, para fortalecer nossas pernas. Precisamos das nuvens, para saber apreciar o céu azul e a noite estrelada. Após você conseguir passar pelas sensações desagradáveis, você as verá amorosamente. Como saborosas e profundas lições deixadas por uma inteligência maior, que a todo instante nos acompanha, nos orienta, nos ensina e ampara.

Quando estamos trabalhando com terapia, seja em grupo ou individualmente, estamos a serviço desta inteligência. E ela nos preparou para que possamos auxiliar as pessoas a olharem para aquilo que elas não conseguem olhar. Está nos convidando a abrir nossos sentimentos e sair da cabeça racional, que busca explicações o tempo todo. Explicações que de nada servem, porque nenhuma explicação nos leva ao caminho maior de todo ser humano: o amor incondicional. O terapeuta se verá também provocado, porque suas próprias negações surgirão. Quando trabalhamos com constelação sistêmica, todos nós estamos sendo curados. Todo curador, em algum momento, tem que ser “objeto da cura”. Tem que receber o apoio e auxílio de outros curadores. E mesmo após estar “pronto” para o trabalho, será muitas vezes confrontado com o que não aceita. Verá pontos dentro de si onde não consegue manifestar o amor. Talvez manifeste o ódio. A discriminação. A raiva. A exclusão. A loucura. A insegurança. O ciúme. A avareza.

O que podemos fazer com isso? Observar: este ódio é meu. Esta discriminação é minha. Esta raiva e exclusão são minha responsabilidade. Alguém, que não tenho domínio nem conhecimento, está apresentando estas lições no meu caminho, e me auxiliará a integrá-las em meu coração. Assim funciona o trabalho de cura. Sou provocado o tempo todo. E quando não caio na provocação, quando consigo dar um passo e me afastar da sensação que quer me engolir, vejo que tudo é parte do processo. Tenho que dar conta de algo intenso, mas é para isso que fui chamado a ser terapeuta. Este é o meu destino. E este destino é muito grande. Eu me rendo, humildemente a ele. E permito até que ele me fragmente em milhares de pedaços, para que eu posso servi-lo com mais isenção e integridade. Assim é nossa sina: curamos para curar. Somos curados e curamos. Talvez, em algum momento, perceberemos que até essa cura que tanto nos apegamos, são somente nuvens.

O sol continua brilhando, sempre, no céu azul.

Um terapeuta de constelação não olha para a cura. Sente o movimento

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“Quão mínima é toda a teoria, todo esse querer ter razão sobre aquilo que é certo e errado. Quão pequeno? Isso é como quando as crianças querem construir o mundo numa caixa de areia. O mundo continua no seu ritmo, deixando de lado a caixa de areia”. Bert Hellinger – Ordens da Ajuda

Antes de mergulhar no universo da constelação familiar sistêmica, estudei programação neurolingüística, a PNL. Neste tipo de abordagem, estamos geralmente orientados para buscar a solução para um determinado contexto apresentado pelo cliente. Na realidade, vivemos uma sociedade focada em buscar soluções. Soluções imediatas. E se vivemos buscando soluções, significa que estamos o tempo todo olhando para os problemas. Falta de dinheiro. De saúde. Separações de relacionamentos. Conflitos entre pessoas. Perdas. Precisamos de soluções! Soluções! Soluções, diante de tantos problemas.

Graças a este tipo de visão, no começo eu via as pessoas que eu atendia como gente problemática. Que precisava mudar. Que precisava de cura. Que tinha que alcançar um patamar x. Estava preso aos meus conceitos de certo e errado, de doença e saúde, de adequado e inadequado, e me via o tempo todo confrontado com pessoas e situações que não se enquadravam ao que eu desejava. Estranhamente, eu percebia que a constelação sistêmica agia sobre estas pessoas de uma forma que nem eu, nem elas entendiam. E muitas vezes, meses após, ou em alguns casos, dias depois do atendimento, eu recebia um feedback assim: não sei o que aconteceu, mas minha mulher teve uma crise emocional que nunca ocorrera. E então tivemos um diálogo franco, como nunca! E ela nem sabe que vim fazer terapia! Estamos nos entendendo, finalmente… Você acha que é por causa da constelação?

Quando eu lembro do trabalho feito, muitas vezes verifico que a constelação não atingiu um estado de solução. Quer dizer, nem sempre as pessoas ficaram totalmente confortáveis, a imagem final da constelação nem sempre é a mais agradável. Isso, segundo nossos conceitos de “certo e errado”. E mesmo assim, os efeitos ocorrem. Então, para que tanto foco na solução, se sabemos que algo irá mudar? E o pior: aquela pessoa tão problemática, na minha cabeça, se mostrava diferente, e eu não sabia explicar o porquê. Acho que eu que era “o problemático”, né?

É lógico que um cliente, se está se separando, quer uma resposta direta: vou separar ou a relação vai melhorar? Se ele está com um sintoma físico, quer saber: vou me curar? Se ele está sem dinheiro, deseja a resposta: qual o caminho da prosperidade? Onde vou me encontrar financeiramente?

Comecei a aceitar que estas respostas não vinham com clareza. E nunca virão. Ou seja, não havia solução, nem na imagem da constelação, nem na resposta que eu poderia dar ao meu cliente.

A solução está no movimento

É lógico que minha mente de alguém que gosta de respostas, fica querendo apontar algo fácil e direto: vai acontecer isso! Deixe esta pessoa! Essa doença vai desaparecer em 2 dias! Mas isso não existe, em constelação. Conforme Bert Hellinger veio percebendo a constelação familiar se desenvolvendo como método, descobriu que o mais importante é o movimento que ocorre. E este movimento, dentro da constelação, pode ser sutil. Às vezes, uma pessoa que não conseguia olhar para outra, olha. Pronto. Houve um movimento! Alguém que estava absolutamente estático, consegue dar uns passos. Ok, houve movimento. Uma dupla que estava se hostilizando, consegue se encarar, e embora sem beijos e abraços, deixam a hostilidade de lado. Houve um movimento!

Nós, como facilitadores, percebemos o movimento e validamos. E também sentimos a energia do campo, quanto mais estivermos conectados com o trabalho. E percebemos claramente a energia mudando. É comum não sabermos quem é quem, dentro da constelação. E é comum não podermos explicar ao cliente o que tem a ver o movimento que houve na constelação em relação à questão que ele veio trabalhar. Não sabemos a solução, mas podemos ter certeza de que o movimento irá afetar a vida do cliente, e a questão será atingida. A experiência de anos trabalhando com constelação e os contatos com os clientes me dá esta certeza.

Vamos supor que um cliente tenha vindo com uma questão de falências recorrentes para ser trabalhada. E na constelação, vemos a imagem de um casal se reencontrando. Nós, como terapeutas, não temos a menor ideia de quem é o casal. E o cliente também não. Mas vamos supor uma história mais ou menos assim: um homem, antepassado do cliente, possuía uma amante, vivendo paralelamente à família oficial. Esta amante nunca foi reconhecida e nem recebeu os benefícios financeiros que a família oficial recebeu. O homem morreu, e esta amante morreu em miséria, sem se casar, sem família. Bert Hellinger nos ensina que os excluídos do sistema familiar (e todas as amantes fazem parte do sistema familiar!) causam um bloqueio no fluxo do amor, até que energeticamente o excluído seja reconhecido, e faça parte. Este emaranhamento sistêmico pode estar provocando as falências sucessivas.

Sabemos, observando uma constelação, que a inclusão ocorre somente quando todas as resistências emocionais, de crenças e energéticas são vencidas, durante os movimentos que surgem na própria dinâmica. Hellinger diz, no livro Ordens da Ajuda: “o movimento da alma é bem lento. Você dá a ele o tempo integral. Enquanto decorre o movimento, decorre a cura.”

Agora… como iríamos explicar uma coisa assim para o cliente? E outra coisa: não há nenhuma necessidade de explicar, porque o movimento da constelação, quando ocorre, é o que vale. A energia foi colocada em movimento, e isso irá refletir na vida do cliente.

Como será este reflexo? Não sabemos. Às vezes, para que alguém, com problema financeiro melhore, é necessário perder o trabalho atual, que está marcado pela energia antiga, para encontrar um novo caminho de vida, e entrar na rota da prosperidade. Às vezes, para encontrar o equilíbrio, será preciso um momento de desequilíbrio, onde as estruturas velhas terão que ruir. Uma casa antiga, desmoronando, edificada sobre fundações inadequadas, precisa ser demolida, para a reconstrução. Outros casos, as mudanças são sutis, porque o cliente já passou por profundas mudanças, até chegar ao trabalho da constelação.

Aprendendo a lidar com a própria mente

Costumo orientar meus alunos do curso de constelação para meditar. É comum a pessoa não conseguir lidar com a expectativa de não saber e a ansiedade de querer a resposta para ontem. E será muito óbvio que o cliente irá atiçar esta ansiedade e expectativa, querendo saber o que ocorreu, quando será a mudança na própria vida, etc. e tal. De quem é a ansiedade? Quem é que está em dúvida?

O terapeuta de constelação precisa aprender a confiar na intuição, e sair dos seus pensamentos condicionados. A intuição e a mente racional funcionam em canais diferentes. A mente racional é afetada por ideias fixas e emoções de coisas do passado. A intuição é um canal mais límpido, que “sopra” uma direção, suaves certezas, que faz com que fiquemos tranquilos e confiantes. Como ouvir a intuição? Deixando os pensamentos e emoções passarem, por mais conturbados que sejam. E como deixar eles passarem? Treinando observar a mente. Meditando o tempo todo. Saindo do tumulto, deixando as conexões de lado, silenciando, parando as conversas fúteis e fofocas. Deixando de querer ter certezas e saber as soluções. Assim, permitimos que tudo seja como é, e a força do destino atue sobre a vida do cliente, em toda a sua grandeza.

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