Eu estou pronto para ser pai?

ser pai

 

Passei o domingo, dia dos pais, cercado por alunos do treinamento em constelação familiar sistêmica. Alguns, entre graça e provocação, me chamavam de “papai”. Curiosamente, tenho trabalhado o tema pai intensamente, nos últimos meses. Seja pelo processo do floral de Joel Aleixo, seja pela constelação familiar, fato é que estou sendo chamado a olhar este aspecto do masculino que, para mim, ainda é um mistério.

E como não poderia deixar de ser, a vida dá uma ajudinha. Tenho a possibilidade de ser pai novamente, e me deparei com um gigantesco “não” interior. Não é o momento! Estou no melhor da minha carreira, e isso iria atrapalhar meus planos! Já tenho dois filhos, para que mais? Perderei minha liberdade! Estou velho para isso!

O ego reage alucinadamente ante a possibilidade de eu ser gerador de mais uma vida… Ôpa, tem algum boi na linha… E então, resolvi encarar este fato de frente: posso ser pai, mas minha intenção consciente está negando.

Na última segunda feira, tivemos o grupo de homens, o Diamante Bruto, e trouxe esta questão para compartilhar. E curiosamente, embora nenhum dos outros homens estavam com a mesma neura, muitos disseram da dificuldade de concretizar seus planos. Na vida real. Dificuldade da carreira deslanchar. Medo de não se bancar. Insegurança. Medo de dar o primeiro passo. Medo da mudança de carreira. Muita masturbação mental e pouca ação concreta. Ou ações desenfreadas, inconsequentes e desistência. De alguma forma, estes homens estavam com dificuldade de gerar um filho, ou mantê-lo vivo, após a inseminação.

Fazendo a analogia de que todos os projetos que gestamos são filhos, me caiu a ficha: todo filho necessita de uma barriga, um ventre que o abrigue. Assim, é necessário estar em paz com o feminino, para gerar um filho saudável. É importante estar em paz com a mãe interior. Porque é a mãe que irá carregar o filho em seu ventre, durante nove meses. O pai, após a gestação, deverá proteger a mulher, dando condições para que a cria nasça bem. E então, fui procurar ajuda em Bert Hellinger, para entender melhor este processo da paternidade.

“…faz parte das ordens do amor na relação entre o homem e a mulher que ambos estejam orientados em função de um terceiro, e que sua masculinidade e sua feminilidade só se completem num filho. Pois o homem só se torna plenamente homem como pai, e a mulher só se torna plenamente mulher como mãe. E só no filho o homem e a mulher formam indissoluvelmente uma unidade, de maneira plena e visível para todos. No entanto, seu amor ao filho como pais apenas continua e coroa seu amor como casal, porque este vem antes daquele. E, assim como as raízes nutrem a árvore, assim também seu amor como casal sustenta e nutre seu amor de pois pelo filho”.

Puxa! Hellinger me ajudou! A questão do masculino e feminino, papai e mamãe estava clara pra mim. Porém, a questão do amor do casal, que é a base para o amor aos filhos, ficou clara somente agora! Nunca havia pensado nisso. Não posso negar que meus atritos com meu relacionamento anterior e divórcio marcaram profundamente meu ser. Mas neguei. Fingi ser um cara trabalhado. Terapiado. Espiritualizado. E as dores lá… esperando um gatilho para serem acionadas novamente. E o gatilho agora é a possibilidade de ser pai.

Lendo o texto do Hellinger, pergunto a mim mesmo: eu confio no relacionamento e amor do casal? Eu realmente estou em paz com o feminino que está ao meu lado, para poder amar nossas criações futuras? O amor do casal vem antes do amor aos filhos. Caso o primeiro esteja corrompido, o segundo também estará…

Aos meus amigos homens, que estão com problemas com seus projetos de vida, igualmente filhos, mas com outro aspecto, sugiro que avaliem como está a sua confiança em relação à mulher. Seja sua parceira, mas principalmente, sua mãe. Se você está em combate com o feminino, poderá jogar muitos espermas sobre tudo, porém, nada fecundará. Ou morrerá rapidamente. Se você não confia no amor entre um homem e uma mulher, a união dos princípios básicos da vida, o masculino e feminino, não conseguirá ter amor suficiente pelas suas criações. E elas poderão morrer. Ou nem nascer.

O homem “mocinho” tem inveja do homem “bandido”

homem mocinho

 

Este texto do Gikovate me lembra o quanto eu tinha inveja dos meus amigos “comedores”. Eu ficava a festa toda tentando arrumar uma, e eles já saíram com três… Lembro-me que tudo começou com a Marta. Menina que me acompanhava, ano a ano, desde a terceira série… Andávamos dois quilômetros até a escola. Ela morava na rua de trás. Quando eu ia na frente, sentia que ela ia atrás, mas sem coragem de emparelhar. Quando ela ia na frente, eu fazia o mesmo. Conforme nós íamos andando, um na frente, outro atrás, ano após ano, seus seios iam crescendo, seu corpo tomando forma, e meu tesão começou a surgir. Até que um dia, tomei coragem para abordá-la. Já estava quase com quinze anos. E… Bem, a encontrei beijando um cara. No canto do pátio do colégio. Senti-me traído… meu grande amor me abandonara… E com ódio daquele sujeito… Nunca fui um “comedor”. Carreguei sempre a dificuldade de “emparelhar”. Se é que você me entende… Acho que hoje estou bem com isso. Sou um homem delicado, como o Gikovate diz. E existem os “comedores”. E também seres intermediários… acho. Por exemplo, o “comedor delicado”… Variações do mesmo bicho: o bicho homem. Por isso, achei tão interessante o texto abaixo, extraído do livro Homem: o sexo frágil?  

Coma! Desfrute. Com os olhos…

“Os homens mais delicados não se conformam com o fato de tantas mulheres atraentes preferirem os ‘bandidos’ ao invés dos ‘mocinhos’. Não podem deixar de colocar em dúvida a validade de suas condutas mais íntegras, pois neste assunto tão essencial quem leva vantagens é o homem padrão. Este homem padrão que já o humilhou quando criança e durante a adolescência, contra o qual desenvolveu secretas hostilidades, continua a humilhá-lo agora porque é capaz de agir com as mulheres de uma forma que ele não consegue. Ele não quer se transformar em grosseiro e mentiroso, mas também não quer pagar um preço tão alto pela sua integridade. Não é consolo saber que em outras áreas de atividade ele esteja se dando melhor do que os seus oponentes. Ele quer sucesso com as mulheres; mas não quer magoar e enganar ninguém. Não vê saída para este dilema, até porque, em virtude de seu temperamento, o usual é que as mulheres se apaixonem mesmo por ele, condição que cria o impasse mais apavorante. Não há mesmo muito o que fazer, a não ser dirigir os objetivos mais para o plano sentimental e tratar de encontrar uma mulher com a qual se realize também sexualmente. Porém, mesmo quando isto acontece, sobra sempre a inveja do homem padrão pela sua capacidade de conquistar dezenas de mulheres a cada ano.”

Homem: o sexo frágil? – Flávio Gikovate