Pacificando pensamentos e medos (vídeo)

Oi gente! Aproveitei mais um post que fiz no Instagram, a partir de uma frase de Bert Hellinger, para instigar você a pensar numa coisa: de onde vem suas idéias, crenças, medos? De quem são estes conflitos que carregamos dentro de nós? Será que precisamos combatê-los? Enfim, praticante de tantos caminhos espirituais e de autoconhecimento, sempre fui confrontado com esta questão: lidar com os pensamentos revoltados e os medos mais infundados que existem em mim. E fui descobrindo novas formas de olhá-los. E agora, compartilho com você, a partir do ponto de vista da constelação familiar… Quem sabe possamos conviver em paz com “nossas neuras”?

Não podemos atender “vítimas”

Quando falamos em vítima, estamos falando de um jogo neurótico que permeia relações humanas, descrito por Eric Berne nos trabalhos de Análise Transacional. Berne esclarece que nestas relações doentias, duas pessoas (ou grupos) se revezam em papéis diferentes: o salvador – o perseguidor/acusador – a vítima.
Vou dar um exemplo, que pode se encaixar em tantas e tantas situações: você vê alguém sofrendo. Você faz seus maiores esforços em auxiliar esta pessoa. Você quer salvá-la – se transforma em “salvador”. Esta pessoa, em primeiro momento, se coloca como alguém que aceita ajuda. Conta a sua história difícil, quantas e quantas vezes tentou se recuperar, mas a vida foi cruel. A sorte nunca lhe sorriu. Ela é “a vítima”. Você faz, faz, faz, ela melhora um pouco, mas depois, piora. Você começa novamente a ajudar, dando a sua energia, tempo, conhecimento, dinheiro, etc. Ela melhora um pouco, e cai novamente. Você começa a se irritar. Acusa a pessoa de conformada. Fraca. Descomprometida. Você se transforma em “acusadora”. E a “vítima” pode continuar no seu papel. Em geral, o “acusador” verá desperto em si muita agressividade. A “vítima” também está escondendo muita raiva.
Bert Hellinger diz que a “vítima” não está em paz com seus pais. E desconta no mundo a frustração. Percebo que o “salvador”, que depois se transforma no “perseguidor/acusador” também tem sérios problemas com os pais. A única diferença é que aprendeu a operar na vida de uma forma reativa: já que meus pais não deram o que eu queria, da forma como eu queria, faço por mim mesmo.
Perceba se esses papéis existem em sua vida. Seja numa relação afetiva, ao cuidar de alguém, talvez no assistencialismo. Se existe, comece a olhar para a sua relação com seus pais. E para a raiva, inconformismo, mágoa, tristeza que ainda carrega. Trabalhe terapeuticamente isso em si, e você se aliviará de uma grande carga. E de quebra, deixará de jogar este jogo macabro que só leva ao sofrimento.

 

Alex Possato

A mãe e o sucesso (ou fracasso)

 

Sempre que escrevo um texto como o da frase acima, alguém pergunta: e como reverter este processo? Já vou responder: a imagem que temos da mãe é interna. Assim como qualquer imagem que tenhamos a respeito de qualquer coisa. É uma série de conceitos que aprendemos a preservar, devido às nossas experiências, à nossa educação, ao meio em que vivemos e às heranças sistêmicas que recebemos. O que pensamos da nossa mãe não é a realidade. É só um pensamento, permeado por emoções. Vou repetir: o que pensamos da nossa mãe não é realidade.
Pensamentos, crenças e sentimentos podem mudar. Desde que queiramos mudar. E por isso, mudar o sentimento que temos em relação à mãe tem a ver com “sair de um papel de vítima”. E sair de um lugar infantil.
Como adultos, entendemos que causamos dores aos outros. Assim é o ser humano adulto. Assim foi nossa mãe. A mãe não é melhor mãe porque carregou a criança no colo, nem pior mãe porque a abandonou. Ela é mãe, aos olhos da constelação familiar, e proporcionou o maior sucesso que a criança poderia ter: nascer!
Mas e as dores que ela provocou?
Cada um terá que carregar suas próprias dores. Quando falamos que a mãe provocou a dor em nós, estamos nos colocando como criança que acha que ela fez isso de propósito. A criança acha que tudo gira em torno dela. Mas o adulto sabe que não é bem assim. A vida provoca prazeres e dores, e nada é contra ou a favor de nós. É tudo, simplesmente, vida.
Precisaremos carregar nossas mágoas, sem dúvida. E mesmo assim, podemos reverenciar a mãe como a fonte geradora da nossa vida. A maior e única fonte. Perfeita, pois nós nascemos.
Tá bom… mas preciso morrer de amores pela minha mãe?
Claro que não. Morrer de amor ou de ódio ainda é a criança presa aos dramas. E tudo bem se nossa criança está presa a isso.. A vida é mais simples. A mãe é a maior fonte geradora de vida para nós, plena e perfeita neste aspecto. Foquemos somente neste ponto, e esqueçamos o resto, por um tempo. Os próximos 70 anos…

 

Alex Possato

Vítimas e agressores em paz

Sempre que vejo pessoas assumindo uma posição de defesa de vítimas, de forma intransigente e cheia de raiva contra o agressor, entendo que esta pessoa atrairá um destino muito pesado para ela. Esta é uma lei sistêmica. Agressores e vítimas fazem parte de um jogo maior, estão a serviço de algo que precisa ser mostrado na família ou na sociedade.
Ambos estão a serviço, inconscientemente. Como diz Bert Hellinger, olhando através de uma consciência maior, não há certos e errados. Bons ou maus. Tudo é como é. Da maneira como é.
E quando não conseguimos agir a partir desta consciência maior, agimos através da consciência menor, que sempre irá separar, julgar, condenar. Olhemos os justiceiros. Em geral, morrem tragicamente. E muitas vezes, estes justiceiros, em nome daquilo que defendem, causam tanto mal quanto os agressores. “O agressor age, enquanto a vítima sofre. Julgamos tanto mais culpado o agressor e tanto mais grave o seu ato quanto mais indefesa e impotente for a vítima. Após o fato, porém, ela raramente continua indefesa. Pode agir e exigir do culpado justiça e reparação, colocando um ponto final na culpa e possibilitando um recomeço.
Quando a própria vítima não age, outros agem no seu lugar, porém, com uma diferença: o dano e a injustiça que causam em seu lugar são muito piores do que se a vítima tivesse exigido justiça e se vingado por seus próprios meios”, explica Hellinger.
Desta forma, entendemos que sempre haverá erros a serem reparados e esta roda não para de girar.
Quando ela pode parar? Quando agressor e vítima se reconhecem como iguais. Ou quando a dor e dano tiver sido tão, mas tão excessivos, que ambos se reconhecem como derrotados e podem partir.

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Não é você quem cura

Não é você quem cura! Você se coloca a disposição, e alguém lhe auxilia (4)

Quando estamos num trabalho de cura, muitas vezes nosso campo se conecta ao campo de outros curadores que vieram antes. Assim, algo maravilhoso pode ocorrer. E não seremos nós, terapeutas, que estamos curando alguém.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Bert Hellinger, no livro “A Cura”, acredita que podemos nos conectar com “aliados”, como ele mesmo diz, que nos conduzem num trabalho de cura. Muitas pessoas terão a tendência de colocar suas crenças espirituais para interpretar uma situação assim. Porém, eu o convido a se abrir somente para a idéia do campo morfogenético que se demonstra nas constelações: da mesma forma que podemos nos conectar com alguns tipos de informações do passado familiar de pessoas que nem conhecemos, acredito que o terapeuta também pode se conectar com informações terapêuticas e experiências já vivenciadas por outros. Sejam pessoas da nossa família ou não. Bert Hellinger concorda que existem estas possibilidades e que elas são reais, práticas e efetivas. Diz ele: “⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Ao nos abrirmos para essa dimensão da nossa existência (nota: sobre a possibilidade de sermos conduzidos por algo além da nossa consciência pessoal no trabalho de cura), pedimos ajuda aos nossos aliados, quando não sabemos como prosseguir, pedindo aos mesmos que nos mostrem. Como? Muitas vezes imediatamente, ao nos atrevermos a fazer algo que não nos parece possível com as nossas próprias mãos.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Mesmo assim, olhamos ao mesmo tempo para além deles, para o que está por detrás deles, para seus aliados e para o poder criativo ao qual todos eles servem. Curvamo-nos diante dele, sabendo que a salvação encontra-se exclusivamente em suas mãos” (Bert Hellinger, A Cura)

Alex Possato

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